Fogo devora jóia pantaneira PDF Imprimir E-mail
Andreia Fanzeres*   
15/09/2008, 15:46

As imponentes morrarias da Serra do Amolar, umas das regiões mais bonitas do Pantanal mato-grossense, estão tomadas por chamas. E o fogo arde com um potencial de destruição intimidador. Segundo as primeiras observações, em dois dias foram consumidos 2 mil hectares de vegetação típica de Cerrado e o vento forte empurra as labaredas na direção da sede da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, administrada pela Fundação Ecotrópica.

Além de uma beleza cênica inigualável, essas serras são consideradas os mais importantes refúgios da fauna pantaneira. Uma queimada ali, ainda mais na época de floração e de frutificação, pode representar perdas incalculáveis para a biodiversidade.

O incêndio começou há quatro dias e foi provocado por raios despejados sobre os cumes serranos, provocados por uma frente fria que passou por Corumbá (MS). O fogo desceu pelas encostas.

Na noite de domingo (14), os brigadistas de prontidão no Parque Nacional do Pantanal se assustaram ao enxergar a linha de fogo sem controle a cerca de 10 quilômetros. “A situação é séria e piorou nesta noite. Ventou muito forte e a gente achou até que ia chover, mas não caiu um pingo. O único efeito da ventania foi alastrar o fogo”, descreve Sergio Brant, analista do Instituto Chico Mendes (ICMBio) que passou os últimos dias no local e estimou que o fogo esteja queimando por uma frente de 15 quilômetros de extensão.

Embora não seja atribuição do Ibama combater fogo em reservas particulares, especialmente quando as unidades de conservação federais atravessam o período crítico de seca, no caso do Amolar eles sabem que precisam fazer tudo que for possível. “Nesta época, a maioria das plantas entra em frutificação e toda a fauna tem ciclo relacionado com esses alimentos. Se o fogo vencer, esse ciclo é abortado”, explica Rodrigo Falleiro, chefe do Prevfogo em Mato Grosso.

Apesar da gravidade, infelizmente não há muito o que fazer. “Estamos destacando mais 25 brigadistas de outras unidades de conservação para ajudar, com alguns técnicos experientes em áreas alagadas, mas para enfrentar um fogo desses só com combate aéreo”, diz Falleiro.

Por este motivo, deve chegar à região nesta terça-feira (16) um avião Dromeder, com capacidade de carregar 2.500 litros de água e realizar cerca de cinco pousos por hora. Quatro bombeiros de Corumbá também ajudam.

De acordo com o Prevfogo, neste fim de semana um helicóptero deixou brigadistas do Ibama na crista da serra, mas sem água para abastecer as bombas o combate perdeu em efetividade. Na tentativa de apagar as chamas em meio ao terreno pedregoso, as equipes tiveram abafadores quebrados e ali constataram o pior: que a tendência é que o fogo só termine quando lamber a morraria inteira. “A estratégia é minimizar os danos, tentando evitar que o fogo chegue a dois vales na parte baixa da serra, que ficam na face leste”, diz Brant.

A situação é quase uma tragédia anunciada. Falleiro garante que raio só provoca grandes queimadas quando existe acúmulo de combustível. E no Amolar há muito. O mato está seco e vem crescendo desde o último grande incêndio na região, em 2003. “Incêndio no Pantanal é sempre muito difícil, mas essa situação poderia ser evitada se houvesse manejo de fogo”, sugere.

Para evitar tanto combustível, ele recomenda que seria ideal estudar a região e fazer queimas controladas a cada três anos, entre janeiro e maio, o que não comprometeria a saúde da vegetação. “Isso vale para todo o Brasil. Antes investir nesse tipo de prevenção do que gastar milhares de reais tentando enfrentar fogo no alto da montanha com 10% de umidade relativa do ar e 40 graus de temperatura”, diz Falleiro.

Raio na Serra do Amolar nunca foi novidade para quem vive e cuida do local. “Em geral queima esparsamente e permite que a vegetação se recupere”, lembra Brant. A diferença é que, somada a essa condição de secura e falta de manejo, na visão do analista, as conseqüências podem ser permanentes. “Infelizmente a parte baixa do Amolar há anos sofre pressão de fogo provocado por pessoas, portanto ela já esta bastante pressionada com capacidade de recuperação reduzida”, observa o analista.

* Colaborou Manoel Francisco Brito.
Comentários
Adicionar RSS
Fabio Pellegrini 16/09/2008 17:25:19

É, desta vez, não há como culpar os humanos.
Marília 17/09/2008 12:59:51

Um verdadeiro absurdo e descaso.
Resposta!!!????
Luciene Rodrigues 18/09/2008 06:59:13

Uma pequena consideração a respeito dos comentários acima citados:
1. De
fato, "desta vez, não há como culpar os humanos". Mas em 90% dos casos
o fogo nessa área começa com incêndios criminosos cometidos por pescadores
irregulares e moradores do entorno, isso não acontece por falta de
sensibilização, já que a Ecotrópica desde a compra das Reservas vem
trabalhando com todo o entorno a certa desse assunto.
2. "Um verdadeiro
absurdo e descado". Concordo, pois instituições como a Fundação
Ecotrópica sobrevive através de doações de parceiros, e isso no Brasil é
muito difícil, pois todos sabem criticar nesses momentos, mas ajudar, ninguem
se interessa. Acho que a concientização das pessoas quanto a perda da
biodiversidade de nosso pais é apenas para "inglês ver"...pois se fala
pouco e se faz menos ainda. Em vez de criticar que tal ajudar.
A tragédia anunciada.
Laercio Machado de Sousa 20/09/2008 19:11:36

A tempos sofremos com a ignorância das pessoas que por mais que façamos e por
fazer algo em prol da conservação de areas,como a da RPPN, mantida pela a
Ecotrópica, sempre exitem aqueles que gostam de olhar sempre pelo lado mal da
coisa, isto quando ele existe o que não é o caso.As pessoas que administram
essas RPPNs devem ser consideradas heroínas pois não é facil manter essas
areas com os parcos recursos obtidos,chega as vezes ser esmola, essas pessoas
que falam mal deveriam ter vergonha ou ficar caladas...estamos tentado dentro de
nossas possibilidades e do nosso altruísmo salvar parte do que resta em todos
os biomas brasileiros
o fogo seja ele de que tipo for não deve ser aplicado em
UCs, capitão ,coronel seja lá o que for, por favor não diga tamanha besteira
esse discurso são dos FAZENDEIROS e de certas pessoas que se dizem jornalista
mas não sabem e nunca procuraram saber a respeito do modelo RPPN - o fogo deve
ser usado por aqueles "FAZENDEIROS" que "expert que são com mais de
200 anos de pantanal"sempre se valem da velha ladainha de sempre, enquanto
isso o mundo vai se esquentando as espécies vão se acabando e todo mundo
"eles" no caso vão culpando aqueles que desejam o bem maior, etâ
paizinho ....O fogo no Amolar poderia ter acontecido ou aconteceria de qualquer
forma ou "natural" o que é muito difícil ou criminoso o que sempre
acontece em qualquer região do pantanal, ele foi é e será dessa forma , quem
quiser ultilizar fogo deve usar por sua livre e espontanea vontade, mas na sua
propriedade e não queiram achar que por ser uma unidade de conservação - RPPN
deve ser utilizada a mesma forma de "manejo" de 200 anos é ser muito
prepotente achar que essa é a unica forma de se acabar com os incêndios.É
normal ou pega fogo ou eles põem o fogo é claro e sabido que a região sempre
foi e será avessa a idéia das UCs naquelas areas.Por favor deixem nos
trabalhar em paz , seus filhos netos e bisnetos um dia nos agradecerão por
termos conservado espaços como estes , na Serra do Amolar ou em outro quanto
qualquer desse imenso país.
errata
Laercio Machado de Sousa 20/09/2008 19:14:29

ou em outro canto qualquer desse imensso país.
Comentários dos comentários
Fabio 21/09/2008 08:17:10

Ué, não entendi!
Com meu comentário "É, desta vez, não há como culpar
os humanos" não quis atacar administratores de RPPNs, tampouco a Fundação
citada, mas parece que o pessoal não gostou.
Escrever comentário

Comentários são moderados e aceitos sempre
que não trouxerem termos abusivos ou ofensivos.


Nome:
Email:
 
Título: