
Desmatamento na Amazônia Legal em julho (vermelho) de 2008 / Imazon
A maior parte das derrubadas (76%) aconteceu em terras privadas ou com algum tipo de ocupação humana permanente. Assentamentos da chamada reforma agrária respondem por 18% (50 Km2), parques nacionais e estaduais e outras áreas protegidas por 5% (13,8 Km2) e terras indígenas por 1% (2,8 Km2). Durante a verificação, 17% da Amazônia estava coberto por nuvens, incluindo porções do Amapá, Roraima, Amazonas e Pará.
Degradação sobreposta
Chama a atenção no estudo do Imazon o aumento da destruição na região de Carajás, onde existem áreas protegidas e um pólo siderúrgico sedento por carvão vegetal. As siderúrgicas de lá vem acumulando multas milionárias ao longo dos anos, sem que uma solução definitiva para o problema seja encaminhada pelo governo. A lei obriga esse tipo de indústria a ter plantações de árvores para abastecimento próprio.
Conforme Veríssimo, do Imazon, o consumo de carvão no pólo é de até 14 milhões de m3 anuais. Para tamanha produção, seriam necessários de cinco a dez mil Km2 de cultivos arbóreos. “Nos últimos três meses se intensificou a devastação em uma área já degradada, incluindo municípios como Novo Repartimento e Pacajá”, disse.
Dos dez municípios que mais degradaram a Amazônia em julho, nove estão no Pará. Além de Carajás, o desmatamento avança pela Terra do Meio e área de influência da BR-163, onde o governo tem planos para concretizar áreas protegidas e manejo madeireiro.
Também há registro de destruição dentro de unidades de conservação federais, como a Floresta Nacional do Jamanxim, também no Pará, onde o ministro Carlos Minc recentemente protagonizou ação midiática para multar um pecuarista. Muitas vezes, o verde que resta em determinadas regiões está dentro dessas áreas e de terras indígenas.
Os boletins do Imazon podem ser conferidos na íntegra em www.imazon.org.br.