Um parque para o Lavrado de Roraima PDF Imprimir E-mail
Vandré Fonseca*   
21/08/2008, 06:00


A maior área de campos naturais da Amazônia, o Lavrado de Roraima, é um ambiente , que apesar das semelhanças com o Cerrado do Planalto Central, possui fauna e flora específicas.O número estimado por quilômetro quadrado de plantas é quatro vezes maior do que as savanas do Centro-Oeste brasileiro. São mais de 600 espécies animais registradas, muitas delas exclusivas desta região. Mesmo com a ameaça da expansão do agronegócio pairando sobre estes ricos ecossistemas amazônicos, ainda não existe um hectare sequer de área protegida nos 4 milhões de hectares de campos naturais em Roraima.

O lavrado de Roraima corresponde a mais de 2/3 das chamadas Savanas da Guiana, que se estendem entre Venezuela, Brasil e República da Guiana. Lavrado é o nome regional dado aos campos naturais de Roraima, uma paisagem parecida com os cerrados do Centro-Oeste brasileiro. Aliás, lavrado, campos e cerrado são sinônimos com origem na Língua Portuguesa. Savana é um termo indígena oriundo da América Central que foi incorporado à língua espanhola, e que passou mundialmente a designar estas paisagens de vegetação aberta encontradas na zona tropical do planeta.

Apesar de parecido com a paisagem do Centro-Oeste, os campos naturais de Roraima possuem uma diversidade estimada de espécies de plantas por quilômetro quadrado maior que a do cerrado (0,0125 espécie/km2 contra 0,0032 espécie/km2). Isto é por conta da maior extensão em área dos cerrados do Brasil Central, que dilui a densidade de espécies por unidade de área. Entretanto, o lavrado está no Hemisfério Norte, cercado pela Floresta Amazônica e pelo Planalto das Guianas, o que confere à paisagem características e evolução natural únicas.

Atualmente, a única garantia de conservação a este ambiente amazônico, são as 27 Terras Indígenas que cobrem cerca de 58 %por cento do lavrado Ainda assim, uma forma de proteção para lá de indireta . Todo o restante é ameaçado pelo agronegócio, com a expansão de culturas como soja, arroz, cana-de-açúcar e plantações de Acácia (Acacia mangium), para produção de celulose. "Já são cerca de 65 mil hectares de áreas ocupadas pelo agronegócio. Parece pouco, mas se a gente pensar que há alguns poucos anos não havia tinha quase nada, percebe-se que ele (o agronegócio) está entrando vai chegar aqui com força por aqui", afirma o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Roraima, o ecólogo Reinaldo Imbrozio Barbosa.

Não é por falta de proposta ou de pessoas empenhadas em proteger o lavrado. Reinaldo Barbosa faz parte de um grupo formado por Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Roraima, analistas ambientais do Ibama e Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista, que apresentou ao governo federal os planos para a criação do Parque Nacional do Lavrado, com 61 mil hectares, no Leste do Estado, entre a Serra da Lua e o médio rio Tacutu. A área representa apenas 1,5 % do total de campos naturais em Roraima.

Não é por falta de proposta ou de pessoas empenhadas em proteger o lavrado. Reinaldo Barbosa faz parte de um grupo formado por Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Roraima, analistas ambientais do Ibama e Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista, que apresentou ao governo federal os planos para a criação do Parque Nacional do Lavrado, com 61 mil hectares, no Leste do Estado, entre a Serra da Lua e o médio rio Tacutu. A área representa apenas 1,5 % do total de campos naturais em Roraima.

“Cerca de 210 espécies de aves ocorrem no lavrado”, segundo a proposta de criação do parque. Exemplos de endemismos são o joão-da-barba-grisalha (Synallax kollari) e o chororó-do-rio-branco (Cercomacra carbonaria), que estão na lista da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) de espécies ameaçadas. Entre as 158 espécies de cobras e lagartos registradas em Roraima, 76 delas ocorrem no lavrado, em muitos casos exclusivamente.

Além disto, a região é importante para peixes migratórios que chegam até o Tacutu e Uraricoera, formadores do rio Branco. Mas o conhecimento sobre os sistemas aquáticos do lavrado ainda são bastante limitados. Pouco se conhece, por exemplo, sobre a importância dos lagos temporários que se foram durante as chuvas e abrigam peixes que transitam entre os diferentes cursos d’água da região. Outro grupo pouco estudado é o de mamíferos.

Corrida contra a ocupação

Este foi o primeiro passo de um longo processo de criação que incluiu o levantamento ambiental da área pretendida e consultas públicas. O que os autores da proposta esperam é que o plano de criação do parque não seja mais um a esquentar a mesa do presidente Lula. Outra proposta de unidade de conservação em Roraima, a Reserva Extrativista do Jauaperi, nas matas do Sul de Roraima também espera aprovação do governo federal.

A área do Lavrado coincide com propostas de áreas protegidas apresentadas no Zoneamento Ecológico-Econômico de Roraima. Infelizmente, as matas da Serra da Lua, que ajudariam a enriquecer a paisagem do Parque, ficaram de fora dos limites propostos. A diferença de altitude entre a serra e a parte baixa contribui para a riqueza da biodiversidade da região e seria importante também protegê-la. “Infelizmente, já existem posseiros e agricultores em partes da Serra da Lua”, lamenta Reinaldo Barbosa.

Apesar de deixarem o maciço da Serra da Lua fora dos limites do parque, os autores destacam a importância de preservar as matas que existem ali e sugerem que ela seja totalmente incorporada à zona de amortecimento. “Sua inclusão é relevante por tratar-se de uma Área de Proteção Permanente que é berço de três importantes bacias hidrográficas. Além disso, a heterogeneidade da paisagem observada na região indica uma alta riqueza de espécies e, possivelmente a presença de espécies endêmicas, devido à estratificação vertical da paisagem”, afirma o texto da proposta apresentada ao governo federal.

A área do futuro parque também não está livre de ameaças, o que reforça a necessidade de rapidez em sua criação. A maior delas é o asfaltamento da RR-170, um caminho que pode encurtar em 50 quilômetros a distância entre Manaus e Boa Vista. Segundo os autores da proposta de criação do Parque Nacional do Lavrado, a pavimentação da estrada vai abrir uma nova frente de atividade agropecuária e, em conseqüência, uma ameaça à biodiversidade e funções ecológicas do entorno da reserva.

A possibilidade de conexão com Terras Indígenas e Áreas de Preservação Permanente é importante, segundo os autores da proposição, para a criação de corredores ecológicos. Os pesquisadores e analistas destacam também a importância da unidade para os estudos científicos sobre o lavrado. “A criação de uma UC nesta região vai favorecer a realização de estudos sistemáticos e de longa duração, facilitando a comparação com estudos realizados em outras regiões. Sua localização em áreas de ecótonos (Zona de Transição) com florestas e campinaranas, além da existência do complexo da Serra da Lua ainda em ótimo estado de conservação, indica que a região deve abrigar alta diversidade de espécies”, sustenta a proposta.

A criação do parque não garante a preservação de toda a diversidade existente no lavrado de Roraima, apenas uma amostra desta região especial, não só do ponto de vista ecológico, mas também histórico. A ocupação do extremo norte brasileiro está relacionada à criação extensiva de gado, trazido pelos portugueses no século XVIII e que mais tarde abasteceu o mercado de Manaus no auge do período da borracha, entre 1890 e 1910.

Área Umida


Outra idéia que pode ajudar a conservar os campos naturais de Roraima foi apresentada durante a 8ª Conferência Internacional de Wetlands (Intecol). O ornitólogo Mário Cohn-Haft, do Inpa propõe incluir os campos naturais da Amazônia entre as áreas úmidas. “O Brasil é signatário da Convenção de Ramsar, que dispõe da necessidade de reconhecer a importância internacional de certos exemplos de áreas úmidas”, afirma Cohn-Haft. Áreas úmidas, segundo ele, são aquelas que dependem, para existência e manutenção, de serem encharcadas durante pelo menos parte do ano, o que ocorre nos Campos Amazônicos.

O pesquisador explica que, pelos critérios de da convenção, todos os Campos Amazônicos se qualificam a serem reconhecidos como áreas unidas de importância internacional, “por serem exemplos de ambientes singulares e únicos, por manterem populações de elementos da biodiversidade únicos, como espécies endêmicas, por hospedar e manter populações de espécies ameaçadas e a importância no ciclo de vida de outras espécies".

Conh-Haft reconhece que o lavrado de Roraima é um caso particular, em que a inclusão entre as áreas úmidas seria um pouco mais complicada, devido à diversidade de ambientes encontrados na região. “O que chamam de lavrado, na verdade, é um mosaico de um monte de coisas”, afirma. Mas ele tem uma teoria, que ainda não foi publicada, de que originalmente lavrado era uma região alagável, que foi ampliada pela ação do homem, em um processo que começou antes mesmo da chegada dos Europeus.

Em termos simplificados, segundo a tese de Cohn-Haft, os Campos Naturais de Roraima são formados por áreas alagadas ou de origem recente, que tiveram a paisagem alterada, a partir da chegada dos primeiros habitantes à região. Os Campos Naturais originais seriam as áreas mais baixas, que sofrem alagação ou têm o solo encharcado durante a época de chuvas, que vai de abril a setembro. As encostas de montanhas e áreas mais altas seriam, antigamente, cobertos por uma floresta seca, que ainda pode ser encontrada em vários pontos da região. “De alguma forma, o fogo usado na agricultura subiu nestas encostas e consumiu a floresta”, defende.

Uma das evidências vem dos estudos de pássaros da região. Segundo ele, nenhuma espécie de ave existente na região se originou há menos de vinte mil anos. “Se estivesse como está há mais de vinte mil anos, teríamos mais espécies exclusivas, mas no lavrado existem apenas dois pássaros que não são encontrados em nenhuma outra região, e mesmo assim, vivem em matas de galeria”, explica.

De qualquer forma, isto não impede que o lavrado seja considerado, pelo menos em parte, área úmida, o que dá razões a mais para a proteção deste ambiente característico de Roraima. Cohn-Haft lembra outros argumentos em favor da defesa do lavrado, bem conhecido dos que defendem a criação do Parna, os Campos Naturais são importantes para o ciclo de vida de aves aquáticas, como o tuiuiú, conhecido como Passarão no estado, garças e biguás. Além disto, formam cabeceiras de rios e igarapés, formadores do principal rio de Roraima, o Branco, e onde diversas espécies de peixes se reproduzem. Sobram razões para proteção do Lavrado, agora só falta vontade a quem toma as decisões no Cerrado Planalto Central.

*Vandré Fonseca é repórter em Manaus
Comentários
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Marina Kluppel 27/08/2008 14:42:20

O tema é extremamente relevante e urgente, pena que a edição do texto deixou
escapar um monte de erros de digitação!!
Academico do Curso de Turismo UEA
Bertone Souza 04/05/2009 16:07:39

A materia sobre o lavrado foi de extrema importacia para minha perquisa cobre os
" campos e savanas", nessa materia li definicoes muito objetivas e
esclarecedoras sobre o tema, o que ainda nao tinha visto nos varios sites em
que pesquisei. Parabens pela clareza.
Ps: se possivel gostaria de receber mais
informacoes e fotos sobre o tema " campos e savanas".

Desde ja
agradeco.

Ats,

Bertone Souza
pre-historia
alex 12/06/2009 14:38:42

Se voltassemos a pre-historia verificariamos uma maior quantidade de natureza
intocada, porem hoje a populacao mundial e bem maior e os povos do primeiro
mundo sao mais inteligentes do que os povos do terceiro mundo. Enquanto viajens
interplanetarias sao realizadas, outros debatem o possivel retrocesso
pre-historico para a realizacao de suas "felicidades".
IDEALISMO
Antonio Vassilak P Costa 28/09/2009 07:28:06

É de urgente interesse mundial que se organize as ações do homem na terra,
mas não podemos aceitar que uma pessoa ou organismo inicie um ideologismo,
academica e individualista. É preciso respeitar a soberania do Estado e de seu
povo. Eles é que dão o destino ao seu Território. Ninguem deve fazer
trabalhos as escondidas de um povo já massacrado com tantos lôgros de seu
dominio.É mais uma fronteira estratégicamente desocupada. Sera?
Jornalista
Joel Maduro 30/09/2009 14:53:37

Tratar o agronegócio e quem produz alimento para o mundo como afronta a
natureza é no mínimo ridículo e torpe. Pior ainda, é ver falsos defensores
lobistas de seus bolsos, tirando onda de ecologistas para aparecerem na mídia
mundial como o bam, bam, bam que salvou os lavrados de RR a serviço de outrem.
Os erros do passado não podem servir de factóides surreais para o viés da
nova ordem de dominação.
Amadurecendo
Eustáquio Mendes 30/09/2009 19:10:24

se voce e jornalista mesmo, vai gostar dessa
http://www.oeco.com.br/curtas/38-curtas/22555-bale la-da-crise-de-alimentos nada
como dados novos pra refrescar certas mentes
É BRINCADEIRA!
JOSÉ BARBOSA JR 30/09/2009 20:11:59

Ainda querem criar mais áreas de conservação em Roraima? É brincadeira! É
hora do povo saber a serviço de quem estão esses falsos ambientalistas. Vamos
dizer não e se preciso for vamos fazer uma grande passeata contra mais este
golpe contra Roraima.
muito bom
JúuH 13/10/2009 17:34:07

No site de vcs encontrei tudo q eu precisava!
Obrigadoo!!

JúuH !!!
De olho aberto
Sirlei Ribeiro 01/12/2009 18:22:28

Basta de tanta demarcação em Roraima. Porque essa perseguição? Desse jeito o
estado nunca vai poder progredir. Já não chega os milhões de terras que foram
demarcadas recentemente! E o mínimo de terras que o estado ficou. O povo tem
que ficar atento para os falsos ambientalistas
Uso Sustentável
francisco silva 09/12/2009 08:28:03

Se for uma unidade conservação para os próprio roraimeses utilizar de forma
sustentável tudo bem, mas se for igual ao Parque do Nacional do Viruá, onde
que tem acesso são estrangeiro riscos, não é preciso mais uma unidade de
conservação em Roraima.por que os acadêmicos de turismo da UERR do campus de
Caracaraí não conseguem realizar uma visita técnica ao Parque Nacional do
Viruá, por vários motivos, um deles é ter o contado com o responsável do
Parque, isso por que o escritório esta localizado na nossa própria cidade
Caracaraí.
Roraima e nossa
gleidson uchoa 06/01/2010 19:23:09

uma regiao muito rica, que sempre foi presevada pelas familias
Uchoa,Thome,Ferreira,Perreira e etc!! agora querem nos tomar e brincadeira!!
existem outras areas para fazer isso existem muito mais de 250 familias muitas
tem tilulo definitivo de 1914 e brincadeira o titulo definitivo um documento
maior no Brasil nao vale nada que Brasil e esse??
Deliberadamente errado !
Edson Carramilo Júnior 13/01/2010 10:22:49

olha issó "ainda não existe um hectare sequer de área protegida nos 4
milhões de hectares de campos naturais em Roraima.". SO PODE SER PIADA ISSO
!!?? 1 milhão e 700 mil hectares para a TERRA INDIGENA RAPOSA SERRA DO SOL +
TERRAS INDIGENAS MENORES NO LAVRADOS(campos naturais) não SÃO AREAS PROTEGIDAS
!????? (pensen nisso) texto é errado e serve algum interesse que em Roraima
desconhecemos.
Pensando no futuro....
Eliton dos Santos- Acadêmico d 10/02/2010 08:50:57

A proposta é de grande importância para o Estado. Se implantado, no futuro,
esse ambiente poderá ser um ponto de observação e proteção de espécies,
contribuindo assim para o turismo local. Mas é preciso estabelecer critérios
para essa demarcação, pois na área pretendida existe propriedades
centenárias e comunidades em desenvolviemento. Esse Parque tende a ser uma
área tão importante comoa Ilha de Maracá,ou seja, berços de senvolvimento
tanto da fauna como da flora, um ponto de preservação e estudos das espécies
existentes na área, de grande valia para o futuro.
Vários motivos para preservar o lavrado....
Tércio- Acad. Gestão Ambiental 10/02/2010 08:59:17

A ameaça de expansão do agronegócio e a inexistencia de UC para proteção do
lavrado de Roraima, o crescimento na ocupação do nosso lavrado, em busca de
alimentos e até mesmo, o biocombustível. A heterogeneidade da paisagem que
reflete a quantidade de espécies, inclusive endemicas, o fato de ser o berço
de três importantes bacias hidrográficas, não pode ser tomada pelo
agronegócio que ocasiona impactos sobre os recursos hídricos e a perda da
biodiversidade. Então, essa pequena região não afetará o crescimento
produtivo do Estado.. e sim trará mais benefícios....
É uma boa alternativa....
Ana Cristina,Vilmo e Helena 10/02/2010 09:17:29

Acreditamos que é uma boa alternativa, em virtude da necessidade da
preservação da biodiversidade existente na área. Hoje em Roraima estamos
vivenciando um período crítico, com transição no clima decorrentes do
desmatamento, queimadas.... Daí daqui a 150 anos nínguém saberá como era o
nativo desta Região.....
As Terras Indígenasjá não protegem o lavrado...
Carlos-Gestão Ambiental-Atual 10/02/2010 09:26:26

Particularmente sou contra a criação desta Unidade de Conservação, pois já
existe extensas áreas demarcadas como Áreas Indígenas, sendo que essas já
contém o lavrado no seu interior, essas dificilmente serão utiladas por
aqueles que lá habitam, pois os solos para produzirem necessitam de medidas
corretivas, o que dificilmente será feito pelos indígenas. Por outro lado, a
população do Estado está aumentando, consequentemente, precisará de mais
alimentos para atender essa demanda, bem como a de outos Estados próximos. É
aconselhável utilizar as áreas do lavrado que possua pouca cobertura para
vegetal para a produção de alimento... não podemos pensar só em
preservação quando pessoas t~em necessidade de alimentos...
roraima
pablo 04/03/2010 08:22:17

roraima e um pequeno estado esquesido pelo governo mais nois estamos indo
devagara mais estamos indo com isso o governo de roraima esta ajudando pouco com
isso nois brasileiros vamos levando a vida
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