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| Caminhos da devastação |
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| Manoel Francisco Brito e Andreia Fanzeres | |
| 19/05/2005, 16:15 | |
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As rodovias informais são a indicação mais clara do rumo que a devastação da floresta amazônica está seguindo. Brandão e seu grupo sabem exatamente onde encontrá-las. “Próximas às estradas oficiais”, revela, apesar de recomendar certa cautela com sua afirmação, dizendo que ainda lhe falta uma análise final mais detalhada. “As estradas endógenas nascem a partir de outras federais e estaduais”, diz Brandão. “E não há dúvidas de que quem abre essas frentes está investindo pesado no desmatamento. É a forma mais explícita que temos para prever as novas áreas ameaçadas”, completa Veríssimo. Não é à toa que apenas 20% da devastação da floresta ocorre num raio superior a 30 km da malha viária oficial. As estradas endógenas têm características que lhe são peculiares. São construídas em terras públicas, geralmente por agentes privados. Seu avanço é desordenado, incentivado pela abundância de florestas, o que move o setor madeireiro. Mas não só ele. A reboque chegam os grileiros, até os garimpeiros. Elas caracterizam-se também pela total falta de planejamento viário. O que determina seu traçado é a demanda de tirar recursos da floresta. Isso torna os sinais da presença das rodovias clandestinas relativamente óbvios. Vistas do alto, nas imagens capturadas pelos satélites, parecem um emaranhado de linhas que não têm exatamente destino algum. Estão em quase todo o lugar. Quem escapa são as unidades de conservação. Além disso, essa rede tem a incrível facilidade de crescer a uma velocidade assustadora. De acordo com dados preliminares do próprio Imazon, em 1990 existiam 5.042 quilômetros de estradas ilegais na região centro-oeste do Pará – equivalente a 44% do estado. Cinco anos depois, esse número pulou para 8.679 e, em 2001, já eram 20.796 quilômetros. Hoje, toda área já analisada no Pará contabiliza 61.798 quilômetros de vias clandestinas. Com a intenção de mostrar a importância dessas estradas ilegais no processo de devastação, o Imazon repassa ao Ibama e ao Ministério do Meio Ambiente seus relatórios sobre a malha endógena. Segundo Veríssimo, integrantes do ministério já começaram a utilizar os mapas como indicador de pressão ambiental e instrumento que ajuda a definir a criação de unidades de conservação e zoneamento fundiário. Até o final do ano, o Imazon almeja ter a Amazônia toda mapeada para que, já em 2006, seja possível escolher algumas áreas que serão monitoradas de perto. “Queremos estabelecer uma taxa, saber em quanto tempo uma área cortada pela estrada é devastada. É preciso entender o sentido real dessa luz amarela que está acesa e agir rápido”, alerta Veríssimo. O tempo ruge.
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