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| Casa na árvore |
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| Bruno Prada* | |
| 05/05/2005, 13:54 | |
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O livro Manual do Arquiteto Descalço, do holandês radicado no Brasil Johan Van Lengen, explica algumas das técnicas utilizadas. As ilustrações, aliadas a uma didática clara e acessível, fazem parecer fácil levantar uma casa do gênero. Destinado a construtores, arquitetos, autoridades de pequenos municípios, proprietários rurais, técnicos de zonas urbanas precárias e qualquer pessoa que queira orientar um mestre de obras, o livro destrincha passo a passo a construção de uma casa ecologicamente correta. A flexibilidade da bio-arquitetura reside na adaptação das técnicas de construção ao meio ambiente. Para cada ecossistema existem diferentes necessidades, diferentes problemas e soluções. Em regiões de muita seca, por exemplo, o aproveitamento da água da chuva é essencial. O livro de Lengen ensina um procedimento simples: calhas de bambu levam a água do telhado até um pequeno tanque de areia e brita que serve como filtro, para depois ser armazenada em uma cisterna. Passando por um filtro comum, pode inclusive tornar-se potável. Em regiões sem saneamento básico, os Sanitários Compostáveis Secos dispensam tubulação de esgoto. Os dejetos, misturados a componentes orgânicos como a serragem, são ótimos adubos para a horta caseira. Um esquema bem montado é capaz de fazer desde o acúmulo da matéria orgânica até a adubagem sem necessidade de manuseio, tudo por baixo da terra. O impacto ambiental destas tecnologias é quase nulo, e seus custos muito baixos. Elas dispensam a necessidade de produtos pré-fabricados, logo promovem a independência dos pequenos construtores em relação às indústrias. Aos poucos, a imagem da bio-arquitetura vai deixando de ser associada apenas ao radicalismo ambientalista ou a pessoas sem dinheiro para uma casa padrão. Usar elementos naturais agora é fashion. Materiais como o bambu fazem parte da decoração de restaurantes, hotéis e casas de veraneio. Gilmar Peres, arquiteto de interiores, montou todo um andar do Hotel Portinari Copacabana com materiais naturais e renováveis: “A consciência ecológica tem patrocinado uma nova tendência estética, contemporânea, na qual os materiais antes considerados rústicos são referencias de charme e glamour. A evolução desses recursos já permite fazer ambientes extremamente sofisticados”, garante Peres. * Bruno Prada é jornalista recém-formado.
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