O número de baleias francas que visitam a costa brasileira aumentou neste Inverno. A constatação é do Projeto Baleia Franca, cuja última expedição de monitoramento avistou 119 animais, aproximadamente 4% a mais que os 114 indivíduos registrados no ano anterior, considerando apenas a mesma região de estudo. No total da área monitorada entre os dias 30 de agosto e 7 de setembro, foram 156 avistagens no Brasil (incluindo 58 filhotes) e 32 no Uruguai, além de três raras baleias albinas, duas adultas e um filhote nascido este ano.
O crescimento no número de avistagens – que não representa necessariamente crescimento populacional – pode parecer pequeno, mas é um indicativo de que as águas da região têm sido mais convidativas aos cetáceos ou que eles têm dado “preferência” a elas. Em bom português, para quem gosta de ver baleias, é hora de planejar uma ida até o litoral Sul do Brasil entre agora e outubro, quando as francas começam a se deslocar de volta à Antártica. Os levantamentos da expedição são prova de que a temporada deste ano promete.
A expedição de 2008 foi a mais longa já realizada por projetos de preservação do cetáceo em todo o mundo – no total, foram monitorados 3,4 mil quilômetros na costa brasileira e uruguaia – e também a primeira em parceria com pesquisadores do país vizinho. Os resultados serão usados para conhecer em detalhes a ecologia da espécie, sua dinâmica populacional e as áreas mais importantes para assegurar sua proteção em ambos os países.
Apesar de a caça às francas não ser mais registrada no Brasil, a espécie ainda sofre com pressões antrópicas, como poluição, perda de habitat e o aquecimento global. Por isso, segundo o Projeto Baleia Franca, são tão importantes medidas de preservação, como a constituição de Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e ações de conscientização.
Veja mais:
A nova estação – Manoel Francisco Brito
O espetáculo das baleias – Maria Tereza Jorge Pádua
Leia também
A reabilitação de Elsa
Resgatada pela guarda florestal no Quênia, em 1956, a leoa Elsa é protagonista de uma épica história de reabilitação bem antes do termo ser cunhado →
Voo livre: o colorido das araras-canindé retorna ao Rio
Extinta no estado há mais de 200 anos, aves ganharam uma segunda chance de colorir as florestas fluminenses com reintrodução no Parque Nacional da Tijuca →
O gavião Farialimer e as aves do antropoceno paulistano
A saga do gavião-asa-de-telha, da extinção à vida na metrópole, e seus vizinhos na paulicéia →






