A polêmica nacional sobre as favelas PDF Imprimir E-mail
17/04/2009, 14:00
E a muralha de longe fascina
Quem tem olho grande não entra na China*

A polêmica sobre favelas e ocupação de encostas retornou com bastante força após a derrubada do chamado Minhocão, na Rocinha (RJ). A discussão, como de hábito, limita-se à tradicional dicotomia “remoção versus não remoção”. Se o debate prosseguir com tal nível de “profundidade”, seguramente não chegaremos a lugar nenhum e a questão continuará se arrastando.

Como novidade, surgiram os chamados “eco-limites” que, na verdade, são muros a serem construídos ao redor das comunidades como forma de barrar-lhes a expansão.  Muros são sempre controversos.

Comecemos com um muro que ainda mantém grande prestigio na América Latina, o notório paredón do compañero Fidel Castro, onde muito sangue rolou. Existem também os “muros de direita”, como o relatado por Sartre. O “falecido” presidente George W. Bush empenhou-se em construir um enorme muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. O Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) apresenta os seguintes dados sobre a entrada de imigrantes latino-americanos nos Estados Unidos:

“300 mil latino-americanos cruzam anualmente a fronteira dos EUA com o México - duas vezes mais do que há 10 anos. 75 mil pessoas passam diariamente pela fronteira de San Diego e Tijuana - a mais movimentada do mundo. 500 pessoas morreram em 2006 ao tentar cruzar a fronteira” 1.

Há, também, o célebre muro construído na fronteira de Israel e dos territórios palestinos. Um dos mais famosos de todos é o tristemente conhecido muro de Berlim, o qual ceifou muitas vidas e não foi capaz de impedir o fim da Ditadura na antiga DDR (Deutsche Demokratische Republik).

Todavia, nenhum muro jamais superou a muralha da China em termos de popularidade e longevidade. Note-se, contudo, que ela não foi capaz de impedir a invasão da Coca-Cola e do McDonald’s. Como se vê, os muros pouco adiantaram. Nada nos faz crer que os muros cariocas terão melhor sorte.

A expansão desordenada de favelas é, sem dúvida, um problema muito complexo e não será resolvido em O Eco. Contudo, penso que há uma questão legal muito importante e que não tem sido tratada por quem de direito. Refiro-me ao artigo 429, VI da Lei Orgânica do Município do Rio e Janeiro, que assim dispõe:

“Art. 429 - A política de desenvolvimento urbano respeitará os seguintes preceitos:...VI - urbanização, regularização fundiária e titulação das áreas faveladas e de baixa renda, sem remoção dos moradores, salvo quando as condições físicas da área ocupada imponham risco de vida aos seus habitantes, hipótese em que serão seguidas as seguintes regras: a) laudo técnico do órgão responsável; b) participação da comunidade interessada e das entidades representativas na análise e definição das soluções; c) assentamento em localidades próximas dos locais da moradia ou do trabalho, se necessário o remanejamento”.

Como não sou urbanista, não entrarei no mérito da questão urbanística, limitar-me-ei a palpitar na questão jurídica.

O artigo e seus incisos são claramente inconstitucionais, haja vista que violam o princípio da separação e harmonia de poderes, pois o Legislativo impôs ao Executivo a adoção de uma política pública que integra as suas competências constitucionais ordinárias. Uma leitura rápida da alínea c demonstra que, na distante hipótese de um assentamento, estaria o Executivo obrigado a fazê-lo “em localidades próximas aos locais de moradia ou do trabalho”, o que, na maior parte das vezes é impossível, quando não pouco recomendável ou economicamente inviável.  

Não bastasse isto, muitas vezes as favelas estão sobrepostas a áreas que merecem proteção constitucional e, neste caso, existe uma aparente confrontação de direitos que merece ser solucionada de forma harmônica.

De fato, a Constituição Federal em seu artigo 6º reconhece o direito à moradia2. As favelas, sem dúvida, contemplam moradias e, em análise simplista, poderíamos dizer que, assim, atendem ao mandamento constitucional. Contudo, parece-me que o objetivo da Constituição é o de assegurar moradias adequadas às pessoas, até mesmo porque nossa Constituição reconhece o princípio da “dignidade da pessoa humana”. Por mais que se compartilhe da tese populista de que “favela não é problema, mas solução”, convido os adeptos da teoria que habitam o “asfalto” para trocarem os seus apartamentos com as pessoas que vivem em condições subumanas nas favelas. Depois voltamos a conversar.

A impressão que se tem é que as favelas, de certa forma, reproduzem o quadro social da “sociedade do asfalto”, assim, nos bairros da Zona Sul, as favelas são “zona sul” e possuem nível de renda maior do que as favelas das zonas norte e suburbana. Acredito que já existam alguns estudos feitos pelo Instituto Pereira Passos ou pelo IBGE que poderão confirmar ou não este palpite impressionista. Alguns elementos indicam que a possibilidade é real. O próprio Minhocão é a expressão de uma “especulação imobiliária” nas favelas. A verticalização é outro indício pungente. Um outro elemento é a expansão de “serviços” como “gatonet”, motoboys e muito outros.

Se de um lado há um evidente empreendedorismo, por outro, há subsídios explícitos para os “empreendedores” que auferem lucros sem qualquer contrapartida para o Estado, haja vista que não recolhem os tributos respectivos.  

A crise de financiamento estatal e sua incapacidade de investir em políticas públicas têm gerado um campo fértil para medidas populistas. Em tal contexto, o artigo de nossa lei orgânica que é celebrado por uns como “avanço” deu frutos. A política “socioambiental” que vem sendo implementada nos últimos anos pelo governo federal afastou a incidência de áreas de preservação permanente em núcleos urbanos consolidados (Resolução Conama 369).  

Desta forma, o Rio de Janeiro, mais uma vez, colocou-se na vanguarda. O muro, portanto, é como se para resolver o problema, em medida radical, retirássemos o sofá da sala. É malhar em ferro frio a afirmação de que as favelas são, em última instância, o reconhecimento da inexistência de infra-estrutura no Rio de Janeiro. A outrora decantada infra-estrutura da zona sul dá mostras evidentes de colapso: vejam-se os inacreditáveis engarrafamentos em decorrência de um pneu furado no Túnel Rebouças, ou os alagamentos de bairros inteiros em função de chuvas razoavelmente previsíveis.    


A recente aquisição de imóveis por um cidadão alemão no Vidigal demonstra que, paulatinamente, o substrato social das favelas da zona sul vai se modificando e sofisticando. Se quisermos pensar em remoção, a melhor que se pode fazer é oferecer habitações decentes em locais decentes e, naturalmente, as pessoas buscarão as condições mais adequadas para viver, sobretudo se as condições de infra-estrutura forem adequadas, com transporte, escolas, hospitais etc.

Estamos em processo de revisão do Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro e, portanto, no momento mais adequado para as questões acima levantadas sejam tratadas por quem de direito. É importante, em meu ponto de vista, que não se reduza o debate ao nível de proteção ambiental versus pobreza, pois não é disto que se trata. O Executivo municipal, após muitos anos de inércia, abriu um debate absolutamente fundamental para que se possa vislumbrar alguma possibilidade de solução para questões gravíssimas de nossa vida urbana.

Não temos o direito de desperdiçar mais uma oportunidade, pois outras poderão não surgir mais. Como espero ter demonstrado, a história dos muros nos ensina que eles pouco podem contra fatos sociais.

* trecho do samba-enredo Carnaval do Brasil, a oitava das sete maravilhas do mundo (1981), da carioca Beija Flor de Nilópolis


1 -  http://www.cebela.org.br/CbartigosDet.asp?artigo=80

2  - Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Comentários
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O que funciona ?
Fábio Olmos 18/04/2009 10:37:24

"O que importa nos trópicos é área, é metro quadrado. Se idéia é
preservar, só há uma solução: cerca e polícia". Paulo Vanzolini em
entrevista ao Jornal da Tarde em 28/fev/98.
Paulo Bessa 20/04/2009 07:09:08

Ceeca eletrificada, pode ser com geradores solares. Fica ecológico...
Muros
luiz fernando penna 20/04/2009 10:00:14

Acho inapropriado, para não dizer ridiculo, comparar a delimitação das
favelas ao muro de Berlin ou muralha da China.
Os muros que o Governo
pretende construir, visam delimitar espaços e proteger o meio ambiente, ja
funcionaram é bairos do Rio, como no alto Gavea.
A muralha de China, tem
milhares de anos,portanto não visava conter a Coca Cola, o "paredon' era
local de fuzilamento, etc.
O resto do artigo é confuso, as vezes
contraditorio.
Fabiana 20/04/2009 11:36:08

Não acho o artigo inapropriado...
Acreditar no fantasioso "muro" só
quem não enxerga a realidade da favela de perto (infelizmente sei bem o que é
isso... Não dou um mês para esse "muro" ser derrubado pela comunidade
ou, ao menos, servir de tela para os chamados "pixadores"... Para mim,
é tapar o sol com peneira!!!!
E por falar em china...
Ernesto 20/04/2009 20:28:25

Discordo da afirmação ou comparação de que a muralha da china não evitou a
invasão da Coca-Cola e do McDonald’s. A china realmente é um país recheado
de contradições, violações e outras mazelas.Inegavelmente, ocorrem por ali
desrespeito aos direitos humanos, agressões ao meio ambiente, exploração de
mão de obra barata etc. No entanto, podemos afirmar categoricamente que hoje, a
China, comunista ou não, é a nação que mais sabe jogar o "joguinho
sujo" do neoliberalismo internacional.
Seja com muralha ou sem ela, naquele
país onde vivem bilhões de inquilinos, os interesses nacionais são
respeitados a ferro e fogo.Por lá, Dr. Paulo, não há o velho hábito
brasileiro de se misturar O PÚBLICO COM O PRIVADO, inclusive, na china moderna,
existe o seguinte lema: " O CAPITAL É SEMPRE BEM-VINDO, DESDE QUE OS
INTERESSES NACIONAIS SEJAM RESPEITADOS." Recentemente, em um documentário
produzido nos EUA, sobre a crise neoliberal que assombra a humanidade,
economistas norte-americanos afirmavam que se a China resolvesse receber "
a poupança" que tem depositada naquele país, tudo iria para os ares em
poucos minutos...Em 2007, se a memória não me falha, a China, com a muralha ou
sem ela, ultrapassou economicamente França e Grã-Bretanha. Hoje, encontram-se
na 4ª posição em liderança econômica mundial.Gostaria de poder falar mais
sobre a China, inclusive sobre o tema relacionado ao incrível PODER DE
DISSUASÃO que ela possui, mas, preciso descansar. O capitalismo sempre foi, e
sempre será, a melhor forma de uma nação se organizar economicamente.
Entretanto, os interesses nacionais devem sempre ser respeitados e defendidos,
jamais uma nação conseguirá ser reconhecida de outra forma.

"Quem tem
olho grande não entra na China."
Muro ideológico
José 21/04/2009 06:04:05

A criminosa ocupação de encostas urbanas com a finalidade
de"construção"de precárias moradias,criminosa por parte das
autoridades que"ignoram",fazem"vista grossa"e/ou não as
fiscalizam propositalmente,geralmente com a intenção de não se indispor e
assim obter votos das"comunidades"alí instaladas,com
isto"colaborando"para que ocorram as já tradicionais tragédias anuais
nas estações chuvosas. E apesar disto ser anual,nunca ví ninguém ser
responsabilizado,a não ser as vítimas.
Agora inicia-se a construção de
muros,que daquí algum tempo serão"naturalmente"destruidos e
esquecidos.A conta será debitada,como de
praxe,ao"contribuinte".
Aliás,politicos em geral adoram muros,para
ficar"em cima".
Quanto aos muros e muralhas citados no artigo,criou-se
uma nova classificação ideológica para"cercas":Muros
de"direita"e de"esquerda".Geralmente os muros
de"direita"são para evitar que entrem no paraiso...já os
de"esquerda"é para evitar que a população saia do"paraiso"
e/ou são usados para execuções.E como diz o bolero,asi pasa los
dias...Lembrete:O citado Sartre,um chato,de Paris logicamente,sempre defendeu o
stalinismo e seus"assessórios".
E por falar em china ...2
Ernesto 21/04/2009 09:25:25

Preciso atualizar as informações sobre a China, realmente ando meio por fora
dos acontecimentos recentes:

China ultrapassa a Alemanha e se torna a
terceira economia do mundo
14/01/2009 - 15:42 - AFP
...............
A China
já havia se tornado a quarta economia mundial em 2005, com crescimento de
10,4%, ultrapassando, então, a França, o Reino Unido e a
Itália.
....................
A expansão de 13% do PIB chinês é a maior
desde 1994 e faz com que a economia totalize US$ 3,5 trilhões em comparação
com os US$ 4,4 trilhões do Japão e US$ 13,8 trilhões dos Estados Unidos, em
números de 2007.

( fonte portal IG )
E por falar em China... 3
Ernesto 22/04/2009 08:07:15

Google colabora com censura na China

em 26/1/2006 ( Observatório da
Imprensa)

De olho no crescente mercado de internet chinês, o Google
concordou em censurar os resultados de seu sítio de busca no país – aderindo
às restrições do governo à liberdade de expressão –, e lançou, na
quarta-feira (25/1), uma nova versão de seu sistema de buscas com o sufixo da
China ".cn". Anteriormente, uma versão em chinês estava disponível
através do sítio do Google nos EUA, com a terminação ".com".

............

Para obter a licença chinesa, o Google concordou em omitir
qualquer conteúdo que o governo considerar repreensível e lhe dar liberdade
para escolher o que quiser censurar. Temas como o massacre da praça da Paz
Celestial, ocorrido em 1989, ainda são proibidos. Quando o Google censurar
algum resultado, o sítio irá disponibilizar notificações alertando aos
usuários que algum conteúdo foi removido para obedecer às leis locais. Nem
todos os serviços do Google estarão disponíveis na China, como a ferramenta
de blog e o Gmail. O sítio de notícias do Google terá que passar por
avaliação do governo antes de ir ao ar.
Paulo Bessa 27/04/2009 07:55:58

A discussão sobre os muros, realmente, não se limita aos próprios. Existem
questões subjacentes que não podem ser esquecidas. Há alguns anos começamos
um movimento de cercar praças, igrejas, prédios e, de repente, passamos todos
a viver atrás de grades. Um indiscutível recuo em relação às inúmeras
barbaridades que acontecem em nossa cidade.
Estatísticas demonstram que o
crescimento das favelas em direção às áreas verdes, na zona sul, é
relativamente pequeno. Os muros atendem à uma desorientação da opinião
pública que exige medidas contra toda uma série de desmandos. São simbólicos
e passam uma falsa segurança.
O Governo Ingles tem determinado que nas novas
construções seja determinado um percenrtual para setores menos favorecidos,
evitando-se a colocação dos pobres em guetos.
Uma idéia que poderia ser
pensada é transferir recursos da chamada compensação ambiental (0,5%) sobre
grandes projetos para a construção de residências adequadas para quem
precisa. As novas habitações, seguramente, aliviariam a pressão sobre áreas
ecologicamente relevantes.
Com um pouco de boa vontade encontraremos as
soluções.
Favelas
Ernesto 27/04/2009 15:11:38

O Sindicato da Indústria de Construção Civil (Sinduscon/RJ) elaborou amplo
projeto de erradicação das favelas de São Conrado. A população seria
transferida para apartamentos de dois quartos em áreas públicas na região do
cais do porto. Localização excelente, central, onde todos iriam morar
contentes em suas casas novas, mais seguras, mais decentes, que lhes seriam
presenteadas pela Prefeitura e custariam zero ao governo. O projeto de
construção desse condomínio no cais do porto, seria bancado na íntegra pela
inicitiva privada e, ao poder público, caberia apenas formalizar a doação do
terreno nesta localidade. No referido projeto, se não estou enganado, estaria
prevista construção de um pequeno centro comercial que atenderia as
necessidades básicas da nova vizinhança, além de posto de saúde, delegacia
de polícia, área de lazer, entre outros equipamentos.

Em
contrapartida, toda a área geográfica da "extinta rocinha", seria
repassada à iniciativa privada para construção e venda de unidades
residenciais de um condomínio de luxo . Além disso, haveria também o
compromisso formal da própria inicitiva privada em reflorestar toda aquela
área outrora devastada pelas ocupações e construções irregulares. Tudo isso
a custo zero, tanto para o poder público como para a sociedade.

Muito
bem, diante dessa proposta, aparentemente atraente sob o ponto de vista
econômico, político e social, insurgiram-se pseudointelectuais, artistas,
sociólogos, ONGS e todos aqueles que ganham a vida glamourizando a miséria.
Aliás, a "favela" se transformou no Brasil em um grande filão
cinematográfico, editorial e fonográfico. A "cultura favelada"
movimenta hoje em dia milhões de reais, haja vista o fenômeno de venda de cds
de funk e hip hop. Existem milhões de interesses por trás da miséria
favelada, cuja garantia da permanência satizfaz a gula de alguns espertos,
desde o mefistofélico tráfico de drogas até a exploração eleitoreira.
Por
outro lado, nosso ordenamento jurídico, da maneira como foi concebido, jamais
concederá a possibilidade de que um projeto de erradicação de favelas como
esse siga adiante.

No momento em que se iniciasse a operacionalização de
um projeto desse quilate, seria concomitantemente derramada uma enxurrada de
Mandados de Segurança com pedidos de liminares, impetrados por moradores
revoltosos, diante da possibilidade do despejo iminente.
Sob o crivo da
justiça brasileira que, além de ser parcial e morosa, interpreta a lei e julga
processos como se vivêssemos na Suécia ou na Dinamarca, advogados oportunistas
encontrariam uma grande possibilidade de receber poupudos honorários.

Veja
bem, Dr. Paulo, não estou aqui tentando promover um projeto de erradicação de
favelas, até porque não conheço em profundidade suficientete o tema para
emitir maiores considerações. Mas, o exemplo que cito serve muito bem para
ilustrar o cenário da mais absoluta inoperância em que vivemos nesse país.
Acredito que em países como a China, Dr. Paulo, um assunto como
"erradicação de favelas" seria operacionalizado em vinte e quatro
horas sem maiores obstáculos.
Mao Tsé-Tung nunca foi santo da minha
devoção, todavia, sou obrigado a reconhecer que a partir do momento em que
estudos mostrassem a viabilidade de um projeto como o que citei acima, ninguem
se oporia a ele na China. Essa é uma das principais diferenças entre países
como China e Brasil.

Na China, existe o respeito à coisa pública,ou seja,
O PÚBLICO NÃO SE SUBMETE AO PRIVADO. Garantiram a melhor performance mesmo sem
abdicar dos próprios valores, aderiram às regras do mercado explorando dele o
máximo que se pode em benefício dos interesses nacionais. Já no Brasil, os
INTERESSES PRIVADOS comandam todo o processo político e econômico em
detrimento dos interesses nacionais. Ademais, preciso insistir, nosso
ordenamento jurídico da maneira como foi concebido, é um grande elemento
complicador na medida em que funciona absolutamente refém de inúmeros
"princípios norteadores" (vide artigo 5º caput da CF e parágrafos). O
excesso de princípios orquestradores em nosso sistema legal, propicia a total
paralisia legislativa e o completo engessamento político, principalmente em
situações como "erradicação de favelas".

Portanto, Dr. Paulo,
acredito que o DEBATE sobre muros em favelas, seja improfícuo desde a nascente,
por impossibilidade de fato e de direito de se avançar sobre ele. De um lado,
estarão sempre os oportunistas da miséria obstaculizando qualquer iniciativa
produtiva, do outro lado, os moradores dessas comunidades sempre farão valer
seus legítimos interesses habitacionais, como não poderia deixar de ser.
Lembre-se também, Dr. Paulo, de que o partido político dos ricaços
brasileiros que antes se denominava Partido da Frente Liberal, agora é
conhecido como "DEMOCRATAS". Depois desta constatação, eu vou parando
por aqui.
Saudações!
Paulo Bessa 03/05/2009 16:17:54

Muro é o BRUNO
Ernesto 04/05/2009 05:56:58

RONALDO...
ERRADICAR TODAS AS FAVELAS JÁ!
Elisabeth 04/05/2009 23:28:34

Sou totalmente a favor da erradicação de TODAS as favelas do Rio de
Janeiro...Enquanto elas existirem, a população do Rio de Janeiro não terá
paz nem segurança.
A construção do muro só fará com que nós gastemos um
absurdo e amanhã estará esquecido...os políticos demagogos falam em colocar
policiais permanentemente nas favelas...MENTIROSOS!!!Outro dia em conversa com
um policial, eu fiz uma pergunta relativa a um problema da rua onde eu moro.
perguntei: "mas vocês não farão nada?" e ele me respondeu: "o
governo finge que nos paga e nós fingimos que protegemos a população..."
e o pior é que ele está certo! uma pessoa que arrisca a vida todos os dias tem
que ganhar bem...o salário de um policial é ridículo...nós, moradores do
Rio,vivemos em guerra civil...que saudades do Carlos Lacerda! Só ele removeu 27
favelas...
Carlos Lacerda
Ernesto 05/05/2009 09:49:31

Carlos Lacerda foi um grande brasileiro empreendedor. Um grande orador, talvez o
maior de todos que já apareceram por essas bandas. Infelizmente, a boca dele
funcionava mais rápido do que o próprio cérebro. Acabou se indispondo com o
General Golbery do Couto e Silva - outro grande brasileiro - perdendo assim a
oportunidade de se tornar Presidente do Brasil. Tinha gabarito para isto. Enfim,
ele é mais um exemplo de brasileiro que morre pela boca. Eu lamento não ter
vivido nessa época maravilhosa, nem era nascido.
luciana 20/06/2009 16:21:37

Sou totalmente a favor dos muros.
Delimitar com algo consistente é válido.
O
problema é que essa onda de destruiçao de meio ambiente só serve para
pobres...
Pobres destroem...A área de um imóvel de pobre é de no máximo 50
metros...
E o que vemos em algumas áreas são imóveis enormes dentro de
florestas,que visivelmenteatacam e destroem o meio ambiente.
O que é feito?
O
pobre invadiu e destruiu !
Vamos contê-los.
Movimento de preservação do meio
ambiente deveria ser feito na Amazônia e em milhares de indústrias que poluem
diariamente nesse país.
luciana 20/06/2009 16:25:35

Tem gente aí achando que a falta de segurança é tão e somente por causa de
favelas...
Filhos de classe média alta não roubam nem matam !
Muito menos
menos financiam o crime relativo a drogas !
KKKKK tem que rir.
Ernesto
luciana 20/06/2009 16:29:25

repassada à iniciativa privada para construção e venda de
unidades
residenciais de um condomínio de luxo .

Talvez seja esse o destino
do Alto da Boa Vista....
ocupação de encostas
luciana 25/07/2009 16:30:36

Ocupação de encostas, gado e fogo são vilões da Mata Atlântica

Jornal do
Brasil

RIO DE JANEIRO - Para o professor Rogério Ribeiro de Oliveira, do
departamento de geografia PUC-Rio, os três vilões que corroem a Mata
Atlântica no estado são as ocupações das encostas por residências (mais de
classe média alta do que favelas, segundo o professor), a presença de gado e o
fogo.

– Cada pisada da vaca pesa 100 quilos. Isso compacta o solo e não
permite mais que a água se infiltre no solo – explica Oliveira. – Se a mata
só pegou fogo a floresta ainda consegue se recuperar, Mas se pegou fogo e o
gado a pisoteou fica muito difícil.

O professor Oliveira estima que a
recuperação de um hectare custe entre US$ 3 mil e US$ 4 mil. Cerca de 90% do
valor é gasto com mão de obra. Após o plantio da muda, deve ser feito um
trabalho de manutenção por no mínimo seis meses.

– Mas uma tarde de
passeio de um cabrito pela área pode arrasar com o trabalho. Os balões de
festa junina também são um problema terrível – enumera Oliveira. – Podem
acabar com um ano de trabalho. A manutenção da Mata Atlântica não é uma
questão de obras, nem de investimento maciço, mas de uma mudança de
mentalidade da população.

A falta de um órgão que fiscalize os números
divulgados pelas empresas é um dos entraves considerados pelo engenheiro
florestal Marcelo da Silva. Diretor da Biovert, empresa especializada em
reflorestamento, Marcelo da Silva diz que uma empresa pode anunciar que fez o
replantio de milhares de árvores, mas que esse número pode não ser real.


Uma empresa que queira colocar um anúncio de página inteira, inventando que
está fazendo um reflorestamento de tantos hectares, consegue fazê-lo. Não há
um órgão que fiscalize esse trabalho – critica o engenheiro.

Outro
obstáculo para o sucesso de um reflorestamento, conta marcelo da Silva, são as
formigas. O passo inicial de um trabalho desses é o controle desses insetos.
Caso contrário, eles comerão as mudas.

– Primeiramente temos que controlar
a formiga, que come as mudas. Ela se alimenta do fungo das folhas que leva para
o formigueiro. As mudas não conseguem se desenvolver.

Como se não bastasse,
ainda há o capim, que compete com as mudas por água e luz. Para controlá-lo
usa-se técnicas de plantio ou então a poda pura e simples.

– A competição
é muito grande por nutrição e água. Em um período de estiagem maior, o
capim tem muito mais capacidade de extrair água do terreno do que a muda –
explica o engenheiro. – O capim vai competir por água o tempo inteiro.
Normalmente a gente só faz esses plantios após boa chuva

Marcelo da Silva
calcula que o custo da muda plantada e mantida por um ano fica entre R$ 10 e R$
12,50.

– Depende da condição em que o terreno está, a distância. A
logística influencia muito. Terrenos inclinados são mais complicados.

22:32 -
26/05/2009
giovanna 15/09/2009 11:48:59

só tem ****** conservador nesse debate. voces estao procupados com a conjuntura
do texto, debatendo sobre a china, quando na verdade se trata de uma questao
social aqui no brasil. é necessário melhorar a vida dessa população e
apartir disso ter um cotrole natural de natalidade, consequentemente a expansão
territorial diminuiria para áreas preservadas.
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