Pela carioca Avenida Rio Branco
A Avenida Rio Branco, para aqueles que não se lembram, é a antiga Avenida Central, inaugurada aos 15 de novembro de 1905 como parte de um projeto de modernização da cidade do Rio de Janeiro e como prova definitiva de que éramos “civilizados”. Foi uma obra concebida pelo engenheiro Paulo de Frontin que depois virou elevado e foi a pique vitimado pela “
stress corrosion”, como se disse à época. “
João do Rio a definiu como "esse grande Sabá arquitetônico de dois quilômetros", por onde passa "o Rio inteiro, o Rio anônimo e o Rio conhecido".
1 O seu atual nome foi homenagem ao Barão de Rio Branco, falecido no ano de 1912. Com cerca de 2 (dois) quilômetros, a Avenida Rio Branco tem sido historicamente palco de manifestações políticas, - a famosa passeata dos cem mil aconteceu em suas entranhas, tendo desembocado na Cinelândia: “
No dia 26 de junho de 1968, cerca de cem mil pessoas ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro e realizaram o mais importante protesto contra a ditadura militar até então. A manifestação, iniciada a partir de um ato político na Cinelândia, pretendia cobrar uma postura do governo frente aos problemas estudantis e, ao mesmo tempo, refletia o descontentamento crescente com o governo; dela participaram também intelectuais, artistas, padres e grande número de mães.”
2- culturais, artísticas e tantas outras.
Por falar em ditadura, uma das maiores boçalidades que ela cometeu foi a destruição do Palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal, situada ao final da Avenida, que foi demolida por simples capricho da ignorância então reinante, mas que resiste em ceder passo. "
Por volta de 1970 tem, junto com outros edifícios da Avenida Rio Branco, o pedido de tombamento federal negado pelo IPHAN, conseguindo-o apenas no âmbito estadual. A falta do aval federal para sua preservação levaria a uma verdadeira batalha em 1976. Com as obras do metrô, é pedida sua demolição, apoiada por baluartes da arquitetura moderna como Lúcio Costa, e pelo Jornal "O GLOBO", que o atacava veementemente através de editoriais. Por outro lado, o IAB e o Clube de Engenharia, através do Jornal do Brasil, tentavam de todas as maneiras preservar o edifício. Contudo, nem mesmo alterações no traçado do metrô foram suficientes para salvar o Palácio, que viria a ser demolido no mesmo ano."
3 No fundo, uma desculpa conveniente.
É também pela Avenida Rio Branco que o Cordão do Bola Preta dá o primeiro grito do abre alas momesco, alojando-se na Cinelândia. Espaçhando-se por todo o Centro.
A Avenida Central, quando inaugurada, era fruto de uma evidente intenção de reproduzir os ares parisienses nos trópicos – “prova de civilização” – e os seus edifícios como o Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes, a Biblioteca Nacional, o antigo prédio do Supremo Tribunal Federal eram claramente francófilos, talvez uma demonstração do “complexo de vira-latas” rodrigueano. Desde a sua inauguração em 1905 houve muita mudança na artéria, as antigas construções foram sendo demolidas impiedosamente e delas pouco resta: a Cinelândia e os trechos anteriores à Avenida Marechal Floriano (Rua Larga), onde o Leão reinava soberano no comércio varejista, são as últimas testemunhas. Desde 1905 várias avenidas Rio Branco foram construídas e demolidas.
O primeiro “arranha céu” do Rio de Janeiro foi inaugurado na Avenida Rio Branco, refiro-me ao Edifício Avenida Central, construído sobre os escombros da Galeria Cruzeiro e próximo ao antigo “tabuleiro da baiana”, estação de
bondes extremamente ecológicos “
avant la lettre” os quais foram substituídos pelos “chifrudos”, ônibus elétricos que não vingaram e permitiram que no Rio de Janeiro exista um dos “sistemas de transporte” coletivos mais poluentes, ineficientes e retrógrados que se tem notícia. Mas isto é outro assunto.
Apesar de passado tão glorioso, a Avenida Rio Branco, hoje, encontra-se largada à própria sorte, vítima do abandono das autoridades municipais. Aquele que se dispuser a um pequeno “footing” pelas calçadas da Avenida Rio Branco poderá constatar o que digo. Em primeiro lugar, chova ou faça sol, o nosso pedestre chegará ao destino inteiramente molhado pelos respingos de aparelhos de ar–condicionado instalados fora das normas da prefeitura, as quais exigem uma calha para que a água saída dos aparelhos não molhe os transeuntes. Sem querer bater em cachorro morto: “É ilegal é daí?” Este, contudo, dos males é o menor.
A circulação de triciclos e motocicletas pelas calçadas da Avenida Rio Branco, notadamente entre a Almirante Barroso e a Presidente Vargas é algo que não assusta mais ninguém. Muito menos a valorosa Guarda Municipal que, sempre aos bandos, nada vê, nada sabe, nada escuta. Apesar dos esforços da Comlurb que, reconhecidamente, é uma empresa que trabalha, as calçadas vivem cheias de papéis que são distribuídos por pessoas que se aglomeram em frente das casas comerciais, impedindo a passagem do transeunte mortal. Por que não multar os beneficiários da distribuição, por sujar a cidade?
Nos fins de semana, o estacionamento sobre as calçadas é figurinha fácil. Quem pensa que aos sábados é mais tranqüilo caminhar nas calçadas do Centro está redondamente enganado. Se nos dias de semana a ordem é quase que inexistente, nos fins de semana, a situação é aquela descrita pelo nosso síndico Tim Maia: “Vale tudo, liberou geral”.
Os jornaleiros que, sem dúvida prestam um relevante serviço à nossa cidade, estão com bancas cada vez maiores e ocupando os espaços destinados aos pedestres. Quanto à camelotagem, desnecessário qualquer comentário. Enfim, esperemos que as coisas mudem na nova Administração.
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Os carros sobre a calçada da Rua Jardim Botânico voltaram.
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http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=5906, capturado aos 10.11.2008
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http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=314, capturado aos 10.11.2008
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http://www.almacarioca.com.br/monroe.htm capturado aos 10.11.2008.