Download PDF

Mais do que uma notícia, uma crônica ou um artigo, este texto é uma mensagem de agradecimento. Primeiro, aos leitores, que acompanham o blog, generosos seja no compartilhar o conteúdo em redes sociais, e ajudar a multiplicar seu alcance, seja nos comentários. Amigos viraram leitores, leitores viraram amigos e a ideia de criar e manter um espaço de reflexão coletiva sobre mobilidade urbana e bicicletas ganhou vida. Mesmo as críticas ajudaram ao longo dos anos a fortalecer a produção, ajustar o foco, fazer pensar, repensar, mudar de ideia, ter mais ou menos certeza. Desde que o blog foi criado, em junho de 2010, foram 234 textos distribuídos em 32 meses. A produção será interrompida para dar lugar a uma plataforma de jornalismo de dados sobre cidades com enfoque ambiental, um novo projeto dentro do site ((o))eco. Mais novidades nos próximos dias.

 

Bicicletada contra o aumento do ônibus em 2011. Foto: Palmas

Obrigado, claro, a todos do site. Fica o registro de que os editores Gustavo Faleiros e Eduardo Pegurier sempre defenderam o blog, garantindo sua criação e manutenção e respeitando sua independência editorial. Dentro da proposta de se discutir mobilidade e, principalmente, bicicletas, sempre senti liberdade para escrever. Nos últimos três anos, houve espaço para temas tão diversos como cicloturismo (na Serra da Canastra, na Serra da Graciosa, no Pico do Jaraguá, na Mata Atlântica, com macacos!), manifestações coletivas (Pedalada Pelada, Dia Mundial Sem Carro 2010, 2011 e 2012, protestos pelas mortes dos ciclistas Antonio Bertolucci, Julie Dias, Márcia Prado, Nemésio Ferreira Trindade, Wanderson Pereira da Silva, e pedestres Vitor Gurman e Marília Feijó) e individuais (bicicleta dobrável liberada no Metrô), além, é claro, de notícias sobre mobilidade urbana e ciclismo.

Mesmo quando inventei de percorrer a Transamazônica de bicicleta, ((o))eco apoiou a ideia. Aliás, o Outras Vias não é um blog de um só autor, mas de autores. Obrigado também a todos que colaboraram neste período, ajudando na construção de um espaço plural. Valeu Thiago Benicchio, Gisele Brito, João Lacerda, Jessica Martineli, colaboradores diretos contratados para dar continuidade ao blog durante pedaladas mais longas e viagens. Valeu, Aline Cavalcante, Karina Miotto, JP Amaral e Odir Züge Jr. e Takeshi Tomita, articulistas pontuais, mas precisos, que enriqueceram esta troca de ideias. Sobrou espaço para discussão de propostas e conceitos (passe livre, ciclovias x respeito, bike anjos, campanha de proteção aos pedestres, eleições estaduais e municipais, aumento de ônibus, não foi acidente, pedal verde, estética do medo, violência do medo, percepções distorcidas, ônibus, caminhadas e bikes, a opção da maioria), para se pensar em velocidade (o ritmo de Saramago, pedale tranquilo, Formula Indy, ciclistas selvagens), para refletir. Até uma biblioteca com referências foi criada.
 
Haja links! O blog acompanhou desde mobilizações contra aumento de ônibus em SP até ações no Morro do Alemão no RJ, mas não se limitando às duas cidades trouxe informações sobre bicicletadas e iniciativas em diferentes locais no Brasil (Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Porto Alegre e Manaus) e do exterior (Mulheres, bicicletas e fundamentalismo, As bicicletas do Irã), só para citar alguns exemplos.

Morte e vida
O Outras Vias nasceu em 7 de junho de 2010. E hoje se junta ao Apocalipse Motorizado, talvez o melhor blog sobre bikes já criado no Brasil, este finado em 2011. Os textos que foram produzidos ao longo destes quase três anos continuam disponíveis em dois endereços: no WordPress, onde o blog nasceu, e no site ((o))eco, onde o trabalho terá continuidade, só que de outra forma. Todo arquivo permanece em Creative Commons 3.0, com livre reprodução autorizada desde que citada a fonte. Informação não é mercadoria, é direito.

O Outras Vias surgiu em um momento em que o cicloativismo fervia em São Paulo, com novos espaços de debate sobre o direito ao uso da bicicleta como transporte se multiplicando. Fez parte de uma mobilização crescente, que agora já tem sólidas raízes e tem servido de base para a construção e consolidação de políticas públicas. O movimento mudou e ganhou frentes institucionais, ao mesmo tempo em que mais gente se juntou para ajudar a fermentar a Massa Crítica existente. Hoje, sobram sites de qualidade em que se discute mobilidade, bicicleta e direito à cidade. Dá gosto de ver o trabalho que o portal Mobilize, o site Vá de Bike e o blog Transporte Ativo têm feito - só para citar três exemplos de uma lista praticamente interminável. É bom acompanhar o entusiasmo e a felicidade de quem começou a pedalar e descobrir a cidade de outras formas. 

Por aqui, interrompemos as atividades. Por ora, pelo menos, para atacar em outras frentes.