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Seca aumenta incidência de incêndios na Chapada Diamantina

Brigadistas lutam há 12 dias para combater três incêndios no entorno do parque. Governador decretou situação de emergência em 60 municípios.

Daniele Bragança ·
30 de outubro de 2012 · 9 anos atrás
Um brigadista em ação. Foto: Sergio Carvalho/Bral
Um brigadista em ação. Foto: Sergio Carvalho/Bral

A situação já é conhecida: um agricultor resolve limpar o terreno com fogo controlado; o vento espalha as chamas que consomem não só o terreno que deveria limpar, mas as terras vizinhas, até chegar a uma área preservada. Assim tem início mais um incêndio em unidades de conservação. Essa é a atual situação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, onde o fogo começou no dia 19 e se alastrou pela região.

Atualmente, três grandes focos estão no entorno da unidade e brigadistas lutam para que as chamas não entrem no parque. “Estamos com dois focos bem controlados e um que ainda tem grande preocupação. Em relação à Chapada Diamantina como um todo, a situação é bem mais crítica […]. No Parque Nacional não temos nenhuma área pegando fogo. Um dos incêndios que a gente está combatendo pegou uma bordinha do parque, bem pequena, mas não chegou a adentrar como um fogo grande que viesse varrendo o Parque. Estamos dias e dias batalhando para que as chamas não entrem”, afirma Bruno Lintomen, analista ambiental e chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

O risco de incêndio na região já havia sido anunciado. No começo do mês, o governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou situação de emergência em 60 municípios do oeste baiano e na Chapada Diamantina devido à seca e à risco de incêndios. Cinco das seis cidades circunvizinhas do Parque Nacional da Chapada Diamantina estão na lista: Lençóis, Mucugê, Iraquara, Itaeté e Ibicoara.

“A Chapada está enfrentando a pior seca nos últimos 40 anos. Eu que sou nativo daqui vi rios que nunca tinham secados secarem”, afirma Janio Gleidson Souza Rocha, atual presidente e há 17 anos membro da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis – BRAL, brigada voluntária que está ajudando no combate aos incêndios na unidade de conervação.

O Parque Nacional conta com dois aviões de combate à incêndios e cerca de 60 brigadistas, que inclui a brigada contratada do ICMBio, da PREVFogo em Mucugê e brigadistas voluntários da região, entre eles a BRAL, mas também existem brigadistas de outras cidades da região. A principal dificuldade no momento é a ausência de helicópteros para o transporte dos brigadistas até o local do fogo.

“Jogar água com o avião e os brigadistas embaixo combatendo o foco é bem eficiente. Agora estamos com focos de difícil acesso e, para ter sucesso, seria necessário o helicóptero para transportá-los”, explica Litomen em entrevista por telefone a ((o)) Eco.

O fogo veio de uma região de fazendas e é por isso que o ICMBio suspeita do foco ter vindo de queima de pasto, algo comum de acontecer nessa época do ano. “Provavelmente a queimada controlada perdeu o controle, o fogo subiu a serra, uma montanha em Mucugê bem complicada, bem acidentada e o controle do fogo tem sido bem difícil” explica Lintomen.

De acordo com o chefe do parque, ontem o helicóptero do Corpo de Bombeiros auxiliou no combate as chamas. “Os bombeiros estão tentando nos ajudar, mas estão com muito trabalho na região” afirma.

No começo do ano, o Parque Nacional da Chapada Diamantina já havia sofrido com outro grande incêndio. Segundo o Climatempo, a previsão é de que haverá chuva na região a partir da quinta-feira, o que pode ajudar a acabar com o fogo, como aconteceu com o incêndio que atingiu o Parque Nacional da Serra do Cipó, na região Central de Minas Gerais.

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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