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Futuro do Protocolo de Quioto segue indefinido

Negociações para um novo acordo de redução das emissões de gases de efeito estufa continuam tensas poucas semanas antes de encontro da ONU em Durban, na África do Sul. 

Flávia Moraes ·
10 de outubro de 2011 · 15 anos atrás
Abertura das negoçiações no Panamá: caminho para acordo na COP 17, que começa na África do Sul em novembro, ainda está nebuloso. (crédito: UNFCCC/divulgação)
Abertura das negoçiações no Panamá: caminho para acordo na COP 17, que começa na África do Sul em novembro, ainda está nebuloso. (crédito: UNFCCC/divulgação)
O Panamá foi a sede da cúpula preparatória para a 17ª Conferência das Partes (COP-17) sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (UNFCCC, sigla em inglês), que vai acontecer em Durban, África do Sul a partir do dia 28 de novembro. Avaliações e opiniões antagônicas seguem sendo a tônica das negociações. O secretariado da Convenção do Clima vê avanços, mas os resultados são classificados como incipientes por organizações ambientalistas.

Conforme a ONU, o encontro marcou um progresso na elaboração de textos decisivos que irão permitir aos governantes concretizar a ajuda financeira para adaptação dos países em desenvolvimento aos impactos do clima. “Houve um bom avanço no Panamá, não só a respeito da adaptação, mas do acesso às tecnologias necessárias para incentivar os países menos desenvolvidos a construírem suas fontes de energias renováveis”, afirma Christiana Figueres, secretária executiva da UNFCCC.

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A difícil tarefa de um novo acordo sobre clima

Um guia sobre as controvérsias em torno do aquecimento global

Outro ponto discutido é a continuação do Protocolo de Quioto. Isso porque o primeiro periodo de compromisso termina em 2012 e, a partir daí, não haveria nenhum outro acordo para controlar as emissões de gases de efeito estufa. Para Figueres, há chances de a questão ser resolvida na próxima Conferência, pois “embora os governos tenham diferentes posições sobre o assunto, muitas questões técnicas relacionadas a um novo acordo já foram concluídas e há um forte desejo, de todas as partes, para que uma decisão política seja concluída em Durban”, justifica.

Por outro lado, a World Wildlife Fund (WWF), avalia que ainda há muitos impasses nas negociações climáticas que podem colocar em risco o sucesso da COP-17. Tasneem Essop, chefe de Estratégia e Defesa do Clima, diz que “temos muito o que fazer para avançar e muito pouco tempo para isso. Os países não demonstraram vontade de se comprometerem. Precisamos que os chefes de estado e os ministros, presentes em Durban, ratifiquem o novo Protocolo e comecem a formular um guia para a prevenção das piores consequências que podem advir das mudanças climáticas”.

Essop destaca ainda que o tema-chave para a próxima reunião é o financiamento (para adaptação e mitigação nos países em desenvolvimento), pois ele garante o sucesso das negociações sobre o clima a longo prazo. “Os Estados Unidos, atualmente, são o principal obstáculo para construir uma discussão sobre como os compromissos financeiros a longo prazo podem ajudar os países mais vulneráveis , que já vem sofrendo com aumento da frequência de inundações, do nível do mar e das secas. Esperamos que eles repensem esse assunto, já que fracassar nas negociações não seria uma opção, mas está tornando-se possível se essas pendências não ficarem resolvidas antes da COP-17”, conclui.

Saiba mais
Site Oficial da Convenção do Clima – UNFCCC

  • Flávia Moraes

    Jornalista, geógrafa e pesquisadora especializada em climatologia. →

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