No Recife, a superintendência do Ibama em Pernambuco decidiu cortar 7 árvores, podar radicalmente outras 14 e retirar folhas e flores de quatro palmeiras imperiais das suas instalações, no bairro de Casa Forte – a medida provocou indignação de vizinhos e uma movimentação contrária que ainda não cessou.

A professora Rejane Ferreira fotografou a ação dos profissionais da motosserra e não compreendeu a poda. “Foi um choque. Só faltei ter um troço”, disse. O procurador da República Edivaldo Oliveira, que se juntou ao coro dos cidadãos indignados, descobriu também que o preço pago para o serviço parece ser mais que o dobro do preço de mercado. Ele procurou o edital do pregão eletrônico do Ibama, leu o documento digital de 25 páginas em arquivo PDF e achou o preço dos serviços: R$ 44 mil.

O Ibama estabeleceu como preço máximo para o serviço, detalhado no processo 02019.000417/2011-60 do pregão eletrônico 03/2011, o valor de R$ 49.102,53. A empresa vencedora da licitação foi a Paraná Verde, do Paraná. Edivaldo encontrou, via internet, outras cotações para serviço de poda, no Paraná, e com valores abaixo da metade do que o Ibama pagou. No pregão presencial 056/2011 do sistema de registro de preços da Prefeitura de Pinhais, Paraná, uma poda de árvore alta sob fiação e obstáculos tem o valor unitário de R$ 429,67. O serviço mais complexo e mais caro é o corte de árvore alta e sob fiação, que custaria em Pinhais R$ 720,00. Ao se multiplicar essa cotação pelo número de árvores envolvidas na poda do Ibama em Pernambuco -- 25 árvores, considerando tudo--, chega-se a um total de R$18 mil (25 x R$720), um valor que representa a fração de 40,1% do que foi pago no Recife.

O mais curioso é que a empresa que venceu o pregão do Ibama no Recife é do Paraná, a Paraná Verde. O serviço foi executado pela Reciflora, uma subcontratada local. A engenheira florestal Luiza Gomes respondeu pela empresa recifense e defendeu a intervenção. “Foi feito um laudo, muitas árvores estavam doentes, atingidas por pragas, cupins. A poda e a erradicação de árvores foram necessárias”, argumenta. Luiza Gomes compara a manutenção em árvores a um corte de cabelos. “Se você passa muito tempo sem ir ao cabelereiro, não pode chegar lá e pedir apenas para aparar as pontas”. O Ibama, conta a engenheira florestal, não cuidava das suas árvores há dez anos.

No lugar das árvores erradicadas, a Reciflora plantará 40 mudas, todas de mata nativa. Ipê, Pau Brasil, Mescla de cheiro serão algumas das espécies plantadas. Foram retiradas totalmente um ipê roxo, uma mangueira, uma tamarineira, um tamboril, uma tulipeira e um sábia. O serviço deverá estar concluído em 15 dias, estima Luiza Gomes.

A superintendente Ana Paula Pontes esclareceu que as sete árvores erradicadas estavam comprometidas, de acordo com laudo fitossanitário. Ana Paula também disse que a licitação foi feita obedecendo os trâmites legais. Questionada por e-mail se o valor do serviço, R$ 44 mil, não era alto demais e desproporcional ao preço obtido em licitações para serviços semelhantes, Ana Paula não respondeu.



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