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A cooperativa, associação ou ONG que vencer a licitação via pregão eletrônico vai atender a cinco assentamentos com mais de 300 famílias e responsável pelo manejo de mata nativa de 1 mil hectares.
O Piauí é o estado com o terceiro maior índice de desmatamento no Nordeste. Dados do Ministério do Meio Ambiente revelam que a Caatinga já perdeu mais de 45% de sua cobertura florestal. O manejo do bioma é apresentado como uma estratégia para manter a floresta em pé, produzir lenha e carvão legalmente e oferecer trabalho e renda para o camponês no período de seca – época em que a atividade agrícola e pecuária é reduzida no semiárido.
Por contraditório que possa parecer, o uso do machado e a produção de carvão podem ser aliados da conservação. O diretor da Associação de Plantas do Nordeste (APNE), o engenheiro florestal Frans Pareyns tem mais de 25 anos de pesquisa no sertão brasileiro e defende a prática. “O manejo florestal sustentável contribui com a biodiversidade, garante a cobertura e oferece ao homem no campo uma nova fonte de renda”, argumenta.
Antes de entender o manejo, vale a pena lembrar que no semiárido, o camponês pode desmatar para plantar uma cultura ou criar gado até 80% da sua propriedade, sem considerar as Áreas de Proteção Permanentes (como topo de morro, mata ciliar, encostas, nascentes). O que os projetos propõem se reservar outros 30% da área total da terra para manejo florestal.
O plano de manejo para a Caatinga consiste em dividir a área a ser trabalhada em 15 talhões. A cada ano apenas um desses lotes de terra é explorado. No primeiro ano, o primeiro talhão sofre corte raso (são poupadas árvores protegidas por lei, frutíferas e de valor cultural), os tocos são mantidos e não se usa o fogo. No segundo ano, o segundo talhão recebe a visita do machado, e assim por diante, até o 15º ano.
Como estudos de engenheiros florestais garantem que o bioma volta ao seu estado natural 15 anos depois, por rebrota, no 16º ano, o primeiro talhão estará novamente pronto para ser manejado. “Estamos estabelecendo novos paradigmas”, sintetiza Frans Pareyns, da APNE.
O responsável pela unidade Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro, Newton Barcellos, já acompanha esse trabalho de extensão rural em 32 assentamentos, onde moram 801 famílias que manejam 5,9 mil hectares de Caatinga em Pernambuco e na Paraíba. “O homem do campo passa a ver a mata nativa como uma aliada, não como um entrave”.
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