Notícias

Serviço Florestal abre edital para manejo de Caatinga

Plano prevê ensinar aos camponeses um sistema de revezamento de terra que permite explorar a madeira aumentando a cobertura da Caatinga.  

Celso Calheiros ·
1 de julho de 2011 · 15 anos atrás
Carros de boi transportam lenha nativa da Caatinga. O bioma é manejado por camponeses em 5,9 mil hectares em Pernambuco e na Paraíba. crédito: Acervo SFB/MMA
Carros de boi transportam lenha nativa da Caatinga. O bioma é manejado por camponeses em 5,9 mil hectares em Pernambuco e na Paraíba. crédito: Acervo SFB/MMA
O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) anunciou que está procurando entidades que possam elaborar planos de manejo florestal da Caatinga e oferecer assistência técnica florestal para assentamentos de pequenos agricultores familiares no Piauí.

A cooperativa, associação ou ONG que vencer a licitação via pregão eletrônico vai atender a cinco assentamentos com mais de 300 famílias e responsável pelo manejo de mata nativa de 1 mil hectares.

O Piauí é o estado com o terceiro maior índice de desmatamento no Nordeste. Dados do Ministério do Meio Ambiente revelam que a Caatinga já perdeu mais de 45% de sua cobertura florestal. O manejo do bioma é apresentado como uma estratégia para manter a floresta em pé, produzir lenha e carvão legalmente e oferecer trabalho e renda para o camponês no período de seca – época em que a atividade agrícola e pecuária é reduzida no semiárido.

Por contraditório que possa parecer, o uso do machado e a produção de carvão podem ser aliados da conservação. O diretor da Associação de Plantas do Nordeste (APNE), o engenheiro florestal Frans Pareyns tem mais de 25 anos de pesquisa no sertão brasileiro e defende a prática. “O manejo florestal sustentável contribui com a biodiversidade, garante a cobertura e oferece ao homem no campo uma nova fonte de renda”, argumenta.

Antes de entender o manejo, vale a pena lembrar que no semiárido, o camponês pode desmatar para plantar uma cultura ou criar gado até 80% da sua propriedade, sem considerar as Áreas de Proteção Permanentes (como topo de morro, mata ciliar, encostas, nascentes). O que os projetos propõem se reservar outros 30% da área total da terra para manejo florestal.

O plano de manejo para a Caatinga consiste em dividir a área a ser trabalhada em 15 talhões. A cada ano apenas um desses lotes de terra é explorado. No primeiro ano, o primeiro talhão sofre corte raso (são poupadas árvores protegidas por lei, frutíferas e de valor cultural), os tocos são mantidos e não se usa o fogo. No segundo ano, o segundo talhão recebe a visita do machado, e assim por diante, até o 15º ano.

Como estudos de engenheiros florestais garantem que o bioma volta ao seu estado natural 15 anos depois, por rebrota, no 16º ano, o primeiro talhão estará novamente pronto para ser manejado. “Estamos estabelecendo novos paradigmas”, sintetiza Frans Pareyns, da APNE.

O responsável pela unidade Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro, Newton Barcellos, já acompanha esse trabalho de extensão rural em 32 assentamentos, onde moram 801 famílias que manejam 5,9 mil hectares de Caatinga em Pernambuco e na Paraíba. “O homem do campo passa a ver a mata nativa como uma aliada, não como um entrave”.

{iarelatednews articleid=”24901,25134″}

 

Leia também

Notícias
18 de fevereiro de 2026

Brasil perdeu 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo por conversão de áreas naturais à agricultura

Quantidade equivale à emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo cálculo feito por pesquisadores da Esalq-USP e da Embrapa

Reportagens
18 de fevereiro de 2026

Um ano de Trump: como os Estados Unidos reverteram avanços climáticos, dentro e fora do país

Earth.Org analisa algumas das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde sua posse em 20 de janeiro de 2025, e o que elas significam para os estadunidenses e para o mundo

Salada Verde
18 de fevereiro de 2026

Justiça afasta indenização milionária envolvendo desapropriação no Parque Nacional do Caparaó

TRF-2 reconheceu prescrição e e livrou Ibama e ICMBio de indenização sobre áreas da Unidade de Conservação criada em 1961

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.