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Alimento saudável para os abutres da Índia

Uso veterinário do diclofenaco é apontado como principal causa de queda da população de abutres na Índia e países vizinhos

Vandré Fonseca ·
13 de maio de 2011 · 15 anos atrás

Voo do abutre-de-bico-longo, uma das três espécies ameaçadas. Crédito: Wikipédia
Voo do abutre-de-bico-longo, uma das três espécies ameaçadas. Crédito: Wikipédia
A população de três espécies ameaçadas de abutres asiáticos continuam em declínio, mas cientistas relataram que finalmente uma medida crucial adotada há cinco anos está surtindo efeito. Após a proibição do uso veterinário do medicamento diclofenaco, em 2006, a proporção de carcaças de bois contaminadas pelo fármaco diminuiu 40%. Mesmo nas carcaças contaminadas, foi verificado que a concentração do produto também ficou menor.

O consumo de carcaças de animais tratados alguns dias antes com o diclofenaco, remédio usado contra dores e inchaços no rebanho, causa falência renal nos abutres e é apontada como a principal, embora não seja a única, causa da redução drástica do número destas aves na Ásia. Os resultados da pesquisa, financiada pela Iniciativa Darwin do governo do Reino Unido e pela Sociedade Real para a Proteção de Pássaros, foram publicados na edição do dia 11 de maio, do periódico científico PLoS ONE.

As três espécies de abutres são classificadas com criticamente ameaçados pela IUCN e, apesar da boa notícia, ainda não estão salvas. Os cientistas esperam agora que a taxa de declínio da espécie mais susceptível, o abutre-indiano-de-dorso-branco (Gyps bengalensis), caia e chegue a 18% ao ano, ou seja, as medidas ainda não são suficientes para salvar o animal. Desde 1992, a população desta espécie caiu de dezenas de milhares de animais para apenas 11 mil indivíduos, uma redução de 99,9% (veja artigo).

Outras duas espécies do gênero Gyps tiveram uma redução de 97% da população no mesmo período. Calcula-se que existam apenas mil abutres-de-bico-estreito (Gyps tenuirostris), a espécie mais ameaçada, e cerca de 45 mil abutres-de-bico-longo (Gyps indicus). Grandes colônias de reprodução de abutres com milhares de indivíduos não são  mais vistas. Eles agora nidificam em grupos menores em árvores.

Índia, Nepal e Paquistão baniram o uso veterinário do analgésico em 2006. Mas ainda existem fabricantes que oferecem a versão do produto para humanos em ampolas de tamanho veterinário, de 30 mililitros, receitados ilegalmente para o uso em animais. Outro problema é que algumas alternativas usadas ao diclofenaco não tiveram seus efeitos sobre as aves testadas ou são conhecidamente tóxicas, como o cetoprofeno. O meloxicam, reconhecidamente mais seguro, está tendo seu uso mais difundido, agora que o preço dele está caindo e se aproximando do diclofenaco.

Além da proibição do medicamento, autoridades do Nepal e da Índia tentam recuperar a população de abutres com a reprodução do animal em cativeiro. No Nepal, além de centros de reprodução autoridades oferecem comida segura aos animais silvestres. Três centros de reprodução estão sendo construídos na Índia, onde já se obteve sucesso na reprodução em cativeiro das três espécies.

Saiba mais:

Artigo: Citação: Cuthbert R, Taggart MA, Prakash V, Saini M, Swarup D, et al. (2011) Effectiveness of Action in India to Reduce Exposure of Gyps Vultures to the Toxic Veterinary Drug Diclofenac. PLoS ONE 6(5): e19069. doi:10.1371/journal.pone.0019069
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