Enquanto isso, o Brasil mantém a expansão de sua matriz focada em megaobras de infraestrutura ou combustíveis sujos e ultrapassados, com enormes impactos socioambientais. O país gera apenas cerca de 20 Megawatts fotovoltaicos em sistemas isolados para bombeamento de água e eletrificação rural, na Amazônia, Norte e Nordeste. Essa potência é suficiente para uma cidade com até três mil habitantes. Um entrave a sua expansão é o custo de produção do silício, material básico das células fotovoltaicas, que convertem energia solar em eletricidade.
O Brasil exporta "silício impuro" a dois dólares o quilo e importa "silício puro" a 60 o quilo. Por isso China e Índia vêm ganhando espaço nesse mercado, inclusive por menores restrições ambientais: purificar silício emite poluentes particulados e aqui o uso de filtros é obrigatório, tornando o processo mais caro. “Indústrias brasileiras têm sido compradas por empresas norte-americanas para transformar o silício metalúrgico em silício de alta pureza. Do ponto de vista estratégico para o país, isso é um desastre”, disse o professor Paulo Roberto Mei, do Departamento de Engenharia de Materiais da Unicamp.