Nem tudo são flores na semana em que será celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Em carta aberta ao público, o diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), Clóvis Borges, relata o drama das florestas araucárias. Segundo o novo Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela não-governamental SOS Mata Atlântica, o Paraná perdeu dez mil hectares recheados com pinheirais nos últimos três anos – valor equivalente a um quarto dos fragmentos originais que ainda estavam de pé. Tudo na conta do desmatamento.

“O governo do Paraná (chefiado por Roberto Requião) é o principal responsável pelo descontrole crônico que impossibilita a proteção de remanescentes naturais em nosso estado. Divulga-se um esforço de fazer conservação, a partir do plantio de mudas nativas em áreas degradadas, enquanto preciosos remanescentes naturais de campos e florestas são dizimados com a complacência do poder público”, escreveu Borges.

Não é o que pensa Mario Mantovani, diretor-geral da SOS Mata Atlântica e um dos responsáveis diretos pelo Atlas. No último dia 27, ele declarou que “o Requião salvou a Lei da Mata Atlântica e tem uma grande virtude: é um cara que enxerga longe e percebeu que proteger o meio ambiente agrega valor”. Ele explica a sua frase ao informar que o Paraná reduziu em 41% o seu desflorestamento do bioma nas três temporadas passadas. Parece ter esquecido que um ecossistema inteiro está à beira da extinção.

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