Setembro de 2011. As monções estão no auge. Quando chegamos à Área Nacional de Conservação da Biodiversidade de Xe Pian a 150 Km ao sul da capital do Laos, Vientiane, chovia torrencialmente. Os guardas-parque, com camisetas do WWF, comiam caramujos cozidos e jogavam cartas. Apesar de não ser possível compreender uma palavra do que diziam, a impressão dada pelos olhares sorridentes era de que estávamos perdidos por ali naquela época do ano.

Instalados no Ecolodge Kingfisher, localizado dentro do parque, observamos a chuva cair sem parar por horas e horas. Logo se entende a razão pela qual Xe Pian abriga um grande charco, reconhecido como sítio Ramsar, a convenção internacional que protege as áreas úmidas.


Visualizar Área Nacional de Conservação da Biodiversidade Xe Pian em um mapa maior
O parque tem 240 mil hectares. É um dos maiores e mais importantes de toda Ásia. Possui 29 ecossistemas distintos, de vegetação de altitude a florestas densas que lembram a nossa Mata Atlântica. Rios nascidos dentro da área são tributários do Mekong, cuja a gigantesca bacia abarca 4 países do Sudeste Asiático. Por ali vivem diversas espécies, com destaque para 13 mamíferos ameaçados de extinção. Entre eles, o elefante asiático, o tigre, o gibão de bochecha amarela, o golfinho irrawady e o urso negro asiático.

Por sorte, a chuva deu uma trégua no dia seguinte e com o sol escaldante saímos caminhando pelas matas de Xe Pian. Infelizmente não vimos tigres, elefantes ou macacos. Não faltaram no entanto, belas aranhas e libelulas pelo caminho. Os nossos guias, experientes e falantes, decifraram as plantas e suas aplicações, como a palmeira utilizada para fazer os tradicionais chapéus cônicos vistos nas plantações de arroz.

Vejam no slide-show as fotos de nossa aventura. Crédito das fotos: Gustavo Faleiros e Renata Nitta


 
Área Nacional de Conservação da Biodiversidade Xe Pian (Laos)

Como ir – É possível chegar de avião tanto pela capital Vientiane quando na cidade de Pakse, no sul. Xe Pian está no meio do caminho entre estas duas cidades, percorrendo-se a Rodovia 13.

Onde ficar – O local de mais fácil acesso é a vila de Kiet Ngong, onde o único hotel na área protegida é o Ecolodge Kingfisher. Mas fora da temporada de chuvas, os laotianos tem o costume de oferecerem suas casas para os turistas. É preciso combinar com antecedência. Detalhes podem ser encontrados no site da área protegida.

Mais informações - http://www.xepian.org/



Foto e Texto de Duda Itajahy*

Passei dois meses no Centro-Oeste onde conheci Pirenópolis e arredores. Fiquei maravilhado com a quantidade de água e belezas naturais diversos dos encontrados na região sudeste. A vegetação foi a primeira coisa que me chamou atenção. O contraste das flores com o restante da vegetação seca e muitas vezes queimada pelo fogo do Cerrado fascina. Após sair de Pirenópolis, tentei ir até a Chapada dos Veadeiros, mas já no fim da viagem tive que deixar para a próxima oportunidade.

Ela não demorou tanto a chegar. Quatro ano depois saí do Rio de Janeiro numa manhã de maio e cheguei em Alto Paraíso no fim da tarde do mesmo dia. Apesar de cansativo, ver o sol caindo atrás de uma grande montanha em formato de mesa, no fim da tarde, foi um prenúncio do que estava por vir nos dez dias daquela surpreendente estada.

A primeira grande sensação foi me enebriar com a qualidade do ar. Para quem está acostumado aos ares pesados e cinzas da metrópole carioca, sente-se um leve torpor, pulmões a toda, e uma emoção absurda de estar simplesmente vivo.

Com um tapinha no ombro, a dona do empório local me diz: “Tá sentindo como o ar aqui é puro? A Chapada tem uma das melhores qualidades de ar do Brasil!”. A maior prova é a própria natureza. Nas pedras e rochas do Parque Nacional, com cores variando entre amarelo, laranja e roxo, os líquens são o atestado dessa qualidade. s tatuagens das pedras funcionam como potenciais dicas à nossa volta.

Durante toda a viagem, o clima foi de sol forte e pouquíssimas nuvens, característico da região. Nas épocas mais secas do ano, a baixa umidade do ar provoca queimadas naturais.

O mais impactante é ver como o Cerrado, um ambiente tão árido e castigado, hospeda uma flora larga na sua gama de cores, texturas e formas. É como um kalunga que conheci no meio de uma trilha definiu: "Meu filho, o Cerrado dá tudo! Vem o fogo e renova, vem a chuva e dá a vida! Se o homem não mexer, a vida continua!". Meu olho vaga e constata essas palavras ao encontrar árvores com as cascas queimadas pelo fogo contrastando com pétalas delicadas.

Na Chapada, as flores são a expressão máxima de beleza e refletem toda a energia que existe no lugar. A partir delas o ciclo da vida se repete sem fim, os homens e outros animais são abençoados por esta visão.

Ponto de encontro de variadas espécies de insetos, as flores dão o clima encantador e colorido que adorna os caminhos e trilhas da região. Vermelhas, amarelas, longas, em formato de pompons, com texturas variadas, elas tornam a viagem um exercício de observação contínuo, no qual a classificação taxonômica perde o sentido.

No último dia, uma estudante de enfermagem e futura parteira me diz no Poço de São Bento: “Já percebeu como a Mata Atlântica é super verdinha, fofinha e dá vontade de abraçar? As pessoas que não conhecem se assustam quando vêm ao Cerrado pela primeira vez. É tudo seco, pontudo, arranha, espeta! Mas já viu como é tão lindo e colorido...”.


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*Duda Itajahy é diretor de arte, gestor ambiental e fotógrafo, vive no Rio de Janeiro e é sócio-diretor da Valente Laboratório de Ideias.


Links Externos
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros


Felipe Lobo

De dentro do avião, a Cordilheira dos Andes aparece intacta, ofuscada apenas por algumas nuvens.  A turbulência na hora do pouso só reforça que a capital equatoriana, Quito, está encravada em meio a uma cadeia de montanhas. Do alto, é uma cidade perdida na serra, entre seus picos e vulcões. Mas, lá debaixo, é possível aproveitar as andanças por Quito Viejo, o centro histórico, e conhecer as danças tradicionais e a culinária típica.

Para quem quer ter contato com a natureza, não é preciso nem mesmo sair do município. Na verdade, basta subir um pouco. Quito, situada a 2.800 metros de altitude, oferece um teleférico que leva a 4.200 metros. Ao custo módico de 8,50 dólares americanos, em apenas 20 minutos se chega a colina de Cruz Loma. A essa altitude é preciso exigir dos pulmões para respirar o ar rarefeito, e colocar agasalhos bem quentes, porque o frio é intenso.

Do alto, é possível observar a belíssima cidade e suas tortuosas ladeiras, assim como olhar, caso o tempo esteja bom, o topo do vulcão Ruccu Pichincha, a 4.698 metros. Da base final do teleférico, se o fôlego estiver em dia, é possível fazer uma trilha de três horas que leva ao anel formado pela boca do vulcão. A caminhada é bem pesada. Faltando preparo ou apetite, é possível percorrer o início da trilha, tirar fotografia com lhamas e curtir algumas das mais espetaculares paisagens do Equador.


Leia também
Na neve do Cotopaxi, o vulcão ativo mais alto do mundo
Reportagens ((o))eco Amazonia sobre o Equador


Felipe Lobo Barroca

O domingo começou animado, logo cedo, no hotel em Quito, capital do Equador. Após uma semana na região, participando do primeiro curso Panamazônico para jornalistas, promovido pelo ((o))eco e parceiros , decidimos aproveitar o último dia para conhecer o vulcão ativo mais alto do mundo, o Cotopaxi, com seus 5.897 metros. Visível da cidade, ele fica a menos de 100 km ao sul, e o meio mais turístico de conhecê-lo é tomar o trem que sai às 8hs da manhã e sobe as montanhas até chegar próximo do Parque Nacional homônimo, onde se encontra a imponente montanha e sua cratera. A dica é comprar o bilhete com ao menos um dia de antecedência.

Acompanhado da editora de O Eco Amazônia, Karina Miotto, da repórter colombiana Maria Clara Valencia e da coordenadora de Comunicação do ICV (Instituto Centro de Vida), Daniela Torezzan, cheguei à estação do trem, ainda dentro de Quito, por volta de 7h30. Tarde demais. Com os ingressos esgotados, aceitamos a oferta do taxista de nos levar para o passeio ao custo de 100 dólares americanos (que é moeda corrente no Equador). Valeu cada centavo. A estrada que liga até a unidade de conservação é rica em nevados e paisagens espetaculares, mas nada se compara ao Cotopaxi.

Não é permitida a entrada de táxis sem guia dentro do Parque. Por isso, contratamos o nosso próprio guia, que já estava à espreita na porta de acesso, por 40 dólares e seguimos em seu carro até o início da neve do Cotopaxi. Levamos conosco Jaime, o simpático taxista que nos acompanhou por toda a jornada. No trajeto que dura cerca de 35 minutos, já dentro do parque, as imagens inundam os olhos: o entorno imediato, assim como boas porções do território protegido, é coberto por monoculturas de pinus, enquanto as planícies ainda mantém as rochas bem cinzas da última erupção, ocorrida em 1904. Embora proclamado como o mais alto vulcão ativo do mundo, há controvérsia a respeito. O concorrente é o Llullaillaco, na fronteira da Argentina com o Chile. Ele é mais alto e consta que teve sua última erupção em 1877.

Mas é no momento em que se coloca a mão na neve do Cotopaxi, a 4500 metros de altura, que o ar desaparece, literalmente. Nota-se logo o ar rarefeito, assim como o frio congelante, que aperta quando a chuva de granizo começa. Mesmo assim, sentir a emoção de tocar um dos vulcões mais lindos e falados do mundo, com o cume a uma distância que parece possível tocá-lo, vale qualquer sacrifício.

Dentro do Parque Nacional é possível fazer caminhadas, mountain bike e admirar outras belas paisagens, como a Laguna Limpiopungo. Para conhecer um pouco mais sobre a história do lugar, há um museu na subida, antes de chegar à área nevada. O Cotopaxi abriga um número total desconhecido de espécies de fauna e flora, dentre elas várias ameaçadas de extinção. Seus mistérios são objeto de estudo das universidades e do governo federal do Equador. É um passeio obrigatório para quem visita o país.

Serviço:
Trem = 10 dólares (mas chega apenas a uma cidade próxima ao Parque Nacional. Para chegar até ele, é preciso pegar um táxi)
Táxi (ida e volta a partir de Quito) = 100 dólares
Entrada no Parque Nacional = 2 dólares
Guia = 40 dólares
Tempo de Duração = Dia inteiro


Saiba Mais
Equador (Wikipedia)
Cotopaxi (em inglês)
Lan


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Se a intenção é uma bela e puxada caminhada por alguns dos visuais mais espetaculares do Cerrado, vá ao Triângulo dos Kalungas. Pelo menos esta é a dica de quatro amigos excursionistas de Brasília. Aldem Bourscheit, ex-repórter de ((o)) eco, Andrea Zimmermann, Fábio França e Ticiana Pontes saíram da capital federal no dia 17 de junho à noite em direção a Cavalcante. Nos cinco dias seguintes, foram 95 quilômetros com os pés no chão pelo nordeste goiano, cruzando os vãos do Dedo do Moleque, das Almas e o Engenho, três regiões habitadas do território quilombola do norte da Chapada dos Veadeiros. Ao todo, são mais de 200 mil hectares de terras Kalungas.

“O trekking exploratório foi totalmente autônomo (equipamentos, comida etc) e serviu para mapear/conectar esse grande circuito através de caminhos ora conhecidos, ora supreendentes por sua beleza incomum. Cruzamos por praticamente todas as formações apontadas para o Cerrado, com várias famílias sertanejas, além de avistarmos inúmeros exemplares da fauna nativa. O ponto alto foram os botos no fantástico rio Paranã. Um dos principais inimigos foi o calor, forçando-nos a levantar acampamento sempre nas primeiras horas da manhã para vencer a maior distância possível com temperatura amena”, diz Aldem.

Abaixo, confira algumas fotos panorâmicas da expedição. Neste link, conheça o caminho com mais detalhes e como chegar.


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Links Externos:

Coroas do Cerrado
 

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O Rio São Francisco, um dos mais famosos e importantes do país, ganhou as primeiras páginas da imprensa nacional nos últimos anos por um motivo um tanto polêmico: o a transposição de seu curso natural. Embora os impactos ambientais sejam inúmeros, e O Eco já tratou deles (e continuará a fazê-lo), o Velho Chico precisa de atenção especial também para a sua biodiversidade e impactos externos.

Em 2010, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (CEPTA/ICMBio), do Instituto Chico Mendes, fez uma série de expedições para inventariar a ictiofauna do alto, médio e baixo rio São Francisco (alguns de seus principais afluentes). Confira abaixo uma entrevista com Leonardo Milano, analista ambiental do órgão e fotógrafo, sobre a experiência do trabalho que ainda analisa os resultados.


O Eco: Quais foram os principais resultados da expedição? A diversidade de espécies da ictiofauna é alta no Velho Chico?


Leonardo Milano: Inventários de espécies não são novidade no São Francisco. Estão descritas cerca de 158 espécies (excluindo as diádromas, aquelas espécies que migram do mar para o o rio). Existe um punhado de publicações sobre esse tema. O diferencial do nosso trabalho é que estamos fazendo esse inventário com uma estrutura melhor, mais recursos, com parceiros de diversas universidades. O foco maior está no alto São Francisco, onde há menos estudos. Os dados ainda estão em análise, mas o que posso adiantar é que descobrimos novas espécies na região da Serra da Canastra. Importante falar também do trabalho de inventário da fauna parasitária de peixes que estamos fazendo. Os parasitas de peixes são importantes indicadores de qualidade ambiental. Estamos trabalhando na elaboração de um livro sobre as expedições ao São Francisco.

O Eco: E o que dizer das paisagens, qual relato você pode fazer delas?

Leonardo Milano: O Rio S. Francisco nasce na Serra da Canastra, onde está a parte mais conservada, principalmente devido à presença do Parque Nacional da Serra da Canastra; o turismo é a principal atividade econômica. Essa região é uma área de transição entre Mata Atlântica e o Cerrado, com predominância de Campos de Altitude que abrigam inúmeras espécies da flora e da fauna, como o lobo guará, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, diversos gaviões e espécies ameaçadas de extinção como o pato mergulhão e o tatu-canastra. Como é comum em cabeceiras de rios, a diversidade e quantidade de peixes costumam ser menores que nas partes mais baixas. Já o endemismo costuma ser alto. É interessante constatar que um rio tão grande e importante como o S.Francisco surge de diversas pequenas nascentes de água cristalina, no alto de uma enorme chapada, em meio ao capim-gordura e um clima seco.

No médio S.Francisco está a parte mais degradada do rio. A mata ciliar está bastante fragmentada, há erosão visível das margens, uso indiscriminado de agrotóxicos, pivôs centrais para irrigação agrícola, são presença frequente, garimpo, esgoto etc. Nessa parte do rio, o agronegócio é a atividade econômica dominante. Ouvimos muitos relatos de pescadores de que a disponibilidade de peixes vem diminuindo bastante nos últimos anos. A paisagem, nessa parte do rio, já é mais árida e a água já é bem marrom, carregada de sedimentos.

No baixo S.Francisco está a parte mais árida - embora seja a porção mais larga e abundante em água do rio - da paisagem; foi onde tivemos mais contato com a população. O nordestino que habita a região do S.Francisco é pobre do ponto de vista material, mas a riqueza cultural, a simpatia e a hospitalidade são enormes. Embora seja uma região seca, com predominância da Caatinga, quem vive nessa parte do S.Francisco dificilmente passa fome. A disponibilidade de peixes é grande (embora tenha diminuído ao longo dos anos) e a água do rio permite a agricultura de subsistência farta. Há grande quantidade de acampamentos de "sem terra" nas margens do baixo S.Francisco. Me chamou a atenção que o rio, na sua parte baixa, volta a ter a água transparente. Acredito que isso ocorra por causa da baixa pluviosidade da região. Em época de chuva, a água volta a ficar turva.

 O Eco: Um dos temas mais recorrentes nas discussões ambientais é a transposição do rio São Francisco. Vocês levaram em conta esse aspecto durante o trabalho?

Leonardo Milano: Sim, temos que levar em conta os impactos da transposição do S.Francisco na ictiofauna; acredito que os maiores impactos ocorrerão no baixo S.Francisco, mas ainda não temos como quantificar esse impacto na diversidade e na abundância de peixes na região.

O Eco: Você tem paixão por fotografia? O que mais lhe chamou a atenção nessas andanças, e o que acha da fotografia em uma expedição?

Leonardo Milano:
Sou completamente apaixonado por fotografia. Quando estou fotografando, me sinto uma pessoa realizada. Sinto paz interior. Me interessei por fotografia há 12 anos, no início da faculdade de Biologia, durante uma palestra do biólogo e fotógrafo José Sabino. Depois disso resolvi me matricular, como matéria optativa, na disciplina 'fotografia" do curso de Arquitetura; isso durou um ano e meio. Mas a experiência mais importante que tive na fotografia, e que me ensinou  muito, foi trabalhar como assistente do fotógrafo Araquém Alcântara. Com o Araquém, tive a oportunidade de participar de alguns workshops, de fotografar macacos monocarvoeiros e de participar do livro comemorativo dos 450 anos da cidade de São Paulo. Depois disso, a fotografia nunca mais saiu da minha vida, embora eu não ganhe dinheiro com isso.  Leio muito sobre fotografia, e meus fotógrafos preferidos são o Henri Cartier-Bresson, o Alex Webb e o Miguel Rio Branco. Gosto muito do Pedro Martinelli também. No meu trabalho, entre diversas atividades, sou responsável pelo banco de imagens institucionais. Tenho fotografado as expedições científicas do CEPTA. Além dos trabalhos de campo, estou montando um acervo de fotos das espécies de peixes encontradas durante as expedições. Esses registros são fundamentais para publicações científicas, matérias jornalísticas e divulgação institucional.


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O paulistano Guto Arouca tem uma missão para lá de complicada na vida: aproximar os seus conterrâneos, acostumados aos prédios e ao trânsito, da natureza. Fotógrafo documental por profissão e ciclista por paixão, este sociólogo começou suas aventuras pelo Brasil com as caminhadas. Enquanto as primeiras duravam três, cinco, até dez dias, as últimas já não funcionavam caso fossem menores do que longas travessias, como andar a pé por toda a costa do Nordeste brasileiro.

A bicicleta veio depois, mais ou menos na mesma época em que se encantou pela espeleologia ao ser chamado para fazer cliques em uma caverna. Não satisfeito em ver aquelas paisagens sozinho, criou uma agência de caminhada e yoga com a esposa. Em grupos de no máximo 15 pessoas, entravam nas unidades de conservação do estado, com ênfase para o Parque Estadual da Serra do Mar, e praticavam meditação com contemplação.

Mas é nas viagens que se sente realizado. Uma das principais aconteceu há cerca de três anos e coincide com a atual época do ano. Mês festivo, com festas juninas espalhadas ao redor do país, Arouca decidiu curtir de uma forma bem particular. Pegou a bike e pedalou, durante 15 dias, de Campina Grande (PB) a Caruarú (PE). Lá, viu as celebrações nordestinas, dos maiores eventos àqueles bem pequenos e típicos. O resultado desta trip você confere abaixo, na galeria de fotos, e também no relato do próprio autor.


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Texto de Guto Arouca:

"Já se passaram muitos anos desde que descobri o prazer de viajar de bicicleta. Atualmente acho que não existe melhor forma para se cruzar grandes distâncias, pela proximidade de contato com as pessoas, culturas e natureza que ela oferece.

Comecei com pequenas travessias, bicicleta sem marcha, sem alforges, levando mochila nas costas. Se sofri? Adorei!!

Passei a viagens mais ousadas, travessia do litoral sul de São Paulo, Transmantiqueira, Serra da Canastra, Serra Geral, Pantanal Mato-grossense, sempre buscando o mais distante, o fora de estrada, as estradinhas vicinais de pouco trânsito... quanto mais terra e mais distante dos grandes centros, melhor!

No Pantanal diziam que eu certamente iria virar comida de onça, mas sinceramente, o temor, se bate, é deste imprevisível bicho-homem.

Numa passagem no pantanal, avistei de longe um brilho estranho, uma massa escura refletindo a luz do sol, lá longe, na estradinha. Segui em frente, e, no meu caminho, um grupo enorme de jacarés perfilava-se à minha frente, tomando seu sol e ocupando toda a estrada.

Por um momento parei em dúvida, minhas pernas estariam fácil ao alcance de uma abocanhada! Segui devagar, e então começou o show: na medida em que eu avançava, os jacarés se jogavam dos dois lados da pista, mergulhando nas águas, num movimento frenético e sincronizado. Posso ter passado algum risco, mas que valeu o espetáculo, isto valeu.

Nestas pedaladas tenho visto a pressão que nosso meio ambiente tem sofrido, em todas as formas de exploração desenfreada, ocupações irregulares, e principalmente uma tremenda falta de cultura ambiental de nós, povo brasileiro.

Certa vez, pedalando na Serra Geral, já perto dos cânions do Itaimbezinho e Fortaleza, cheguei, já de madrugada, numa vila que tinha um cheiro pesado, horrível mesmo no ar....o nome do lugar é “Ouro verde”, primeira fábrica do Brasil de celulose, fundada nos anos de Getúlio Vargas.

Pois foi ali, naquele paraíso de cânions e florestas de araucárias que o nome Ouro Verde se fez valer. Exploraram toda a mata de araucária, transformando a borda do planalto num imenso platô desértico, e ainda hoje a fábrica segue em funcionamento.

Pedalar pelo Cerrado, então, dá dó! Um dos biomas mais afetados e desvalorizados do Brasil, o Cerrado está virando uma imensa e monótona área de monocultura. Penso, quando passo por estas imensas áreas de soja, o custo ecológico de tudo isto, o quanto de espécies que sucumbiram a esta produção desenfreada. Agora mesmo assistimos, atônitos, o Congresso Nacional aprovar um Código Florestal promovido pela bancada ruralista. O que será deste país megadiverso? Vamos explorar nossos recursos naturais até a última gota? Penso, penso e pedalo... nem tudo está perdido!

Uma das minhas viagem de bike mais marcantes foi no Nordeste do Brasil, num projeto muito legal que reuniu duas de minhas paixões, bike e fotografia documental. Passei as festas juninas numa travessia entre Campina Grande, na Paraíba e Caruarú, em Pernambuco, pedalando e fotografando as festas nas cidades, vilarejos, enfim, onde eu recebia uma dica de festa junina interessante eu ia atrás.

Acontece que lá a festa junina é a festa popular mais importante do ano, mais ainda que o Natal, então chega uma hora que tinha que tirar no cara e coroa qual o destino seguir.

O que me impressionou foi o contraste das festas juninas nas capitais com o interior. Caruarú e Campina Grande disputam o título de maior festa junina do mundo, e tudo lá é em excesso e descaracterizado. Em pleno São João, trios elétricos saem às ruas tocando seus axés para uma multidão de pessoas; Carnaval ou São João? Mas é só sair dali, para um bairro mais afastado, uma zona rural, para encontrar o São João festivo, autêntico, a pamonha fresquinha, forró pé de serra e os grupos de bacamarteiros, estrondando seus bacamartes numa alegoria sem igual."


Saiba Mais:

Outras Vias
Transporte Ativo


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Não é segredo para ninguém que a Europa é um dos destinos turísticos mais procurados em
todo o planeta. Entre os seus inúmeros atrativos estão, por exemplo, o fascínio por Paris e sua Torre Eiffel, a história de guerra recente de Berlim ou o Coliseu em Roma. Mas fora de seus cartões-postais tradicionais, há outras paisagens menos pedidas, embora muito famosas, que merecem atenção especial. É o caso, por exemplo, dos Cliffs of Moher, penhascos imponentes situados na região de Galway, na Irlanda.

O local foi visitado pela publicitária brasileira Laura Schneider no último mês de maio, que contou a ((o))eco Aventura um pouco da sua experiência. “Nunca vi nada igual na minha vida, parece de outro planeta”, diz, ainda em choque com a imagem. E, uma vez no Reino Unido, não é difícil chegar até lá. De Dublin, capital irlandesa, existe uma série de passeios e companhias que os oferecem. A opção de Schneider foi pela Dublin Tour Company. Por 40 euros, ela entrou no ônibus às 7h30 da manhã e só voltou às 21h, após visitar inúmeras cidades e vilarejos no interior do país.

Do almoço em uma vila de pescadores até a flora rica e característica de Burren (cuja capital, Lisdoonvarna, realiza o festival do namoro, maior mercado de casamentos europeu – nada mais propício para esta época do ano, em que o Brasil celebra o Dia dos Namorados), Laura conta que os Cliffs of Moher são, sem dúvida, uma atração à parte.

“Pela manhã estava chovendo na Irlanda, mas quando chegamos aos Cliffs estava um sol inacreditável. São oito quilômetros de extensão só de penhascos, uma imensidão. Soube lá que o lugar era de um proprietário particular, mas que, de tão bonito, foi cedido. O dono achava que todos deveriam ter o direito de ver o local. Hoje, é um mercado de turismo mesmo, há lojas, restaurantes e um centro em que se descobre toda a história de lá”, diz.

Finalistas, em 2011, da competição que elegerá as novas sete maravilhas naturais do mundo, os penhascos do Cliffs of Moher atingem uma altura de 214 metros sobre o oceano Atlântico. É possível avistar canais fluviais que datam de 300 milhões de anos! Vai perder esta?


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Geógrafo brasileiro foi até cidade na região do Algarve, Portugal, e durante um dia visitou todas as praias do local. Passeio, de paisagens lindas, é barato.


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Em maio do ano passado, o geógrafo carioca Caio Mascarenhas estava na cidade espanhola de Palos de la Frontera (de onde Cristóvão Colombo saiu para descobrir as Américas em 3 de agosto de 1492), quando ouviu falar pela primeira vez de Lagos, uma pequena cidade situada no Distrito de Faro, em Portugal. A partir de Sevilha, o trajeto de ônibus dura cerca de quatro horas e custa em torno de 20 euros (apenas ida). O susto inicial com o alta incidência da língua inglesa nas ruas – o garçom de um restaurante, aliás, sequer falava português - foi rapidamente superado em função da grande vocação turística do pequeno município costeiro da sub-região de Algarves.
 

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Não é difícil se hospedar a baixo custo em Lagos. Há exatamente um ano, Mascarenhas desembolsou apenas 14 euros por noite para ficar no Lagos Youth Hostel, um albergue localizado próximo ao centro. Durante o dia e a noite, aliás, a dica é não parar no quarto, a não ser para dormir. “Lagos tem inúmeras praias, uma ao lado da outra, com uma água azul translúcida incrível. Mas a água é muito gelada, até levei uma máscara para fazer mergulho, mas não dá para agüentar muito tempo sem roupa de borracha. E à noite tem inúmeros bares e restaurantes, a economia local gira em torno de serviços”, relata.

Vale tirar um dia inteiro para conhecer todas as praias da região, todas bem pequenas e quase desertas. É possível, por exemplo, fazer um passeio por cima das falésias que circundam a areia e permitem a visão de todo o complexo, e depois voltar, a partir da praia da Ponta da Piedade (a última na direção de quem sai do centro da cidade). Quando a maré está baixa, a passagem pelos túneis criados nas falésias torna-se viável. No domingo, o geógrafo voltou para a cidade-marco do descobrimento, mas trouxe ao Brasil, tão logo finalizou a pós-graduação em geoprocessamento, os registros da aventura.


Links Externos

Hostel Bookers
Hostel World


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Aldem Bourscheit, repórter que trabalhou muito tempo aqui em ((o))eco, tirou a Semana Santa para fazer um passeio até o Vão do Moleque, a 150 quilômetros de Cavalcante (Goiás). Nesta região vivem os Kalungas, quilombolas (descendentes de escravos fugidos) que mantiveram grande parte de seu território conservado. Com a ajuda de três 4x4, indispensável para o terreno, Aldem e sua esposa tiveram a companhia de dois casais de amigos na aventura. No caminho, são inúmeras formações de Cerrado, desde Campos de Altitude até matas bem densas.

Como bons esportistas, tão logo a necessidade do 4x4 acabou, eles pegaram a bicicleta e fizeram um trajeto de uma hora e meia até a Cachoeira dos Porcos (Veja Foto 11). “Como toda região de Cerrado preservado (cada vez mais raras), tem muitas cachoeiras, rios e córregos de água surpreendentemente cristalina, de onde se bebe diretamente. E, isto, poucos conhecem”, afirma. 

Veja, abaixo, onze fotos da região.


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Links Externos:

Sobre Kalungas
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros



No último final de semana de abril a Associação dos Ciclistas do Rio Grande do Norte organizou um passeio de trem até o município de Ceará-Mirim. Em uma parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU-RN), o grupo conseguiu garantir um vagão exclusivo para 44 ciclistas e deu o primeiro passo para a criação do projeto Trem Bike, uma iniciativa que tem o objetivo de ampliar a integração entre o uso da bicicleta e do transporte ferroviário, bem como o cicloturismo em municípios próximos a Natal.

Leia a seguir o relato que o diretor da associação, Haroldo Mota, enviou para ((o)) eco Bicicletas junto com fotos do passeio. Mais sobre o grupo e sobre a iniciativa pode ser consultado no blog do grupo: http://www.acirn.blogspot.com/

“Amanheceu chovendo em Natal no primeiro dia do projeto Trem Bike, 30 de abril, sábado. Graças a Deus, porém, a chuva parou com os primeiros raios de sol. Tivemos um pequeno atraso para chegar à estação ferroviária da Ribeira, mas deu tudo certo. Os vários ciclistas reunidos esbanjavam alegria e sorrisos. Houve seções de fotografias e confraternizações entre amigos que não se viam há algum tempo.

Na hora de partir, aguardamos a saída dos passageiros que já estavam no trem, moradores da cidade de Ceará-Mirim que ficaram impressionados com tantas bicicletas e ciclistas. Éramos 44. Entramos no vagão reservado e aguardamos. Um pequeno problema no trem deixou todo mundo mais eufórico ainda, mas ele foi logo resolvido e seguimos em direção do nosso roteiro.

Rio Pontengi

O trem andou e o calor da partida melhorou. Foi inspirador ver a paisagem, o Rio Pontengi, a ponte velha de ferro, as margens com seus manguezais. Durante a viagem, a integração e conversa entre os ciclistas foi bonita de se ver. Em algumas paradas, antes de chegar, todos ansiosos especulavam se já havíamos chegado, mas, calma, ainda não era a hora.

Quando enfim chegamos, nossa recepção foi fantástica, com apoio de autoridades municipais. A prefeitura disponibilizou uma ambulância e pessoal da Guarda Municipal para nos acompanhar durante todo o percurso.

Mercado público

Acompanhados do guia local Lorram Schulz (lorramschulz@hotmail.com), seguimos direto ao mercado publico. Na feira, com as bicicletas tivemos a oportunidade de conversar com muitos moradores locais. Em vários restaurantes e nas ruas nos perguntavam quem éramos e para onde seguiríamos. Como é agradável a conversa nestes locais, as pessoas são de uma bondade impar.

Deixamos o mercado é fomos a conhecer a cidade e seus arredores. Ceará-Mirim é muito agradável, da Igreja Matriz, a paróquia de Nossa Senhora da Conceição se avista um enorme vale, o vale da outrora e rica terra dos senhores de engenho. A igreja começou a ser construída em 1858, porém suas obras somente foram concluídas em 1990. Por suas dimensões é considerada a maior igreja do Rio Grande do Norte.

Engenhos e açúcar

Seguimos depois em direção a uns antigos engenhos, onde tiramos diversas fotografias. No local estão Engenho Carnaubal, Engenho Verde Nasce, Engenho Cruzeiro, Usina Ilha Bela, Engenho São Francisco, Engenho Diamante, Engenho Capela, Nascença, Ruínas do Engenho Oiteiro, Mucuripe, Engenho São Leopoldo, uma quantidade que dá para se ter uma ideia de como a atividade açucareira foi importante no município.

A cidade de Ceará-Mirim tem um extraordinário cenário arquitetônico do século passado, com as grandes casas dos barões do açúcar, suas capelas e engenhos, e alguns dos quais preservados.

Na hora de voltar, pensamos muito em como, no cicloturismo a integração com o modal trem pode ser um importante instrumento agregador para o turismo e o esporte.

Agradecemos aos ciclistas que foram a essa fantástica viagem e ao fotografo Assis Oliveira que marcou presença na saída. Como também não podemos esquecer a parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbano, a CBTU, nossa imensa gratidão.”


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Foto de Alice Watson e Texto de Felipe Lobo

 
Criado em 2001, o Parque Estadual do Jalapão é o maior de Tocantins, com seus 150 mil hectares caracterizados pela aridez e entremeados por rios, riachos e ribeirões. Dona de vegetação que varia de cerrado baixo à campina, a unidade de conservação apresenta paisagens para todos os gastos, tal lagoas, chapadões de até 800 metros de altura e dunas de areias imponentes. Estas últimas, aliás, estão entre os programas preferidos de Alice Watson, jornalista, moradora de Brasília e que visitou a região em 2009. Segundo ela, os fervedouros (poço de água transparente, nascente de um rio subterrâneo, que impede qualquer banhista de afundar) e o rafting no rio Novo são pedidas indispensáveis para os visitantes. Confira, abaixo, uma galeria com belas fotos dessa viagem!


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E você, já visitou algum Parque? Mande o seu relato recheado de fotos e você pode ser o próximo a ser publicado em O Eco.


Saiba Mais:

O asfalto está chegando no Jalapão


Links externos:

Governo de Tocantins
Brasil Viagem


Idealizado para retirar os pinus exóticos de 13% de uma propriedade encravada na Serra do Mar, contínuo florestal mais bem preservado de toda a Mata Atlântica, o Projeto Serra Nativa fica dentro de uma propriedade que conseguiu, ao longo das décadas, manter a maior parte de sua cobertura vegetal intacta. Na BR 277, que liga Curitiba ao litoral paranaense, na pista de quem volta para a capital, há uma entrada quase escondida que leva para o início de uma caminhada de aproximadamente uma hora, com destino certo: o Salto Fortuna.

Após o portão que se abriu no município de Morretes, entrei, junto com Carolina Ribeiro, Rodrigo Ribeiro (ambos da Norske Skog Pisa, proprietária da Fazenda Arraial) e um casal de amigos simpático e esportista, na área que está cedida em comodato ao Parque Estadual do Pau Oco. Iniciamos a trilha por volta de 10h da manhã, acompanhados por dois cachorros corajosos que moram junto ao rapaz responsável por receber e orientar os turistas.

Considerada de leve para média dificuldade, a trilha começa a ficar mais instigante a partir do momento em que se chega à travessia do primeiro rio. Corda amarrada em duas árvores, em cada uma das margens, a água na cintura não chega a assustar, mas garante doses extras de adrenalina em função da correnteza. Trajeto vencido, é hora de torcer para que os cachorros consigam vencer o desafio. Se um desiste antes de começar e ruma de volta para casa, o segundo é corajoso o suficiente para, em poucos segundos, se aventurar no meio das pedras e logo passar o nosso grupo.

O segundo rio é mais fácil e todos passam sem grande dificuldade, embora o cuidado deva ser redobrado para não molhar os equipamentos eletrônicos. Entre conversas sobre a bela vegetação local e as araucárias imponentes na paisagem, ouvem-se os primeiros barulhos da queda d’água de 50 metros. Se a expectativa é grande para chegar até a cachoeira, ponto mais nobre da Fazenda Arraial, a realidade se mostra ainda melhor: a potência impressiona, e o spray de água chega longe.







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Exóticas invasoras expulsas do Paraná

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Garganta de quem?

Olhar para aquela cachoeira me fez parar de pensar em qualquer coisa. Me voltou corpo, mente, emoção e coração totalmente para ela, a ponto de eu interromper um papo filosófico que estava levando com uma pessoa. Só consegui balbuciar: “putz-minha-nossa-senhora-putz-minha-nossa-senhora”. Tudo o que havia visto até então era diferente daquela velha senhora poderosa (poderosíssima) cachoeira que estava lá, na minha frente, olhos vidrados em mim.
Chovia. Fazia frio e eu tremia. Tínhamos que ir embora em pouco tempo. O barulho, altíssimo. Nunca vi tanta água na vida numa cachoeira só. O mundo parou. Por um instante, por mínimo que fosse, eu meditei sem fazer esforço. Ela, ela...

As águas vêm em certa velocidade, se desdobram sobre as pedras e caem numa outra velocidade quase furiosa. Antes de chegar não sei onde, vira fumaça que parece subir do rio, como se fosse vapor.

Sabe quando uma paisagem te absorve por completo? Quando te tira da sua vidinha preocupada com mesquinharias e contas? Quando te mostra o quanto você ainda tem para crescer, o quanto deste planeta você ainda não conhece e precisa conhecer? Quando te mostra que as coisas mais simples são de fato as mais belas e quando te envolve de súbito com paz de espírito e esperança numa vida feliz?

Virei para o lado e o que consegui dizer à pessoa com a qual eu estava conversando foi “God-exists”. Esta cachoeira não deveria se chamar Garganta do Diabo: é a própria garganta de Deus.
No final do ano, com alguns dias de folga, veio a pergunta: para onde ir? Diante de um Brasil tão imenso e de um planeta lindo por conhecer, até que não foi difícil escolher o meu destino: Foz do Iguaçu, no Paraná, seguido de Buenos Aires, na Argentina. Um roteiro que certamente é feito por milhares de pessoas todos os anos e não poderia ser diferente.

Em três dias dá para se divertir em Foz e se encantar com estas velhas senhoras gigantes - não deixe de conhecê-las. Eu, que amo cachoeira - achei que já havia visto muita coisa linda por aí e vi mesmo, inclusive em áreas remotas da Amazônia -, não imaginei que ficaria tão perplexa com tamanha beleza e força daquelas águas.

Viajei com minha irmã e nos hospedamos no Hostel Paudimar Campestre Cataratas, que tem passeios montados a preços em conta para facilitar a vida de turistas. No primeiro dia, conhecemos o Parque das Aves, com espécies nativas de várias partes do mundo. No segundo, fomos ao Parque Nacional del Iguazú, lado argentino das quedas. Com as passarelas, chegamos bem perto delas. Arriscamos um passeio de barco e salve água na cabeça para começar bem 2011! Depois de me deparar com a maior das quedas, a Garganta do Diabo, escrevi um texto que gostaria de compartilhar com vc (box ao lado).

No dia seguinte foi a vez de conhecermos o Parque Nacional do Iguaçu, território brasileiro, de onde se tem uma visão panorâmica das cachoeiras. Nosso passeio foi feito em um caminhão pelo meio da mata e também a pé entre trilhas, de onde pudemos contemplar de perto a fauna e a flora local. Ambos parques estão de parabéns pela infraestrutura turística, limpeza e organização. São belos exemplos parques nacionais - e a natureza não deixa por menos: este lugar é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade.

Seguimos para Buenos Aires no quarto dia e, na capital do tango, dos alfajores e do dulce de leche, descobrimos muitas cores, arte e lindas áreas verdes. Caminhamos por ruas arborizadas, pelos famosos bosques de Palermo. Vale muito a pena conhecer a capital da Argentina, localizada na costa oriental do Rio da Prata. Com mais de 3 milhões de habitantes, é um pedaço delicioso da Europa na América do Sul. Antes de sair do Brasil, me disseram que cinco dias seriam suficientes para conhecer a cidade - ledo engano! O tempo voa em “Bons Ares” e o que menos queremos fazer quando estamos lá é justamente ir embora, pois há muito por ver, inclusive nos arredores. Recomendo o roteiro! (Karina Miotto)
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Caros colegas do O ECO,

Envio fotos do meu último passeio. Estive nos Lençois Maranhenses e nesta época, de poucas chuvas lá, fomos explorar outras áreas para além das dunas. 








Foto enviada por José Marques Porto. Para enviar fotos e relatos de suas viagens, mande um email para meupasseio@oeco.com.br ou simplesmente utilize o twitter com o hashtag #meu passeio.





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A foto mostra a parte preservada do Rio Itaunas. Na realidade trata-se da Zona de Amortecimento do Parque Estadual de Itaunas, extremo norte do Espírito Santo, que só está com sua biodiversidade relativamente equilibrada graças ao nível de percepção ambiental do proprietário, que preserva (com muita dificuldade)aproximadamente 30 hectares de Restinga, que pertence ao Bioma da Mata atlântica. Mesmo assim na área existe um "passivo", um antigo lixão, que foi "engolido", pela natureza que se regenerou, quando a área deixou de ser utilizada para se colocar o lixo da Vila de Itaunas.

A Vila de Itaunas é uma comunidade de pescadores, que ficava do outro lado do rio. No entanto com o desmatamento da vegetação de Restinga, as dunas soterraram no final da década de 1960 a antiga vila, que foi transferida para a outra margem do Rio Itaunas. A região é rica em folclore tendo agora seu ponto alto com a Festa de São Sebastião e São Benedito, onde no coreto da praça acontecem apresentações de Ticumbi, Folia de Reis entre outras manifestações, que resistem como a natureza do lugar, que se encontra a 16 KM da divisa com a Bahia onde se localiza a paradisíaca Praia de Riacho Doce.

Ao fundo da vila fica situado o Parque Estadual de Itaunas, que se encontra cercado dos eucalipitais da Fibria (antiga Aracruz Celulose) sem zona de amortecimento. Acaba o parque começa o "Deserto Verde" quem não conhece pode até se perder devido a monotonia da monocultura.

O Município de Conceição da Barra, onde fica a Vila de Itaunas tem 60% de seu território coberto por eucaliptos, além de 20% com cana de açucar. Nos outros 20% do território ficam as áreas urbanas e o que restou da natureza cuja a foto fala por si.

Nesta outra imagem, as dunas de Itaúnas e o Parque Estadual de mesmo nome ao fundo.


Conforme íamos deixando o Porto do Forno, por volta das 9h, o legendário vento nordeste de Arraial do Cabo (RJ) se fez cada vez mais presente. A embarcação caturrou bastante, mas nem tanto quanto o faria mais tarde, na volta...
 
Apesar do vento, levamos 20 minutos apenas até o costão da Ilha. Quando chegávamos à Enseada do Maramutá, onde se inicia a trilha que leva ao Farol Velho, percebemos já de longe pescadores tradicionais em sua faina de recolhimento de redes. Imediatamente nosso barqueiro, Mansur, explicou que precisaríamos aguardar suficientemente distanciados o término dessa atividade, para assim então desembarcar. No entanto, logo que aqueles nos viram, começaram a gesticular efusivamente no intuito de nos repelir, parecendo estar enfurecidos com a nossa presença. Compreendemos que tal atitude deveria ser o resultado de anos de conflitos entre o pessoal da pesca e alguns promotores de turismo pouco conscientes, barulhentos e poluidores, o que não era o nosso caso.
 
Por sorte, a lancha de apoio da Marinha (chamada de LAP, pelos militares) surgiu ao longe, seguindo bem próxima à Ilha para aproveitar a barreira contra o forte vento. A embarcação faz viagens diárias transportando pessoas e materiais entre o continente e a Praia da Ilha, onde existe um posto de vigilância. Como estávamos em sua rota, o Mansur solicitou a intervenção dos militares a nosso favor. Um oficial de alta patente que estava a bordo solicitou nossa autorização, confirmando que estava tudo certo. Logo a seguir, um marinheiro sinalizou para os pescadores sobre a liberação, quando a LAP ia se afastando de nós. Só aí a poeira baixou.
 
Aproveitando o desfecho positivo e o total recolhimento da rede - que trouxe uma minguada pescaria de bonitos -, começamos a manobra de desembarque. A recepção foi surpreendentemente cordial, já que tivemos até a ajuda de alguns dos mesmos pescadores que há pouco nos hostilizavam. Eram 9h45 quando o último participante saiu do barco. Como havia se passado muito tempo e não podíamos perder mais nenhum minuto, fizemos uma breve preleção (solicitando a todos trazer o seu lixo, não coletar nada, não fumar, etc.) e rápido aquecimento, entrando na trilha às 10h em ponto.
 
Às 11h e pouco chegávamos às ruínas da Casa do Faroleiro. Nesta imponente construção em estilo colonial, só restavam as paredes de pedra-de-mão unidas pela argamassa de conchas trituradas, areia e borra de óleo de baleia, além de algumas telhas coxa-de-mulata por cair e raro madeirame que resistiu bravamente aos elementos e ao tempo.
 
A cena era mágica, como que saída de um filme de aventura: belíssimas ruínas engolidas por uma floresta exuberante, com interessantes detalhes para onde quer que se olhasse. A exemplo disso, achamos um tijolo com marcas de delicados dedos humanos, impressos à época de seu cozimento oitocentista. Em outro, pegadas de um animal, possivelmente um pequeno cão. Uma janela ainda exibia sua moldura de madeira preservada, tal qual algumas das que são encontradas no casario do Centro Histórico de Paraty.
 
Um beiral finamente ornado e quase intacto, a extensão da área construída e a solidez das paredes confirmavam em parte informações bibliográficas de que foram investidos pesados recursos financeiros, materiais, técnicos e humanos no conjunto de obras do Farol. Tudo para ser perdido para sempre daí a apenas três décadas, por conta da arrogância de seus idealizadores, da falta de sensibilidade ambiental dos mesmos e de seu descaso para com o rico conhecimento das comunidades tradicionais sobre as peculiaridades climáticas da área.

Essa história é talvez um dos mais valiosos temas em educação ambiental de vertente emancipatória existentes na Costa do Sol, uma verdadeira lição da necessidade de se conhecer e se respeitar processos ambientais e saberes tradicionais, de forma crítica e sistêmica quando da elaboração e implementação de obras e intervenções humanas no meio ambiente. Do contrário, é prejuízo e mico na certa, como foi o caso que contei ao grupo e reproduzirei a seguir...

Devido à posição estratégica do Cabo Frio à navegação nos séculos passados e às condições adversas que ocasionaram muitos naufrágios no local, o governo imperial resolveu construir um farol no topo da Ilha homônima, em 1833, para salvaguardar os navegantes. Obra muito cara e difícil, acabou se tornando motivo de orgulho para a província do Rio de Janeiro, já que esta era a construção mais alta deste tipo do Império até então: 390m. No entanto, já no ano de sua inauguração – 1836 – um relatório da Marinha noticiava que as luzes produzidas pelo equipamento não podiam ser vistas a grande distância, denunciando assim sua ineficiência. Desta forma, foram trocados os cristais ingleses - considerados mais grossos do que deveriam ser - e totalmente desmatado o topo da Ilha, com o equivocado intuito de se diminuir a neblina que constantemente se formava ali. Esta, segundo os relatórios oficiais, foi a sentença de morte do farol.
 
Consta que, desde tempos imemoriais, habitantes daquela região sabiam que era comum a formação de neblina no topo da Ilha, sendo este fenômeno usado ainda hoje como indicador de tempo bom ou chuva. Segundo Elísio Gomes Filho, autor de Célebres Naufrágios do Cabo Frio - obra na qual se baseiam quase todas as informações históricas aqui apresentadas -, quando venta o sudoeste forma-se um espesso manto de neblina lá em cima, indicando chuva. Se o vento desfaz esse manto no sentido leste-nordeste, é sinal de bom tempo.

Em sua presunção e ignorância, os engenheiros e idealizadores do projeto não observaram tais condições naturais e, ao que tudo indica, sequer consultaram moradores e pescadores - ou, se o fizeram, não consideraram suas opiniões. Assim, o farol construído pelo Major Belegard, motivo de vaidade para o Império, teve que ser abandonado após outro ter sido erigido no chamado Focinho do Cabo, em 1861 (em funcionamento até os dias de hoje). Ficou aquele assim conhecido como o Farol Velho, um belo e melancólico monumento à falta de humildade e de inteligência socioambiental.
 
Chegamos ao nosso objetivo às 11h45. A visão daquela peculiar construção centenária localizada no ponto culminante da Ilha contrastando com a vegetação e o céu azul era emocionante. Do Farol original restava apenas sua estrutura de alvenaria, já que a cúpula que caracterizava o farol propriamente dito (com sua cara armação de ferro fundido, cristais, lentes e engrenagens) deve ter sido desmontada assim que ele foi desativado.
 
Se já da base do Farol as vistas eram soberbas, do alto elas se tornavam indescritíveis! Foi possível ver desde os contornos do Alto Mourão, no Parque Estadual da Serra da Tiririca, localizado em nossa longínqua Niterói, até a Armação dos Búzios e a cidade de Cabo Frio, passando pela totalidade da Laguna de Araruama, morros como o de São João, em Barra de São João, os Três Picos e o Caledônia, em Friburgo, o Pico do Faraó, entre Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim, o Farol Novo, o Pontal do Atalaia e muitos outros deleites visuais. O manto de vegetação da ilha combinava com a miríade de cores do mar ao seu redor, indo desde aquele famoso verde caribenho do Boqueirão, até um azul profundo a perder de vista no horizonte. Que espetáculo delicioso!
 
Começamos a volta em torno das 13h. Levamos pouco mais de uma hora para chegarmos ao cais. Aproveitando que estávamos aquecidos com a atividade física, alguns participantes resolveram cair e outros fazer mergulho de apneia com equipamento cedido pelo Mansur. A água cristalina e a quantidade de peixes fizeram valer a pena o frio da imersão. Já o restante do grupo ficou lagarteando ao sol.
 
No retorno, após uma rápida visita à Praia da Ilha e à Gruta Azul, pegamos mais vento e até ondas. Apesar disso, à 17h chegávamos sãos, salvos e extasiados ao cais.

O relato completo desta caminhada pode ser acessado no site http://www.ecoando.com, na seção Diário de Trilha.

Serviço:


Para visitar a Ilha de Cabo Frio, no município de Arraial do Cabo (RJ), você precisa entrar em contato com o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), da Marinha. É necessário enviar um ofício com pelo menos um mês de antecedência à data pretendida solicitando a autorização, explicitando o objetivo da visita e listando os dados dos participantes e do guia (nome completo, identidade, CPF, endereço, telefone), que obviamente deverá conhecer a trilha e ser preferencialmente credenciado. 
 
*Cássio Garcez é guia credenciado em atrativos naturais (MTur nº 19.00023.96-3), coordenador do Ecoando – Caminhadas & Ecologia, educador ambiental, pós-graduado em Planejamento Ambiental (PGPA – UFF) e mestre em Ciência Ambiental (PGCA – UFF). As fotos exibidas neste artigo pertencem ao autor.

 
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O passeio em questão começou com a continuidade de descobrir de qual animal se tratava que emitia sons desconhecidos nesta região (Baixada Santista). Como conhecedor há mais de trinta anos deste lugar, aproximadamente há três anos comecei a ouvir um som que se assemelhava ao relinchar de um cavalo, não tão eloqüente, mas lembrava!
 
Combinamos o acampamento para o dia 15/05/2010, eu e meus filhos, após uma longa caminhada chegamos ao local escolhido; à noite já se anunciava, montamos as barracas fizemos um lanche e fomos deitar. O dia amanheceu nublado e silencioso, mesmo assim saímos para fotografar e nada de especial acontecera, o dia era mesmo só para dormir!

A noite seguinte, toda de chuva! Então resolvemos levantar acampamento e voltar para casa; mochilas prontas equipamentos bem acondicionado “pé na estrada” andávamos há vinte minutos quando, de repente, meu coração quase parou ao depararmos com um bando de muriquis em uma árvore frutífera, aflito  com a possibilidade de não conseguir registrar esse momento, abri a mochila, peguei a câmera e comecei a fotografar; com tantos anos de mato ainda me emociono em algumas situações, eu tremia muito!

O Muriqui (Brachyteles aracnoides) é o maior primata das Américas, vive só na Mata atlântica é endêmico do Brasil e estão entre os 25 animais mais ameaçados de extinção do planeta. Encontrar esses animais livres na natureza é indescritível o sentimento, são criaturas maravilhosas! Enfim as fotos que quero dividir com vocês, e espero que a responsabilidade de protegê-los também!





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 Conheça a nova abordagem ambiental e pedagógica vivenciada por Celso Calheiros em Recife:

"Uma nova frente de educação ambiental foi aberta no Recife. Depois de identificar que alguns pais eram mais resistentes aos novos ideais de preocupação com a destinação do lixo e proteção do meio ambiente do que seus filhos, a Secretaria de Educação do município resolveu chamar os responsáveis dos alunos, também, para uma de suas melhores aulas: um passeio no Barco Escola Ambiental Águas do Capibaribe – na realidade, um catamarã com cobertura e cerca de 70 assentos pertencente à Prefeitura do Recife para oferecer aos alunos do ensino fundamental (e alguns dos seus pais) uma visão da sua cidade que já foi chamada de Veneza brasileira a partir da foz do seu principal rio, o Capibaribe.
 
A aula sensibilização começa pelo Marco Zero, no centro do cais do Porto do Recife. Cerca de 50 pais de alunos beneficiados pelo Programa Bolsa Escola tomam seus lugares e, por aproximadamente uma hora e meia, passam por debaixo das principais pontes do Centro do Recife, a começar pela ponte giratória, que deixa a zona portuária em direção à zona estuarina.

O mangue nas margens é apresentado como “uma mistura de maternidade com refeitório”, a pesca como base da renda de algumas famílias que vivem próximas. As aves, moluscos, insetos, crustáceos e peixes avistados no trajeto são apontados como sobreviventes naturais, de uma região totalmente urbanizada, quando o rio chega ao fim do seu percurso de 240 quilômetros pelos quais atravessou 42 municípios.

Todos os tipos de resíduos sólidos, a boiar ou parados nas margens, lama preta com gordura e o encontro do Capibaribe com o Beberibe (muito mais poluído) também servem de exemplos ilustrativos de como a ação humana pode desequilibrar a vida.

O servente João José da Silva, 49 anos, pai de quatro filhos, ficou impressionado com a beleza do passeio. “Não imaginava nada disso”, disse. Maria do Carmo, 34 anos, com um filho na escola Carlos Lima, no Alto José do Pinho, só conhecia o rio por fora. “É muito diferente olhar para dentro, você começa a pensar outras coisas que não passava pela sua cabeça”. Valdair Gomes da Silva, mãe de duas meninas no ensino fundamental, disse que ao olhar das pontes, “ninguém dá importância para o mangue, que é o mais bonito, na verdade”.
 
A ideia de sensibilizar alunos é praticada, no Barco Escola Ambiental Águas do Capibaribe desde o fim de 2003. O diretor do programa, Alfio Mascaro, 50 anos, disse que as crianças são mais receptivas ao tema, por isso resolveu incluir os pais nas aulas fluviais. “Quem sabe conseguimos reverter essa sociedade suicida?”.
Confira as fotos do passeio pelo rio Capibaribe:


 
Ponte de Ferro

 
Lixo à margem

 
Barcos de pesca na Ponte do Limoeiro

 
Pais vestem coletes salva-vidas durante o passeio

 
Lama, Lixo e crianças a brincar nas margens do rio

 
Prédio da Prefeitura do Recife, ao fundo, e a vegetação de mangue nas margens

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 Confira abaixo a viagem de Karina Miotto pela Amazônia!


Viajar pela Amazônia é algo que sempre me encanta. Viajantes menos atentos podem ter a impressão de que na floresta tudo é mais ou menos parecido: o verde das árvores, insetos, umidade, pássaros cantando camuflados entre as copas, mas me arrisco a dizer: preste atenção aos detalhes.

O tempo todo mudam os rios e as paisagens. Aqui, vejo um boto. Acolá, uma Arara Azul cruzando o céu. Uma folha de seringueira pode encantar olhos atentos. E o que dizer do pôr do sol então? A impressão que tenho é que, embora faça sol o ano inteiro, quando ele se põe (ou nasce) o espetáculo é sempre de encher os olhos. Isso sem falar na sua gente...o sorriso dos ribeirinhos me ensina a simplicidade. Como diria Milton Hatoum no poema Prece de Amazonense em São Paulo, inspirado em Carlos Drummond de Andrade: “Se o Brasil te conhecesse antes do fim que se aproxima, salvaria tua beleza?”.

Acredito que o passo número um para salvarmos este grande patrimônio da humanidade deve ser dado por dois caminhos: o primeiro é pela informação – como nos importaremos com a preservação daquilo que não conhecemos? O segundo é pela sensibilidade que brota do tocar, do respirar, do saborear, do sentir a Amazônia. Tem gente que não precisa viajar até ela para compreendê-la. De qualquer maneira, estar em seu território é ter a grande oportunidade de conhecer de perto a floresta que, de acordo com o IBGE, ocupa nada menos do que 49,28% de todo território brasileiro.

Vir para cá é dar-se a sagrada oportunidade de intuir que, no auge de todo conhecimento que possuímos, ainda temos muito o que aprender. 

Veja as fotos desses detalhes..
.

 

 
Abelha na flor na base de permacultura apoiada pela Fundação Avina em Boa Vista do Ramos, no Amazonas, peguei o momento em que a abelha se alimentava do pólem de uma flor de Urucum, cuja folhagem nutre o solo.

Em Novo Airão, no Amazonas, tive a oportunidade de nadar no Rio Negro e conhecer de perto botos vermelhos, mais conhecidos como cor-de-rosa. Dóceis, amigos e cujas ações contrariam muitas das lendas a seu respeito

 
Foto tirada na sede de permacultura em Boa Vista do Ramos, no Amazonas. É um abacaxi visto de cima. Neste dia percebi o quanto esta fruta é bonita.


 
Ormandina Baltazar Ramos mora na comunidade Palestina, às margens do rio Jauaperi, em Roraima. Ela vive em um pequeno barco e cria flores no teto dele. Este sorriso...


Neste dia fazia tanto calor. Estava no Arquipélago de Anavilhanas, o maior de água doce do mundo. Não pude nadar: o barqueiro, muito mais esperto do que eu, me mostrou que onde estávamos era o paraíso das arraias .

 
Rio Paraná do Ramos, Amazonas. Esse foi mais um daqueles pores do sol que deixaram em mim boas lembranças...



 
Navegando pelo Arquipélago de Marajó, no Pará, me deparei com crianças de uma escola do interior. Estavam no transporte escolar, voltando para casa.
 
Essa foram as viagens de Karina Miotto, envie a sua para a gente!

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