Ser ou não... Serra da Bodoquena PDF Imprimir E-mail
22/01/2010, 15:36

fotos: Maria Tereza Jorge Pádua

Resolvemos fazer uma viagem de carro desde Florianópolis até Bonito, percorrendo assim grande parte dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. A cidadezinha de Bonito, de nome realmente bonito, é proclamada como a capital do ecoturismo no Brasil. Perto dela está o Parque Nacional da Serra da Bodoquena.

A viagem, com raríssimas exceções, era só atravessar um oceano de soja a se perder de vista, interrompido por mares de cana ou pastagens. Uma paisagem monótona, feia e triste, principalmente porque os fazendeiros, na sua enorme maioria, sequer deixaram um simulacro de áreas de reserva legal ou mesmo sequer respeitaram as áreas de preservação permanente (APPs). Por incrível que possa parecer mesmo as faixas de domínio das estradas, desapropriadas com nosso dinheiro, não estão livres da soja ou cana. Tudo está plantado. Não se obedeceu ao Código Florestal em vigor, não há corredores ecológicos, não há fauna silvestre à vista, apenas as emas ou seriemas que sobrevivem nos campos de soja ou nas pastagens e algumas espécies de aves resistentes à tamanha alteração de habitats. As únicas florestas que se observa são os pequenos lotes de eucaliptos alinhados como brigadas de soldados prontos para um desfile e perdidos na paisagem.

Onde se vê algumas manchas de matas secundárias é justamente em alguns assentamentos rurais entre os estados do Mato Grosso do Sul e Paraná, que evidentemente serão desmatadas outra vez para a obtenção de madeira e carvão vegetal. Digo isso, pois, essa é a única atividade econômica evidente nesses assentamentos. Em cada lote apenas se observam uns poucos metros quadrados de cultivos para sobreviver: mandioca, milho, bananeiras e pouca coisa mais. As poucas matas ciliares que os fazendeiros não destruíram estão religiosamente ocupadas por camponeses sem terra, prontos para assaltar a fazenda mais próxima. Esperando o momento da invasão eles se encarregam de destruir prolixamente o pouco de mata que ficou.

Pelas informações de conservacionistas que viajam pela região, por constatação visual, nota-se a imensidão dominada pela cana-de-açúcar de todo o noroeste do Paraná,  salpicada de pastagens ou vice-versa, dominando até a região de Naviraí - Dourados. Então cedem espaço à soja que domina totalmente a paisagem, em geral substituída na estação seguinte por plantios de milho e, também, com algumas manchas de pasto ou de cana-de-açúcar (mas, esta avança rápido em todas as direções) até a região de Guia Lopes da Laguna e Jardim, mas tendo por grande centro o município de Maracaju. Na direção de Bonito dominam as pastagens, cada vez com mais fragmentos de remanescentes mais ou menos naturais de cerrados, cerradões e florestas, conforme a proximidade das bases do Planalto ou Serra da Bodoquena onde as matas, no espaço delimitado como Parque Nacional, ainda predominam.

Ante esses fatos a gente se pergunta por que os ruralistas lutam tanto contra o Código Florestal em vigor se eles nada perderam, em termos monetários, para a obediência da Lei, pois ela parece que para eles não existe. Claro que este quadro é uma constante em outros estados do Centro Oeste e lá se vão o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal, que não vai se livrar de tantos agrotóxicos e assoreamentos gerados na sua extensa bacia hidrográfica. Pobre país que deixa destruir completa e absolutamente, enormes ecossistemas e regiões originalmente belas e ricas, para irrestritamente fazer monoculturas avassaladoras. Será que essa forma violenta de uso da terra tem algum futuro? Até quando os custosos corretivos agrícolas conseguirão manter a cobiça de fazendeiros ricos, que agem sem nenhuma consciência ambiental, nem tampouco respeito pela lei?


Um guia local resumiu muito bem o dilema dos poucos proprietários de terra que querem preservar algum resto da floresta. Se eles não desmatam devem enfrentar os sem terra e o governo federal que alegam que a terra está abandonada. Se quiserem fazer uma reserva particular de patrimônio natural, para evitar que os sem terra invadam, devem enfrentar anos e anos de trâmites custosos e ridiculamente complexos ante as autoridades federais. Só como exemplo a pequena RPPN do Buraco das Araras, com 29 hectares no município de Jardim, levou 8 anos para ser reconhecida como tal. Por isso muitos optam pelo simples expediente de aceitar que os carvoeiros eliminem a mata e entreguem a terra nua aos proprietários que assim evitam as invasões e desapropriações e ganham algum dinheiro. Tudo legal, tudo tranqüilo. Isso é o que, na prática, faz e fomenta o governo que, não obstante, enche o peito com seu papo furado nos eventos internacionais.

Quando se chega a Bonito, após dois dias de viajem, se respira um pouco, pois, como todos sabem há muitas reservas particulares de patrimônio natural (RPPNs); rios ainda ricos em peixes, um pouco mais de mata ciliar e de florestas secundárias esparsas aqui e acolá e, vêem-se ainda alguns animais silvestres, dentre eles as famosas araras vermelhas e pelo menos uma unidade de conservação pública federal de proteção integral, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, além da reserva indígena dos Kadiweu, com seus 530.000 hectares.

Por vício de profissão quisemos visitar a única unidade de conservação federal de proteção integral em Mato Grosso do Sul (segundo dados do ICMBio, disponíveis em seu site), o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado há 10 anos, com 76.000 hectares que evidentemente, como muitos outros, ainda não foi implantado, nem totalmente desapropriado. Não sei por que insisto em visitar parques nacionais! São só problemas e mais problemas! Até as fazendas já desapropriadas pelo Poder Público continuam com gado dentro e sendo tranquilamente usadas pelos antigos proprietários, que não deixarão de pedir em breve uma nova desapropriação. O Poder Público, com grande, mas insuficiente esforço, apenas desapropriou pouco mais de 11% da área total do Parque Nacional.

O Parque tem poucos amigos e muitos inimigos. Os amigos são apenas os poucos que pensam no futuro, dentre eles os funcionários encarregados da sua defesa no campo. Os inimigos são todos os outros, principalmente os ruralistas locais concentrados na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), pois eles não param de atacar o Parque Nacional desde o momento de seu decreto de criação. Mas, até os comerciantes do ecoturismo estão velada ou abertamente contra, pois acreditam que se o Parque abrisse as portas ao turismo seria um sério competidor aos seus negócios.

A Famasul é um caso à parte. Começaram por uma ação direta de inconstitucionalidade, que não prosperou, e seguem com todas as ações que possam atrapalhar a implantação do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Até contestaram a própria existência do Parque Nacional alegando, através do Poder Judiciário, a caducidade do decreto de criação do Parque Nacional. Como se decreto de criação de Parque Nacional caducasse! De acordo com nossa Constituição- artigo 225 §1º, incisos I, II, III e IV um Parque Nacional só pode ser extinto por Lei. É só conferir. O que caduca é o decreto de desapropriação, que tem validade de 5 anos. De fato, na vigência do decreto de desapropriação por utilidade pública, não se desapropriou as terras particulares do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Poucas fazendas foram adquiridas pelo Poder Público e, como já mencionado, continuam a ser exploradas pelos antigos proprietários pela falta de ação do ICMBio. Mas o governo federal pode, após um lapso de um ano da caducidade do decreto de desapropriação, que, volto a repetir, tem validade de 5 anos preparar um novo decreto de desapropriação. Ou seja, a qualquer momento, o senhor Presidente da República pode agora promulgar outro decreto para a necessária desapropriação desse Parque Nacional. Deveria fazê-lo rapidamente em benefício do único Parque Nacional do estado de Mato Grosso do Sul. Deveria ainda implementá-lo enquanto é tempo, antes que os ruralistas desafetos do Parque Nacional acabem por matá-lo, conseguindo de forma espúria sua extinção.

Assim mesmo aqueles ruralistas querem fazer crer a todos que o decreto de criação do Parque caducou. Mentira, e todos os advogados e juízes devem saber disso. De tão atrasados e antidemocráticos, esses ruralistas atacaram a instalação do Conselho Consultivo do parque e eles conseguiram evitar sua instalação, através de uma liminar do judiciário, o que não impede em nada a implementação da unidade pelo poder executivo. Os Conselhos Consultivos são previstos pelo artigo 29 da Lei Nº 9985 de 2000, a conhecida lei que estabelece o sistema de unidades de conservação do país (SNUC) e têm a função de garantir a participação dos setores e da sociedade envolvidos com a unidade de conservação. Impedir-se, através de uma liminar, o funcionamento do Conselho Consultivo só evitará que o processo de gestão da unidade seja mais transparente, participativo e democrático. Mas, o assunto é preocupante, pois pela primeira vez tal fato ocorreu no Brasil. É uma decisão totalmente incongruente e que atenta de modo flagrante contra uma lei. Porém, decisão judicial tem de ser obedecida.

Na verdade, neste sentido os ruralistas deram um tiro no próprio pé, porque com isso não podem nem mesmo palpitar sobre o plano de manejo e sobre a implementação da área. Por outro lado, impedem que outros interesses econômicos legítimos, como aqueles do setor turístico, participem da gestão da unidade de conservação.  O melhor que fariam para eles e para o próprio Parque Nacional seria lutar por emendas orçamentárias para a desapropriação de suas terras (com isso resolveriam o maior problema que os afeta); ou ainda agir via ação de desapropriação indireta (para atingir o mesmo fim) e, ainda, pela efetiva implementação da área, que gera benefícios locais que se expandem para toda a sociedade. Mas não, são do velho lema do “quanto pior melhor".

O Parque Nacional da Serra da Bodoquena é a única e mínima porção mais ou menos natural que está protegida pela União na região. A destruição que o agro-business, provocou em Mato Grosso do Sul é assustadora, única, feia e, pior, contou com suporte e subsídios pagos por todos nós cidadãos deste país. O mínimo que a Famasul deveria fazer seria lutar pela implantação do Parque Nacional, depois de tanto destruir. E também deveriam lutar pela desapropriação das terras que alegam pertencer a alguns dos seus membros. Pelo contrário, pelo visto preferem eliminar as poucas árvores que não conseguiram tirar antes que o Parque fosse estabelecido e concluir a destruição do lugar. Esse pequeníssimo Parque é com exceção da terra dos Kadiweus e de umas poucas e pequenas áreas protegidas estaduais ou particulares, tudo o que ficou da outrora natureza desse grande Estado. Nem isso parece resistir à ambição desmedida de alguns fazendeiros sem escrúpulos, nem vergonha.

Onde está o Governo Federal? Por que esse Parque, inclusive os poucos setores desapropriados ainda não tem infra-estrutura de visitação? Que espera o instituto “Chico Mendes” de Conservação da Biodiversidade para fazer algo mais que abandonar alguns funcionários no lugar, sem autoridade, nem autonomia para resolver os problemas? Será que não é óbvio para as autoridades federais que é muito urgente, urgentíssimo proteger esse último resquício da natureza de Mato Grosso do Sul onde se concentra a diversidade biológica que o Brasil requererá mais cedo do que tarde?
Comentários
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Observações contundentes
Jaime 24/01/2010 14:03:04

As observações de Maria Tereza são, sempre, muito contundentes, e trazem
explícitas mensagens de urgência no tratamento das questões ambientais do
País.
Infelizmente, não consigo ser muito otimista em relação às
mudanças, que anseia-se, aconteçam não somente na esfera
político-administrativa mas, e sobretudo, na consciência da Nação.
Sempre
percebo má vontade dos empreendedores públicos e privados em relação aos
poucos e submissos órgãos ambientais que o governo é "obrigado" a
manter. É a mesma atitude em relação à educação, à saúde e à
segurança. Eles, os governos, carregam essas obrigações de Estado como um
fardo pesado e incômodo, mas impossível de ser delegado. Que bom seria se
todas essas chatices fossem cuidadas por outrem, não é mesmo?
Aliás, quando
é a cidadania o objeto explícito da ação, não há verba, não há projeto,
não há controle. Claro, essas lacunas e insensibilidades são a consequência
da falta de vontade e de projeto políticos sérios para resolver essas eternas
pendências.
Para que haja excitação, é preciso proceder à contratação de
empreeiteiras para a realização de projetos de grandes obras, com alguns
bilhões $$$ na jogada. Daí, há muita expertise, presteza, e derrubam-se todos
os impecilhos. Matas? florestas? rios? fauna, direitos dos povos originais? Ai,
que saco!!!
Mas não é esse pessimismo que me impede de aplaudir e me juntar a
quem acredita e luta por todas as formas de vida.
Obrigado, Maria Tereza, pela
sua incansável determinação. Você insiste em visitar os parques e reservas
porque sabe que é o pouco que ainda tem condições de sobreviver na natureza
do patropi. É preciso defender. E você é uma leoa.
Realidade do ICMBIO
anônimo 25/01/2010 06:17:25

Parabéns à Maria Tereza! Acho que ela está mais para "onça-pintada",
procurando seu espaço e alertando a todos sobre a destruição. Monoculturas
não distribuem renda, arrasam o ambiente natural e o País fica com os danos
ambientais... o maior problema é que, os administradores federais do ICMBIO
ficam se refestelando em mordomias aqui em Brasília e nada fazem para mudar
este quadro, afinal, o ar-condicionado, o cafezinho, a tranquilidade dos
prédios no sudoeste, com enormes jardins (!) e etc. obriga os funcionários
federais a entrar no esquema e continuar a não resolver nada nos parques e
reservas do Brasil. Apenas jogam de para-quedas alguns servidores sem capacidade
de ação devido à falta completa de recursos e apoio. É melhor que volte logo
a ser IBAMA, que tem nome, peso e impõe moral através de sua fiscalização
que deve sim, continuar pesada com aqueles que agridem o meio ambiente.
Capital do ecoturismo?
Rodrigo Falleiro 25/01/2010 06:31:10

Estive em Bonito fz algum tempo.
Me chamou a atenção a destruição completa
da natureza na capital do ecoturismo.
Mesmo nas áreas turísticas, onde os
empresários ganham MUITO dinheiro com a flutuação, passeios, pousadas, etc.
estes atrativos eram apenas uma pequenas faixa de mata cercando o rio. Enchiam a
boca para falar das suas RPPNs que foram decretadas em cima de APPs de tamanho
menor que o exigido em Lei. Achei deprimente que esta capital do ecoturismo no
Brasil. Até as fazendas do Blairo Maggi tem mais área natural que a região de
Bonito.
Biloxi Blues 25/01/2010 07:17:41

Grande Tereza,

Voce coloca questões para as quais já sabe a resposta,
então para que levantar a lebre?

Ora, vamos ser sinceros, isto aqui nunca
vai se tornar um National Park Service mesmo, nunca vai haver dinheiro
suficiente para gerir as UCs, e nem se voce voltasse ao governo ou qualquer
outro conseguiria mudar a mentalidade do povão, que vê os tais Parques
Nacionais, como um puxadinho no meio do mato com uns quiosques para "queimar
uma carninha e beber uma cerva" no fundo, no fundo vamos tocando do jeito
que dá e quem vier depois que se arranje. Palavras de alguem que está quase
entregando os pontos.
destruição
anônimo 25/01/2010 07:27:02

Um dos famasulzeiro,tem uma serraria no entorno do Parque \Nacional, que
segundo consta está regular perante a lei. Mas o que temos presenciado qto as
leis, seria melhor verificar de perto, bem de perto essa área e as demais
dentro do parque. Por que consta que estão vendendo madeira, com aquele sempre
jeitinho brasileiro e, claro com aval do juiz que tem dado guarita aos antigos,
atuais e sempre poderosos do sul do Mato Grosso.

Infelizmente.
Eustaquio Mendes 25/01/2010 08:12:06

nao se preocupem, quando nos brasileiros destruirmos toda a base ecologica que
nos sutenta atingiremos o tao sonhado nivel de conscientizacao e poderemos pagar
a conta das safadezas feitas desde o remoto passado
Sugestão
Kaíco 26/01/2010 08:32:26

Não sou profundo conhecedor da causa, mas pelo que acompanho em jornais, existe
por lei a obrigação dos produtores rurais, terem suas reservas legais, o que
não aceitam por inumeros motivos. Pois bem, por que então, o governo não
aceita "alugar" esses Parques que queimam todos os anos por falta de
manejo e grana, alugua-se por has essas areas aos produtores que não tem as
reservas dentro da propriedade e com o dinheiro, indeniza-se as
desapropriações, e cria estrutura de manejo, fiscalização, e turismo.
INIMIGOS INTERNOS
Darci Bergmann 26/01/2010 09:45:07

A ameaça de destruição do patrimônio natural do Brasil não se dá apenas
por fatores externos como o aquecimento global. Temos inimigos na trincheira,
como mostra a matéria bem feita de Maria Tereza Jorge Pádua. A continuar
assim, esse País lindo vai ter que mexer com os símbolos patrióticos. A
àrvore que lhe deu o nome quase foi extinta. No seu hino nacional onde consta
"nossos bosques tem mais vida..." talvez ocorram modificações. Tudo
por conta desse modelo falido com rótulo de modernidade. No campo ele se chama
agronegócio. Os estrategistas militares e civis não precisam temer em demasia
os inimigos de fora. No atual momento,ao invés de aviões de caça e outros
armamentos sofisticados, precisamos combater a destruição do nosso legado
natural. Que utilidade teriam agora? Em pouco tempo teremos um montão de
sucatas custeados com recursos que poderiam preservar boa parte da
biodiversidade às futuras gerações.Sem falar em outros gastos absurdos de
recursos preciosos.
Perdemos muitas batalhas, é verdade. Mas a luta
continua.
darcibergmann.blogspot.com
Anônimo 26/01/2010 15:28:13

Prezado Caico,

Reserva Legal é uma coisa, Unidade de Conservação de
Proteção Integral é outra. A verdade é que todos os governos "dão
mole" para os agricultores tadinhos, que alguns se dependessem plantavam
até em cima da sepultura da mãe se fosse permitido.
Anônimo 26/01/2010 15:30:38

Com a velha desculpa de que "são mãos que alimentam o Brasil" a
maioria não está nem aí se realmente está dando um tiro no próprio pé, e
ai nossa função é protege-los deles mesmos.
Plante que o governo garante!
Jarbas Felicio 28/01/2010 18:05:39

A problemática ambiental que se popularizou nos últimos 25 anos, em nosso
país, deve ter certa cautela com relação a algumas afirmações. Talvez para
o êxito de preservação ambiental precisamos antes de tudo interpretar alguns
fatos que são históricos culturais. Falo do próprio incentivo que o Estado
dava aos produtores para ampliar a plantação de soja e com isso a produção
do país, “plante que o governo garante!” Essa frase imperativa representava
para muitos o desenvolvimento e o crescimento do país.
Os tempos hoje são
outros, no entanto alguns valores de 30 anos atrás ainda permanecem para
alguns. A mudança do pensar e agir se faz necessário para todos. Para isso é
preciso o bom senso. Dos produtores rurais a conscientização de que manter
reserva legal e áreas de preservação permanente é de fundamental
importância para manutenção da produtividade do País. Por parte do governo,
a burocracia é cruel, mas muitas vezes necessária, governar as vontades de
muitos sempre é um processo lento, complexo, no entanto a agilidade de
resultados é preciso. Como exemplo está a necessidade e manter e implantar com
urgência os parque e reservas propostos. No caso específico do Mato Grosso do
Sul, efetivar o Parque da Serra da Bodoquena representa preservar o pouco que
resta da riqueza natural daquele estado. Da parte dos ambientalistas se faz
necessário manter suas ações a exemplo do artigo acima, claro e objetivo em
mostrar uma realidade através da crítica construtiva.
linguagem
Daniel 11/02/2010 08:53:02

Cara Maria Tereza, concordo com absolutamente todo o conteúdo de sua excelente
matéria, parabéns. Só discordo da forma mais pesada como, parecendo seguir
uma tendência da "grande mídia", foram rotulados os movimentos
sociais. Afinal, frases como "... camponeses sem terra, prontos para
ASSALTAR a fazenda mais próxima..." e "...esperando o momento da
INVASÃO..." (destaques meus) destoam do tom de eufemismo (creio que
involuntário) com que se referiu aos produtores rurais. Por exemplo, "...
obediência da Lei, pois ela parece que para eles não existe..." e "...
ambição desmedida de ALGUNS fazendeiros sem escrúpulos, nem vergonha..."
dão sensação de uma crítica mais velada, coberta de cuidados para não
generalizar e nem melindrar a classe ruralista. Repito, tenho convicção de que
não foi intencional, mas se camponeses ASSALTAM e INVADEM, os outros também
ROUBAM (a faixa de domínio das rodovias) e COMETEM CRIMES (desrespeitando a
lei, tanto ou mais do que os tais camponeses sem-terra). De qualquer forma,
muito obrigado pela matéria, precisamos de mais como esta.
Dois lados
Janaina 12/02/2010 06:45:21

Vocês estão olhando as coisas só do lado ideologico...esses produtores não
receberam do Governo!!!Dizer que só a destruição em Bonito é uma
mentira...dizer que todos os produtores rurais são destruidores também é
mentira...antes de fazer juízo de valor devemos entender o contexto que se vive
em torno do Parna da Serra da Bodoquena. Obrigado
Sra. Janaina
Lobo Guará 12/02/2010 14:38:34

Sra. Janaina, sobre suas colocações:

1) "Esses produtores não receberam
do Governo":
> Como não?!?! É notório que a classe ruralista é sempre a
mais privilegiada por nossos governos, sem exceção. E ainda assim vivem
choramingando... Quando o clima ou o "mercado" não ajudam, recebem
socorro imediato do governo com financiamentos públicos a juros extremamente
baixos (às custas de toda a sociedade), mas quando tudo vai bem com a safra,
não repartem seus lucros com a sociedade.

2)"Dizer que só a destruição
em Bonito é uma mentira":
> Acho que a Sra. quis dizer "há
destruição e não "a destruição", acertei? Enfim, acho que a Sra.
não leu o texto direito, ou não compreendeu bem. Interprete este parágrafo da
autora: "Quando se chega a Bonito, após dois dias de viajem, se respira um
pouco...". Ou seja, ela diz exatamente o contrário do que a Sra.
colocou...

3) "Dizer que todos os produtores rurais são destruidores
também é mentira":
> É, acho que a Sra. precisa mesmo ler o texto
novamente. Afinal, apesar da autora ter tido todo cuidado para não ferir o ego
dos ruralistas, parece que não funcionou. Leia outro trecho da matéria que
contraria esta sua colocação: "Nem isso parece resistir à ambição
desmedida de alguns fazendeiros sem escrúpulos, nem vergonha".

4) "...
devemos entender o contexto que se vive em torno do Parna da Serra da
Bodoquena":
> A Sra. poderia explicar melhor para nós então o tal
"contexto" que cita, já que a meu ver ele não difere muito do que se
vê por aí, com Unidades de Conservação ilhadas em meio a pastagens e
canaviais, e ainda assim sendo insistentemente invadidas por ALGUNS produtores
rurais (não vou generalizar para a Sra. não se ofender).

(Ps: Prefiro manter
o anonimato pois já cansei de ser ameaçado por fazendeiro brabo ao defender as
leis ambientais.)
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