Qual o limite da decepção? PDF Imprimir E-mail
14/09/2009, 11:17
 As modificações draconianas das normas ambientais, em especial aquelas concernentes ao Código Florestal em vigor no país, ou seja, Lei 4771 de 1965, já se banalizaram a tal ponto que sequer as organizações ambientais mais ferozes estão se mobilizando. É muito preocupante se assistir à derrocada do setor ambiental, sem que a população seja bem informada pela mídia, a ponto de reagir. As próprias autoridades constituídas para cuidarem do meio ambiente propõem constantemente resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e modificações da legislação em vigor abrindo as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as Reservas Legais, para não falar de uma corriqueira mudança de categorias de unidades de conservação das mais restritas para as menos restritas.

Tudo vem mudando celeremente em prejuízo claro para a conservação da natureza. Desde que escrevo para Oeco venho constatando e escrevendo sobre as políticas tendenciosas que nossos governantes têm adotado. Meio ambiente virou moeda de troca. As resoluções do CONAMA mais parecem ser dispositivos de ministérios envolvidos profundamente com o Programa de Aceleração do Crescimento, o famoso PAC. Ademais, o próprio CONAMA tem perdido gradativamente as suas atribuições e poderes e é cada dia mais fraco e indeciso. Pior ainda, este governo exerce ameaças constantes e públicas contra o mecanismo de licenciamento ambiental, contra os ambientalistas e até contra os funcionários públicos que cumprem seu dever de exigir trabalho sério das empreiteiras que constroem as obras do governo.

Se pode tudo. Aceitar as “pequenas” centrais hidroelétricas (PCHs) de “baixo impacto ambiental” sem estudos de impacto ambiental, nem relatório de impacto ambiental. E assim as PCHs proliferaram nos rios do Brasil, sem se ter uma visão do que está acontecendo nas bacias ou micro bacias hidrográficas, sem que a sociedade perceba que a maioria provoca sim, grandes impactos ambientais. Comem cachoeiras magníficas, matas ciliares, até capões de araucárias, se interfere no fluxo natural de enchentes e vazantes na planície pantaneira com a maior desfaçatez, se destrói o potencial pesqueiro e se alteram as condições vitais para a fauna. Basta como exemplo, conhecer-se a proposta de PCHs no rio Silveira no Estado do Rio Grande do Sul, que, se autorizadas, afetarão o magnífico Cachoeirão dos Rodrigues e talvez o melhor resquício de mata de araucárias com samambaiaçus gigantes e o fenômeno dos rios que correm paralelos, um deles exatamente o rio Silveira. Para este rio a PCH não tem nada de “pequena”. É, simplesmente, o fim do rio e do enorme potencial turístico da região.

Nas APPs se permite até sistemas agroflorestais sustentáveis, embora se tenha demonstrado até a exaustão que estes sistemas, quando cortam árvores ao invés de plantá-las, são mais que tudo, formas de se provocar mais desmatamentos. Se pode quase tudo nas APPs urbanas, até parques infantis, parques urbanos e ciclovias. Agora também se propõe, e o ministro de meio ambiente parece estar de acordo, que as APPs sejam incluídas nas reservas legais previstas para cada propriedade rural. Mais se propõe que alguns plantios de frutas, ou seja, o uso da permacultura seja considerado factível na Reserva Legal.

Mudam-se constantemente, seja no nível federal ou estadual, categorias de unidades de conservação como Parques Nacionais, Reservas Biológicas e Estações Ecológicas em outras menos restritivas que compõem “um mosaico”, como se o uso do termo salvasse a biodiversidade e /ou os recursos naturais que deveriam ser protegidos para benefício da sociedade. Chega-se ao desplante de chamar as áreas protegidas de “terras congeladas”, como se não tivessem nenhuma utilidade ou objetivo, como se fossem criaturas indesejáveis propostas por lunáticos.

Com tudo isso acontecendo pretende-se, ao mesmo tempo, evitar os desbarrancamentos, as erosões, a sedimentação, as enchentes, as mudanças climáticas, como em um passe de mágica. Claro que o clima também provoca esses fenômenos, mas o uso abusivo do solo, o não se cumprir medidas outrora previstas na legislação, modificada de forma tão irresponsável, acelera as destruições, os desabamentos, as mortes. Por motivos políticos as autoridades constituídas deixam “os pobres” se estabelecerem em áreas de risco, muitas vezes em plenas APPs, que deveriam estar no mínimo cobertas por vegetação natural. Aí quando há mortes a culpa é do clima. E, aproveitando-se da permissividade, os ricos também pulam na ocasião de instalarem residências na beira de rios e nas ladeiras com vista privilegiada.

As áreas protegidas nunca foram tão mal cuidadas ou faladas. Basta que grupos insignificantes de índios, ou quilombolas, ou “populações tradicionais”, bem assessorados por anarquistas, proponham qualquer direito sobre elas, que, sem estudos mais sérios e como que por esmola se dilaceram as unidades de conservação. Dão milhares de hectares, creio que porque nem têm noção do que é um hectare e porque são terras de ninguém e as autoridades do poder público encarregado de administrá-las para o bem comum não as quer na verdade, não lhes importa. Chegou-se ao absurdo de 19 famílias de quilombolas reivindicarem, com o beneplácito das autoridades, mais de 900.000 hectares do Parque Nacional do Jaú, no estado do Amazonas. Há países no mundo que não possuem este tamanho.

A última novidade do CONAMA foi quase aprovar uma minuta de resolução preparada pelo Ministério do Meio Ambiente, ou com sua anuência, e com o beneplácito de ONGs chapa branca diminuindo ou modificando o dispositivo legal ora em vigor que considera restingas APPs. Claro que agora não para agradar os “pobres”, mas os ricos do setor imobiliário que evidentemente querem ocupar as praias e a orla com seus hotéis e resorts de luxo, se possível com campos de golfe, também.

E o que estão fazendo as autoridades federais para interferirem no Código Florestal de Santa Catarina que é flagrantemente contra a disposição da legislação federal? Parece brincadeira se desmatar mais o estado que tanto vem sofrendo com os desastres ditos “naturais”. Digam à população, que se todos tivessem obedecido ao Código Florestal o desastre teria sido muito menor, menos triste, menos prejudicial.

Qual é o limite de irresponsabilidade dos nossos governantes com relação à área ambiental? Já apequenaram o IBAMA, que chegou a ser um órgão respeitado no passado. Já criaram o monstrengo do ICMBio. Já diminuíram o CONAMA. Já compraram a maioria das pequenas ONGs, que hoje são “chapas brancas”. Já fizeram dos órgãos ambientais plataformas para candidaturas de deputados e senadores. Quando vão parar? Qual é o limite que a sociedade desinformada ou mal informada vai aceitar?
Comentários
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Tuaregs
JTruda 14/09/2009 15:11:45

Querida Maria Tereza,
Seguimos clamando no deserto. Deserto de iniciativas, de
corações e principalmente de mentes (ainda que proliferem os DEmentes,
principalmente no des-governo).
Mas ao menos não estamos sós, somos nossa
própria comunidade tradicional, uma tribo de barulhentos tuaregs que se recusam
a se calar. Vamos nessa, que qualquer dia os infiéis vão ser passados no fio
da cimitarra da cidadania! rsrsrsrs Beijos.
Sobre pobres que escolhem encostas
Camila Medeiros 14/09/2009 15:39:24

Os "grupos insignificantes de índios" situam-se, no discurso ora
exposto, como figura semelhante aos "meros bagres" do linguajar
crescimentista. Os de sobrenomes caiados agredecem a gentileza ambiental
dedicada às populações tradicionais. E assim é que se segue com a causa:
errando o alvo. Saudações anarquistas.
Eustáquio 14/09/2009 15:40:22

e muita gente que acreditou no "governo democratico e popular" viu ele
se transformar na maior patrola contra a legislacao ambiental da historia.
sobre pobres
maria tereza 14/09/2009 15:59:59

Camila,
Os índios do Brasil,e restam poucos, têm cerca de 12% de nossa
extensao territorial. Assim mesmo ainda há injustiças. Eu me referia á
quantidade e ao uso dos mesmos para fins escusos,
para enriquecer outros.
Um
abraço
Maria Tereza
Muito divertido
Ciro Siqueira 14/09/2009 17:08:38

Muito divertido o artigo.
O velho e mesmo abismo...
Anônimo 14/09/2009 21:32:19

De um lado, o "anarquismo" (essa é nova rsrs), do outro os
ecosocialites... De um lado, os defensores das "populações
tradicionais" (como se a tradição ou a modernidade pudessem ser exclusivas
de alguém, tipo eu sou "moderno" e vc "tradicional".. como se
isso fosse algo biológico: branco = moderno, índio = tradicional), do outro,
os de um protecionismo urbano, inviável e egoísta (porque sem ser humano). De
um lado, "desenvolvimentistas" de araque, do outro
"preservacionistas" que "odeiam a pecuária, a rizicultura, as
hidrelétricas" etc. (mas não perdem um bom churrasco, enchem o prato de
arroz todo dia, tomam banho quente, adoram um ar condicionado e tá tudo uma
beleza..).

No meio... vamos caindo no abismo.

De todo modo, apesar de
discordar de algumas idéias apresentadas (algumas bem conservadoras), o texto
é intenso e provocador das idéias (o que, no fundo, é para o que serve um bom
texto). Mas... tá bem... e qual a sua sugestão, então??? Criticar e apedrejar
é uma postura bem fácil e típica deste país, mas só isso resolve?
"Malhar" esse governo é fácil (o anterior, que entregou a VALE,
então, nem se fala..), mas, qual o caminho??? Se depender da fogueira de
vaidades que é este país, onde ninguém escuta ninguém, boas idéias são uma
ameaça, e justamente os que mais deveriam estar unidos (ou pelo menos
dialogando), por terem poder e interesses complementares, se engalfinham na
velha e sórdida mesmice de sempre, vamos continuar empurrando o gigante
adormecido no abismo de nossa incompetência enquanto povo e NAÇÃO...
progressitas sem cultura
MARIA CECILIA GOUVEA WAECHTER 14/09/2009 23:00:02

Cara Maria Tereza,
Carioca,vejo a mata tlântica ser derrubada para dar lugar a
currais eletorais. Lá, não se paga luz, não se paga NET:nós pagamos por eles
e as árvores sendo derrubadas.Sou ex-classe média nesse país onde
"progressistas" riem de mim e me chamam de... eco-chata. Passei a
pertencer a Insttuções européias e nrte americanas, que são realmente Não
Governamentais. Váras contra a matança de animais e sua extinção, pelo
aquecimento global, pelos direitos humanos e dos animais, do Planeta num todo.
Deixam o povo sem casas populares e os coitados estão morrendo nas enchentes
pois não têm onde construir. Os ricos, constroem resorts para as férias dos
empresários "progressistas"e os oceanos vão tomando as cidades, os
rios alagam, mas só os pobres morrem.Minha única neta, que é de Santa
Catarina, quase foi levada pelas águas. Aos 68 anos, não aguento mais ver tudo
isso.
Abraço,
Maria Cecilia Gouvêa Waechter
Anônimo 15/09/2009 05:13:04

Frases como essa sao otimas, e se repetem sempre aqui em O Eco:
\"preservacionistas\" que \"odeiam a pecuária, a
rizicultura, as hidrelétricas\" etc. (mas não perdem um bom churrasco,
enchem o prato de arroz todo dia, tomam banho quente, adoram um ar condicionado
e tá tudo uma beleza..)\". Refletem direitinho a ignorancia de uns e
outros que veem nos ambientalistas alguns alienigenas, seres diferenciados da
sociedade. Devem tomar banho frio, nao comer carne, passar calor e o escambau.
Realmente quem escreve algo assim e um analfabeto social.
Zumbis ou herdeiros da ditadura e do colonialismo?
Geraldo Luiz da Silva Jardim 15/09/2009 07:55:44

Fico impressionado quando pessoas do mesmo tipo e métodos (auto-proclamados
ANONIMOS) se enveredam na crítica pseudo-inteligente em que usam sempre as
mesmas ferramentas do SOFISMO, da TERGIVERSAÇÃO e INJÚRIA para diminuir
argumentações dos outros.. Fazem como que vampiros da força vital dos que tem
alma e BERRAM indignados diante dos DESgovernos em nossa civilização. Se
aproveitam do impulso inicial e nobre dos indignados e se arvoram de mais
sábios e mais EQUILIBRADOS que aquele que gastou seu tempo de nobreza em
DESVELAR a sordidez de nossa civilização. Quero alertar ao ANONIMO medrozo que
não poem seu nome declarado, que tolo é aquele que se poem na vanguarda e não
tem as maos calejadas da pratica. Duvido que a nobre colega autora do texto - de
uma clareza mental argentea - nao tenha seus passos trilhados no caminho da
AÇÃO.
desmotivação
Rodrigo Falleiro 15/09/2009 08:05:50

Resta a nós, servidores dos monstrengos, das plataformas e dos
desrespeitados... apenas a desmotivação de ser mais um instrumento de toda
esta panacéia, sem poder nenhum de mudar nada. O que vou fazer nos 28 anos que
me restam de serviço público???
Aposentadoria
Rodrigo Falleiro 15/09/2009 08:07:03

Talvez a aposentadoria precoce...
opção
Rodrigo Falleiro 15/09/2009 08:10:32

Também resta ficar vendo debates importantes e opiniões de pessoas do mais
alto gabarito se perderem em xingamentos e discussões ...
Péssimo o nível
geral dos últimos comentários do O ECO...
Tá tudo dominado
Alexandre Guilherme de Oliveir 15/09/2009 08:20:05

Assim como a entrega das restingas à especulação imobiliária, a
desmoralização da APA Tamoios, em Angra dos Reis, faz parte de uma estratégia
dos poderosos para "apequenar" o meio ambiente e, de quebra, a
cidadania, fazendo-a sentir-se mal e com isso diminuir a sua estima. Penso que
os as áreas de grande sensibilidade ambiental acabam por se transformar em
reservas de mercado da indústria imobiliária e são utilizadas para regular o
mercado. No caso da Baía da Ilha Grande isso fica muito claro: a face
continental da Ilha Grande, uma das últimas fronteiras da conservação
ambiental insular vai perder uma área equivalente a Ilha da Gipóia (600 ha).
Formada predominantemente por grandes latifúndios, vai se transformar em
redutos exclusivos do PIB carioca-paulista, expulsando os moradores,
privatizando os costões e as praias ainda não guardadas por seguranças.
pessimismo
outro anonimo 15/09/2009 15:04:25

Sou pessimista.
Conservacionismo X desenvolvimentismo, tradicionais X
modernos...
Tudo isso é, de certa forma, uma cortina de fumaça para as 2
grandes questões humanas:
- A humanidade não encontrou ainda uma forma de
sobreviver, social e economicamente, sem avançar sobre territórios
"virgens" e sobre os estoques de bens naturais e, ao mesmo tempo,
produzir uma quantidade cada vez maior de resíduos tóxicos (no sentido
amplo.
A outra grande questão que permeia essa discussão é a utopia da
igualdade entre seres humanos e/ou entre grupamentos de seres humanos. Isso,
obviamente nunca existiu nem nunca existirá. Sempre haverão aqueles que, pela
força, pelo domínio tecnológico e/ou economico, pela índole genética e
cultural predominarão sobre outros. A sociedade humana é feita de duas
classes: a dominante e a dominada. Isso se reproduz em todos os níveis, desde o
núcleo familiar até a escala global...
E segue o abismo....
Analfabeto Social 15/09/2009 15:48:24

Os comentários em resposta ao meu (anônimo, com orgulho!) só fazem provar o
que disse antes: brigas, brigas, e mais brigas... Brasileiro só sabe fuzilar
idéias, atacar, xingar, vaiar, achincalhar... ou, então, beijar a mão dos
famosos e vendedores de idéias fáceis (a gente tende a ridicularizar tudo o
que não entende). Outro anônimo disse que eu devo "tomar banho frio, nao
comer carne, passar calor e o escambau". Não, meu caro, apesar de tomar
banho frio sim (pois na Amazônia a água já vem quente por natureza...), como
carne, arroz, uso ar-condicionado e o "escambau". A diferença é que
não sou hipócrita como muitos que fazem tudo isso, mas julgam as
hidrelétricas, a pecuária, a agricultura etc. como se fossem inimigos a priori
da conservação. E quanto ao fato de eu optar por ficar anônimo é um direito
meu, pois o dia que este país aprender a separar idéias de sues
"donos" (como se idéias pudessem ter "dono"), eu assinarei tudo
o que eu escrever. Até lá, deixo isso para os de idéias facilmente digeridas
pela maioria, que adora o óbvio como vc.
Anônimo 15/09/2009 16:53:37

Rodrigo,

se vc considera "péssimo o nível geral dos últimos comentários
do O ECO", então, sugiro que proponha ao Eco que censure as opiniões
discordantes da sua. Bem-vindo à diversidade de idéias!
gestor de UC 17/09/2009 07:26:27

"Qual é o limite de irresponsabilidade dos nossos governantes com relação
à área ambiental? Já apequenaram o IBAMA, que chegou a ser um órgão
respeitado no passado. Já criaram o monstrengo do ICMBio."

Bela
definição para o CHIBio, aqui dentro da casa também usamos o termo
"frankenstein".
Comentário dos comentários
Osvaldo Ferreira Valente 17/09/2009 07:49:45

O artigo e as discussões seguem o padrão que prejudica o verdadeiro
conservacionismo. Os problemas são tecnológicos e quando o país decidiu
resolver assuntos ambientais só com leis, está dando no que está aí. Brigas,
discussões estéreis e o ambiente, coitado, sofrendo. Precisamos dividir o pais
em biomas e ecossistemas e entregar o trabalho de conservá-los a Comitês,
incluindo governos e sociedades. Os Comitês, assessorados por especialistas, é
claro, adotaria os procedimentos e as legislações necessários. O erro vem do
fato de que algumas cabeças coroadas, do governo e da sociedade, acham ser
donos da verdade e lutam para impor suas ideias únicas a um país continental e
com exigências ambintais diversificadas, nem sempre assentadas em conhecimentos
técnicos e científicos e acabam metendo os pés pelas mãos. Se o que proponho
é utopia ou sonho, então deixemos tudo como dantes no quartel de Abrantes e
vamos aliviando os males com analgésicos, até a morte do paciente.
Mariana 17/09/2009 07:53:35

Vi uma vez uma charge em que uma menina pedia para não ser julgada por suas
roupas, nem pela sua aparência, nem pelas músicas das quais gosta, nem pelos
livros que lê, nem pelas pessoas que anda, nem pelos grupos que apóia, nem por
seu nascimento, nem por seu dinheiro, nem por suas idéias nem por seus atos.
Claro, com o desenho ficava mais engraçado, mas a idéia básica
continua.

Uma pessoa sempre será valorada pelas outras por algum motivo. Se
for por suas idéias, esse é quase o melhor meio de valorar alguém (suas
ações seriam o melhor). Pessoalmente, eu consigo ver porque julgar uma pessoa
por suas roupas, pela sua aparência, pelo seu gosto musical ou pelo seu
nascimento é errado e burro. Mas não vejo porque julgar uma pessoa por suas
idéias seja.

Julgar uma idéia por quem a apóia, aí é outra história.
Uma idéia deveria ser julgada pela sua lógica e coerência com os fatos da
vida real.

Mas para se julgar uma idéia por quem a diz, ao invés de se
julgar pelo seu valor intrínseco, é preciso que se conheça quem diacho está
falando. Se o Zé diz uma coisa, ou o João diz a mesma coisa, para a Maria só
vai fazer diferença se ela souber quem é o tal do Zé ou quem é o tal do
João.

O que leva à pergunta: quem é a incrivelmente famosa pessoa que anda
escrevendo como anônimo e acha que o nosso julgamento dessas idéias vai mudar
se soubermos quem ele(a) é?
Anônimos
Jorge Luis 17/09/2009 18:16:43

Na linguagem da internet, quando existe algo que é postado somente para chamar
"atenção" sempre dizemos, "não alimentem os trolls!" . É o
caso do descerebrado anônimo. Nem compreendeu que a Maria Cecília quando
falava de banho frio, etc... estava falando dos ambientalistas e não dele....
Hehehe, volta para escola filho, e vê se aprende alguma coisa...
Anônimos 2
Jorge Luis 17/09/2009 18:20:40

Perdão, quem falou sobre banho frio foi o "outro anônimo". Enfim, não
faz diferença alguma, já que o Grande anônimo não compreendeu mesmo...
pró-anônimos e pró-democracia
José 18/09/2009 06:19:38

Eu sou a favor dos anômimos, mesmo sendo o preço do anomimato a baixa
credibilidade do que se escreve, mas aí é problema (ou benefício)de quem lê.
Aliás, parabéns ao OECO pelo alto nivel dos artigos (dos quais eu muitas vezes
discordo) e pelo sentido democrático que adota, deixando qualquer maluco
postar, eu sou um deles. Sobre esse artigo, eu também enxergo assim a questão
da conservação no Brasil hoje e, é aquele negócio, enquanto a gente só
puder gritar, vamos, pelo menos, gritar. Se bem que tomar banho frio, ser
vegetariano, andar a pé ou de bicicleta, produzir a própria energia, alguma
parte do próprio alimento em bases orgânicas, separar lixo, compostar lixo
etc, também já ajuda
IBAMA nas mãos de sindicalistas despreparados.
marcia corera 19/09/2009 06:58:50

São Paulo, Santa Catarina , Bahia, RG sul ,RJ, derrubaram quase totalmente a
valiosíssima Mata Atlantica, Hoje vemos os efeitos sobre as populações com
ciclones( claro , não existe mais a mata para segurar as tempestades) doenças
, extermínio da fauna, assoreamnetos dos rios etc..
Agora , estamos na nova
onda de enriquecer e destruir o que resta das nossas riquezas naturais , tão
propaladas em verso e prosa .
È a tacanhice e a ganância dos nossos
governantes!
Unidades de Conservação de Proteção Integral
Crisomar Lobato 21/09/2009 12:36:53

Prezada Maria Tereza Jorge Pádua,
Parabéns pelo seu trabalho e pela coragem.
São décadas de luta pela preservação dos ecossistemas brasileiros. O Estado
do Pará, apesar dos 18% de desmatamento, já tem 10% de UC de PI e 12% de Uso
Sustentável, assim como 25% de Terras Indígenas. No dia 17 pp, aprovamos em
consulta pública mais um Parque no Marajó. A Estação Ecológica Grão Pará
com 4.250.000 ha e a Reserva Biológica Maicuru com 1.500.000 ha são nosso
orgulho.
Muito obrigado pelo exemplo.
Sobre abismos e burrices
Zé Ninguém 22/09/2009 18:25:17

Oi Mariana! Aqui é o Zé...

Vc conseguiu inverter completamente o que um dos
muitos "anônimos" aqui disse. Impressionante o seu dom para o sofismo
ilusionista... O que ele disse é que existe um embate improdutivo (que chamou
de abismo) que, devido à fogueira de vaidades e egos que se transformou este
país, pessoas e idéias que deveriam estar juntos, acabam numa briga sem fim em
que todos saem perdendo. E disse tb que não importa tanto os "donos"
por trás das idéias, mas sim as idéias em si. Por isso, optou por ficar
anônimo. Mas... provando tudo o que ele disse, os comentários todos partiram
pro ataque pessoal, e o pior pra uma discussão absolutamente improdutiva sobre
quem seria ele ou eu ou vc (conheço muitas Marianas nesse mundo...). Ou seja,
apenas provaram e assinaram embaixo de tudo o que ele (ou eu, que importa?)
disse... Julgar uma idéia por quem a diz é muito menos importante do que
julgar por seu valor intrínseco... ou não? É... acho que não, afinal, as
idéias ultimamente andam com muito pouco "valor intrínseco", né... Ou
será que se o Zé te disser pra pular da ponte e o João não, vc vai pular
apenas porque "confia e simpatiza" mais com o João...

Um
beijo,

João.
Cidadão, morador e defensor da Chapada
Peter Midkiff 22/09/2009 21:18:28

Muito bem colocadas as terriveis agressões e ameaças contra a nossa
Legislação Ambiental - que visa a proteção da população atual e das nossas
futuras gerações!

Uma situação absurda: o mundo entrando em crise
ecológica e a politica Federal tentando remover as medidas legais mínimas de
proteção das áreas mais importantes e vlulneráveis... inacreditável, dá um
nó na cabeça!

Até novembro 2010, talvês não haja mais o que fazer se
não haver uma clara mudança de rumo e um resgate das bases que geraram as
políticas ambientais existentes até então. Não podemos deixar sucumbir a
Natureza que nos sustenta. Não há justificativa para retirar a proteção às
áreas de fragilidade ambiental e estratégicas para a manutenção dos fluxos
hídricos e biológicos, que protegem os barrancos, as encostas, as nascentes,
as florestas, o Cerrado, as regiões costeiras, etc. São todas de Interesse
Nacional Prioritária e Permanente!

Não podemos dormir neste tempo
ameaçador, temos que nos forçar a manter os olhos abertos, ter e manifestar as
nossas opiniões, e ajudar a todoas enxergar os riscos e os perigos à nossa
frente nessa nossa atualidade - sem falar dos potenciais futuros cenários, já
assustadores, e que se tornarão inimagináveis caso sejam arrasados ou
inundados as Áreas de Preservação Permanentes previstas no Código Florestal
e nas outras Leis complementares Federais, Estaduais e Municipais.

Precisamos
um Debate Nacional sobre estas questões, que são de interesse de todoas
(principalmente de quem tem flilhoas e netoas...).

Vamos ACORDAR, é hora de
manifestar o nosso direito à um meio ambiente equilibrado, tanto para nós,
como para as "futuras gerações". Lembramos o Artigo 23 da
Constituição Nacional: TODOS TEM DIREITO À UM MEIO AMBIENTE EQUILIBRADO E
SAUDÁVEL.

Manifeste-se, cada um como puder, em Paz, e com Amor e Respeito.
Depois... depois será tarde, em meio á tempestades climáticas, inundações e
tristeza/medo/pânico greral... (assistimos na TV, mas ao vivo será bem mais
pior).

Com Cidadania, Esperança e Amor à Vida!
Peter Midkiff
Oi Zé-João
Mariana 23/09/2009 08:20:19

Pois é, é justamente isso. Eu não pretendo pular da ponte, a menos que esteja
com equipamento de bungee (aí pularia com todo o prazer).

Mas do mesmo modo
que meu nome não lhe diz nada, duvido que seu nome me diga alguma coisa.
Portanto, não faz diferença estar anônimo ou dizer seu nome (no máximo dos
máximos, se você disser seu nome E colocar um e.mail, você permite que as
pessoas respondam diretamente para você ao invés de para os comentários). O
que eu posso ver de você é um rascunho de idéia, e o que eu posso avaliar é
essa idéia. Isso não vai mudar, estando a pessoa escrevendo como anônimo ou
não. A única alternativa para que mudasse é se o nome fosse reconhecido, como
eu disse antes, mas, na boa... há algumas centenas de pessoas famosas no
Brasil, e vários milhões de desconhecidos. As chances de que as pessoas
reconheçam alguém por aqui são bem pequenas.


Pessoalmente, eu prefiro
quando as pessoas admitem o que estão falando, mesmo que seja sob um
pseudônimo fixo(algumas pessoas, como eu por exemplo, podem detestar o nome que
suas mães lhe deram. Mas no meu caso, meu nome é Mariana mesmo. Meu
pseudônimo da internet é Umbrios, mas aqui é um fórum em que é melhor usar
nomes humanos). É mais elegante dessa forma.

Outro problema é o excesso de
anônimos. Nestes comentários, obviamente, houve mais que um, mas como todos
são anônimos, não se sabe quem disse o quê, o que faz diferença, sim, pois
qual RACIOCÍNIO segue o quê? Uma pessoa pode deixar mais de um comentário,
afinal. Se houvesse pelo menos uma numeração, como acontece em chats, esse
problema seria resolvido. Mas aí o "anônimo" se tornaria em um
pseudônimo fixo.

Eventualmente, não são necessários nomes para avaliar
uma idéia? Claro que não.

Mas... vendo pelo valor das idéias os
comentários...

Se não ficou claro ainda, no que diz "se souberem meu
nome não vão julgar minha idéia pela idéia" achei a idéia bem
besta.

Nos outros comentários anônimos há exatamente UM que expõe uma
idéia realmente, relacionada com o assunto em fogo. O comentário falando que
no Brasil as pessoas gostam de dividir grupos considerados como
"inimigos" (Conservacionismo X desenvolvimentismo, tradicionais
X
modernos), e que isso seria uma cortina de fumaça para não ver que não
existe (acrescento um "ainda") solução para o problema, que seria
intrínseco da humanidade atual.

Esse comentário até tem uma idéia que
mereceria debate. Pessoalmente, é uma idéia com a qual discordo parcialmente.
Realmente há uma tendência no Brasil de dividir as pessoas em grupos e colocar
esses grupos como inimigos. Concordo que isso é errado, principalmente porque
apesar da rotulagem organizar as coisas, nem todo ser humano vem com etiqueta
(por exemplo, tenho sangue índio, mas nem em sonhos sou uma
"tradicional", com minha vida em Sampa, e com o sangue português e
inglês que também tenho. Um país de miscigenação como o nosso não deveria
dividir as pessoas assim). Além disso, os conflitos entre
"ambientalistas" e "desenvolvimentistas", enquanto os campos se
considerarem como inimigos, vão sempre dar com os burros n´água (e
geralmente, os ambientalistas vão perder a curto prazo, porque
desenvolvimentistas costumam ter mais grana, e os desenvolvimentistas perder a
longo prazo, porque os ambientalistas não estavam falando só porque gostam de
oncinhas pintadas e coelhinhos peludos).

Mas discordo veementemente de que o
problema é intrínsico da humanidade e não há soluções tirando destruir
áreas virgens e gerar recursos tóxicos. Soluções existem, como recuperar
pastagens degradadas, usar a agricultura orgânica, e várias outras. Vários
cientistas pesquisam para descobrir ainda mais soluções. As coisas não são
tão pretas e brancas assim, há cores na paleta também.

O comentário
anônimo com idéias ainda fala sobre a existência de desigualdade na
humanidade. Mas essa idéia, em si, merece só o troféu óbvio. Só quem vê o
mundo com óculos cor-de-rosa ignora que existe desigualdade entre os seres
humanos. Eu iria ainda além e diria que existe desigualdade de potencial
também... assim como umas são a Angelina Jolie e umas são Dercy Gonçalves,
uns são Pelé e outros Jô Soares, há pessoas mais inteligentes e pessoas mais
burras, mesmo desconsiderando o fator ignorância, e embora os dois primeiros
casos sejam óbvios, tem muita gente que não acredita no terceiro. Afinal,
inteligência está muito perto do bom senso, e bom senso é algo que todos
acham que têm o suficiente.

Mas fora esse único comentário anônimo quem
que havia alguma idéia, os outros não passavam de ataques raivosos babantes.
Dá até a impressão de que deveriam trocar a palavra anônimo por "pit
bull", mas seria uma injustiça com os cachorros. E o valor intrínseco da
idéia de um ataque rosnento babante, na minha opinião, é o mesmo que eu daria
para um pitbull rosnento e babante... coloca a focinheira e você vai sim ganhar
termômetro e vacina, cachorro bobo.(sim, sou vet).
o boticario é uma industria
poluidor de natureza 09/11/2009 12:31:07

lembrando que a fundação é apenas um pequeno braço de uma industria de
perfumes, de significativo impacto ambiental. Mitigações...conversa fiada
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