Dos gabinetes de Brasília ao fundo do Mar, passando pelo Cerrado e outras paragens, Fabio Olmos e Aldem Bourscheit revelam as últimas notícias sobre conservação e política ambiental.

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Proteção aprovada
17/03/2010, 17:57
José Humberto Chaves, diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama, informou hoje, desde o Qatar (África), que a inclusão do pau-rosa (Aniba rosaeodora) no Anexo 2 da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites) foi aprovada por unanimidade pelos países-membros do acordo internacional. A proposta do pau-rosa foi a única levada pelo Brasil ao 15º encontro da convenção, que se encerra em 25 de março. Com isso, o comércio da madeira e de seu óleo essencial passam a ter controle mundial. A idéia é bloquear a extração ilegal dos produtos, responsável por exterminar a espécie em países sul-americanos e estados brasileiros. Lembre o caso aqui.
 
Haiti, outra reconstrução
17/03/2010, 10:53
Esta semana as Nações Unidas e outros organismos internacionais alertaram para novas tragédias que podem se abater sobre o Haiti com o passar dos dias após o terremoto que matou mais de 220 mil pessoas naquele país caribenho em janeiro. A escassez de alimentos com o colapso do setor agrícola ameaça a vida de milhares de pessoas, enquanto a busca por lenha pode dizimar o que resta de vegetação. Como O Eco mostrou em fevereiro de 2006, apenas 0,5% das florestas originais sobrevivem por lá.

Uma alternativa vem de redes de permacultura que estão se mobilizando em todo o mundo para angariar pessoas e recursos e levar técnicas construtivas e de produção de alimentos ao Haiti. Os grupos reconhecem a urgência da ajuda para reconstrução da pátria de dez milhões de pessoas, mas questionam o quê pode ser feito para garantir o sustento da população em médio e longo prazos, bem como auxiliar na recuperação ambiental do país.

De acordo com os permacultores, é possível levar ao destroçado Haiti tecnologias permanentes para construção com adobe (terra), captação e armazenamento de água, energias renováveis, sistemas agroflorestais para produção de madeira e alimento, reflorestamento, aquacultura e outras iniciativas. Tudo com baixo custo, sem agrotóxicos e aproveitando apenas recursos locais. “Ao contrário do que fazem grandes empreiteiras, que já estão lá para reconstruir o país nos moldes de sempre, a permacultura não força a importação de matérias-primas de outros países, mas promove o uso de recursos do próprio Haiti, inclusive aproveitando madeiras e triturando o próprio concreto que sobrou do terremoto”, explica Marcelo Bueno, do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica – Ipema, de Ubatuba (SP).

Experiências não faltam. Técnicas semelhantes vem sendo usadas em Uganda, Jordânia, Espanha e México, e também ajudaram populações durante a guerra do Kosovo, em 1999. Mas um dos melhores exemplos vem de uma ilha vizinha do Haiti, conta Bueno. Empurrado pelas barreiras comerciais de sempre e com quebra do apoio soviético, nos anos 1990, Cuba aprendeu a produzir alimentos em todo o espaço possível. “Eles recuperaram técnicas agrícolas tradicionais e produzem alimentos orgânicos no país todo, inclusive nas cidades, onde antes havia terrenos baldios, pois não tinham sequer combustível para trazer a produção do campo”, contou.

Mais informações (em inglês) sobre as iniciativas de permacultura para o Haiti neste atalho.

Conforme agências internacionais, pelo menos cem mil famílias rurais precisam de apoio para o plantio de primavera, que começa neste mês de março e é responsável por seis em cada dez quilos de alimentos produzidos no país. Outras cem mil famílias urbanas precisam de ajuda para produzir legumes e verduras de consumo próprio. Por isso, as Nações Unidas avaliam que a prioridade absoluta é produzir alimentos, inclusive para conter o êxodo rural para as cidades, onde uma massa de desempregados e sem posses estimada em 500 mil pessoas se acumula.

 
Dia de foto: arara-canindé
17/03/2010, 09:14
Um grupo de araras canindé (Ara ararauna), ou arara-de-barriga-amarela, retorna para dormir em uma das veredas do parque nacional das Emas, sul de Goiás, após um longo dia procurando comida. O isolamento da unidade de conservação por plantações tem levado estas aves inteligentes a se adaptar e, atualmente, se alimentam inclusive de soja, apanhada no chão nas áreas do entorno do parque. O Brasil foi chamado desde o seu "descobrimento" de "país dos papagaios", por sua riqueza em psitacídeos, como os próprios papagaios, além de araras, periquitos, jandaias e maracanãs. A canindé é um dos representantes mais conhecidos da família, podendo medir até 80 cm de comprimento. Pode ser encontrada desde a América Central até o sudeste do Brasil, Bolívia e Paraguai.
 
Enrolando Bom Futuro
16/03/2010, 13:40
O governo promete editar nos próximos dias uma medida provisória para encaminhar uma "solução" sobre o impasse envolvendo o destino da floresta nacional do Bom Futuro, em Rondônia. A idéia é ceder 140 mil hectares de sua área (quase 57%), pouco menos que o anunciado por O Eco em outubro passado, e engrossar em 240 mil hectares os limites do parque nacional do Mapinguari e a estação ecológica Cuniã, ambos no sul Amazonas, na área da BR-319.

Reduzir unidades de conservação requer sinal verde do Congresso, enquanto ampliações podem ocorrer via decreto. Jogar ambas as ações em uma medida provisória que precisará de votação parlamentar pode ter efeitos adversos sobre o futuro daquelas áreas.

O encolhimento de Bom Futuro está ligado a pressões do governo de Rondônia envolvendo o licenciamento da hidrelétrica de Jirau. Na unidade de conservação federal há cerca de 3,5 mil famílias, criação de gado e muita degradação. O governo deve ceder as áreas menos interessantes do ponto de vista ecológico ao governo de Rondônia, que chegou a propor a troca da área da floresta nacional por uma área protegida estadual.

Saiba mais:
Ocupação ilegal suspensa
Chico Mendes vai cortar na carne
O boi continua pirata
Ação contra fim de Bom Futuro
Retirada estratégica de Bom Futuro
 
Vender barato, comprar caro
15/03/2010, 12:16
Debate realizado semana passada na Fapesp reforçou que o Brasil, apesar de ter área, sol e geografia favoráveis, investe pouco em energias mais limpas, como a solar fotovoltaica, que desde 2003 apresenta crescimento superior a 50% ao ano, conforme o Instituto de Energia da Universidade da Califórnia e a Associação das Indústrias Fotovoltaicas Europeias. “Como é uma energia intermitente, acoplada à rede, não há necessidade de baterias para armazenamento. O Brasil tem tido um crescimento muito lento em aplicações isoladas. Para ter uma expansão acelerada – como a que vem ocorrendo em vários países da Europa –, terá de desenvolver sistemas integrados à rede elétrica”, afirmou  o professor Francisco Marques, do Instituto de Física da Unicamp, conforme nota da Fapesp.

Enquanto isso, o Brasil mantém a expansão de sua matriz focada em megaobras de infraestrutura ou combustíveis sujos e ultrapassados, com enormes impactos socioambientais. O país gera apenas cerca de 20 Megawatts fotovoltaicos em sistemas isolados para bombeamento de água e eletrificação rural, na Amazônia, Norte e Nordeste. Essa potência é suficiente para uma cidade com até três mil habitantes. Um entrave a sua expansão é o custo de produção do silício, material básico das células fotovoltaicas, que convertem energia solar em eletricidade.

O Brasil exporta "silício impuro" a dois dólares o quilo e importa "silício puro" a 60 o quilo. Por isso China e Índia vêm ganhando espaço nesse mercado, inclusive por menores restrições ambientais: purificar silício emite poluentes particulados e aqui o uso de filtros é obrigatório, tornando o processo mais caro. “Indústrias brasileiras têm sido compradas por empresas norte-americanas para transformar o silício metalúrgico em silício de alta pureza. Do ponto de vista estratégico para o país, isso é um desastre”, disse o professor Paulo Roberto Mei, do Departamento de Engenharia de Materiais da Unicamp.

Mais informações aqui.
 
Dia de foto: jaratataca
15/03/2010, 11:22
Provavelmente poucos ouviram falar da jaratataca (Conepatus semistriatus), quem sabe de algum de seus vários nomes populares, como jitira, jaritataca, jacarambeva, gambá e cangambá. O pequeno mamífero usa como "arma de defesa" sua urina, de odor extremamente desagradável. A espécie vive em regiões desde o sul do México até o centro-sul da América do Sul. No Brasil, ocorre do Nordeste ao Paraná, passando por Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Medem cerca de 40 centímetros de corpo e vinte centímetros de cauda, pesando menos de dois quilos.
 
Opostos em campo
13/03/2010, 10:20
Foi ao ar neste sábado sábado (13), às 19h, e reprisado nesta segunda (15), às 9h30min, no Canal Rural (a cabo), um debate sobre o Código Florestal entre André Lima, pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes.

Conforme o ambientalista, os "pontos altos" do programa foram o ministro afirmar que o decreto que exige averbação da reserva legal foi assinado sem leitura e que o governo, especialmente ele, nada tem a ver com o caos que se instala contra a legislação ambiental no país, Congresso e estados.

Stephanes reafirmou que uma medida provisória sobre o assunto deve ser editada em breve, "ou seja, a legislação florestal será realmente rifada em véspera da campanha", ainda conforme Lima. Para ele, ficou evidente durante a conversa um embate entre visões sobre realidades socioambientais do país e o Brasil "celeiro do mundo".

O advogado ambiental aposta que essa será "a tônica no Congresso neste semestre", com o tema possivelmente influenciando a campanha à presidência. O programa Campos Opostos é mediado pela jornalista Ana Amélia Lemos, candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul com a sigla do ruralista PP.

Clique aqui para assistir o debate  

 

 
Modelos animais
13/03/2010, 09:50
Pesquisadores envolvidos no levantamento dos hábitos e quantidades de grandes e médios mamíferos na reserva particular engenheiro Eliezer Batista, às margens do rio Paraguai, no pantanal matogrossense, vêm obtendo belos registros com "armadilhas fotográficas". As principais espécies capturadas pelas lentes são onças pintada e parda, jaguatirica, anta e cateto. Os aparelhos foram dispostos em quatro bases no interior da área protegida, que tem 13 mil hectares aos pés da Serra do Amolar. A empreitada é apoiada pelo Instituto Homem Pantaneiro e pelas empresas do polêmico ricaço Eike Batista, filho do ex-ministro de Minas e Energia Eliezer Batista, cujo nome batizou a reserva particular. O estudo começou em 2006 e encerra este ano.
 
No país da impunidade
12/03/2010, 11:32
Os primeiros meses do ano foram marcados pela retomada da violência contra agentes ambientais do governo. A Polícia Federal (PF) está investigando um atentado contra o chefe e funcionárias do setor de Passeriformes do Ibama no Rio de Janeiro. Nos últimos dias de fevereiro, dois veículos fecharam um carro do órgão em plena Avenida Brasil, quando um homem encapuzado e de arma em punho exigiu a liberação de anilhas e um “jogo mais brando” com criadores de pássaros.

Também no Rio de Janeiro e na mesma época, foi descoberto um plano de morte contra o chefe da reserva biológica do Tinguá, Josimárcio Campos de Azevedo. Em 24 de fevereiro, agentes federais vasculharam quatro casas próximas à reserva e encontraram indícios de que bandidos se preparavam para executá-lo, por cerca de dois mil reais. Para a PF, a ordem para matar Azevedo partiu de caçadores. As investigações continuam.

O último caso anunciado pelo governo ocorreu no Amazonas. Esta semana políticos e madeireiros de Lábrea, calçados por populares mobilizados pela prefeitura, impediram a fiscalização sobre a derrubada ilegal de árvores na reserva extrativista Médio Purus. A ilegalidade abastece serrarias e movelarias no município. Também há retirada de areia do rio Purus para obras do governo estadual. Servidores federais ficaram encurralados durante um dia inteiro dentro de hotel.

Ameaças de violência contra agentes oficiais ou voluntários e civis são rotina na área ambiental. Em 2005, um voluntário foi assassinado, no Baixo Rio Branco, em Roraima, supostamente por traficantes de quelônios.  Em 2001, a casa do presidente da Associação dos Agroextrativistas do Baixo Rio Branco-Jauaperi, Francisco Caetano, foi incendiada. O líder recebia ameaças de morte. Já o seringueiro João Batista Ferreira está desaparecido desde novembro de 2007, quando era presidente da Associação dos Produtores Rurais de Jutaí. Foi visto pela última vez saindo de sua casa em direção a uma roça comunitária. Ele denunciava desmatamentos, tráfico de animais silvestres e outras ilegalidades naquela região do Amazonas.

Realidades de um país que desrespeita a lei, vive de impunidade e ainda não conseguiu levar condições mais dignas de vida aos interiores da Amazônia.

 
Dia de foto: veado-campeiro
12/03/2010, 09:11
Na imagem, uma fêmea de veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) flagrada no parque nacional das Emas (GO). Antes uma espécie abundante no Cerrado, Pantanal e Pampa, com registros de bandos com centenas de animais, foi exterminada na maior parte de sua área de distribuição e permanece comum apenas em partes do Pantanal. Emas abriga uma das maiores populações no Cerrado, embora as densidades sejam baixas, em torno de um animal por quilômetro quadrado, e seja mais comum vê-los nas áreas com vegetação rebrotando no entorno do parque do que no interior do mesmo.
 
Denunciar, em vão
11/03/2010, 16:37
Insistente, a catarinense Apremavi - Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida enviou em fevereiro um novo ofício (veja aqui) à Polícia Federal (PF) e ao Ibama denunciando desmatamentos de araucárias para plantio de eucaliptos (!!) no município de Santa Terezinha, a trezentos quilômetros de Florianópolis. Na região, foram lavrados 65 autos e foram feitos 54 procedimentos de infração criminal pela PF, só em setembro passado. Mas pelo visto, as ilegalidades se perpetuam. A série de denúncias sobre os crimes ambientais se arrasta há quase um ano.

O problema poderia ser contido com a criação do Refúgio de Vida Silvestre do Rio da Prata, apontam ambientalistas, mas a medida está empacada, bem como a efetivação de outras áreas protegidas naquele estado, como o parque nacional Campo dos Padres. Fontes do ministério do Meio Ambiente comentam que essas questões foram acertadas com a Casa Civil e outras pastas da administração federal. A pedra no caminho se chama governador Luiz Henrique da Silveira. Falta coragem e pressão política federal.

Saiba mais:
Reforço na denúncia à Lula
Santa Catarina às avessas
 
Passos de formiga
11/03/2010, 14:19
Antes de seguir a plenário, aguarda votação na comissão de Constituição e Justiça da Câmara o projeto de lei que consolida a legislação ambiental brasileira. O deputado tucano Ricardo Trípoli (SP) é o relator da subcomissão que apreciará o PL 679/2007. Há dois anos, ele já havia relatado a proposta ambiental em um grupo de trabalho para a consolidação das leis. Segundo ele, a aprovação do texto na comissão e depois em plenário daria fim ao imbroglio envolvendo as mudanças no Código Florestal, "consolidando" a legislação. Todavia, o processo conduzido por Aldo Rebelo (PCdoB/SP) está "passos à frente". Esta semana, Rebelo participou de chat pela Internet sobre o assunto, reclamou da ausência de ambientalistas no debate e disse que pode inserir pagamento sobre serviços ambientais em seu relatório, que promete apresenta em abril. Também elogiou o Código Ambiental de Santa Catarina e, mostrando falta de conhecimento sobre o assunto, comentou que o mesmo tem amplo apoio da população daquele estado.

 
Melou para Cerrado e Caatinga
11/03/2010, 13:55
As lideranças partidárias na Câmara decidiram ontem adiar por três semanas a votação de PECs - Propostas de Emendas à Constituição em plenário. Até lá, uma "comissão" de parlamentares avaliará quais as pautas prioritárias e definirá critérios para que sejam votadas. Conforme o Jornal da Câmara, o presidente da casa, deputado Michel Temer, disse que ao final do processo devem ser votadas “três ou quatro” propostas neste semestre. “Esse número já estará de bom tamanho”, avaliou. Há 420 PECs tramitando na Câmara, 63 prontas para o plenário, incluindo as que reconhecem Cerrado e Caatinga como patrimônios nacionais. O texto do Cerrado está há 13 anos no parlamento. Com a relevância que o parlamento têm se dedicado a questões de proteção ambiental, a proposta pode até debutar por lá. 
 
Epopéia espeleológica
11/03/2010, 13:27
Como O Eco informou (veja aqui), o governo paulista está colocando em prática 32 planos de manejo para regulamentar o turismo espeleológico em cavernas no Vale do Ribeira - no parque estadual Intervales, no Petar, no parque da Caverna do Diabo e no Rio do Turvo. A atividade que atrai em média 60 mil visitantes por ano. Diretamente envolvido na empreitada, o Instituto EkosBrasil disponibilizou em sua página vídeos que revelam parte do duro trabalho que envolve mais de cem técnicos na elaboração simultânea dos planos, espécies de guias para a correta visitação aqueles locais. Segundo a entidade, trata-se de uma "nova epopéia na história da exploração espeleológica" brasileira. Confira um dos vídeos abaixo. Mais informações aqui

 


 
 
Expansão perigosa
10/03/2010, 15:18
Segundo conta o Grupo Ambiental de Santa Bárbara, a expansão do mineroduto da Samarco traz risco ao abastecimento público de água a partir do rio Conceição. Conforme a entidade, a maioria da população daquele município mineiro seria contra o projeto, enquanto a prefeitura "entregou de presente" no fim do ano passado 82% do potencial hídrico do manancial à empresa, produtora de ferro para uso siderúrgico. O volume corresponde a 34 caixas de mil litros de água por minuto. A sobra, conforme o grupo ambiental, é insuficiente para atender as necessidades futuras do município. Mais informações aqui.
 
Drama, suspense e muita sacanagem
10/03/2010, 11:52
Entidades civis e parlamentares dispararam hoje, em Brasília, uma campanha que promete mexer com os brios de quem pretende fazer desabar a legislação ambiental brasileira, jogando por terra o Código Florestal ou cerceando a capacidade para fiscalizar e multar do Ibama, entre tantas iniciativas que circulam no Congresso.

Batizada de "Exterminadores do Futuro" e avisando que o jogo político anti-ambiental envolve "drama, suspense e muita sacanagem", a campanha quer enfraquecer campanhas eletivas jogando parlamentares em uma lista montada com indicações dos próprios eleitores.

Uma primeira relação será divulgada em maio, a definitiva em julho, junto com uma "plataforma ambiental" para todos os candidatos. A idéia é de que a mobilização contra os "exterminadores" aconteça junto a suas bases eleitorais, por isso a página da empreitada traz modelos de cartas que podem ser enviadas a deputados e senadores e candidatos, questionando sua conduta ou alertando que a lista tem espaço para seus nomes.

O movimento será útil para separar discurso de prática e limpar a cortina de fumaça sobre ações supostamente democráticas, como as audiências armadas em vários estados por ruralistas, e endossadas pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), para supostamente debater mudanças no Código Florestal.
 
Em busca do pequenino
10/03/2010, 11:20
Na próxima semana, pesquisadores iniciam uma expedição para colher mais informações sobre a biologia do tamanduaí (Cyclopes  didactyla), percorrendo dez comunidades quilombolas na Amazônia paraense, começando pela reserva biológica do rio Trombetas, em Oriximiná.

“O trabalho junto às comunidades vai nos ajudar a responder perguntas básicas sobre os hábitos do tamanduaí  e sua relação com a comunidade (sobre as suspeitas deles serem capturados para servirem de alimento ou serem vendidos como mascote), com este entendimento buscamos analisar as principais ameaças a esse animais na Amazônia”, diz a coordenadora do projeto, Flavia Miranda. Apesar dos escassos dados oficiais sobre o animal, os pesquisadores têm indícios de que ele esteja em declínio populacional . “A principal ameaça é a destruição de habitat. A população nordestina está criticamente ameaçada”, comentou Miranda.

Segundo informa a Fundação O Boticário, apoiadora da empreitada encabeçada pelo Projeto Tamanduá, a partir das informações existentes a União Mundial para a Conservação da Natureza se prontificou a classificar a população de tamanduá  do Nordeste como "criticamente ameaçada". A mesma classificação deve acontecer no Brasil, com apoio do Instituto Chico Mendes.

Saiba mais:
Menor tamanduá, já ameaçado
Tamanduaís deslocados no Tocantins

 
Dieta climática
09/03/2010, 13:30
As mudanças do clima têm forçado mudanças de peso em pássaros, raposas e pequenos mamíferos em vários pontos do globo. É o que mostra pesquisa conduzida pelo professor Yoram Yom-Tov, da Universidade de Tel Aviv (Israel).

Depois de passar décadas medindo e monitorando corpos de mamíferos e de pássaros, comparando-os com dados levantados em esqueletos, incluindo tamanho de crânios, ele constatou alterações de peso (para mais e para menos) ocorrendo mais rapidamente nos últimos anos. Segundo ele, essas mudanças involuntárias são uma estratégia de sobrevivência dos animais. Os mais afetados são aqueles que vivem em altas latitudes, perto dos pólos.

Em estudo recente publicado na revista Global Change Biology, Yom-Tov e Eli Geffen mostraram que o declínio nas populações da raposa do Ártico (foto) na Islândia está ligado a mudanças nas correntes oceânicas na região do Pólo Norte. Isso reduz seus estoques de alimento, forçando redução de peso. “As mudanças climáticas estão afetando o padrão de migração, o comportamento e o crescimento de pássaros, insetos e até das flores”, disse Yom-Tov ao site Israel21c.
 

 
Fim de bolero
09/03/2010, 11:49
Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o Bar e Restaurante Meu Paraíso, em Fernando de Noronha, será fechado. Isso porque o Tribunal Regional Federal manteve sentença da justiça federal em Pernambuco que determinava a demolição do estabelecimento, também conhecido como Bar do Boldró, onde todas as tardes se podia acompanhar o pôr-do-sol (foto) embalado pelo Bolero de Ravel.

Uma ação civil pública contra o empreendimento havia sido ajuizada pelo próprio MPF durante a operação Arquipélago, pois o bar fica em área de proteção da vida silvestre da APA de Fernando de Noronha, onde desovam tartarugas marinhas. O estabelecimento passou por reformas e ampliação sem licenciamento ambiental, impede a regeneração natural da área ocupada e lança esgotos no local. Além disso, também apontou o MPF, qualquer atividade que traga emissão de luz e ruídos pode prejudicar a desova das tartarugas.

Na ação, o órgão destacou que seu "objetivo não é impedir o  desenvolvimento de Fernando de Noronha, e sim evitar a agressão ao meio ambiente, tendo em vista que a atração turística do arquipélago consiste, justamente, na sua beleza natural, fruto da preservação ambiental do local".

 
Devorador de cocos
09/03/2010, 08:52
Pesando cerca de quatro quilos e medindo até 40 centímetros (90 com as patas esticadas), o caranguejo-do-coco Birgus latro vive em florestas litorâneas dos oceanos Índico e Pacífico. Como na natureza tamanho não é documento, a espécie precisou de estranhas adaptações para sobreviver fora do mar, onde sua vida começa. Sem o equipamento respiratório que permite a seus parentes respirar sob a água, o caranguejo desenvolveu um órgão especial, que emite um curioso som a cada respiração. Passado um mês de seu nascimento, o animal deixa o mar para ganhar a terra, onde quando jovem pode ser visto roubando comida de desatentos turistas. Como o nome sugere, ele se alimenta de cocos. Não raro pode ser visto levando o alimento para o alto das árvores, de onde o deixa cair para quebrar sua casca. Também aprecia frutas frescas e costuma caçar ratos e outros pequenos animais. Aliás, o caranguejo também é caçado pela população humana, o que provocou seu sumiço de muitas ilhas na região. Um programa de reprodução em laboratório, encabeçado por especialistas da Universidade de Brisbane (Austrália), vem obtendo certo sucesso em gerar filhotes para repovoar esses ambientes. No entanto, é preciso atuação mais forte, tanto em terra quanto no mar, reconhecem os cientistas. As informações são da NewScientist.
 
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