Desmatamento velho, multa nova PDF Imprimir E-mail
Aldem Bourscheit   
29/09/2008, 19:04

O Ministério do Meio Ambiente divulgou hoje sua lista dos 100 maiores desmatadores da Amazônia.O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ocupa as seis primeiras posições, com uma conta que passa dos R$ 260 milhões pelo desmatamento de 220.357 hectares de florestas em assentamentos no Mato Grosso. A área é quase o dobro da cidade do Rio de Janeiro. Os projetos de reforma agrária ficam nos municípios de Tabaporã, Cuiabá, Cotriguaçú, Bom Jesus do Araguaia, Querência e Nova Ubiratã, onde vivem quase seis mil famílias. “Todos serão levados aos tribunais. Além disso, estamos tomando medidas para acelerar licenciamento ambiental de assentamentos, demarcado reservas legais e áreas de preservação permanente”, disse Carlos Minc.

A tabela da destruição, no entanto, não agradou ao presidente do Incra, Rolf Hackbart. Talvez porque não tenha sido informado sobre a mesma por seu colega da área ambiental. Hackbart se disse surpreso com a divulgação extemporânea e avisou que recorrerá de todas as multas. Enquanto não há titulação da terra para os assentados, o Incra segue como responsável pelas áreas.

Segundo ele, os assentamentos taxados de vilões do desflorestamento foram na sua maioria criados entre 1995 e 1998 e o Ibama, até o momento, não informou sobre quando ocorreram as derrubadas. “O levantamento foi mal feito. São dados antigos. Até agora não obtivemos do Ibama quando foram provocados esses desmatamentos. Há anos atrás a reserva legal na Amazônia era de 50% e não de 80% e o desmatamento está ligado ao modelo produtivo, com monoculturas e venenos”, disse.

Conforme Hackbart, o Incra tem 2.257 assentamentos na Amazônia, somando 37 milhões de hectares. Para ele, a relação entre número de assentados e área desmatada alivia a degradação na conta do Incra. Ele usou como exemplo o assentamento Macife 1, com 111 mil hectares e 1,2 mil famílias, em Bom Jesus do Araguaia. Lá foram desmatados 38 mil hectares, ou 34%. Uma conta simples mostra que as famílias nos seis assentamentos no topo da lista da destruição foram responsáveis, em média, por 37 hectares desmatados. “Enquanto isso, um único empresário desmatou sozinho mais de 12 mil hectares”, comentou.

 

A centena de desmatadores, com indivíduos, fazendeiros e empresas, acumula R$ 751 milhões em multas pelo desmate de 5.200 Km2 nos últimos quatro anos, aponta o MMA. A área desflorestada é quase do tamanho do Distrito Federal. Desde 1988, quando começou o monitoramento pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia perdeu quase 360 mil Km2 de verde.

A grande maioria dos infratores se localiza entre o norte do Mato Grosso e sul do Pará. O restante está em Rondônia, Amazonas, Acre Roraima. Na lista, o empresário Léo Andrade Gomes vem logo após os seis assentamentos do Incra, com 12,5 mil hectares desmatados no município de Santa Maria das Barreiras, no Pará.

Consultado informações na página do Ibama e no cadastro de pessoas físicas da Receita Federal, vê-se que Gomes reside no Maranhão e que seu CPF está "pendente de regularização".Ou seja, não vem declarando seu Imposto de Renda.

 Derrubadas em alta


Nesta segunda também foi anunciada a nova estimativa para as perdas florestais da Amazônia. Segundo o Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que vê derrubadas com mais de 25 hectares, o bioma perdeu mais 756 Km2 em agosto. A taxa é mais do que o dobro da registrada em julho, quando 323 Km2 foram desflorestados. O Pará dispara no uso das motosserras, com 435 Km2 (quase 60%).

Logo atrás vem Mato Grosso, com 229 Km2 (cerca de 30%). Apesar de figurar na segunda posição no último boletim governista, o estado é líder absoluto quando observados os 5.681 Km2 acumulados pelos registros do Deter desde janeiro. Nessa conta, Mato Grosso responde por 3.030 Km2 (quase 55%), seguido pelo Pará (1.553 Km2), Roraima (470 Km2) e Rondônia (240 Km2).

Entre janeiro e agosto deste ano, nos 36 municípios que mais devoram a floresta na Amazônia, propriedades ruraislideram o desmate (1.389 Km2), seguidas pelos assentamentos do Incra (374 Km2), terras indígenas (172 Km2), unidades de conservação federais de uso sustentável (89 Km2) e de proteção integral (8 Km2). Os números também são do Deter.

Confira aqui imagens de satélite do desmatamento registrado em agosto.

Carlos Minc jogou a conta da retomada do desmate no período eleitoral, que historicamente puxa para cima as taxas de destruição, ao incremento da pecuária no Pará, grilagem de terras, desrespeito à legislação e até ao atraso na compra de veículos para fiscalização. Na coletânea de promessas, fora as requentadas, anunciou a criação de uma força federal de combate ao desmatamento. Deve ser montada com 3 mil oficiais com capacidade para ação rápida em todos os biomas. O ministro exibiu uma dupla deles aos jornalistas durante coletiva de impresa, devidamente armados e fardados.

A idéia é realizar concurso em janeiro de 2009 para preencher a maioria dessas vagas. Os servidores poderão dar maior autonomia às ações de “comando e controle”, sem relegar o apoio da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Outra medida proclamada por Minc foi a chegada de 6 milhões de Euros (pouco mais de R$ 16 milhões) para a implementação do chamado Distrito Florestal Sustentável na região da BR-163 (Cuiabá-Santarém). Nos próximos dias, uma nova operação no estilo boi pirata deve acontecer, em Rondônia.

Comentários
Adicionar RSS
Amazônia devastada
Carlos Gabaglia Penna 29/09/2008 21:12:07

Não importam os avanços do conhecimento científico, da consciência
ecológica, da gestão ambiental, da maior divulgação de notícias e de uma
legislação ambiental mais severa; nada parece reduzir a sanha predatória da
Amazônia. É uma lamentável história de décadas de ocupação estúpida.
Não há vontade política. Mas como conseguir isso em um país cuja esmagadora
maioria dos política é ignorante e velhaca e a população, em geral, é
alienada, semi-letrada (quando muito...) e sem coragem para protestar contra a
omissão e os desmandos dos governos?
É desanimador....
mas e aí?
Rutêncio de Valois 30/09/2008 08:21:02

Ninguém desmata milhares de hectares sem um bom dinheiro. Exceto pelo INCRA
(que destrói a Amazônia com recursos públicos), seria interessante divulgar
se todos os cabeças da lista são ricos a ponto de conseguir pagar as
derrubadas sem recorrer ao sistema financeiro. O governo faria muito mais pelo
meio ambiente desistindo de projetos de pavimentação das vias amazônicas.
Salvador 30/09/2008 11:23:09

Só vai ficar em pé aquele pedaço de floresta que for defendido a bala e
sustentado por negócio viável e correto. O resto é conversa fiada.
c fdrdvbn
kijiopo 15/10/2008 12:51:47

tais
jessica
elaine
Escrever comentário

Comentários são moderados e aceitos sempre
que não trouxerem termos abusivos ou ofensivos.


Nome:
Email:
 
Título: