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Manifesto acusa ICMBio de descaso
Gustavo Faleiros   
14/08/2008, 19:49
Cansados de promessas dos caciques do Ministério do Meio Ambiente, funcionários de parques, florestas nacionais e reservas extrativistas localizadas no estado do Amazonas decidiram botar a boca no trombone e escreveram um manifesto dirigido à presidência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nele, fazem duras críticas à gestão das áreas protegidas na Amazônia. De acordo com as informações do documento, desde a criação do ICMBio, em maio de 2007, não houve investimento na melhoria da infra-estrutura e fiscalização dos parques. Além disso, reclamam do isolamento, pois não conseguem sequer contato com os cabeças do Instituto em Brasília.

“Não temos apoio institucional. Não temos segurança jurídica. Não conseguimos operar recursos financeiros. Não passamos a ter uma política de RH definida. Não temos um canal de comunicação confiável com a Sede. Não desburocratizamos nada. Não avançamos em nada!”, diz o manifesto, assinado por gente lotada em algumas das mais importantes unidades de conservação da Amazônia, como a Estação Ecológica de Anavilhanas e os Parques Nacionais do Jaú e do Pico da Neblina. O tom do manifesto, às vezes, é um tanto dramático: “E nós, gestores de UCs da Amazônia, gritamos diretamente da floresta: estamos mais isolados do que nunca!”, destaca certo trecho em letras garrafais.

Mas quem conversa com estes servidores ouve relatos que fazem crer que a situação está mesmo à beira do caos. A principal queixa é de que os pedidos e sugestões para investimentos nos parques e reservas da Amazônia não estão sendo ouvidos. Segundo os gestores, quando o ICMBio foi criado, após a polêmica divisão do Ibama, houve um chamado para que todos participassem do esforço de planejamento do novo órgão. A participação dos servidores, no entanto, não durou muito. Por decisão da ex-ministra Marina Silva, os planos de estruturação do ICMBio foram passados – sem licitação, aliás – para a consultoria Publix.

Os gestores também reclamam de isolamento na Amazônia. “Falta uma representação política do Chico Mendes e por isso sofremos pressões aqui”, diz a chefe da Estação Ecológica das Anavilhanas, Giovanna Palazzi. Ela explica que após a criação do Instituto, os servidores perderam o amparo que tinham da superintendência regional do Ibama, que no caso é quem representa melhor a autoridade ambiental do Governo Federal. “Nós sabíamos que não ia ser fácil a transição, mas nada avança, nos sentimos abandonados”, lamenta.

Compreensivo

No fim do manifesto, os técnicos do ICMBio afirmam temer represálias por sua atitude combativa. Mas repressão não será a resposta às críticas, diz o presidente do Instituto, Rômulo Mello, que já tem o documento em mãos. Em entrevista por telefone, ele afirmou “entender” a situação pela qual passam as unidades de conservação na Amazônia. “Não dá para dizer que estamos às mil maravilhas. Temos problemas”, admite. Ele afirma que destacará uma equipe para visitar o estado do Amazonas e coletar informações para responder às demandas expostas no manifesto.

Os percalços são frutos da estruturação do novo órgão. Segundo Mello, entre as medidas que estão sendo tomadas estão a transferência de mais servidores do Ibama para o Chico Mendes,  além da nomeação de uma pessoa para a unidade gestora do Instituto no Amazonas. Atualmente, os recursos orçamentários aplicados nos parques do estado são gerenciados por unidades no Nordeste. Com a criação de sua própria divisão administrativa, o Chico Mendes deve ganhar agilidade na Amazônia. Mello promete ainda facilitar os gastos correntes nas unidades de conservação. Vários servidores receberam os famigerados cartões corporativos para arcarem com despesas de combustível e manutenção para veículos.  

Entre muitos problemas apresentados pelos chefes das unidades de conservação, talvez o que mais chame a atenção seja a redução de investimentos do programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). Criado em 2002 com diversas doações internacionais, o projeto foi desenhado para garantir a sustentação financeira de parques e reservas em todo o bioma amazônico. Após quatro anos de investimentos vultosos na infra-estrutura de unidades como Jaú, Anavilhanas, Reserva Biológica do rio Trombetas e outras, o ARPA reduziu significativamente os recursos financeiros em 2008.

“Para completar o caos, o até então exitoso Programa ARPA/MMA, único que conseguiu contribuir de fato para a melhoria da gestão das unidades de conservação da Amazônia, anuncia em junho, de sopetão, um rombo no orçamento do Programa e suspende de imediato o apoio às UCs, sem apresentar explicações razoáveis”, esbraveja o manifesto.

Sem planejamento

Mariana Leitão, analista ambiental do Parque Nacional do Jaú, conta que os gastos correntes com combustível para barcos eram obtidos com o ARPA e que o orçamento planejado para 2008 previa muito mais recursos do que foram aprovados pela organização gestora do cofre do programa, o Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade). “Fomos avisados pela internet que não receberíamos o dinheiro previsto. Isso atrasou todo o planejamento”, diz Mariana.

O Funbio divulgou uma nota na qual esclarece que a queda da previsão inicial de 50 milhões de reais para algo em torno de 11 milhões de reais se deve ao fim da primeira fase do ARPA, que ocorre agora em 2008. O secretário-executivo do Fundo, Pedro Leitão, afirma que houve sim um erro de planejamento sobre a disponibilidade de recursos. Geralmente, o programa executa demandas de anos anteriores, mas sendo este o último ano, seus gestores tiveram que se ater a pedidos que poderão ser pagos ainda em 2008. “Houve falha no planejamento, é verdade. Mas há um dado positivo que foi a capacidade de execução alcançada pelo programa”, afirma Leitão.

A mesma opinião é compartilhada pelo diretor-geral da WWF Brasil, Cláudio Maretti. A organização participa como uma das principais doadoras para o ARPA. “As áreas do ARPA se acostumaram com um nível de apoio financeiro elevado. E neste ponto concordo com a carta dos servidores: isso não deve ser um luxo mas sim um modelo”, diz. Os aportes do programa, aponta Maretti, terão mesmo uma redução de investimentos em 2008 e talvez em 2009. Para suprir essa lacuna, os doadores, que além de WWF são, principalmente, o Banco Mundial e  o governo alemão, pensam em aportar recursos extra.

Maretti cobra posição do governo. “A contra partida do governo tem que ir além do mínimo, neste momento”. No acordo do ARPA o governo federal se comprometeu a garantir pelo menos cinco funcionários por unidade de conservação na Amazônia. Como se sabe, estamos bem longe desta meta.

Leia o Manifesto dos Chefes das UCs da Amazônia

Reportagens relacionadas:

Reservas no Buraco, de 8 de julho de 2008

Teoria e prática, de 25 de abril de 2008

Teoria e prática II, de 12 maio de 2008

Comentários
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Triste, mas verdade...
Carlos Abrahão 15/08/2008 09:27:19

Aproveito pra me solidarizar com os colegas que merecem todo o apoio e respeito
pela coragem e iniciativa!
Assino em baixo!
Não há nada tão ruim que não possa piorar!
Ernesto Amaro 15/08/2008 18:30:33

imagina quando estes gestores descobrirem que mais da metade de toda $$ do
Xibiú para investimento nas UCs... vai virar mesa, cadeira e armário pra
txurma da Sede em Brasília!

Lógica, racionalidade, bom censo... há muito
não são vistas no planalto central

Boa sorte a todos nós.
Ernesto
da lama ao CAOS
Ernesto Amaro 15/08/2008 19:22:16

Represálias??!??!!

o que poderiam fazer contra estes Gestores? Enfiar eles em
uma UC nos confins da Amazonia e deixáa-los abandonados?! Isto eles já
estão.

Rômulo - só temos problemas! que papo é esse de "não estamos
mil maravilhas"? E ainda vamos jogar $$ fora com a Sede nova!

(cont. no
próximo)
Ernesto Amaro 15/08/2008 19:40:57

Sérgio Leitão - probleminha bobo né? o $$$ acabou e quem é responsável por
administrar o dinheiro nem percebeu! (paga-se o Funbio para fazer isto) Aprova
um orçamento de 50 milhões e depois "descobre" que só tem 10 mi.
Putz.., Show de competência!

(continua)
Ernesto Amaro 15/08/2008 19:47:41

Maretti - $$ para os amigos sempre tem. Dá-se um jeito. Os outros? ora, os
outros são os outros... com contribuições informais o gestor fica na mão do
doador. (UCs - VENDE-SE. Tratar com MMA)
Mias viagens...
Joaquim Ruiz 16/08/2008 17:45:38

Rômulo,

Não é preciso mandar ninguém a Amazônia para obter informações
sobre as demandas expostas no documento....
È só determinar que se cumpra as
demandas, cancele a consultoria da Marina,deixar que o ICMBIO tenha autonomia,
cresça e apareça...
quanta incometência,

Joaquim Ruiz
Não percam tempo...
PH Danasceno 19/08/2008 11:31:36

Sugiro que sejam acionados imediatamente o MPF e o TCU no sentido de apurar as
graves denúncias.

PH Damasceno
Assembléia dos servidores do IBAMA e Instituto Chi
Lindalva Cavalcanti 23/08/2008 12:59:21

O governo liderado pela ex-ministra Marina e por Capobianco, resolveu ignorar o
posicionamento técnico dos servidores do IBAMA e insistiu na criação do Inst.
Chico Mendes, sem o mínimo planejamento e discussão. O resultado previsível
está aí. Mais uma vez o discurso dos dirigentes é totalmente vazio
9 dias depois...
PH Damasceno 23/08/2008 15:07:32

Será que alguma ação específica para minimizar os problemas apresentados foi
tomada ? O Eco poderia tentar saber...
Provavelmente os nossos trabalhadores
das UCs continuam a ser cozinhados pela administração central... enfim, quero
ver o dia que desisitirem da luta... um desperdício para o Brasil.
O Caos
Rogerio Garcia 25/08/2008 07:34:12

Será que os distintos Parlamentares se deram conta da responsabilidade que eles
assumiram ao dividir o Ibama? Creio que não... a conta tem que ser passada para
eles também!!
Caos nas UC's
Gonçalo Amarantin 25/08/2008 09:52:53

Não é necessário ir longe para verificar a confusão formada com a criação
do ICMBio. Basta ler o Ofício Conjunto IBAMA/ICMBio, de 22.08.2008 (Intranet do
IBAMA), assinado pelos dois presidentes, para verificar o atoleiro em que se
meteram os criadores/separadores do ICMBio/IBAMA. Quem é quem?
mais uma vez o trabalhador é quem paga
maria de fátima feijó de jesus 28/08/2008 12:28:54

Lamentável!!!!!!!!!!!
Mais uma vez quem paga pelos erros dos
"iluminados" no Congresso e no primeiro escalão dos Ministérios,
somos
nós funcionários, trabalhadores, povo brasileiro.
Só quem presenciou
a votação da medida provisória que criou o Chico Mendes pode dizer: Que
Vergonha! E agora...
16 dias depois...
PH Damasceno 30/08/2008 21:57:32

Será que a equipe que seria destacada já conseguiu chegar no Amazonas ? Ou
sequer acharam a saída de Brasília...
Centros de Pesca
Kleber 01/09/2008 13:02:09

o trecho do "memo de desentendimento" que os dois assinaram é de chorar
de tanto rir...

os centros eram do IBAMA, passaram pro Chico, mas estao
voltando pro IBAMA, no entanto o ICMBio poderá ter representação nesses
centros... sem esquecer que o CEPTA é centro de pesca mas permanece no
Chico...

kkkkkkkkkkkkkkkk

que zorra!!!!!!!
Kleber 01/09/2008 13:05:23

isso q é administrar na base da politicagem do mais baixo nivel!
ah se eles quisessem ajudar...
Ernesto Amaro 01/09/2008 17:40:48

É possível romper esta p.... de contrato sem pagar um tostão sequer. O Termo
de Referência (out/07) previa que o prédio deveria ser entregue no prazo
máximo de 60 dias. O contrato foi assinado em 09/06/08. Portanto, prazo
esgotado!!!! É só romper e acabar com essa babaquisse. De out/07 pra hoje,
quase que dava pra construir o prédio inteiro.
Não falta espaço para os
servidores na atual sede. Falta espaço pra tanto Ego!
Ernesto Amaro 01/09/2008 17:44:36

quem quiser conferir,
extrato do contrato:
http://www1.transparencia.gov.br/TransparenciaClie
nte/extrato.jsp?CodigoOrgao=44000&TipoOrgao=1&Codi
goUG=443033&NomeUG=INSTITUTO%20CHICO%20MENDES%20-%
20SEDE&idContrato=146741&print=0
Termo de Referência:
http://www.icmbio.gov.br/ChicoMendes/Editais/Termo
_de_Referencia_Locacao.pdf

Valor do Contrato: R$ 5.827.330,56 + 70% de toda
grana de investimento do CHIBio pra comprar mobiliário novo! quanto isto no
interior do país as UCs... tâmo fú. saudações xibianas.
E para piorar...
Analista Ambiental 03/09/2008 19:59:04

Coincidentemente na mesma semana em que o ICMBio completa 1 ano...no hotel em
que está sendo realizado o 1º curso de fiscalização do ICMBio...ironia do
destino... o principal articulador da divisão do IBAMA,Langone ( o então
Secretário Executivo da Ministra Marina Silva) e a cúpula da ALCOA almoçam
juntos...Muitos dos Analistas Ambientais ficaram perplexos.
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BRUN