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| Você se orgulha do seu trabalho? |
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| 30/03/2009, 07:30 | ||||||||||||||||||||
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Gostaria de ter acesso a uma estatística mundial que me dissesse quantas pessoas gostam do trabalho que realizam. Destas, saber a percentagem das que trabalham em prol de alguma causa, ou que se dedicam a trabalhos “verdes”. É só uma curiosidade, até porque eu faria parte das pessoas que fazem o que gostam e, ainda, trabalham por uma causa. Melhor ainda, são pagas por isso! Há quase três anos que venho trabalhando em uma organização não-governamental (ong), a Clean Calgary Association. A estrutura das ongs no Canadá é muito parecida, com os funcionários que respondem direto ao diretor executivo e, este, ao corpo de diretores, que são quem, na verdade, mandam nas ongs. O interessante é que o corpo de diretores é sempre composto de voluntários – de 6 a 8 pessoas que trabalham por uma causa! Cada mandato dura dois anos, podendo ser renovados, e eles se reúnem pelo menos uma vez por mês, às vezes mais. Participam de feiras, doando seu tempo ao stand da ong. E todos são pessoas interessantíssimas, alguns são altos executivos de empresas, outros são editores de revistas e jornais, muitos casados e com filhos (alguns com quatro) – vale lembrar que não temos ajuda aqui (empregada doméstica não existe ou é caríssima) – e mesmo assim dedicam um tempo valioso a uma causa. Conversei outro dia com uma delas e ela me dizia como estava gostando da experiência. Aliás, este é outro dado importante: esta experiência conta para o currículo. E muito. Mas estes são exemplos voluntários e quero falar sobre os empregos. Pagos. Um dado interessante: entre 2004 e 2008, os novos investimentos em energia limpa cresceram de U$ 33 bilhões para U$ 148 bilhões. A quantidade de sites dedicados a empregos “verdes” é incrível e a Clean Calgary Association, quando anuncia um emprego, anuncia em sites “verdes” apenas. Seguem algumas dicas.
No meu primeiro ano de Canadá, trabalhei em uma loja de equipamentos esportivos. Era um sub-emprego, que me deu sustento por este período, algum prazer no começo e muita irritação no final, quando meu cérebro já pedia uma atividade mais desafiante que vender material esportivo e arrumar araras de roupas em uma loja. A língua, ainda um desafio, estava pelo menos mais afiada e achei que era hora de procurar um “emprego de verdade”. Fiz vários workshops gratuitos oferecidos pelo governo e que ensinavam a escrever um currículo. Tudo muito diferente do Brasil. Algumas curiosidades: não se coloca informações pessoais e uma carta de apresentação do currículo é tão ou mais importante que o próprio currículo), a fazer uma entrevista (cheguei a fazer uma com 5 pessoas me entrevistando), a agradecer uma oportunidade etc. E comecei a procurar emprego – dizem que procurar emprego é um trabalho de tempo integral, no mínimo 8 hs por dia. Foram quase 50 currículos enviados e meia dúzia de entrevistas mais um dedo apontado para mim dizendo que eu não seria capaz de encontrar um emprego na área, pela deficiência na língua (afinal, eu estava procurando um emprego de comunicação!). Mas não desisti. Consegui um emprego depois de dois meses procurando, respondendo a um anúncio de jornal e concorrendo com mais 80 pessoas, em uma época que conseguir emprego era questão de horas, pela abundância de ofertas. No primeiro dia de trabalho na Clean Calgary, perguntei porque tinham me escolhido e a resposta foi: ‘você tem coisas que não se ensina (a paixão pelo assunto, por exemplo) e, o que você não tem (a desenvoltura na língua?) você pode aprender’. Fiquei com a certeza de que vale sempre a pena tentar. E posso dizer que é muito bom trabalhar em um lugar que adoro, e por uma causa! ![]()
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