Conscientização com latas de cerveja PDF Imprimir E-mail
04/05/2009, 14:55
Lembro-me da época de criança, no final dos anos 60, em Itaiópolis (SC), que os recicláveis rendiam um bom dinheiro. Eu e toda a piazada da comunidade juntávamos estes materiais para vender para um caminhão que passava de tempos em tempos.

Basicamente, eram coletadas latas de metal (não existia de alumínio), utensílios domésticos (panelas e bacias) velhos de alumínio, vidro e ossos que a gente apanhada nos potreiros das carcaças do gado que morria de alguma doença e para nossa sorte nunca eram enterradas, devido ao trabalho que isto dava.

O que eu nunca imaginei é que aquela atividade de descolar alguns trocados daria nos dias de hoje o passaporte para participar da conferência do meio ambiente, em Brasília, promovida anualmente pelo Ministério do Meio Ambiente e congrega estudantes representando as escolas de todo o Brasil.

Esta atividade de vasculhar as taperas em busca de panelas velhas de alumínio amassadas e ferramentas agrícolas quebradas de ferro enferrujado nunca precisou ser estimulada pela escola. Foi suficiente saber pelos mais velhos que tinha alguém que comprava determinado material que a gente guardava a espera do caminhão que comprava.

Na verdade, teve uma ocasião, já minha pré-adolescência, que uma instituição estimulou a coleta dos recicláveis. Não foi bem a instituição, mas seu representante, o chefe dos escoteiros. O objetivo, segundo ele, era para angariar fundos para o movimento. Lembro-me que até gincanas foram promovidas para ver quem juntava mais recicláveis.
Coitados dos vizinhos e demais moradores de Itaiópolis. Eram incomodados o tempo todo pela piazada suplicando - ou, melhor, enchendo saco - para deixarem garimpar em seus quintais os valiosos recicláveis. Quando se usava as palavras mágicas “é para os escoteiros”, eles abriam o coração e davam até as sucatas guardadas no paiol.

Descobrimos mais tarde que o dinheiro dos recicláveis não era exatamente para o nosso grupo de escoteiros, mas para o bolso do chefe. Isto explicava o grande empenho dele em nos cobrar a coleta de quantidades cada vez maiores de recicláveis. Ficamos muito decepcionados, como se pode imaginar. Usou as crianças e o nome do movimento para benefício próprio.

Certamente, hoje ele ainda ganharia um prêmio ambiental e matérias de capa nos jornais por estar “conscientizando” as crianças, considerando que aquelas montanhas de recicláveis que catamos nas casas e nas taperas são muito utilizados como indicadores da “consciência ambiental” aqui no Brasil. Seria também o “case” apresentado na conferência do meio ambiente.

Alguém pode estar curioso para saber por que eles queriam os ossos? Nós também tínhamos esta curiosidade. Era para fabricar farinha de osso, utilizada na ração animal. Agora dá para entender porque algumas doenças do gado se espalhavam tão rapidamente.

Ah! Naquela época o conceito de reutilizar também estava muito presente no dia-a-dia. As formas de pães e bolos, bacias e canecos eram confeccionados de latas de óleo de soja que eram desmanchadas e suas folhas remendadas com rebites para a produção das peças maiores, no caso das formas e bacias. Estes utensílios custavam bem menos do que os de alumínio.

O que surpreende é uma atividade tão antiga e bastante difundida que é o comércio de materiais recicláveis ter ido parar dentro da escola como uma grande novidade para salvar o planeta. Não sei se é preciso a escola ensinar que é bom ganhar dinheiro.

A reciclagem do lixo, quer dizer, das latinhas de cerveja e das garrafas PET, é o assunto predileto da maioria esmagadora das escolas para trabalharem a temática ambiental. Temas de grande relevância para a sociedade como o desmatamento da Floresta Amazônia ou do que resta da Mata Atlântica e das matas ciliares dos rios que abastecem a cidade – e a escola -, bem como a perda da biodiversidade, poluição, consumo etc. não tem chances alguma de competir com a reciclagem do lixo.

O que se entende por educação ambiental é pedir para os alunos catarem e trazerem a maior quantidade possível de latinhas de cerveja e garrafas PET para as dependências da escola. Então, este material é vendido para levantar fundos para a escola. Fazer sua parte para salvar o Planeta é simplesmente isto. Muito fácil, não é mesmo?

Em Jaraguá do Sul (SC), bem como nos municípios vizinhos, tem uma empresa privada que faz a coleta seletiva. Além disso, tem a cooperativa de catadores. Já teve até morte em um parque da cidade numa briga entre catadores pela disputa das latinhas de cerveja vazias, de tão valioso que é este material. Agora, os catadores, que lutam para sobreviver, têm que disputar as latinhas e garrafas PET com as escolas que também entraram no páreo.

É uma concorrência desleal, pois a escola explora a mão de obra do seu exército de alunos para coletar os recicláveis. Já o coitado do catador tem que perambular dia e noite pela cidade, empurrando seu carrinho e correndo risco de perder a vida se invadir, sem saber, o território de um catador hostil.

O grande problema dos recicláveis domésticos é que são necessários volumes grandes para valerem alguma coisa. E acumular os recicláveis requer muito espaço, que também é problema. Quem tiver alguma estratégia de baixo custo para juntar grandes quantidades, consegue um bom resultado com a venda.

Será que existe alguma eficácia disso na educação ambiental das nossas crianças? Vou citar o exemplo de uma escola pública de ensino fundamental de Jaraguá do Sul, que coleta e comercializa materiais recicláveis já faz algum tempo. Usando um bom marketing ambiental, do tipo, “vamos salvar o planeta”, chega a fazer campanhas agressivas para estimular os alunos a coletarem e trazerem os recicláveis para a escola.

Uma destas campanhas lançada pela escola neste ano foi a gincana de coleta de garrafas PET com ofertas de prêmios ou notas para os alunos que trouxessem mais garrafas. Muitos pais reclamaram que o consumo de refrigerantes havia triplicado com a campanha. As crianças estavam empantufando-se de tanto tomar refrigerantes para esvaziar o maior número possível de garrafas e ganhar a gincana. Chegavam a pressionar a família, até os avós e os irmãozinhos, para consumirem mais refrigerantes.

Outro exemplo vem de uma escola particular de Florianópolis. Para aderir à moda da reciclagem a escola instalou ao lado da cantina uma daquelas máquinas de amassar as latinhas de refrigerantes. As crianças adoravam a novidade - ou melhor, o brinquedo - e ficavam amassando as latinhas o tempo todo na hora do recreio. Faziam até fila para disputar a maquina. Resultado: o consumo de refrigerantes aumentou assustadoramente e a direção da escola teve o bom senso de retirar a máquina. Deve ter sido reclamação dos pais.

Há ainda casos de escolas que montaram uma verdadeira indústria química para fabricar sabão explorando o conceito de utilizar óleo de cozinha. Ocorre que a receita leva produtos químicos de manuseio muito perigoso, como a soda cáustica e o álcool. Uma coisa é a professora fazer uma demonstração, dentro da disciplina de química, de como se fabrica o sabão. Isto é muito educativo, sem dúvida. Outra coisa é fabricar sabão na escola em larga escala e forçar as crianças a venderem o produto. Que exemplo estão dando para as crianças? Estão ensinando que uma indústria química pode operar sem nenhuma licença ambiental e que o produto não precisa de nenhum teste.

Esta visão extremamente limitada que as escolas têm das questões ambientais é em parte reflexo da situação deplorável em que se encontra o nosso ensino. Embora, em certos casos é bastante nítido que o objetivo é ganhar dinheiro usando a preocupação com o meio ambiente como estratégia de marketing. Mas não se está tentando criar nenhum valor ético em relação ao consumo.

Abordar temas tão importantes para a sustentabilidade como conservação da natureza, desmatamento, perda de biodiversidade etc. (que contemplam de uma forma bem mais compreensível a questão do consumo) é ainda um tabu nas escolas. Percebi que em muitos casos isto ocorre não é tanto pela falta de interesse dos professores, mas é porque eles realmente não podem tratar destes temas em sala de aula, pois vão criar problemas para a escola.

Se conseguirmos fazer com que as escolas trabalhem com intensidade e profundidade estes temas, salvaremos o que resta da Mata Atlântica e a Floresta Amazônica, sem que as nossas crianças fiquem gordinhas de tanto tomar refrigerantes.
Comentários
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muito bom
Amilton 05/05/2009 08:10:42

Muito bom!...
Interessante!!!
Jenifer 05/05/2009 08:51:03

Texto muito interessante.Parabéns pela conciência, estamos nessa juntos para
tentarmos abater um pouco que seja deste problema. O que falar das
ecolas:"Pouca conciência...muita ganância!!!"
Jenifer
É
Ana Gama 05/05/2009 09:59:08

É, as coisas não são tão simples como a gente pensa. O ideal seria mesmo
que se diminuisse mesmo o consumo. Entretanto reciclar ajuda, mas até prá
isso precisa ter conciência.
Gostei
cristina 05/05/2009 10:40:12

Gostei de todos os enfoques do teu texto. É difícil trabalhar o consumo com
consciência. Se tiveres sugestões aceito-as.
Tiago 05/05/2009 11:32:07

Parabéns Gerano, por nos fazer reletir sobre temas tão importantes quanto
educação ambiental e educação.
Conscientização com latas de cerveja.
André Luiz Monteiro 05/05/2009 12:34:06

Muito boa sua materia, realmente digna de se lembrar da nossa infancia, que
maravilha. Naquela época já tinhamos a cosciência de preservar e tinhamos a
cultura determinante de juntar dinheiro com a venda das latinhas e ferro velho
para finais de semana frequentar os cinemas das nossas cidades, é muito bom
relembrar. Os dias de hoje já não são os mesmos. A tecnologia invadiu os
jovens que hoje passam a maior parte de seu tempo envolvidos com internet e
jogos eletronicos. Temos que mudar essa consciência e fazer com que eles
compreendam que a vida como um todo em nosso Planeta depende exclusivamente de
todos nós.
Abraços e parabéns pela dedicação que todos nós apoiamos.
Catadores
Gilmar Moreira 05/05/2009 17:25:36

Na minha época(anos 60/70) de 1º e 2º grau só éramos lembrado sobre meio
ambiente no dia da árvore quando ajudávamos a plantar algumas árvores no
pátio da escola. Eu e meu irmão catávamos alguns recicláveis(ferro,
osso,lata de leite,fios de cobre e arame....etc) para vender no ferro velho de
Mafra/SC, já no final dos anos 70 surgiram empresas que compravam papelão e
outros materiais como aqui na grande SP onde poucos ganham muito e muitos ganham
muito pouco(pra não dizer quase nada),... acabei relembrando minha
infância...Que fazer,Germano, quando se aprova aí em SC redução das matas
ciliares em favor da agricultura insaciável, mesmo com todos estas catástrofes
ambientais recentes, e que continua com seca no oeste e panalto catarinense..RS,
PR. Parabéns pela matéria.
Irrepreensível
Sheila 05/05/2009 18:17:11

Seu texto correto e consciente, prezado Germano, reforçam a prioridade de minha
vida: conscientização para o grande problema mundial QUE É ...a
SUPERPOPULAÇÃO HUMANA! nascemos sem a minima noção que estamos acabando com
o planeta...
abraços
Educação Ambiental não é aumentar consumo de matér
André Souza Martinello 05/05/2009 18:18:16

Legal Germano, parabéns. Boa relação ambiente, sociedade, educação,
reflexão e educação ambiental... um abraço
Movimento Escoteiro
Márcia Regina Carlon 05/05/2009 18:21:06

É mesmo uma pena vermos como as pessoas se aproveitam do Escotismo em
benefício próprio. Faço parte de um Grupo Escoteiro de Joinville e há alguns
anos tivemos um caso parecido... Hoje em dia ainda fazemos a arrecadação de
latinhas de alumínio, mas sem competição entre as crianças e jovens o que
não resulta no aumento do consumo por parte deles ou de suas famílias...
demoramos mesmo para conseguir uma quantidade significativa para a venda e
revertemos o que é arrecadado em material para os acampamentos.
Também sou
professora de Ciências e percebo a dificuldade que as escolas têm em
desenvolver programas que realmente mudem a consciência ambiental das crianças
e jovens. Os projetos apresentados são sempre os mesmos e quando coisas
inacreditáveis como a aprovação do "Código Ambiental" de SC
acontecem, ninguém se manifesta, ninguém se posiciona... por pura falta de
conhecimento da realidade. As escolas estão isoladas nas suas práticas
pedagógicas e não conseguem se relacionar com o que acontece em volta, na
maioria dos casos.
É frustrante...
Bem lembrado
Viviane Deslandes 05/05/2009 18:47:40

Olá Germano, muito importante essa consideração sobre consumo, estou
trabalhando isso em sala e parece que a minoria dos professores de Ciências e
Biologia faz o enfoque sobre o que acontece aos recursos naturais com o nosso
padrão de vida atual...Legal a matéria!
Bjs
Vivi
Muito interessante
Rosane 05/05/2009 20:04:03

Olá Germano, muito interessante seu texto, faz a gente refletir se estamos
realmente sabendo trabalhar com Educação Ambiental, parabéns.
Excelênte Matéria
Araguaci 05/05/2009 20:30:36

Posso publicar este artigo na integra com os créditos no meu
site?
http://alfa2.artesdosul.com/

Obrigado
PARABENS! MUITO BOM... OTIMO
Graziele Gomes 05/05/2009 20:49:51

Infelizmente as pessoas nao se conscientizam em relação ao lixo que possuem,
pra vcs terem ideia analisam seu lixo e veja o que realmente é necessario jogar
fora... fiz um tcc na faculdade de meio ambiente sobre reciclagem, foi otimo,
aprendi muito, e tem coisas que para colocar em pratica precisa de incentivo,
infelizmente ninguem toma por vontade propria... gostaria q isso partice sempre
de cada um, como forma de um objetivo, e nao foma de demonstrar ecologicamente
correto para o publico alvo... sua materia estar esplendida, muito boa,
parabens.... continua publicando, pois adoro ler seus textos, trabalhando assim,
em cima de suas objetivas palavras opniões a mais sobre como tratar com a
educação ambiental,
atenciosamente
Graziele
Beijo
O valor ético e economico da preservação
Eloy 06/05/2009 04:00:40

A falta de valores éticos que decorrem de uma Educação Ambiental evita que as
pessoas renunciem ao imediatismo, representado pela busca de outros valores,
como o econômico. Então somente no momento em que os valores éticos superarem
o valor econômico, o homem se acomodará. Precisa haver este equilíbrio. De um
lado, mais valor ético, via educação e controle, e de outro, um maior
econômico, com incentivo e remuneração pelos serviços ambientais. Afinal,
quem presta serviço, inclusive ambiental, deve receber, sob pena de se tornar
escravo da sociede. E nosso país não é um bom exemplo de ética e educaçao.
Mas precisamos acreditar e cada um fazer sua parte, como Germano.
Excelente...
Elisabete B Trizzini 06/05/2009 04:37:22

Adorei o texto. Pois no ímpeto da preservação deixamos de lado certos
detalhes que q são fundamentais p/desenvolvimento ético dos
jovens.
Parabéns!!
Gostei
Guilherme 06/05/2009 04:56:52

Parabens Germano
gosto de ler seus textos..
Estou sempre visitando todo o
site.
ABS
Vivendo e aprendendo
Sibele Kamchen 06/05/2009 04:59:35

Concordo plenamente com você, Germano...lendo seu excelente texto, um filme
passa em minha cabeça...não por opção, mas por obrigação, tive que
participar de um projeto, semelhante ao mencionado por você, em uma escola que
lecionei anos atrás (era professora contratada e questionamentos contra o
projeto, não eram permitidos, já que era uma grande empresa que o
promovia)...alunos e professores tinham que bater de porta em porta nos bairros
da cidade, distribuído folders e pedindo para que os moradores separassem o
material para que posteriormente, fosse recolhido...esse material era então
pesado, e a equipe que conseguisse maior pontuação poderia ganhar com****dor
para escola, viagem, etc.. Em determinada etapa do projeto, algumas equipes
perceberam que não conseguiriam atingir a pontuação para sequer concorrer a
um dos prêmios, e alunos chegaram ao ponto pedir dinheiro aos pais para comprar
copos plásticos, fardos de refrigerantes, latinhas, para conseguir
pontuação...em outras palavras, por causa da maldita viagem, do maldito
com****dor...enfim, desta maldita pontuação, os alunos acabaram produzindo
mais lixo...quando os questionei sobre a atitude tomada pela equipe, eles me
disseram: “Ah! Prô, queremos viajar no final do ano”...a preocupação com
o meio ambiente acabou ficando em último plano, pois o que importava era o
prêmio...
Com tudo isso aprendi que não podemos nos acomodar e seguir pelo
caminho mais fácil, só pra não bater de frente com fulano ou com
ciclano...como formadores de opinião e se realmente queremos continuar tendo
qualidade de vida, temos que educar a população para que absurdos como este
deixem de acontecer. Obrigada pelas sábias palavras, Germano.
Abraços,
Sibele
Grande Verdade!!!
Fabiana Schramm Ferreira 06/05/2009 05:15:50

Olá Germano, concordo com alguns comentários anteriores que a situação é
frustrante...mas são pessoas como vc e a Elza que despertam o sentimento de
continuar lutando. Grande abraço!
exemplo
nina rosa 06/05/2009 05:45:38

é necessário ensinar valores morais às crianças, como a compaixão pelas
pessoas,animais,plantas,minerais,seres vivos que precisam de nossa atenção e
amor. Falar em desmatamento, salvar florestas, sem informar que a pecuária
intensiva é sua principal causa,não os ajuda a desenvolver a consciência.
Muito bom
Édna 06/05/2009 05:55:11

Extramente relevante. Estou repassando para que os educadores que tenham contato
consigam entender as dimensões da educação ambiental. Parabéns. Um grande
abraço e sucesso.
O artigo me lembrou de um caso...
Antonio de Almeida Correia Jun 06/05/2009 07:12:50

Lembrei-me de um caso, que aconteceu aqui no Pará, numa comunidade remanescente
de quilombo, que seria engraçado não fosse trágico.
Era mais uma dessas
campanhas educativas trabalhando a reutilização de materiais. E vem o pessoal
de fora, sem muito conhecimento da comunidade e da vida nesses lugares, ensinar
que dá para aproveitar PET para fazer artesanato, objetos, etc. Depois de algum
tempo, alguém percebeu que começou a aparecer muita garrafa PET para os
trabalhos. Foi verificar. O pessoal da comunidade, que nem mesmo gostava muito
de refrigerante, passou a comprar e consumir muito mais, para poder usar o
material e fazer artesanato... Gastando o pouco dinheiro que tem e criando novos
hábitos, nada saudáveis.
Equívocos ou conveniência????
Ivonete Gonçalves 06/05/2009 07:20:35

Em Eunápolis Bahia, numa escola particular infantil, uma professora disse aos
alunos que uma floresta de eucalipto é boa para preservar a biodiversidade,
pois, segundo ela no eucaliptal existe até onça! Uma das alunas, chegou em
casa perguntando ao avô se era verdade. E felizmente esse avô foi até a
escola falar do equívoco da professora. Depois ficamos sabendo que o marido da
professora trabalha na empresa Veracel. VEJAM A QUANTAS ANDA A EDUCAÇÃO NO
BRASIL...
PARABÉNS!!!!!
Fernando Niemeyer Fiedler 06/05/2009 07:46:11

Caro Germano, parabéns pelo texto!!!
Realmente vc abordou a questão com uma
excelente visão.
A verdade é que hj todos se intitulam educadores ambientais
sem ao menos ter noção da real importância dessa função..
Vamos ver como as
coisas irão ficar caso seja aprovada a criação da disciplina Educação
Ambiental para os ensinos Fundamental e Médio...
Abs
Realidade
Rudimar N. Cipriani 06/05/2009 08:07:46

Parabéns Germano, sua matéria expõe de forma explícita e corajosa a
realidade em que muitas instituições utilizam o conceito de sustentabilidade e
se aproveitam deste precedente para sua própria vantagem.
Admiro muito sua
coragem em abordar as questões ambientais com muita propriedade.
ÓTIMO
JAQUELINE 06/05/2009 08:27:04

TEXTO MUITO BOM
PARABÉNS.
Ipema
elizete siqueira 06/05/2009 08:34:11

Muito bom Germano. Sugiro que envie suas reflexóes para coordenadora de EA do
MMA, que está organizando um evento na Bahia sobre a política de EA. Li do
informativo do MMA de ontem. Será muito pertinente que educadores,
empresários, instituições de pesquisas e ongs discutam esta abordagem e
praticas de EA erradas que estão sendo incentivadas nas escolas
reciclemo-nos
alvaro figueiredo 06/05/2009 09:03:38

não dá pra reciclar o mundo
precisamos reciclar é a nós mesmos, desfasados,
desgastados, desacreditados q estamos -sem sequer assumirmos a consciência de
nosa extinção iminente.
alf
ps-o txt e o blog, na
lata:
http://falandonalata.wordpress.com/
Lamentável
Gisele Novakowski 06/05/2009 09:22:49

Como sempre professor Germando seu artigo reflete a realidade precisa da
educação ambiental brasileira.

O que as ecolas estão ensinando é a
educação do "Valor de consumo", ou seja, o aluno só preserva pois
sabe que há um valor finaceiro embutido na sua ação. Onde está o valor
ecológico da ação? Que educação ambiental é essa? Estimuladora de hábitos
nada saudáveis, mas conforme tal realidade, isso não importa! Se em pouco anos
a Mata Atlantica deixará de ser um hot spot porque perderemos habitats e por
consequencia as espécies, não importa!

Não é problema da escola? O que
realmente interessa é que o lixo está sendo reciclado não é mesmo? Enfim,
adotam a visão ultrapassada de "os fins justificam os meios". É
lamentável.
Acreditar é importante!
Elias Bento 06/05/2009 09:38:15

Embora eu não os conheça pessoalmente; mas o trabalho desenvolvido e a
objetividade da ação desta entidade; me causa orgulho!
Por lidar com melhoria
da qualidade de vida na questão da formação humana, é que os considero
parceiros.
Obrigado pela forma que vcs conduzem a questão ambiental.
Parabéns Germano
Emiliano Hagge 06/05/2009 10:14:02

Os humanos me cansam muito. Fico pensando se Gaya for mesmo uma entidade, quanto
paciência ela tem de ter conosco. Temos que fazer muita força para não perder
a esperança. Principalmente, nos que são o assunto desta matéria, nossas
crianças.
Maira Weirich 06/05/2009 11:37:26

Gostei muito da reflexão, Germano! Admiro seu ponto de vista sempre crítico.
Creio que ele nos ajuda a repensar nossas práticas. Me considero uma pessoa de
boa vontade, disposta a aprender a ser uma boa educadora ambiental! Quem sabe um
dia...Não sou totalmente contra o destaque escolhido pelas escolas sobre a
Coleta Seletiva, questões relacionadas à produção de resíduos. Para pessoas
urbanas a questão do lixo fica mais próxima da sua realidade, do dia-a-dia, do
que a Floresta. Infelizmente as crianças nem sabem mais o que é uma Floresta,
qual a grande importância... Isso deve ser resgatado... A maioria delas só tem
contato com uma através de livros, tv... Acho interessante o enfoque baseado na
arte com sucata, considero educativo sim, desde que bem direcionado, pois
promover Gincana com premiação para quem coleta mais ou vender concorrendo com
pessoas humildes que vivem disso realmente não dá! Há pessoas que estão
conseguindo obter renda com reaproveitamento de materiais. Isso não é
novidade. É da idade da humanidade mais ou menos, pois os materiais que temos
à disposição na natureza não são infinitos e muitas vezes sai mais barato
reciclar do que usar matéria-prima nova, tornando-se economicamente mais
vantajoso para todos envolvidos no processo.
Um abraço
Maira Weirich/RS
Sempre o lixo como tema principal
Janete Antunes 06/05/2009 12:47:26

Quero parabenizar pelo texto muito bem escrito e explicativo, pois parece que
não há avanços nas discussões sobre as questões ambientais onde o lixo
ainda continua no topo dessas discussões. Participei recentemente de um projeto
de formação de educadores ambientais em que ao final do curso os professores
deveriam elaborar um projeto de educação ambiental para ser aplicado em suas
escolas. No final do curso ao se fazer uma avaliação dos temas mais
relevantes, novamente o "lixo", reciclagem, reaproveitamente foram os
temas que mais se destacaram.
Vou utilizar teu texto para refletir em sala de
aula com os alunos.
Continues a nos oferecer textos reflexivos, isto nos ajuda
a quem sabe mudarmos a maneira de pensar em relação ao nosso lixo. O consumo
consciente ainda está longe de ser alcançado.
Um grande abraço
Janete
Antunes/RS
Tibo 06/05/2009 13:07:00

Olha easa reportagem
Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Amb
Naiara Campos 06/05/2009 13:55:09

O artigo tem argumentos interessantes. No entanto, a Conferência que você cita
no artigo é, na verdade, organizada pelo MEC a cada dois anos, e as
informações que você tem sobre o processo desde a escola estão completamente
equivocadas, procure conhecer melhor esse o programa Vamos cuidar do Brasil com
as escolas.
Educação Ambiental e a Totalidade
Vanda 06/05/2009 17:39:07

Concordo com vc. Não é possível fazer educação ambiental sem tratar da
questão, no caso o "lixo", em sua totalidade,deste o modelo de
produção/consumo aos impactos ambientais.Ao adotar esta prática apontada em
seu texto, a escola corre o risco de reforçar a alienação em relação ao
conhecimento ao invés de construir a autonomia intelectual dos alunos e alunas.
Conscientização poluída !
Ênio Araújo Souza 06/05/2009 18:13:23

É lamentável, Germano, que a separação de materiais pelas escolas e a sua
posterior reciclagem esteja ocorrendo às custas de maior consumo de produtos
pelos alunos (sem contar a exploração destes com todo este trabalho educativo
equivocado: junte mais e ganhe...).

Agradeço o alerta a mim en*****. Estou
divulgando o seu artigo nas duas escolas que trabalho. A luta por um ambiente
mais natural deve passar por outras provações, porque o Homem é apenas
sapiens sapiens; se fosse sapiens sapiens sapiens sapiens sapiens ... sapiens
seria mais esperto.

Um abraço. Ênio.
Pseudo-Educação Ambiental
Mayara Carvalho 06/05/2009 18:15:58

Boa Noite, Germano!
Realmente é deplorável e revoltante como a questão
ambiental é tratada com mesquinhês, somente para interesses financeiros,
explorando não somente a natureza e seus recursos, como também o trabalho de
crianças em troca de notas...
Em um dos projetos de Educação Ambiental em
escolas de educação infantil que coordenei, onde apresentei um programa super
envolvente, onde iríamos fazer trilhas, gincanas e afins, muitas pessoas foram
contra, dizendo que somente deveríamos falar sobre a reciclagem para aquelas
crianças, pois o resto não tinha muita importância...
Fiquei indignada quando
ouvi aquilo, mas não deixei me submeti...fiz com que as crianças realmente
sentissem prazer no meio da floresta, e tenho certeza que repercutiu muito mais
na vida de cada uma delas...Inclusive, consegui falar sobre sustentabilidade com
elas, crianças de 5 e 6 anos que entenderam, pois foi mostrada a grande
necessidade que temos da natureza...e esse é uma coisa que deveria começar a
ser pregada com mais ênfase imediatamente: A SUSTENTABILIDADE!

Mais uma vez,
Germano, parabenizo a ti e a tua esposa pelo teus trabalhos e coragem!

Forte
abraço para vocês!

Mayara Carvalho
Jacareí - SP
Educar requer responsabilidade profissional
Maclovia Corrêa da Silva 07/05/2009 07:19:20

Germano,
Como os alunos e as escolas estão sempre voltados para a relação
ensino e profissionalização, os alunos e os professores distanciam-se do
processo ensino-aprendizagem. A contextualização de problemas é mal feita e
gera sempre desvios. Você mostra bem no seu texto o quanto é possível
transformar temas de estudo em ações sem propósitos de aquisição de saberes
e valores. Sempre que a moeda de troca entra em jogo, entram juntos a
competição, o automatismo, e os desvios.Para salvarmos o planeta basta nos
educarmos para respeitar o ambiente que nos envolve e nos responsabilizarmos por
nossas ações. Isso dá grandes resultados.
Maclovia
Trabalho "Formiguinha"
Tatiana Wippel 07/05/2009 09:58:20

Olá, Germano! Levarei seu artigo aos professores do colégio dos meus filhos. A
escola é montessoriana e não permite a venda de refrigerantes e frituras na
lanchonete. Já é um bom começo, não?

Claro que a manutenção e a
permanência do que resta no nosso planeta é uma questão muito mais ampla. Aos
poucos, com o nosso trabalho de "formiguinha", que leva aos amigos
artigos como o seu, a consciência ambiental e ecológica será uma realidade.
Precisamos trabalhar para que isso aconteça!

Parabéns!
reciclagem na maior cidade do brasil
Luiz Álvaro 08/05/2009 16:25:24

Germano, parabéns mais uma vez por um brilhante texto. Posso reproduzí-lo no
meu blog (surucua.blogspot.com)?
O quase incrível é que apesar de tudo, na
Cidade de São Paulo, no ano de 2009, ainda não existe coleta regular de
recicláveis pela prefeitura. Vai tudo para o mesmo lixo.
Boa lucidez
Cintia Barenho 09/05/2009 13:45:29

Tri legal teu texto caro colega ambientalista. Temos que parar com essa de
adestramento ambiental e reciclar por reciclar!Devemos incentivar a gurizada a
Reduzir e Reutilizar e se não der, Reciclar. Chega de adestramento!Vamos partir
para uma educacao ambiental mais transformadora, emancipatória e participativa
dos processos que demovem a sociedade como um todo
BOM!!!
TIAGO IMIANOVSKI 10/05/2009 18:30:13

MUITO BOM!
PARABENS PELO ARTIGO CARO AMIGO AMBIENTALISTA. É PRESCISO RECICLAR;
MAIS É PRESCISO TER UMA LEGISOO.COMLAÇÃO AMBIENTAL ESPECIFICA PARA RESIDUOS
SOLIDOS NO BRASIL
Mudança de ¨HABITOS ¨
Claudemir Borges Bonato 11/05/2009 02:17:13

Parabens pela matéria. Aqui em SJCampos, existe muita gente que vive de
reciclaveis , porem, uma parte destas pessoas estão usando o dinheiro
arrecadado para compra drogas . Lamentavel não ??? Otima matéria , otimas
lembranças . Abraço
Reciclagem e Inclusão Social
Mario Ricardo Guadagnin 12/05/2009 06:41:08

Prezado Germano.
Fizeste um bom retrospecto das ações a atitudes
comportamentais desde a década de 60 do século passado até o presente.
Infelizmente ocorre uma inversão de valores sociais, éticos e ambientais na
prática isolada de estimular os estudantes a buscarem nos resíduos sólidos
urbanos prêmios em gincanas estudantis. Já participei aqui em Criciúma de um
evento deste tipo onde fiz algo improvável e imprevisível aos organizadores da
gincana, pedi para ser premiada a escola que menos resíduos havia recolhido.

Por outro aspecto abordas mesmo que sutilmente o árduo trabalho de uma também
"casta de invisíveis e intocáveis" habitantes de nossos espaços
urbanos, os catadores. O Brasil necessita mais do que a aprovação da Política
Nacional de Resíduos Sólidos também discutir e adotar estratégias de
inclusão social de catadores e programas municipais de coleta seletiva.
realidade..
joel ventura 13/05/2009 06:33:15

essa exelente matéria nos mostra o circulo vicioso que pode se tornar a coleta
seletiva,quando a intenção desta é gerar lucros,números, o mais importante
fica de lado que seria gerar conciêcia nas pessoas para preservação do
planeta em si.
parabens...
Denise 14/05/2009 19:28:17

lendo relembrei da minha infancia, das gincanas q minha escola promovia.. das
latas utilizadas para formas na casa de pessoas mais velhas.... hoje na minha
ex-escola ñ acontecem mais essas gincanas nem os filhos dessas pessoas
reotilizam as latas. sua materia demonstra que o verdadeiro sentido da
reciclagem fica "perdida" em meio ao lucro q ela traz, infelizmente....
AMEI!
Betina 21/05/2009 13:38:48

Parabéns pelo texto!
Concordo com cada palavra que foi escrita, pois como
lecionei por nove anos posso dizer que é isso mesmo que acontece dentro das
escolas. Ainda gostaria de acrescentar que além dos professores não poderem
falar muito, existe pouca ou nenhuma orientação de como se trabalhar
educação ambiental nas escolas. Porém de alguma forma os Parâmetros
Curriculare Nacionai (PCNs)já abordam uma nova estratégia no ensino da
Educação Ambiental, mas não fica muito claro como inserir isso no cotidiano
escolar.
Um grande abraço e lembranças de toda família!
real
rafael 23/05/2009 14:04:33

eu também concordo com cada palavra do texto...ele foi maravilhoso...e muito
real
Os dois lados da reciclagem
Giovana Elizabete Bona Sartor 30/05/2009 13:14:10

Muito interessante a colocação do colega sobre a coleta seletiva que acontece
há muitos anos e que atualmente está nas escolas também. O perigo de uma
campanha sobre as garrafas peti é o aumento abusivo de sua ingestão por parte
da população da criança ao vovô sem contar os malefícios causados pelo
refrigerante sem deixar de lado nenhum. Como educadores devemos ensinar a
separar, reciclar sem para isso aumentar o consumo.
Concordo
Eli Antunes 03/06/2009 11:17:46

Que a reciclagem é algo que acontece a muito tempo, mas nas escolas nesse
momento ela deveria ser acompanhada com a conscientização de cuidado com o
meio ambiente, e não apenas como forma de recurso para arrecadação de fundos.
Responsabilidade Social e Sustentabilidade
Luciani Cristina Siewerdt Ste 13/06/2009 08:41:28

Germano, parabéns pela reflexão.
É muito importante refletirmos sobre todas
estas questões levantadas no texto que você escreveu.
O processo de
conscientização, ou seja, de mudança no comportamento das pessoas é que deve
ser pensado.
Trabalhar com estratégias eficazes para mudar a ação.
As
empresas hoje buscam através do planejamento estratégico viabilizar seus
negócios, assim tbém os órgãos públicos, escolas e a sociedade em geral
deveriam fazer. E nós enquanto cidad~
aos, difundir a idéia da aquisição de
produtos que trazem valor agregado e saúde levando em conta o processo de
fabricação, material utilizado, de onde vem e como é produzida a matéria
prima, tratamento de afluentes e tantas outras questões socio/ambientais.
Valorizar as empresas e instituições que tem a iniciativa de elaborar projetos
socialmente responsáveis, tendo como foco principal a sustentabilidade.
Cada
um fazendo a sua parte, reapassando informação e formação sobre estas
questões é que vão acontecendo as verdadeiras mudanças de
comportamento.
Parabéns pelo trabalho.

Luciani
Jaraguá do Sul - SC
Construção em Área de Preservação
Eric Freitas 17/09/2009 12:49:02

Pois é pessoal, nestes tempo de lucros a qualquer custo vale tudo: brigar por
latinhas, desmatar, contrabandear, etc. Aqui em Fortaleza um shopping foi
construido dentro de uma área que deveria ser preservada. Esta área faz parte
do Parque do Cocó, por onde passa o rio de mesmo nome.

Qualquer um pode
atestar a irregularidade vendo a imagem de satélite fornecida pelo Google Maps
nas coordenadas

-3.753466,-38.490601

Neste espaço desmatado está sendo
construido um prédio comercial, construção já em fase avançada, o qual teve
inumeros protestos contra, inclusive artigos científicos sobre sua legalidade,
mas que mesmo assim ignorou a opnião pública e não deixou de ser construido.
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