Geonotícia
13 de Maio de 2010
Nesta quarta-feira (dia 12), o Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (INPE) anunciou o fim da missão do satélite Sino-Brasileiro CBERS-2B. Peça chave no monitoramento do desmatamento na Amazônia, o satélite foi o terceiro lançado em parceria com os chineses. O INPE garante que a perda de contato com o aparelho não vai prejudicar a vigilância da floresta, pois imagens de satélites indianos e americanos serão utilizadas.
O geonotícia fez uma seleção de imagens captadas pelo CBERS 2B em seus dois anos de vida e traz também uma pequena entrevista com Marjorie Xavier do INPE que explica os resultados atingidos pelo satélite e os próximos passos no programa Sino-Brasileiro.


Quais foram as principais conquistas e aplicações do CBERS 2B nestes dois anos da missão?
Marjorie Xavier - A principal conquista é a ampla distribuição dos dados a cada vez maior número de usuários, desde estudantes e pequenas empresas a órgãos públicos. O Programa CBERS como um todo foi fundamental para popularizar o sensoriamento remoto no Brasil e fomentar o mercado de geoinformação. As informações obtidas com os satélites sino-brasileiros têm ajudado na formulação de políticas públicas em áreas como monitoramento ambiental, desenvolvimento agrícola, planejamento urbano e gerenciamento hídrico, entre outras aplicações. A distribuição gratuita de imagens pela internet, uma iniciativa pioneira do INPE, iniciou com os dados do CBERS-2, em 2004. O Centro de Dados de Sensoriamento Remoto do Inpe distribuiu 349.099 imagens apenas do CBERS-2B.
As imagens contribuiram para a melhora do destamamento na Amazônia. Como ficam os programas Prodes e Deter a partir de agora?
Para o PRODES temos o Landsat-5 (imagens do programa norte-americano Landsat são utilizadas desde o início do Prodes, em 1988, anterior portanto ao lançamento dos satélites CBERS), e do indiano Resourcesat (que o INPE vem recebendo desde o final do ano passado). Adicionalmente, desde 2005 o INPE adquire imagens do consórcio europeu DMC, para prevenir eventuais falhas na cobertura do PRODES. No DETER são utilizadas imagens do sensor MODIS a bordo do satélite norte-americano Terra.
Com o fim da missão, mudam os planos e prazos para a construção e lançamento do CBERS 3?
Não, porque não é possível adiantar o cronograma do CBERS-3, cujo lançamento está previsto para o segundo semestre de 2011. Adiantar significaria realizar menos testes que simulam as condições em órbita, o que poderia comprometer a qualidade do satélite.
Com relação ao orçamento do INPE/MCT seria necessário um emenda ou adicional de recursos para não perdermos capacidade de monitoramento?
O atual orçamento permite a realização do monitoramento com as imagens dos satélites citados acima.
(Gustavo Faleiros)