Retribuindo à natureza PDF Imprimir E-mail
Flávia Velloso e João Teixeira da Costa   
09/12/2005, 20:46
Revolvendo nossas anotações sobre o início de nossa coluna aqui em O Eco nos deparamos com um email de nosso editor propondo que a coluna procurasse histórias sobre business e meio ambiente. Paramos um pouco, buscamos nossas colunas antigas e vimos que pouco cumprimos dessa proposta inicial. Até hoje, depois de muito pesquisarmos e lermos sobre o assunto, ainda não achamos a melhor definição para sustentabilidade, nem mesmo seus parâmetros básicos. Quando falamos de casos de sucesso em termos de atividades sustentáveis, elas deveriam ser sustentáveis economicamente e ambientalmente. Mas sempre nos deparamos com a seguinte pergunta: Há alguma atividade econômica realmente sustentável?

Uma de nossas colunas contou o caso do produtor de carpete americano, que tentava ser ambientalmente sustentável mas cujos resultados econômicos eram desastrosos. Começamos a perceber que estamos em um mundo onde teremos que fazer escolhas e ponderar benefícios e custos. Por exemplo, sabemos que a indústria petrolífera polui e é extrativa. Mas sabemos também que não estamos prontos para viver sem seus derivados. Isso coloca as empresas do setor diante de um dilema. Suas atividades são inerentemente insustentáveis, mas isso não lhes dá o direito de botar para quebrar como se não houvesse amanhã. Pelo contrário: são justamente essas as empresas que deveriam ter um compromisso maior com a busca de maneiras de minimizar o seu impacto ambiental.

No meio deste ano tivemos a oportunidade de visitar as instalações de uma empresa que faz justamente isso: a CBMM, em Araxá, Minas Gerais. A CBMM é uma mineradora que extrai do solo mineiro um metal chamado nióbio, usado principalmente na siderurgia para a produção de determinados tipos de aços especiais. A filosofia da empresa, enunciada na sua cartilha de educação ambiental, é simples: “se a natureza nos dá o nióbio, nada mais justo do que lhe retribuir.” A diferença está na maneira quase obsessiva como a empresa coloca em prática esse princípio.

O cuidado em minimizar o impacto ambiental começa na mina a céu aberto. As camadas de solo superficial, ricas em matéria orgânica mas pobres em minério, são reaproveitadas nas obras da empresa, nos seus jardins e no viveiro de mudas. O piso da mina é constantemente regado para evitar a geração de poeira, e o minério extraído (sem explosivos) é transportado até a área industrial por uma correia transportadora de 3,2 km de extensão. Essa correia elétrica substitui caminhões, com óbvias vantagens ambientais.

A área industrial surpreende pela ausência de sinais externos do que está se passando dentro dos galpões. O processo de concentração do minério (moagem, separação, flotação) normalmente é bastante sujo, assim como é poluidora a atividade metalúrgica, a transformação do minério concentrado em ferro-liga. Mas no caso da CBMM os sinais externos de atividade não estão presentes. Filtros de manga absorvem as emissões atmosféricas, e o material coletado por eles é reaproveitado como matéria-prima. A água utilizada no processo também é reaproveitada.

O processo de concentração do minério sempre gera rejeitos, e nisso a planta da CBMM em Araxá não é exceção. A diferença está na maneira como os rejeitos são tratados. Eles são depositados em uma bacia de contenção de 80 hectares. As sucessivas barragens de rejeitos são impermeabilizadas e o terreno sobre elas é recuperado e reflorestado com espécies nativas do cerrado, oriundas do viveiro de mudas da empresa.

O viveiro, que fornece mudas não apenas para a empresa mas também para a comunidade, é parte do Centro de Desenvolvimento Ambiental da CBMM. O Centro inclui ainda um criadouro conservacionista, onde uma equipe de veterinários procura propiciar a reprodução em cativeiro de espécies do Cerrado ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, a ema e o macaco bugio, entre outros. O espaço serve ainda para atividades de educação ambiental para funcionários da empresa e para estudantes das escolas da região.

Alguns poderiam dizer que a CBMM pode se dar ao luxo de manter um programa ambiental dessa amplitude por ser uma empresa extremamente lucrativa. O argumento, na verdade, é o contrário. São as empresas que poluem que transferem custos para a sociedade, o que deveria ser totalmente inaceitável. O que vimos em Araxá não é um luxo. É, com perdão pela expressão surrada, um exemplo de cidadania corporativa.

* Os colunistas viajaram a convite da CBMM.
Comentários
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Polly-Ana Celina 18/10/2008 19:19:15

Como posso obter o contato desse criadouro em Araxá?
Agradeço
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