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Um professor que promove o diálogo entre ambientalistas e empresários
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| A nova ética do dinheiro |
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| Flávia Velloso e João Teixeira da Costa | |
| 04/08/2004, 15:09 | |
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Num mundo financeiro cada vez mais povoado de gente que cresceu envolvida ou pelo menos mais preocupada com temas sociais, a pergunta tem sido ouvida com incômoda freqüência. Afinal, trata-se de descobrir a melhor maneira de conciliar a salvação da humanidade com o objetivo de ganhar dinheiro. A resposta não é nada fácil. Mas está cada vez mais urgente, na medida em que cresce o interesse por investimentos éticos – universo que inclui, entre outros, os investimentos ambientalmente responsáveis. Para se ter uma idéia do quanto esse tema já faz parte da rotina dos investidores dos países desenvolvidos, basta citar uma notícia recente do New York Times: o banco de investimentos Merrill Lynch acaba de promover um Conference Call com seus clientes para discutir o impacto da mudança climática sobre as principais montadoras de automóveis do mundo. A legislação ambiental deverá afetar de maneira diferente cada uma dessas empresas, com impacto sobre seus resultados financeiros e portanto sobre o preço de suas ações. Para quem investe em ações, os fundamentos do problema são bastante simples. Uma ação nada mais é do que uma fração ideal da propriedade da empresa. Na tradição anglo-saxônica, onde cada ação corresponde a um voto na assembléia de acionistas, nada parece mais natural para o investidor do que exigir que as empresas onde seu capital está investido ajam de maneira condizente com os seus valores. A – extensa – experiência americana pode ajudar a responder essas perguntas. De acordo com o Social Investment Forum, órgão que representa as principais empresas envolvidas na atividade, o investimento socialmente responsável (ISR) atingiu em 2003 o total de US$ 2,164 trilhões, ou seja, 11% do total dos ativos sob gestão profissional naquele país. O Forum inclui neste número todos os investimentos sob gestão profissional que utilizam pelo menos uma das três estratégias de investimento seguintes: seleção (“screening”), ativismo de acionista (“shareholder advocacy”), ou investimentos na comunidade (“community investing”). Responsabilidade ambiental é apenas uma parte da responsabilidade social, mas os critérios propostos pelo forum nos ajudam a afastar os raciocínios simplórios e considerar as diversas maneiras como esses ideais se transformam em práticas. Outro aspecto importante passa por uma análise mais defensiva da situação. Uma das coisas que se deve evitar quando se investe em uma empresa é que ela tenha passivos ocultos, ou que suas atividades tenham risco de criar novos passivos. Um argumento a favor de empresas ambientalmente responsáveis é que a probabilidade dela estar criando problemas ambientais que possam se materializar em custos futuros com processos tende a ser bem menor. E como essas estratégias afetam o desempenho de uma carteira administrada? A resposta não é óbvia. A seleção de papéis por critérios éticos ou sociais pode limitar o universo de investimento onde o administrador de carteiras opera, reduzindo as oportunidades de ganho. No entanto, os estudos citados pelo Social Investment Forum não confirmam essa tese: indicam que não há diferença de performance entre os fundos socialmente responsáveis e outros, resultado que deve ser encarado com muito cuidado, dada a dificuldade de medir corretamente esses efeitos. A tese do ISR ganharia muito se fosse possível argumentar que alguma variante dessa estratégia gera resultados superiores. E existem estudos nessa direção. A consultoria americana Innovest defende que uma empresa alerta para problemas ambientais também estará alerta para outros desafios inesperados e imprevisíveis. Assim, segundo eles, a ecoeficiência seria um indicador de qualidade da gestão, que por sua vez implicaria em retornos superiores.
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