Não se preocupe, estamos aumentando a biodiversidade! Área invadida por Guaranis no Parque Estadual Intervales, em São Paulo. As árvores ao fundo dão uma idéia da floresta que foi destruída. (Foto: Fábio Olmos)

Não se preocupe, estamos aumentando a biodiversidade! Área invadida por Guaranis no Parque Estadual Intervales, em São Paulo. As árvores ao fundo dão uma idéia da floresta que foi destruída. (Foto: Fábio Olmos)

Seja o conhecimento tradicional útil ou não, desde a invenção da escrita há formas muito mais eficientes que a memória humana e a cultura oral para acumular conhecimento, de forma a sobreviver até mesmo à extinção da sociedade que o produziu. Conhecimento é mais bem conservado em livros e HTML (uma linguagem para se produzir páginas Web) do que em unidades de conservação. 

Sugestões de Leitura

O Poema Imperfeito, de Fernando Fernandez

Biodiversidade: a hora decisiva, de Marc J. Dourojeanni e Maria Tereza Jorge Pádua

Requiem for nature, de John Terborgh

A primazia dos cientistas naturais na construção da agenda ambiental contemporânea, de José A. Drummond

The ecologically noble savage debate, de Raymond Hames

Populações de índios, quilombolas, caiçaras e outros “tradicionais” têm se mostrado um desastre para a biodiversidade de áreas protegidas, como facilmente observado em locais como os parques nacionais Monte Pascoal (BA) e Araguaia (TO) e unidades estaduais como Serra do Mar, Intervales, Jacupiranga, Juréia e Ilha do Cardoso, essas todas em São Paulo. Acreditar que mantê-las vivendo “tradicionalmente” nestes espaços é compatível com manter a biodiversidade que deve ser protegida vai contra todas as evidências e me sinto chutando um cachorro morto ao escrever este texto. O problema é que, graças à infinita credulidade humana, o cachorro é um zumbi que ainda morde.

Vinte anos depois da morte de Chico Mendes, a primeira reserva extrativista, que leva seu nome, no Acre, não apenas mostra o fracasso do extrativismo como opção econômica (anunciado 20 anos atrás...), mas pastos crescentes e extinções locais mostram seu fracasso em conservar a biodiversidade que precisa ser conservada. Apesar de todo o dinheiro e esforço ali investidos. 

Em seus 71 anos de existência, o Parque Nacional de Itatiaia (RJ/SP) não deve ter recebido metade do que foi investido na Resex Chico Mendes. Mas, apesar da crônica falta de recursos, da ação de caçadores e palmiteiros e do descaso fundiário, mostra áreas florestadas crescentes e espécies interessantes, que eram raras, se tornando mais comuns.

O contraste entre os resultados das diferentes abordagens de conservação deveria ser suficiente para mostrar o caminho a seguir.

Saiba mais:

Comendo a galinha dos ovos de ouro

Populações humanas em unidades de conservação
O incrível destino do parque Nonoai
A escolha de Chico Mendes

WikiParques, o site dedicado às áreas de preservação brasileiras