King Kong atrai turistas e não balas PDF Imprimir E-mail
26/09/2008, 18:03
A vida dos gorilas das montanhas de Ruanda, na África, não é fácil. Estão ameaçados de extinção por perdas de habitat, doenças (epidemias de Ébola) e por caçadores. Por isso, está sendo comemorado o sucesso de um projeto de ecoturismo que fez com que os habitantes locais passassem de algozes a protetores dos animais.

A iniciativa deu a seu criador, Edwin Sabuhoro, o prêmio Jovem Ambientalista de 2008, concedido pela International Union for Conservation of Nature (IUCN). Ele criou a Rwanda Eco-Tours, cuja posse é 100% comunitária. Conseguiu, assim, criar uma fonte de receita para a população, que reduziu a caça ilegal em 60%. A idéia foi a aplicação de sua tese de mestrado, realizado na Universidade de Kent, na Inglaterra.

Ao contrário da mera proibição da caça, a abordagem de Sabuhoro criou um direito de propriedade comunitário sobre os gorilas, que, antes, eram vistos como recurso comum e fonte de alimentação. É quase lei em Economia que esse tipo de situação leva à extinção ou exaustão de qualquer tipo de vida ou riqueza natural. Com a formação da empresa, os gorilas se tornaram um patrimônio que rende juros.

Na década de 1990, foi implantado um projeto semelhante no Zimbábue, o Campfire (Communal Areas Management Programme for Indigenous Resources).  Ao contrário do mito, animais selvagens são comumente vistos como perigo, problema, comida, ou os três juntos. Elefantes, em particular, adoram pisar em plantações e, às vezes, em gente, com resultados letais.

A iniciativa fez com que a preservação do grande mamífero ganhasse a simpatia dos nativos, cobrando dos estrangeiros pela caça e organizando o ecoturismo. A tentativa anterior, de meramente proibir a caça, tornou-a apenas ilegal, decuplicando o preço do marfim. Tentativas de preservação baseadas somente em políticas de “comando e controle” costumam fracassar se não levarem em conta incentivos locais.

A comunicação do gorila

Voltando ao início, gorilas e chipanzés são os primatas mais parecidos com o Homem. Curiosamente, os primeiros são classificados em duas espécies - Oriental e Ocidental. Vivem entre 40 e 50 anos. Sua altura pode chegar a mais de um metro e oitenta e o peso a 250 quilos. Mesmo com todo esse tamanho, são herbívoros, e, como é preciso um bocado de vegetais para sustentar um corpo desses, passam a maior parte do tempo se alimentando. Habitam algumas poucas áreas da África. Uma parte vive na planície e outra na região montanhosa conhecida como Vulcões de Virunga, que bordeja meia dúzia de países.

No entanto, os gorilas das montanhas só resistem em áreas do Congo, Uganda e Ruanda. Lá foi morta, por humanos, a pesquisadora Dian Fossey, precursora e ícone da proteção dos gorilas. São bastante inteligentes. Já foram vistos usando gravetos para medir a profundidade de um lago (antes de atravessá-lo), pedaços de madeira como ponte e pedras para quebrar nozes. Também costumam ser tímidos e, a não ser quando acuados, fogem quando esbarram com humanos.

A mais famosa das gorilas é Koko, de 35 anos, domesticada e treinada por Penny Patterson, uma loiríssima pesquisadora americana. Consta que o relacionamento de três décadas entre as duas é o maior estudo já conduzido de comunicação entre espécies. Koko se expressa por mais de cem sinais na linguagem de surdo-mudo e atende a um vocabulário em inglês ainda mais extenso. Confira vídeo aqui.

Assim, fica demonstrado, King Kong é bonachão, amigável e vegetariano. Até gosta de louras, para amizade, mas os machos preferem mulheres peludas de mais de 100 quilos. Vaidoso, em vez de briga, prefere ser admirado.

Comentários
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Turismo e conservação: chave, com cuidado.
Lúcio Santos 30/09/2008 12:41:38

Excelente matéria! Acredito ser o turismo, desde que planejado com extremo
cuidado e diretrizes técnicas, a chave para a conservação. Os métodos
proibitivos levam a exemplos como a Floresta Amazônica, que vemos em guerra,
com os recursos protegidos cada vez mais valorizados no mercado. No Parque
Nacional de Jericoacoara estamos tentando estabelecer um turismo de observação
de fauna com o cavalo-marinho: espécie sobrexplotada, ganhando a população
local como aliada na conservação da espécie.
Gente?
bh 01/10/2008 07:47:38

Adoro ler seus artigos.Sempre falam de assuntos interessantes. Uns do dia a dia,
outros ném tanto, mas sempre muito inteligentes e perspicazes.
Só não
entendo como as pessoas se sensibilizam tanto com propagandas em defeza dos
animais, florestas, rios e lagos ( não que eu não ache importate)e passam
quase por cima dos mendigos aldultos e crianças que dormem pelas ruas da
cidade.
crocodilos
robson 17/10/2008 20:41:10

eu queria saber sobre os ataques em burundi de um certo croc. gustave desde o
ano de 1909 e não conseguir nada,vocês esconde isso por causa dos turistas è?
ataques em burundi
wolverine 17/10/2008 20:46:26

vocês esconderam por muito tempo essa historia de um crocodilo
gigante(gustave)é verdade isso? de 1909 até agora ñ se sabe se ele existe
mais,favor mim mandem um i-mail sobre esse assunto tá obrigado.
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