Esperança ou decepção em Copenhague? PDF Imprimir E-mail
Paulo Moutinho*   
02/12/2009, 14:18
         

Como funciona o Debate (((o))) eco:  A partir do artigo abaixo , leitores e pesquisadores são convidados a apresentar seu ponto de vista. A submissão dos pontos de vista pode ser feita pela ferramenta de comentários, os editores de O Eco vão destacar em um quadro abaixo trechos das opiniões. O colunista convidado vai então debater, enviar respostas e pode ao fim do período de debate escrever um artigo-resposta. Os comentários estarão abertos durante uma semana, até a próxima quarta, dia 09 de dezembro.

O primeiro convidado do Debate (((o))) eco é

 
Paulo Moutinho
Coordenador de Pesquisas do Programa de Mudanças Climáticas do IPAM – Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia 

A expectativa mundial sobre a 15º Conferência da Partes (COP15) da Convenção Quadro da ONU sobre Mudança Climática que será realizada em poucos dias em Copenhagen, Dinamarca, tem sido um misto de esperança e decepção pré-anunciada. Por um lado, a velha e sincera esperança por um mundo melhor é depositada sobre um possível acordo duradouro e efetivo que reduza as emissões globais de gases que aquecem o planeta, brindando as próximas gerações com um pouco de responsabilidade e respeito. Por outro, a não menos velha desconfiança de que, por mais que expressem, os países não superarão suas diferenças e a defesa de seus próprios interesses, sejam estes nacionais ou políticos. A opinião da sociedade, nestes casos, muitas vezes é o que menos importa.

Mas, então, o que esperar de Copenhagen, além do já não tão frio inverno nórdico? Particularmente, acredito na esperança. Na responsabilidade e respeito com aqueles que nos sucederão. Digo isto por alguns motivos básicos, em relação aos quais o Brasil e a sociedade brasileira têm um papel importante. Primeiro, o sentido de urgência hoje é muito maior do que aquele no passado e que permeou a negociação do Protocolo de Quioto. As evidências dos impactos climáticos, especialmente sobre as economias dos países são muito mais fortes agora.

Em 2006, Nicholas Stern já anunciava uma potencial perda de muitos trilhões de dólares na economia mundial se ficássemos de braços cruzados sobre o assunto. Estudo recente, estimou que o Brasil perderá 2 trilhões de dólares até 2050 com os impactos econômicos da mudança climática sobre a agricultura, florestas e energia se seguirmos com a mesma trajetória de desenvolvimento carbono-intensiva e demandadora de desmatamento. Se servir de consolo, o mundo gastou vários trilhões para conter a recente crise financeira, mostrando que se quisermos combater a mudança do clima dinheiro pode não ser um problema intransponível.

Fico mais crente na esperança em Copenhagen ao ver os recentes posicionamentos dos países sobre os esforços de redução de emissões e o Brasil teve um papel importante neste caso. O país sempre encarou com reservas a questão de metas de redução de emissões para países em desenvolvimento, mas foi capaz de dar um salto e estabelecer uma meta para o desmatamento (80% de redução abaixo de uma média histórica – 19 500 km2 - até 2020), e, em seguida, uma meta nacional (aprox. 35-40% de redução sobre as emissões projetadas para 2020; em outras palavras, entre 15-17% abaixo das emissões de 2005).

Mesmo que voluntária e ainda insuficiente (poderíamos fazer muito mais), a meta brasileira tem um potencial enorme de mudar o curso das negociações internacionais em Copenhagen. Pela primeira vez um país em desenvolvimento e grande emissor assume um discurso que poderá derrubar o principal argumento dos países ricos para não fazerem mais do que já estão fazendo: que os países em desenvolvimento não querem assumir compromissos mais sérios de redução de emissões. Nos últimos anos, o Brasil já vinha dando sinais de mudança em sua posição sobre como tratar as emissões de carbono oriundas do desmatamento. O lançamento do Fundo Amazônia, que teve apoio inicial do governo Norueguês, é uma amostra desta mudança. Coincidência ou não, a reversão de posição conjunta da anunciada intenção americana e chinesa de expressar em Copenhagen somente pretensões políticas de redução pode ter sido um resultado do constrangimento provocado por iniciativas como as do Brasil que, sem ser obrigatório, assumiu metas voluntárias.

Ambos os países acabaram de anunciar suas metas. Tímidas ainda, mas anunciaram algo quantitativo. É também interessante notar a timidez e a cautela com que os governos apresentam quando o assunto são as metas de redução de emissões. O medo de que reduzir emissões levará a uma redução de crescimento econômico é evidente. Não foi diferente no Brasil. A discussão sobre as metas brasileiras sobre o quanto o país poderia reduzir de emissões mostrou o receio do governo de que as metas anunciadas prejudicariam o crescimento do PIB.

Aparentemente, a falsa ideia de que não será possível crescer economicamente no futuro a não ser através do atual modelo carbono (fóssil) intensivo ainda é arraigada nos governantes. Assume-se que, para crescer, muito óleo terá que ser ainda queimado. Desconsidera-se totalmente o fato de que um crescimento econômico futuro vigoroso num mundo aquecido, se dará em países que tomarem as decisões certas hoje: conservação de florestas (grandes armazéns de carbono e biodiversidade), desenvolvimento tecnológico de energias limpas e renováveis, uma indústria e agricultura sustentáveis e ambientalmente amigáveis e um destino mais nobre ao petróleo. Esquecem-se ainda que decisões em favor da conservação das florestas brasileiras, da redução do desmatamento, combinado com a redução de emissões de outros setores (transporte e energia) representa um tipo de poupança ou investimento de longo prazo.

Aquilo que parece ter um custo econômico elevado hoje representa prevenção de grandes prejuízos econômicos no futuro, advindos da mudança do clima. Basta dizer que a conservação da Amazônia, por exemplo, representará na prevenção de bilhões de dólares em prejuízos para o Brasil e para o mundo como um todo. O que quero dizer é que parte significativa do crescimento futuro do PIB do Brasil poderá ser resultante da uma economia de baixo carbono que decidirmos implementar hoje. Em Copenhagen estarão sendo debatidos os mecanismos de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação florestal (o tal REDD), do qual o Brasil poderá se beneficiar economicamente. Com metas e aproveitando bem o que o REDD poderá oferecer em termos de compensação pelos esforços de redução do desmatamento, o Brasil poderá entrar na nova década na van- guarda da economia de baixo carbono. Só depende de nós brasileiros.

Comentários
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Ano base
Bruno Maciel 02/12/2009 15:32:37

Prezado Paulo,
Parabéns pelo artigo. Mais que uma opinião, o que segue é uma
dúvida. Estávamos acostumados a usar o ano de 1990 como referência para a
redução de emissões. Agora, no entanto, leio notícias falando em metas de
redução utilizando diversos períodos diferentes como “base”. Isso não
leva à confusão? Não tem gente se iludindo (e tentando iludir os outros) com
isso? Como saber se as metas anunciadas são realmente suficientes?
Aparentemente não são. E se não são, por que ficamos aparentemente
satisfeitos?
Exemplar de Irracionalidade
Tainá Khalarje 02/12/2009 20:21:21

Paulo,
Compartilho da suas colocações. Diante do quadro, pelo menos
desesperador em que vivemos. Sim, porque se faz pouco caso de tudo. Sou da
Amazônia, sou do Pará. E vejo rios agonizarem todos os dias, peixes sumirem,
pássaros afogados em lixos e cada vez mais bois e buracos para extração de
minérios. E pergunto: Como somos incapazes de substituir as fontes de energia?
Pra quê precisamos da insana hidrelétrica de Belo Monte? Será que devemos
dis****r medalha de campeões da irracionalidade com o meio ambiente? Vejo a
floresta virar deserto e sabemos que de quase nada adiantará mais uma
conferência internacional se cada um de nós, individualmente tomarmos medidas
básicas que começam em separar o lixo, apagar uma lâmpada. Será que é mais
difícil reduzir emissões de gases poluentes do que cuidar dos milhões de
convalenscentes que sofrem por causa da poluição? É mais difícil reduzir os
gases do que diminuir os bolsões de miséria e a prostituição infantil nas
zonas industriais? Qual é o nosso maior lucro?
conferencia copenhagen
laercyo 02/12/2009 20:49:19

Olá pessoal seguinte , concordo com último depoimento, mas resaltando que
acho que eles devem descutir sim sobre fome na Africa,desigualdade social,
lembrando que o empregos dos ambientalista depende disso de "crise",sou
contra essa babozeira .Eles nunca deixaram de produzir não vai ser agora no
século XXI que vão parar...
Erro de rota
Tarcisio José D'Avila 03/12/2009 08:27:28

Caro articulista.
Não lhe passou pela cabeça que esta indecisão pode ser
fruto de um erro de rota?
Minha pesquisa indica que o problema não está no
CO2 e sim na falta de agua para evaporar, no nosso solo.
Estou fasendo uma
campanha pela internet, de chamada de atenção para este fato:
A agua é um
fator 100 vezes mais importante do que a soma de todos os gases de efeito estufa
nas mudanças climaticas.
http://www.scam.com.br/tjdavila/solo/ Agua.htm
Ampliar o debate
Jean Piere Leroy 03/12/2009 09:00:41

Caro Paulo
Sem você, com a sua competência e seriedade, o debate sobre clima
(e Amazônia)seria bem mais pobre. Tenho divergências, mas você me obriga a
aprofundar mais minha reflexão. Que bom! Você aposta muits fichas nas COPs,
agore em Copenhague. Não seria interessante mostrar as várias frentes de
batalha? Começamos a ler comentários que, independentemente desse processo,
não faltam iniciativas que até (segundo certas falas) poderiam dispensar
Copenhague e os seguimentos que vão ser sinalizados lá. Com ou sem Copenhague,
governos e empresas avançam.
Economia de baixo carbono ou, como fala o campo
reunido ao redor da Marina, economia verde, tudo bem. Dentro dos marcos dessa
al e onomia, concordo c om você: pode trazer crescimento, empregos, etc. Mas
parece-me totalmente insuficiente: a) cada setor econômico vai continuar com a
sua lógica setorial (economia de carbono, sim, mas não é comigo a questão do
desaparecimento da biodiversidade; carros verdes, mas nada sobre outros modelos
de transport, etc.); b)não se questiona seriamente o mercado mundial quando
deveeriamos voltar ao encurtamento dos circuitos de produção e consumo (e com
isso à criação de mais empregos locais);c)não se questiona o âmago da
empresa capitalista: a sua necessidade de lucro crescente e de satisfação dos
seus acionistas. De onde uma incessante busca de novos produtos e com isso de
mais consumo de recursos nturais.
Parec e-me que somos carentes de ua
renovação da discussão sobre o desenvolvimento, mesmo com os esforços do
Ignacy Sach, Zé Eli da Veiga, etc. a meio caminho.
Em Copenhague, você e
muitos outros estão batalhando dentro. Acho que vale a pena lembrar que,
complementariamente, haverá um forte pressão social exercida fora. Pela
pequena experiência que tenho, suponho que haverá muito mais empresários e
lobistas na delegação brasileira do que pessoas da sociedade civil e essas
pessoas não correspondem a todo o espectro. Assim, e bom dar atenção ao que
vai acontecer fora, não é?
Também onsidero o Plano e as metas brasileiras
um anvanço. No entanto, no chão, não vheo muitos aqvanços, até recuos: do
executivo: licençamnto ambiental, BR 163 e outras, Belo Monte, cerrados do
Piaui, Pantanal; os empredndimento da X em Conceição do Mato Dentro e seu
mineraloduto; do legislativo federal e da sua inefável bancada ruralista com a
cumplicidade de boa parte do resto...
Às entidades que lidam com direitos
humanos e com populações e organizações de base, chegam todo dia denúncias
e gritos de socorro. Desde já, são e serão as grandes ítimas dasmudanças
climáticas. Como fazerpaa que sejam atores neste debate e possam participar das
decisões a serem tomadas. Pois duvido que governo, partidos, empresários,
academia e ONGs possam falar em seu nome. As críticas que fiz ao Fórum
Amazônia ustentável iam nesse sentido: par sentarmos juntos, precisa que o
lado mais fraco tenha a oportunidade de refeltir por si mesma, construir suas
propostas e decisões.
Paulo, sucesso em Copenhague para todos
nós
Abraço
Jean Pierre
ampliando o debate 2
Jean Pierre Leroy 03/12/2009 09:09:38

aulo
Você fala de compensações. Você sabe que muito movimentos e ONGs de
outros paises questionam, e eu cm eles. Não dá paa aceitar qu MDLs e REDD
lhes permitem continuar fazer menos que deveriam fazer e frear assim as
mudanças nas exigências e nos seus processos de produção.
Outra coisa que
teriamos que discutir melhor: REDD não vai seguir o mesmo caminho dos MDLs?
Viável somente para empresas, deixando de lado os pequnos produtores e
extrativistas, a não ser os que terão a chance de ser pilotaos por fortes
ONGs?
A CONFIANÇA. É A ULTIMA QUE MORRE.
Carlos Henrique Sampaio 03/12/2009 13:22:58

Plano de ações estratégicas e integradas de gestão e educação ambiental
para o desenvolvimento e uso sustentavel para conter o avanço polucional
deveria ser discutidos objetivando um controle de natalidade evitando as
ocupações desordenadas de todos biomas existentes no planeta.
Comentário de Bruno Maciel
Paulo Moutinho 03/12/2009 14:41:02

Bruno. Grato por seu comentário. Sobre sua dúvida, você tem razão. Leva sim
a uma confusão. Muitos estão utilizando o ano base de 2005. Outros, como China
e Índia, propõem um cálculo diferente, baseando-o na intensidade de carbono,
isto é, reduzir a quantidade de carbono emitida para gerar uma unidade do PIB.
Já o Brasil utiliza na sua meta nacional um cenário de emissão futura (para
2020), ou seja, calcula o que emitiríamos em 2020, se não fizéssemos nada, e
diz que fará uma redução (entre 25-40%) abaixo desta projeção. Bem, em
alguns casos você pode fazer uma conta simples e ver o quanto um país promete
de redução tomando como base o ano de referencia do protocolo de Kyoto (1990).
Por exemplo, os EUA estão pensando como meta uma redução de 17% abaixo das
emissões de 2005. Isto dá por volta de 3% abaixo de 1990. O Brasil com sua
meta baseada no futuro está prometendo uma redução entre 15-17% de redução
abaixo de 2005, mas representa um aumento de emissões se usamos 1990 como
referência. Já a China e Índia fazem uma meta “pegadinha”, pois o que
eles propõem não é reduzir as emissões absolutas, mas sim produzir o mesmo
ou mais com menos carbono. Até aí tudo bem, mas digamos que o setor de
serviços da China, que tem uma contribuição grande para o crescimento do PIB,
mas que emite pouco carbono, aumentasse ainda mais a sua contribuição nos
próximos anos. O resultado seria, nesta relação de PIB/CO2, uma
“redução” sem que houvesse uma redução nas emissões absolutas, que é o
que o planeta precisa. Acho que para ficarmos satisfeitos, é preciso ter mais
clareza no estabelecimentos de metas e nem sempre os governos querem fazer isto.
Resposta ao Comentário de Tainá Khalarje
Paulo Moutinho 03/12/2009 14:49:44

Cara Taniá. Pois é, parece mesmo tudo muito irracional. Não queremos ter
custos hoje com os cuidados com o meio ambiente com as nossas mazelas sociais,
achando que tudo ficará bem em algum momento lá na frente. Ledo engano. O que
parece hoje custo (por exemplo, fazer uma hidrelétrica seguindo todos os
requisitos e os cuidados ambientais ou mesmo não fazê-la), amanhã resultará
em benefícios (menos problemas socioambientais) e redução de prejuízos (por
exemplo, uma hidrelétrica que não funciona, pois não há água de chuva
suficiente para encher o seu lago). Acho que com a mudança do clima é o mesmo.
Sabemos que podemos agir agora para reduzir os prejuízos futuros e mais gastos
com adaptação aos problemas que estão por vir, mas não o fazemos, pois hoje
o custo destas ações parece enorme. Enquanto agirmos assim, será difícil
avançarmos.
Resposta ao Comentário de Laercyo
Paulo Moutinho 03/12/2009 14:53:15

Caro Laercyo, acho que há espaço para continuar produzindo como antes, mas sob
uma nova lógica econômica. Uma lógica que demanda menos desmatamento e queima
de combustíveis fósseis. Quem acreditar que isto é possível, sairá na
frente e se dará bem num mundo mais aquecido.
Resposta a Tarcisio José D'Avila
Paulo Moutinho 03/12/2009 14:56:44

Tarcisio, concordo com você que água é um componente super importante nesta
conta. Não há, contudo, como dissociar água de mudanças climática. Se temos
problemas com água hoje, num mundo sob os efeitos da mudança climática estes
problemas serão ainda maiores. Temos que ver o sistema de modo integrado e
água é uma das partes da engrenagem planetária.
Resposta ao Comentário do Prof. Jean Pierre Leroy
Paulo Moutinho 03/12/2009 16:01:50

Caro amigo Jean. É uma satisfação ler suas considerações, estas, como
sempre, muito pertinentes. Certamente o grande gargalo para que obtenhamos mais
sucesso na luta contra o aquecimento global é a falta de amplificação do
debate. As vezes sinto que estamos numa torre de babel com cada andar ocupado
por um setor da sociedade ou por um governo e que não há comunicação entre
os andares. É por isto que eu e o pessoal no IPAM há mais de 10 anos tenta
promover o debate sobre mudança do clima entre povos da floresta, tomadores de
decisão, governos, etc. Há sempre o mito de que o tema da mudança climática
é complexo. Coisa só para especialista. O que não é verdade. Você tem
razão. Estou esperançoso com a COP em Copenhagen, embora não deixando de
considerar os riscos de nada dar certo. Como você sabe desde 1998 eu acompanho
cada uma das conferencias de clima. Vi nascer o protocolo de Kyot, nós tivemos
uma participação efetiva na a inclusão das florestas tropicais nas
negociações, coisa que Kyoto não fez, e acompanhamos, desde 2000, nossos
parceiros indígenas, pequenos produtores e seringueiros nestas Conferências
para que possam ter mais voz nesta arena mundial. Aliás, vários deles estão
indo conosco agora na COP15. É desta forma que achamos que podemos mostrar as
“várias frentes de batalha”. Você tem razão que há outras ações que
visam dispensar Copenhagen, poderíamos citar algumas delas num próximo artigo,
mas eu realmente acredito que a ONU pode ser, não o único é claro, mas um
importante espaço para se fazer um grande acordo sobre clima e colocar para o
mundo o que setores da sociedade mundial pensam sobre o assunto. Certamente, com
ou sem Copenhagen os governos e as empresas continuam avançando, mas sem
Copenhagen não teriam resistência nenhuma. Vi nestes anos de participação
nas COPs mudanças importantes de postura de governos por simples pressão
popular feita durante os eventos. Participamos, nós brasileiros, em vários
destes momentos. As mudanças podem ser lentas, mas acontecem. O que me deixa
preocupado é que não temos muito mais tempo. Sobre a economia de baixo
carbono, ou ela acontece ou estaremos encrencados. É simples assim. Os
prejuízos para setores que hoje seguem a lógica econômica vigente serão
enormes no futuro. Acho que o consumidor tem um papel importante. O que a
mudança climática difere dos outros problemas ambientais é que ela atingirá
nosso quintal. Os problemas atuais como as tempestades e tornados no sul do
Brasil podem ser constantes e mais intensos, caso se confirme as previsões dos
cientistas. Não se trata de algo que não vemos ou que está longe de nossas
famílias. É cada vez mais perceptível. Assim, pela experiência de “gato
escaldado”, podemos ter uma chance de mudar o rumo da lógica econômica
atual. O mercado mundial está ou ficará sob cheque. É preciso entender que os
recursos do planeta são finitos. O planeta é finito. É claro que relações
de mercado terão que ser reavaliadas e redimensinadas. Acredito que esta
mudança será no sentido de produzir mais, com menos custos socioambientais e
menor emissão, além de manter a habitabilidade do planeta. Concordo plenamente
com você que deve haver uma renovação na discussão do desenvolvimento. De
maneira simples, é necessário parar com a confusão de que crescimento
econômico é sinônimo de desenvolvimento. Se não reordenarmos o consumo, não
vai dar certo. Você também tem razão de que devemos também dar “atenção
ao que vai acontecer fora” de Copenhagen. Estamos fazendo isto, embora este
não tenha sido o tema de meu artigo. Agora, em Copenhagen, o que queremos é
trazer o que acontece fora para dentro da conferência. Por isto estamos
viabilizando a participação do movimento social brasileiro na COP. Exatamente
para fazer contraponto ao lobby empresarial. Sobre o plano de metas e o que
realmente acontece no chão, este é um problema crônico da política do
governo. Enquanto tivermos um ministério (meio ambiente) dizendo que temos que
estabelecer meta de redução de desmatamento e outro (agricultura) que devemos
acabar de vez com a reserva legal (isto tudo acompanhado por ações no
Congresso), vai ser difícil promover avanços no chão. No entanto, nosso papel
é de pressionar as autoridades e chamá-las a responsabilidade. O anúncio das
metas brasileiras pode ser uma oportunidade única do governo brasileiro em
comandar um processo rumo ao desenvolvimento sustentável e não só na
Amazônia. Este é nosso papel fundamental como sociedade em Copenhagen. Você
tem toda razão quando diz que os maiores afetados serão aqueles que terão
menos condições para enfrentar a mudança climática. Populações indígenas
e povos tradicionais da Amazônia, por exemplo, estão numa situação paradoxal
frente às alterações do clima: desempenham um papel importante na
conservação de grandes áreas de floresta e, assim, contribuem enormemente
para o equilíbrio do clima, mas são aqueles mais vulneráveis às mudanças
que estão por vir. Precisam de ajuda e respeito total de seus direitos para que
possam seguir prestando um papel importante que é manter a floresta
funcionando, ao mesmo tempo, que saem o estado de abandono em que se encontram.
No caso da mudança do clima, como fazer então para estes atores participarem
das decisões? Acho que o primeiro passo é que eles tenham oportunidade de
debater sobre o assunto, tendo acesso a informações técnicas sobre a mudança
climática. É isto que estamos tentando fazer. E isto tem que ser feito com
cuidado, pois não se pode impor visões externas sobre o que devem ou não
fazer. Terá que ser uma conclusão e decisão autônoma destas populações. O
segundo passo é exigir o devido reconhecimento ao papel que exercem na
conservação florestal e respeito aos seus direitos e aos seus territórios e
propriedades. Devem também apresentar um plano que os capacitem a enfrentar os
problemas e que seja a base para uma política de incentivos. No contexto do
clima e amazônico se os movimentos de base não forem incluídos nesta
discussão, nós não teremos como viabilizar nada que resulte em redução de
emissões por desmatamento e, a conseqüência, é mais sofrimento do que aquele
que registramos hoje. São eles que têm a faca e o queijo na mão. Forte
abraço.
• Resposta ao Comentário do Prof. Jean Pierre Lero
Paulo Moutinho 03/12/2009 16:22:01

Caro Jean, você levanta um ponto importante. O que eu diria é o seguinte.
Primeiro: REDD ou o MDL são mecanismos que não devem ameaçar jamais a
exigência básica da Convenção do Clima de que a maior parte da redução das
emissões globais seja realizada pelos países ricos e dentro de seus
territórios. Segundo: não se pode considerar pura e simplesmente que reduzir
emissões no caso do REDD (redução de emissões de desmatamento e degradação
florestal) ou seqüestrar carbono, no caso do MDL florestal, representa, por si
só, desenvolvimento sustentável ou promoção de justiça e desenvolvimento
social. Vou falar mais do REDD, pois é sobre o qual eu tenho um pouco mais de
experiência. Temos que trabalhar para o REDD seja um instrumento de crescimento
socioambiental e que beneficie amplamente aqueles que fazem esforços para
redução de desmatamento e conservação florestal. Portanto, nada do REDD
dará certo se este princípio básico não for atendido. Ainda, considero que
REDD representa uma oportunidade para que tenhamos um mecanismo mundial para dar
valor a floresta e trazer benefícios (que necessariamente não tenham que ser
só compensações) para os chamados “povos da floresta” e pequenos
produtores. Isto porque REDD pode mudar a tal lógica econômica vigente de que
estávamos falando no outro comentário. Há uma série de riscos com REDD, mas
que podem ser contornados se houver uma participação efetiva daqueles que
podem se beneficiar do mecanismo. Neste sentido, minha instituição tem
trabalhado com organizações de base para que este entendimento sobre REDD
avance, incluindo aí os riscos existentes, alguns deles muito bem apontados por
você. O que diz o IPCC é que precisamos acabar com as emissões por
desmatamento para evitarmos as intervenções perigosas no clima do planeta.
Não bastará só reduzir a queima de combustíveis fósseis. Se isto é
verdade, o esforço de manter grandes extensões de floresta deve ser
reconhecido e aqueles que exercem, de um modo ou de outro, este papel devem ser
beneficiados. É isto que eu espero do REDD. Agora, você toca num ponto
crucial. Como distribuir estes benefícios? Se não for a maior parte para
aqueles que estão lá na ponta, nada dará certo. Estamos levando para COP
algumas propostas neste sentido. Abraços
CO2?
Marcos 03/12/2009 18:50:49

Olá Pessoal! Parabéns pelos argumentos. Estamos vendo que ainda há
divergências em alguns aspectos. O que gostaria de colocar é que até hoje
não está nada provado de que o CO2 é responsável pelas mudanças
climáticas. O que pode estar acontecendo é que a maneira que degradamos o meio
ambiente através da extração do petróleo, carvão mineral, etc e também
jogando esgoto em rios, desflorestando paisagens e causando erosão, esses sim
são os problemas e que podem ser resolvidos localmente, como as formigas fazem.
Se cada um fizer a sua parte o mundo pode melhorar. Mas enquanto se ficar
discutindo metas de redução e créditos de sei lá o que (apenas usando
oportunidades para se criar mercados e consequentemente enrriquecer) o mundo
continuará nesse caminho imprevisível em que ruma.
Muito Obrigado.
Resposta ao comentário do Marcos
Paulo Moutinho 04/12/2009 07:30:00

Marcos, obrigado pela sua sinceridade e pontos importantes. Acho que tudo que
você citou como fontes de degradação ajuda no processo de alteração do
ambiente. Contudo, tenho que discodar de você quanto a falta de evidencias de
que o CO2 não é responsável pelo que está acontecendo. Acho muito pouco
provável que os 3000 cientistas reunidos no IPCC que incluem os melhores
cientista do Brasil estão todos equivocados. Ciência é ciência. Há
incertezas é claro, mas as evidencias são muito fortes. O que os modelos
climáticas estão prevendo está cada vez mais sendo confirmados pelos eventos
que estão ocorrendo. As análises de ar pré-histórico (armazenados em bolhas
de ar em gelo profundo) e análises de aumento de temperatura remotas, realmente
mostram uma oscilação natural do CO2 e temperatura. Mais CO2 maior a
temperatura. Acontece que da revolução industrial para cá, a concentração
de CO2 é tão alta que não há registro desta concentração nos últimos 160
mil anos. Espera-se, como no passado, que a temperatura responda a este aumento
de CO2. Ignorar isto tudo pode trazer um risco muito grande. Se tiver um
tempinho vá até http://www.climaedesmatamento.org.br/biblioteca/li vro/id/170.
tem uma publicacao lá que pode ajuda no nosso debate. Abraços
Obrigado
Marcos 04/12/2009 08:51:33

Obrigado Paulo pela sua resposta. Tenho certeza que você e a instituição que
você representa são uma das muitas vertentes do bem que estão lutando para um
melhor futuro do planeta e das florestas. Obrigado pelo artigo sugerido.
Gostaria também de indicar a quem quiser para ler um livro que é resultado de
uma tese de doutorado,
apresentada em 2008 ao Programa de Pós-Graduação em
Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). O título do livro é:
Ecopolítica das
Mudanças Climáticas o IPCC e o Ecologismo dos Pobres. Eu não
me lembro o link desse livro mas acho que se colocar no google ele aparece.
Muito Obrigado. Abraços.
A esperança é a última que morre
Crisomar Lobato 04/12/2009 14:02:20

Participamos ativamente da Rio-92,acredito que 152 países enviaram delegações
represtativas. Acreditamos no protocolo de KIOTO, que não foi reconhecido pelos
Estados Unidos, e acabou sem contribuição positiva para o meio ambiente. Ao
longo de 35 anos de trabalhos pela proteção e criação de Unidades de
Conservação no Pará, convivendo com secas e cheias com baixos (1%) e altos
(18%) índices de desmatamento, a dificuldade de entender REDD, LDO, e outras
siglas do gênero, para que a população da Amazônia, principal interessada na
questão, possa participar do debate de forma ativa, e não ficar somente
observando as "estrelas" intergaláticas desfilando em Copenhagen.
Sinceramente, estou muito pessimista em relação as metas, a posição sempre
unilateral dos Estados Unidos, com a China, e principalmente com alguns
convidades da ONU. O OBAMA ganhou o prêmio Nobel da Paz e está mandando 30.000
soldados para o Afganistão,dá para acreditar?
Senhoras e Senhores, a
"Esperança é a Última que Morre".
Possibilidades
leticia 04/12/2009 18:57:01

Todas as opiniões interessantes! nos informam,e nos fazem pensar.
Acredito sim
em resultados em copenhagen. Lógico que não podemos esperar resolver de uma
só vez todos os pontos em discussão. Porem é fato que a COP15 é mais uma
ferramenta que pode ser usada para que os países envolvidos tenham compromisso
entre si, que vão das metas nas emissões do CO2 a mecanismos possíveis pata
atingi-los. Temos que continuar pensando localmente. Porem pensar globalmente é
fundamental, porque temos que ter em mente que os efeitos naturais, entre eles o
climáticos, não tem fronteiras. E sem dúvida a questão de sustentação
econômica futura que levará os países de vanguarda a tomarem para si essa
transição, que não é fácil, mas é necessária. Mudança que se dará, que
queiram ou não. Única coisa a ser decidida, é como, e quais os países que
serão os protagonistas fundamentais. Nesse processo a oportunidade está aí
pra todos,(os países que tem tecnologia e os países que possuírem reservas
naturais ) e será imprescindível que todos participem. Muito diferente da
época da Revolução Industrial onde os donos do capital monopolizaram a
economia, e começaram essa degradação ambiental de forma desenfreada.
Este
parágrafo do texto de Paulo que transcrevo logo abaixo fecha bem com o que
penso:

Aparentemente, a falsa ideia de que não será possível crescer
economicamente no futuro a não ser através do atual modelo carbono (fóssil)
intensivo ainda é arraigada nos governantes. Assume-se que, para crescer, muito
óleo terá que ser ainda queimado. Desconsidera-se totalmente o fato de que um
crescimento econômico futuro vigoroso num mundo aquecido, se dará em países
que tomarem as decisões certas hoje: conservação de florestas (grandes
armazéns de carbono e biodiversidade), desenvolvimento tecnológico de energias
limpas e renováveis, uma indústria e agricultura sustentáveis e
ambientalmente amigáveis e um destino mais nobre ao petróleo.
...Aquilo que
parece ter um custo econômico elevado hoje representa prevenção de grandes
prejuízos econômicos no futuro, advindos da mudança do clima. Basta dizer que
a conservação da Amazônia, por exemplo, representará na prevenção de
bilhões de dólares em prejuízos para o Brasil e para o mundo como um todo...
Resposta a Crisomar Lobato
Paulo Moutinho 04/12/2009 20:55:04

Caro Crisomar. Pois é, é difícil acreditar, mas acho que a esperança deve
ser mesmo a última a morrer. Você tem razão em vários pontos que coloca, mas
fico pensando qual a alternativa se não tentar acreditar que podemos fazer algo
e mudar os rumos das coisas. Como disse em outros comentários, participo desde
98 das COPs. Vi muita coisa não andar, vi muito descaso, mas também vi muita
mudança. O próprio REDD é uma mudança grande. Como você sabe o Protocolo de
Kyoto não tem nenhum mecanismo para tratar das emissões oriundas do
desmatamento tropical. Nós lutamos muito para que as florestas entrassem nesta
conta, pois não fazia sentido deixar de fora das negociações 20% das
emissões globais. Conseguimos, com uma proposta nossa, de Brasileiros, que o
REDD se tornasse uma realidade. Estamos agora não somente trabalhando com as
lideranças do povo amazônico, mas também com aqueles que estão lá no meio
do mato em suas comunidades. Indígenas discutem REDD hoje na Amazônia. É
impressionante a evolução. Especialmente se consideramos que há 4 anos seria
impossível falar com o governo brasileiro de metas de redução. Eu mesmo fui
acusado de terrorista ambiental por querer incluir as emissões de desmatamento
na conta do clima. Hoje é tudo diferente. Eu, realmente não perdi a
esperança, e olha que não faltou motivo para isto.
Resposta ao comentário de Letícia
Paulo Moutinho 04/12/2009 20:58:24

Letícia. Você me dá esperança.
Será mesmo que podemos ter esperança?
Yasmim Borges 09/12/2009 14:46:25

Prezado Paulo,estou com 17 anos e desde que nasci(no mesmo ano da ECO-92)escuto
falar sobre aquecimento global,Protocolo de Kioto,da necessidade de cuidar do
planeta e de reduzir as emissões de CO2...Mas o que realmente foi feito?As
cobranças da mídia sobre os líders mundiais são expressivas porém ela
continua incentivando o consumismo excessivo,uma parcela da população está
consciente sobre os seus deveres mas a grande massa continua alienada,até mesmo
nos países desenvolvidos.Acredito que para mudar as atitudes da sociedade
frente as mudanças climáticas é preciso primeiro educar os cidadãos.Apenas
com a mudança na mentalidade da população,os líderes mundias irão se sentir
obrigados a mudar suas posições em relação à
sustentabilidade.Pois"Apenas quando for cortada a última árvore e pescado
o último peixe,é que o homem verá que não pode comer dinheiro"
Provérbio índigena.
Terra planeta imortal??
Julien 09/12/2009 18:52:21

Acho muita demagogia querer que nosso planeta não mude, que tudo tem que ficar
como está. Temos que aceitar que estamos aqui para viver, para usar o que o
planeta nos oferece e quando acabar, acabou.
A terra não vai ficar imortal pq
ambientalistas querem, tudo é um ciclo e estamos no final dele.
Nós tivemos o
que nossos pais nos deixaram e nossos filhos terão o que tiver, ninguém vai
voltar a viver como indio!!
consciência global
chico boeing 09/12/2009 20:01:32

Acredito que mudanças, mesmo, só quando conseguirmos construir uma
consciência global, consciência esta construída no dia a dia, no cotidiano,
com a sociedade, hoje global. Reuniões de cúpulas de governos, ongs, e a festa
da mídia em torno do tema, vejo como inútil, lugar nenhum. Realismo, não
pessimismo, acreditem! Inacreditável também é ver um montão de gente
inteligente que cobra de governos, da sociedade, até dos desvalidos, uma
consciência ambiental. Mas esquece de mencionar as transnacionais. Por que elas
não são mencionadas? São poderosas, muito mais poderosas que muitos governos.
Decidem hoje o destino do planeta, seu destino natural e cultural. Cadê o
compromisso delas? Elas deverão ser chamadas à baila. Afinal, não são elas
as maiores responsáveis por este quadro de degradação ambiental, de
degradação econômica e cultural que experimentamos em escala global? Creio
que incluí-las torna o debate e compromisso sobre questões ambientais
realmente sério. Elas escapam legal. Doam dinheiro para preservação ambiental
(tem gente que gosta disso), mas esquecem de fazer o dever necessário com a
própria empresa em questões ambientais.
Chico Boeing
Reiterando...
Tarcisio José D'Avila 05/01/2010 15:19:08

Caro Sr. Paulo Moutinho.
Voltei para esclarecer.
O que estou afirmando é
que
o aquecimento global deve-se a má distribuição da agua devido a
impermeabilização do solo. Não estou analisando a falta de agua doce para
consumo, mas a agua para evaporar e levar a energia do sol para a
estratosfera.
Hoje em dia estamos vendo pela TV a situação do Rio de Janeiro,
São Paulo e outros estados submetidos a chuvas torrenciais.
Se cuidarmos que a
evaporação de agua seja distribuida por todo o continente não teremos estes
desequilibrios.
Heje em dia 80% a 90% do resfriamento do planeta deve-se a
evaporação oceanica.
Vamos cuidar da evaporação de agua no solo e deixar o
CO2 livre.
MEU COMENTARIO
ANDRESSA MARTINES DE LIMA 26/02/2010 10:20:34

O AQUECIMENTO GLOBAL DEVE SER ATRIBUIÇÃO DA ÁGUA DEVIDO A
IMPERMEABILIZAÇÃODO SOLO. NÃO ESTOU ANALIZANDO FALTA DE ÁGUA DOCE PARA
CONSUMO, MAIS A ÁGUA EVAPORAR E LEVAR A ENERGIA DO SOL PARA ESTRATOSFERA
CO2....
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