Energia elétrica e poluição PDF Imprimir E-mail
José Goldemberg*   
10 Nov 2006, 11:37
O grande problema que o país vai enfrentar nos próximos 10 anos é o suprimento de eletricidade. Petróleo não deverá ser um problema, devido à importância crescente que o álcool de cana-de-açúcar está assumindo, substituindo a gasolina.

De modo geral o consumo de eletricidade cresce junto com o produto interno bruto, ou até mais rapidamente. O que isto significa é que, mesmo nos baixos níveis de crescimento econômico dos últimos anos (3 a 4%), serão necessários cerca de 4 mil megawatts adicionais de eletricidade a cada ano. Se o país começar a crescer mais rapidamente mais eletricidade será necessária.

Até o momento a participação da energia hidroelétrica na produção de eletricidade é dominante (mais de 80% do total), mas a participação de combustíveis fósseis está aumentando como se pode ver nos resultados do primeiro leilão de energia nova realizado em dezembro de 2005.

 









As usinas hidroelétricas não produzem os poluentes associados aos combustíveis fósseis, exceto metano, mas impactam o meio ambiente devido à construção de grandes represas, formação de lagos e interferência geral sobre os fluxos dos rios. A realocação das populações é um problema social de grandes proporções em muitos casos.

O impacto de um empreendimento hidroelétrico pode ser usualmente estimado por um indicador que é a potência produzida por hectare de reservatório. Quanto maior for esse número, menores são os possíveis impactos sobre o meio ambiente. A média nacional é de 21.7 kilowatts/hectare que é ótima sob o ponto de vista de baixos impactos ambientais, mas há muitas usinas com indicadores piores como Balbina e Sobradinho.

A produção de eletricidade a partir dos combustíveis fósseis é a principal fonte de:

- Óxidos de enxofre (SOx), Óxidos de nitrogênio (NOx), Dióxido de carbono (CO2), Metano, Monóxido de carbono (CO) e Particulados.

Os gráficos (clique aqui para ver todos os gráficos) indicam a quantidade dos principais poluentes emitidos por usinas para a geração de eletricidade em gramas por kilowatt hora de poluente gerado.

Uma análise desses gráficos indica que:

. Todos os tipos de emissões (exceto CO e NOx) são menores com gás natural.

. O petróleo é melhor do que o carvão (exceto com relação às emissões de CO e impurezas associadas ao carvão. O carvão nacional tem impurezas de 1 a 7% de enxofre.

. A madeira emite pouco enxofre e nitrogênio, mas muito monóxido de carbono, metano e compostos orgânicos voláteis. No entanto, se a madeira for proveniente de locais onde ocorre um reflorestamento adequado, essas emissões passam a ser mínimas.

Existem ainda efluentes líquidos e resíduos sólidos decorrentes de geração de eletricidade que precisam ser levados em conta.

Estamos, portanto, na contramão da história, optando por soluções mais poluentes como as termoelétricas a carvão que trarão de imediato custos adicionais à saúde, mais geração de gases que causam o efeito estufa e, mais tarde, elevados custos para sua correção, negligenciando a solução menos poluente e mais duradoura que é a hidroeletricidade.

Além disso, o Governo Federal vem ignorando a necessidade premente de um programa ambicioso e mandatório de racionalização no uso de energia. Existe uma lei para esse fim que não foi implementada. A sociedade brasileira mostrou com o “apagão” de 2001 que sabe economizar, mas faltam incentivos adicionais e ações fortes para mudar a situação atual. O que cabe, pois, ao novo governo fazer, de imediato, na área de energia e meio ambiente é rever o atual modelo do setor elétrico.

*José Goldemberg é Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.