Economistas clássicos e meio ambiente PDF Imprimir E-mail
Carlos Gabaglia Penna   
08/06/2009, 07:00
Durante a discussão sobre a posição norte-americana na Conferência Mundial sobre População, que teria lugar em Bucareste, em 1974, cada vez que os economistas sugeriam uma solução do tipo moto-contínuo para fornecer ao mundo fontes ilimitadas de energia, um dos cientistas presentes, calmamente, afirmava que a proposta violava a segunda lei da Termodinâmica. Após ouvir tal informação algumas vezes, um economista, irritado, saiu-se com esta: “e quem sabe qual será a 2ª lei da Termodinâmica daqui a cem anos?”. Suponho que ele confiava que o presidente Ronald Reagan – ou, bem mais tarde, um George Bush – revogasse lei tão incômoda.

A fé profunda no progresso tecnológico é compartilhada por pobres e ricos, por capitalistas e socialistas, todos empenhados em ignorar fatos científicos insofismáveis. Mas são os economistas clássicos – secundados por governistas de todas as matizes – os campeões do entusiasmo pelo crescimento econômico permanente. Mesmo que às custas da lógica.

Robert Solow é um economista americano, ex-professor do Massachusetts Institute of Technology, que - além de importantes prêmios nacionais – foi agraciado com o Prêmio Nobel de Economia (1987). É particularmente conhecido por seus trabalhos sobre crescimento econômico. Ele afirmou que “o mundo pode, com efeito, sobreviver sem recursos naturais” (!?!). a Natureza não seria, portanto, um obstáculo para o progresso humano.

O economista Julian Simon, falecido em 1998, foi um professor de Administração de Negócios da Universidade de Maryland, nos EUA. Tornou-se mais conhecido pelos seus trabalhos sobre população, recursos naturais e imigração. Teve grande influência na política da administração Reagan no que se referia às questões demográficas, defendendo a ideia de que os recursos naturais são infinitos.

Abro parênteses: os EUA do presidente Reagan foram responsáveis por um grande atraso na implantação de políticas regionais de limitação populacional. Em uma conferência da ONU sobre o assunto, em 1984 (no México), o governo americano utilizou o mesmo slogan adotado pela Índia na década anterior (e, hoje em dia, por alguns membros do governo petista): “desenvolvimento é o melhor contraceptivo”. Entre meados dos anos setenta e 2008, a população indiana cresceu em cerca de 570 milhões de indivíduos e a renda per capita era, em 2006, apenas 11,2% da brasileira.

Voltando ao professor Simon, ele escreveu que “quanto mais [recursos naturais] nós usarmos, mais ricos ficaremos” e que “não há limites práticos para aumentar, para sempre, nosso patrimônio (ou, pelo menos, por sete bilhões de anos)”. Isso levou um demógrafo da Universidade de Oxford, David Coleman, a ironizar que faltava a Julian Simon – quando se referiu a 7 bilhões de anos – a confiança de que poderíamos sobreviver ao esgotamento do sol...

Nos tempos dos economistas britânicos Adam Smith (século XVIII) e David Ricardo (século XVIII e XIX), a Natureza era percebida como um grande e inexaurível recurso. Isso era perfeitamente compreensível, pois a população mundial girava em torno de um bilhão de pessoas e a tecnologia da época era muitíssimo menos poderosa e ambientalmente invasiva do que a atual. No entanto, parte dos economistas do presente parece acreditar que o livre mercado, através dos preços, irá regular o consumo de recursos escassos e promover uma produção mais eficiente. Ou que a inventividade humana sempre produzirá, ou descobrirá, materiais substitutos. Não é, entretanto, o que está ocorrendo no planeta.

A economia clássica reconhece a terra (significando todos os seus recursos naturais), o trabalho e o capital produzido como as fontes básicas da prosperidade material. A economia neoclássica foca somente no capital e no trabalho, tratando a “terra” apenas como uma forma intercambiável de capital. Para eles, tem muito pouca importância o fato de a Natureza ser usada não apenas como fonte de ativos valiosos, mas também como receptora dos resíduos e da poluição da economia.

O ciclo de vida de uma mercadoria é muito maior para a ecologia do que para a economia. Para um economista, o ciclo de vida de um automóvel começa com a exploração do minério de ferro e termina quando é pago e sai da revendedora. A partir daí, fará apenas parte de estatísticas. O ciclo da gasolina, da mesma forma, encerra-se no tanque de algum veículo. Para o ambientalista, contudo, ou melhor, para o mundo real, o ciclo do automóvel prossegue muito além. Ele continua ao longo da sua utilização (através de seus impactos), na necessidade de abertura de vias e de sua pavimentação que permitam o tráfego do automóvel, na sua transformação em sucata, na sua permanência na paisagem, e, finalmente, na disposição das partes não aproveitadas em aterro sanitário.

O ciclo da gasolina iniciou-se muitos milhões de anos anteriores à descoberta do petróleo, com a decomposição de plantas e animais, continua através das emissões de poluentes quando essa gasolina é queimada e culmina com os efeitos dessas emissões nas florestas, no clima global e na saúde das pessoas. Muitos economistas e planejadores parecem desconhecer que a Economia depende integralmente dos recursos naturais, ou seja, dos minerais metálicos e não-metálicos (recursos não renováveis), das diferentes fontes de energia, assim como da atmosfera, da água, do solo e da biodiversidade. É uma ilusão imaginar que a atividade econômica independe da qualidade desses recursos.

É igualmente inacreditável que se imagine que a Economia possa prescindir dos limites do meio ambiente, levando as pessoas a defender o crescimento econômico permanente. Sequer a necessidade de empregos o justifica, pois, como todos sabem, o aumento das atividades está, cada vez mais, descolado da demanda de mão-de-obra. Os lucros das empresas sobem e elas seguem despedindo funcionários.

Somente o desconhecimento de princípios básicos da Ciência permite que se assuma tal posição. Não me refiro apenas a Termodinâmica, Ecologia ou Teoria dos Sistemas, mas igualmente a Matemática que revela que progressão geométrica em qualquer sistema - que é como se comportam a Economia e a Demografia – tende ao colapso. Expansão econômica contínua é uma impossibilidade física; defendê-la, portanto, é uma sandice.

Herman Daly, ex-funcionário do Banco Mundial e atualmente professor da Universidade de Maryland, é provavelmente o mais conhecido entre os modernos economistas que consideram as questões ambientais como relevantes em seus estudos e projetos. Ele afirmou que “o crescimento, a panaceia do passado, está se transformando rapidamente na pandemia do presente”. Ele também escreveu que:

Os economistas dedicam tanta atenção ao crescimento do Produto Interno Bruto que o confundem com “crescimento econômico”, sem admitir a possibilidade de que esta possa ser “não econômico”, uma vez que seus custos marginais, derivados dos impactos sociais e ambientais, podem ser maiores que o seu valor em termos dos benefícios da produção.

É o que se convencionou denominar internalização dos lucros, externalização dos custos. Empreendimentos diversos proporcionam lucros gordos aos donos do negócio (e polpudas comissões a políticos), mas quem arca com os custos - a degradação ambiental, a destruição de belas paisagens, o deslocamento de populações etc. – é a sociedade. Esta paga a conta. Isso acontece a toda hora e é chamado de progresso...

Daly diz ainda que a Economia não tem que crescer indefinidamente para se eliminar a miséria, mas que a solução se baseia em 3 itens básicos, “ainda que para muitos seja desagradável”: aumento da produtividade no uso dos recursos, controle populacional e redistribuição de riqueza. Este último item – fundamental - é possível, mas choca-se com a ganância e o egoísmo humanos. Não alcançaremos a sustentabilidade enquanto, grosso modo, as 500 pessoas mais ricas do planeta acumularem fortunas que equivalem à riqueza total do um bilhão de pessoas mais pobres.

A insistência no aumento permanente do consumo de bens e serviços – como solução para todos os males da sociedade – parece impregnada no inconsciente coletivo de boa parte da humanidade, mas, além de inútil, ela só conseguirá levar ao colapso o sistema suporte da vida. Da vida humana, bem compreendido, pois como escreveu o paleontologista Stephen Jay Gould: “…se tratarmos a Terra com decência, ela continuará a sustentar-nos por algum tempo. Se nós a ferirmos, ela vai sangrar um pouco, livrar-se de nós, curar-se e depois seguir cuidando de sua própria vida, em sua própria escala [de tempo].”
Comentários
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Parabéns
Mariana 08/06/2009 11:37:59

Este é um dos melhores artigos que vi no Eco nos últimos tempos.
Exelente
Jose Carlos Dalla Greppe 08/06/2009 12:44:17

Brilhante artigo. Realmente temos que repensar. E, fundamentalmente, aceitar
redistribuir. Mesmo que não seja por "bom mocismo" temos que fazê-lo:
pela sobrevuvência dos nossos filhos.
Lucidez
MARTA METELLO JACOB 08/06/2009 15:38:25

Artigo muito lúcido. Qualquer pessoa que nao esteja sendo ludibriada pelas
propagandas de carros e gadgets eletrônicos tem este pensamento, que é o meu
há mais de 20 anos. A ganancia pelo recolhimento de impostos das montadoras
inumdam as ruas de carros enquanto o lobby católico nao permite algum controle
de natalidade.
fim dos humanos e outros
Wa Mor 08/06/2009 19:04:40

Certamente, mesmo se conseguirmos fechar todos os poços de petróleo, gás e as
minas de carvão. (isso nunca acontecera).

Não conseguiremos retardar o
aquecimento global e a próxima glaciação.

Sendo assim, relaxem, e vivam a
vida.
Boa sorte.
Legal
José 09/06/2009 05:49:13

Muito importante essa conexão entre ecologia e economia.
Senti falta de John
Stuart Mill e sua visão otimista do Estado Estacionário.
Por quê só vocês?
Paulo Brandao 09/06/2009 13:05:43

Por quê as milhões de pessoas que nada consomem no País não podem ter acesso
a todos aqueles produtos que o autor e demais comentaristas possuem em suas
residências? Assim é fácil, vamos criticar o consumo haja vista que o meu já
está garantido.....Para o meio ambiente, pior que a utilização de recursos
naturais finitos (que, à exceção da fauna, flora e os hídricos, podem sim
ser substituídos), é a "guerra". Tenham dó!
Recursos finitos (algum é infinito?...)
Carlos Gabaglia Penna 09/06/2009 13:57:39

O sr. Paulo Brandão faz uma certa confusão entre recursos finitos e recursos
renováveis e não-renováveis. Ao contrário do que ele escreveu, todos os
outros recursos - além da água e da biota - não podem ser substituídos
continuamente, porque não há renovação de combustíveis fósseis nem de
minerais, metálicos ou não. Mas eles não podem substituídos por outros? Em
alguns (poucos) casos sim, mas esses também são finitos, pois não se
renovam.

Mesmo a água e os seres vivos também são problemáticos, porque
apesar de serem renováveis, tendem ao esgotamento, uma vez que o consumo excede
a taxa natural de renovação.
Por que só vocês? (Resposta)
Carlos Gabaglia Penna 09/06/2009 14:36:46

Esse tipo de argumento é o que alguém muito corretamente chamou de
"manobra semântica", ou seja, tentar desviar a discussão racional,
objetiva, de qualquer assunto para um lado meramente emocional. E a pieguice é
valiosa nesses momentos...
China, poluição e controle de natalidade
Tyrso 10/06/2009 05:57:49

Gostei muito do artigo e dos argumentos utilizados. Só discordo, porém, do
argumento relativo ao controle de natalidade. Entendo que o que prejudica a
natureza é o estilo de vida do ser humano e não a sua população. Como
exemplo cito a China, que possui um rígido controle de natalidade, mas que
ainda assim é um dos maiores poluidores mundiais.
Pr que todos nós?
Marcio Araujo de Almeida Braga 10/06/2009 06:07:04

O Sr. Paulo não percebeu ainda que Daly defende a distribuição de riquesas,
junto com a diminuição de prole e o aumento da produtividade, condições
materiais para a dita distribição.
Economistas clássicos e meio ambiente
Eduardo H.Yamagata 11/06/2009 14:57:21

Achei ótimo este artigo poré,achei que o
autor poderia dedicar mais espaço
para o
controle rigoroso da natalidade
livro de 2000
monica soffiatti 17/10/2009 05:26:08

Recomendo para o autor o livro Natural Capitalism
Meio Ambiente
Antonio Germano Gomes Pinto 19/10/2009 10:55:54

Prezados Senhores:

Segue abaixo a mais pura e cristalina verdade.
Trata-se
da sobrevivência do ser humano.
Por favor, leiam, divulguem e se possível,
tomem providências.
Chega de discutir problemas ambientais, precisamos
apresentar soluções simples, viáveis, práticas e realistas.
Gostaria muito
de ter a oportunidade de fazer palestras sobre o assunto em pauta!

O Autor


A ÚNICA SAÍDA PARA O EFEITO ESTUFA

As fossas abissais oceânicas, os
bolsões vazios provenientes da retirada do petróleo, as falhas geológicas, as
áreas desérticas são depósitos naturais ideais para armazenamento do carbono
que está "sobrando" na atmosfera e causando o efeito estufa.
Durante
séculos acreditávamos serem os oceanos as lixeiras inesgotáveis e naturais do
mundo, crença essa, até certo ponto, razoável, pois através das chuvas, os
sais, nutrientes naturais do solo, os compostos de carbono e muitos outros
resíduos vão se acumulando nos mares e oceanos, tornando-os cada vez mais
saturados e suas águas cada vez mais salinas.
Mas a realidade é bem outra, os
mares e oceanos são tão ou mais vulneráveis a poluição que a crosta
terrestre. Suas águas precisão de luz, transparência e estarem desintoxicadas
para gerarem a flora e a fauna marinhas tão necessárias à vida na terra, nos
mares e nos oceanos.
As águas, mesmo as salgadas, têm a capacidade de
dissolver e incorporar em suas massas gases como oxigênio, o carbônico e
outros. Essa capacidade aumenta com a pressão e as baixas temperaturas. Quanto
maior for a pressão e menor a temperatura, maiores serão as concentrações
de dissolução daqueles gases.
Nas regiões profundas dos mares e oceanos,
possivelmente devido a esses fenômenos, as quantidades de carbono
"estocadas" chegaram a quantidades imensuráveis, a ponto de despertar o
interesse das empresas petrolíferas na exploração destas "jazidas" de
carbono. É interessante se notar o fato de que os depósitos, no caso do gás
carbônico, não são mais deste tipo de gás, mas sim do metano cristalizado a
que os especialistas deram um nome bastante sugestivo, chamando-o de hidratos de
carbono. O gelo que queima. Esta seria a primeira descrição da
"combinação" cristalizada entre moléculas de metano e moléculas de
água, encontrada em regiões profundas dos oceanos. Os hidratos de metano já
são considerados, pelos pesquisadores, a principal fonte de energia para o
século XXI. Entretanto, a exploração desta fonte de energia pode provocar o
maior desastre ecológico de todos os tempos devido à liberação do gás
metano pela rápida desidratação do mesmo. As chamadas regiões abissais
oceânica detêm cinqüenta e cinco por cento de todo o carbono presente no
planeta Terra.
Daí vem-nos a idéia:
a) Se as regiões abissais oceânicas
são os depósitos naturais do carbono, podemos aproveitar esses espaços
gigantescos e ainda disponíveis para "aprisionarmos" o gás carbônico,
o principal causador do efeito estufa, de forma indireta.
b) Usaremos, para
esse fim, a energia solar, a fotossíntese e a água para cultivarmos
gigantescas florestas, biomassa abundante que seria enfardada em containers de
concreto armado, de plástico ou qualquer outro material resistente à corrosão
e, com o auxilio de grandes embarcações, seriam transportados para aqueles
locais e submersos por ação da gravidade. Os containers ou invólucros da
biomassa deverão possuir orifícios para entrada da água e equilíbrio das
pressões internas e externas para prevenir possíveis esmagamentos dos
containers e facilitar a submersão dos mesmos.
c) A grande vantagem de se
utilizar biomassa para capturar o gás carbônico é o fato de que só será
capturado o carbono, deixando-se livre o oxigênio.
d) Para cada 12 (doze)
toneladas de carbono capturadas, via biomassa, serão liberadas 32 (trinta e
duas) toneladas de oxigênio para atmosfera, e, muito importante, 44 (quarenta e
quatro) toneladas de CO2, gás carbônico, principal gás causador do efeito
estufa, deixariam de existir na atmosfera que respiramos.
e) Serão, de certa
forma, verdadeiros depósitos geológicos, tratam-se de fossas geológicas que
se vierem a sofrer abalos sísmicos ou acomodação de camadas, iriam soterrar
esses containers, tornando-os ainda mais seguros com relação ao meio
ambiente.
f) Em grandes profundidades abissais não há desenvolvimento de
vida, semelhante a da superfície, capaz de gerar reações aeróbias ou
anaeróbias, portando, não havendo degradação desta biomassa, não haverá
geração de gases e a atmosfera estará livre da massa de gases que fatalmente
seria gerado se aquela quantidade de biomassa continuasse sobre a superfície
terrestre, entrasse em decomposição natural ou fosse incinerada.
g) Se a cada
"colheita" da biomassa se plantasse outra, gradualmente, o gás
carbônico estaria sendo capturado e, indiretamente, depositado nestes
depósitos geológicos sob a forma de carbono com uma conseqüente limpeza
gradativa da atmosfera.
h) Se a captura direta do gás carbônico se torna
inviável devido as suas condição de gás, capaz de ocupar grandes volumes,
desenvolver grandes pressões, além de outros riscos óbvios que não
enumeraremos, vamos aprisionar o carbono, "matéria prima" geradora do
referido gás, cujo excesso na atmosfera se tornou "um inimigo
implacável", o principal gerador do Efeito Estufa que mais cedo ou mais
tarde irá eliminar a vida animal da face da terra se não for contido.
i) Os
combustíveis fósseis poderiam continuar sendo explorados porque estaria
havendo uma reciclagem, uma correta destinação do efluente gasoso gerado na
exploração deste tipo de energia, por via indireta, sendo devolvido ao seu
local de origem, às profundezas da crosta terrestre.
j) Usando-se o mesmo
raciocínio, a mesma lógica, a biomassa poderia ser armazenada, aproveitando-se
os espaços disponíveis deixados pela exploração do petróleo. A retirada do
petróleo deixa grandes vazios que são preenchidos com água. Por que não
ocupar esses espaços com biomassa?
k) A mineração cria gigantescas crateras
que, muitas vezes, são simplesmente abandonadas sem passarem por qualquer
processo de remediação. Por não aproveitá-las?
l) As falhas geológicas,
gigantescos espaços, muitas vezes continentais, poderiam ser utilizadas como
depósitos de biomassa. Por que não fazê-lo?
m) De forma idêntica, poderiam
ser armazenadas grandes quantidades de biomassa nas regiões desertas, sob suas
areias escaldantes, locais desprovidos de água. Onde não há água não há
vida, onde não há vida não há decomposição de matéria orgânica, não
havendo decomposição de matéria orgânica não há formação de gases do
efeito estufa.
A mãe natureza, via carbono, forneceu tanta riqueza ao homem
durante o século passado! Por que não devolver-lhe, durante este século,
parte dessa riqueza, retornando parte desse carbono ao seu local de origem, de
onde nunca deveria ter sido retirado, às profundezas da crosta terrestre,
recompondo assim o Período Carbonífero?
Dessa forma se fecharia um círculo,
origem, exploração e destinação adequada do efluente produzido pela
industrialização do petróleo.
Dando um destino adequado ao lixo ou efluente
industrial, ou mais precisamente ao carbono, matéria prima do gás carbônico,
o meio ambiente agradeceria, o mundo continuaria respirando, voltava-se ao
equilíbrio ambiental e os petrodólares poderiam continuar movimentando a
economia mundial sem representar um risco iminente à vida.
Todo empresário
da área industrial é obrigado por lei a tratar e destinar os seus efluentes.
Por que a indústria petrolífera estaria dispensada dessa
obrigação?

Antonio Germano Gomes Pinto

Engenheiro Químico, Químico
Industrial, Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas, Licenciado em
Química, Especialista em Recursos Naturais com ênfase em Geologia,
Geoquímico, Especialista em Gestão e Tecnologia Ambiental, Perito Ambiental,
Auditor Ambiental e autor de duas patentes registradas no INPI, no Merco Sul, na
UE, na World Intellectual Property Organization e em grande número de países.
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