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Meu passeio
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08 Jul 2010, 15:35 |
O Blog Meu passeio quer saber por onde você anda! Mande seu passeio, viagem ou aventura para a gente.
É só enviar um relato, fotos, vídeos, mapas e coordenadas de GPS para o email: meupasseio@oeco.com.br.
Você também pode participar utilizando sua conta no twitter, enviando relatos ou colocando suas fotos diretamente pelo endereço: http://twitter.com incluindo o hashtag #meupasseio, o que disponibilizará sua história automaticamente no ((o)) eco.
Confira abaixo o relato enviado por um leitor!
Cássio Garcez descreve as belas paisagens, dá dicas culinárias e nos apresenta o maravilhoso cenário descoberto em seu passeio pelo Morro do Telégrafo de Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro.
Morro do Telégrafo de Barra de Guaratiba
"Iniciamos a subida às 9h e pouco. Seguimos a escadaria da Igreja de N.Sa. das Dores até o Caminho dos Pescadores, onde continuamos a ascensão até a cumeeira da Serra Geral de Guaratiba. Caminhamos lentamente sorvendo aos poucos as muitas belezas e curiosidades daquele lugar. Interessante notar que a trilha, bem limpa e manutenida, é praticamente toda sombreada pelas árvores plantadas num dos muitos reflorestamentos da prefeitura do Rio. A propósito, até alguns anos atrás, ali só existia capim colonião, assim como na trilha para as praias dos Búzios e do Perigoso (localizada um pouco mais adiante de onde estávamos). Um trabalho árduo de formiguinha que deu bons resultados e ajuda bastante no fortalecimento dos serviços ambientais (como contenção de encostas) e nas caminhadas. Parabéns aos idealizadores, aos executores e aos trabalhadores dessa iniciativa!
Às 10h20 chegávamos ao primeiro mirante, localizado sobre uma rocha arredondada, com vista para a Restinga de Marambaia. Apesar do manto de nuvens na Serra do Mar, era possível identificar os contornos da Ilha Grande, além das ilhas de Marambaia, Jaguanum e Itacuruçá. Aproveitei para falar da história geológica daquela língua de areia, além do seu uso no século 19 como ponto de desembarque de escravos traficados pelo comendador José Joaquim de Souza Breves, um dos maiores escravocratas do Brasil e dono de uma das maiores riquezas que já existiram por aqui em todos os tempos. Tiramos muitas fotos e prosseguimos a caminhada.
Às 11h chegávamos ao amplo cume, tão rico em histórias e “causos” quanto em belezas e paisagens. Lá em cima existem quatro mirantes, um voltado para o leste, dois para o sul e um com vistas tanto para o leste, quanto para o sudeste e o oeste. Visitamos todos, mas ficamos neste último por estar mais abrigado do vento frio que soprava do sul. Ali contei para os caminhantes algumas das principais curiosidades ligadas ao local. A primeira delas, diz respeito ao fato de que aquele cume sediou um destacamento militar na Segunda Grande Guerra, segundo alguns autores um posto de observação de submarinos e outros uma bateria antiaérea. Acreditamos ser mais factível a primeira versão, já que seria bastante improvável um ataque aéreo em país tão distante das bases germânicas. Essa opinião é corroborada pelos vários ataques dos U-boats (como também eram conhecidos os submarinos alemães) a embarcações brasileiras em águas territoriais, história que contamos em detalhes lá em cima. Curiosamente, a construção do perfil gastronômico de Barra de Guaratiba também tem ligação com esses tempos de guerra.
Explica-se: como a logística de montar uma cozinha no topo do morro de 355m de altura era bastante complexa, o comandante do posto militar optou por contratar os serviços culinários de dona Palmyra Teixeira Ribeiro de Souza, moradora das imediações do destacamento, para alimentar os soldados. Três décadas depois, a filha, Palmira de Souza Leal – a Tia Palmira -, passou a fazer o mesmo, desta feita para matar a fome de surfistas e turistas, criando assim a tradição dos restaurantes de frutos do mar perfilados ao longo da Estrada Burle Marx.
Por fim, contei também sobre os vários avistamentos de uma luz que aparece de vez em quando no alto do morro e desce pelo seu lado esquerdo, desde o século 19, sugerindo OVNIs (objetos voadores não identificados, ou os vulgos discos voadores). Há até um livro com o título “A Montanha da Luz Caminhante”, o que indica a freqüência e a amplitude desse estranho fenômeno. Mas, não avistamos nada mais do que as belas paisagens litorâneas da região, o que já estava de bom tamanho...
Começamos a descida às 12h30, aproximadamente, chegando às 13h e pouco lá embaixo. Aproveitamos e esticamos até o restaurante Garota de Guaratiba para comer seus saborosos pasteis de camarão e, quem não estava dirigindo como eu, beber uma cerveja geladinha... Ai, que água na boca!”
Até a próxima trilha!
Cássio Garcez
Veja as fotos do passeio:
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meu passeio
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05 Jul 2010, 13:46 |

Integrantes do grupo Francaves
O Francaves, grupo de Observadores de Aves da Cidade de Franca, é uma instituição sem fins lucrativos, sediada no interior do Estado de São Paulo.
Referência em pesquisas científicas na região, o grupo também promove atividades de Educação Ambiental e Birdwatching sob a missão de promover o uso sustentável e racional do patromônio natural. O lema "Divulgar e Conhecer para Preservar" segue princípios educacionais e conservacionistas a fim de incentivar práticas saudáveis e ambientalmente seguras, aproximando a população da natureza.
Iniciado em 2007 com pequena escala, hoje o grupo tornou-se o Instituto Ecológico Francaves, que os permite atuar no setor de gerenciamento ambiental, prestar serviços ambientais às empresas e indústrias do interior de São Paulo. Projetos como o “Ilhas de Biodiversidade” são iniciativas conservacionistas importantes do grupo, que já possui listagem oficial contendo 207 espécies de aves silvestres em remanescentes vegetais de Cerrado e Mata Atlântica.
O Francaves abrange diversos profissionais e interessados na área de Birdwatching e conservação, encontrando-se aberto à participação do público em suas atividades. Conheça algumas espécies de destaque observadas pelo grupo, como as belas imagens de espécies ameaçadas enviadas pelo leitor Cadu Amorim, integrante do grupo.
Confira o passeio do Francaves:
Urubu-Rei (Sarcoramphus papa) o maior e mais colorido de todos os urubus, espécie ameaçada observada pelo Francaves.
Um exemplar de Verão (Pyrocephalus Rubinus)
Casal de Araras canindé ( Ara ararauna) a ave símbolo do Brasil.
Para conhecer mais: www.francaves.com.br
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meu passeio
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29 Jun 2010, 12:32 |
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Passeio de trem em Curitiba: vista da Serra do Mar.
O que mais me chamou a atenção em Curitiba sempre foram os parques urbanos. É impressionante como a Cidade conseguiu encaixar bolsões de verde entre a selva de pedra de todas as capitais.
A experiência de contato com a natureza no meio da cidade foi tão importante que eu precisava expressá-la para as pessoas. Foi andando pelos parques de Curitiba que veio a ideia de lançar um site mostrando os parques e também as praças da capital do Paraná: Parques e Praças de Curitiba (www.parquesepracasdecuritiba.com.br).
As fotos dos meus passeios estão todas lá. O site não é comercial (não incluí nem anúncios do Google), o objetivo é apenas de mostrar os parques/praças e prestar serviços com as listas de teatros, museus, cinemas, linhas e terminais de ônibus etc.
Também está lá o meu passeio preferido fora dos parques: o passeio de trem de Curitiba para Morretes! A Serra do Mar vista das janelas do trem é simplesmente inigualável!
(Valter Aguiar)
O Bosque do Alemão, parque de Curitiba
Praça Eufrásio Correia, Curitiba
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Meu passeio
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22 Jun 2010, 10:01 |
Envie também seu passeio para a gente. Basta enviar um relato, fotos, vídeos ou mesmo mapas e coordenadas de GPS para o email : meupasseio@oeco.com.br
Outra forma de participar é utilizar uma conta no twitter. Você pode enviar relatos e colocar fotos diretamente pelo http://twitter.com utilizando o hashtag #meupasseio. Assim, sua história sairá automaticamente publicada aqui na página de ((o)) eco.
O passeio abaixo foi enviado por Paulo Barreto, de Belém do Pará. Ele conta e mostra fotos de seu local preferido na cidade, o Parque do Utinga.
"Caros amigos do ((o))eco.
Excelente idéia de retratar nossos passeios. Segue descrição do meu passeio mais freqüente.
Desde criança ando muito de bicicleta. Tenho intensificado essa prática com quatro a cinco passeios semanais. Por volta das 6:30 saio de minha casa; pedalo por uma ciclovia e depois entro no Parque do Utinga que fica a leste da área urbana da cidade de Belém. São 1.340 hectares de refúgio para a biodiversidade e para aqueles que fogem da selva de concreto como eu. Lá a temperatura está sempre alguns graus abaixo da área urbana onde medidas acima de 30° C são frequentes. Além disso, pela manhã há o canto do pássaros como tucanos, papagaios e jandaias. O bem estar é tamanho que as pessoas tendem a ser mais corteses no parque. Muitos se cumprimentam ao se cruzarem pedalando ou caminhando, o que raramente se não vê na área urbana.
Pena que a gestão do parque ainda seja amadora. O parque fecha a tarde nos sábados, domingos e feriados, justamente no dia que deveria ficar aberto por mais tempo.
Seguem fotos do parque e uma imagem de satélite que mostra meu roteiro até o parque."


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Meu passeio
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18 Jun 2010, 13:20 |
Já há um ano, temos colocado aqui nas páginas de ((o)) eco um pouco dos bastidores de nossas reportagens, mostrando como são os passeios e caminhadas nas quais nós nos divertimos. Agora decidimos que é o momento de abrir ao nossos amigos leitores e usuários de ((o)) eco este espaço para que todos contem um pouco de seus passeios. Para participar você pode mandar fotos, vídeos e relatso para o email meupasseio@oeco.com.br. Você também pode participar através do twitter, é só enviar um relato ou foto com hashtag meu passeio - #meupasseio. O seu post vai aparecer automaticamente nas páginas de ((o)) eco.
A idéia é simples: queremos disponibilizar um espaço para mostrar que cresce cada vez mais o número de pessoas que aprecia um dia ao ar livre, seja fazendo uma caminhada no parque urbano, uma trilha num parque nacional ou simplesmente observando aves no jardim mais próximo. Acesso a um meio ambiente saudável é um direito de todos, inclusive garantido pela Constituição. Vamos exerce-lo portanto.
Então para não perder o costume, segue um série de fotos tiradas pelo editor Gustavo Faleiros no Jardim Botânico de São Paulo.
O jardim foi reformado há cerca de dois anos e todos os fins de semana atrai uma gama enorme de visitantes. Nesta foto a alameda de entrada com um deck de madeira sobre um (límpido) afluente do rio Ipiranga.

Nesta foto, orquídea dentro da estufa do Jardim Botânico

Alguém pode nos dizer o nome desta flor?

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Os bastidores d'O Eco
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23 Dez 2009, 16:02 |
A segunda semana da Conferência do Clima, em Copenhague, foi um marco para a história do meio ambiente e das negociações internacionais. Começavam a chegar os líderes mundiais que iriam decidir o futuro do planeta e, infelizmente, o fracasso que viríamos a saber depois. Todos estavam ansiosos pela chegada dos chefes de estado que prometiam desatar os tantos nós que ainda existiam nos rascunhos de acordo que apareciam aqui e ali. O sentimento de esperança e ansiedade ainda pairava sobre o Bella Center.
Mas, para mim e Andreia, aquela semana tinha sabor especial. Foi na segunda-feira, dia 14, que recebemos o prêmio Earth Journalism Awards, criado como forma de reconhecimento da excelência de reportagens capazes de sensibilizar e promover uma nova visão sobre questões relativas às mudanças climáticas – em escala regional ou sobre temas específicos.
Naquela noite, a série de reportagens “A Trajetória da Fumaça”, publicada em O Eco em setembro, foi considerada o melhor trabalho de jornalismo ambiental da América Latina, ganhou Menção Honrosa na categoria Florestas e levou o grande prêmio da noite, o Voto Popular, com cerca de 1700 dos 6239 votos vindos de todo o mundo.
Foi uma grande noite, sem dúvida. Mas, naquelas semanas, nosso maior prêmio foi cobrir a COP-15. Certamente, esta não foi uma conferência qualquer. Acredito que, se não todos, a maioria dos 3500 jornalistas que dividiam a imensa sala de imprensa do Bella Center compartilham comigo essa opinião. Pude ver em seus textos na internet, nas entradas ao vivo, nos áudios que gravavam para rádio. Em muitas línguas, os adjetivos que usavam não eram típicos de cúpulas da ONU. Eles falavam muito mais sentimentos humanos, em esperança, drama, fracasso, ruína.
Foram dias intensos. Longas maratonas de trabalho, a corrida (às vezes literal) por novos fatos e informações, as negociações entre chefes de estado que se encontravam ali, quase ao nosso lado, o colapso na infra-estrutura do local, as vozes de diversos países em busca de maior atenção aos seus problemas, o café inseparável para nos deixar acordados, a diplomacia e os interesses próprios de cada nação acima de evidências científicas e apelos ambientalistas.
O mundo inteiro estava ali, tentando decidir o futuro que queriam dar ao planeta. E nós também estávamos, cobrindo da melhor forma possível, com todas as ferramentas que dispúnhamos, os passos que fizeram com que a COP-15 seja lembrada por muito tempo como um dos principais eventos do século. Por tudo o que foi - a intensidade da cobertura, o final decepcionante para todos, e, particularmente para mim e Andreia, o reconhecimento de muito esforço – a COP -15 será lembrada por nós como um momento muito especial. Até que os próximos venham.
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Aldem Bourscheit
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03 Dez 2009, 14:37 |
Durante visita à Espanha em setembro passado, tive a oportunidade de conferir uma exposição de fotografias aéreas no Parque de las Ciencias de Granada, sobre os contornos incomuns do Parque Nacional Doñana, no sul do país, abordado em coluna recente de Pedro Menezes.
Baseado na teoria de que as formas fractais são mais apropriadas para explicar a formação e expansão dos ambientes naturais, o Conselho Superior de Investigação Científicas espanhol bancou a produção das imagens, de um livro e página na Internet sobre o projeto, tão surpreendente quanto a imagem ao lado. As fotografias foram feitas por Héctor Garrido e a direção científica ficou a cargo de Juan Manuel García Ruiz. Veja mais aqui.
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Blog do Eco
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13 Out 2009, 11:38 |
Aldem Bourscheit
- Esse é um chapéu-de-couro, esse é um pau-santo...
- Sim. E essa é uma orelha-de-ovelha, essa é uma lixeira, esse é um pé de mangaba, esse de cajuzinho-do-Cerrado e esse de jatobá. Conheço um pouco do Cerrado, depois de anos caminhando por aí.
- E essa pedra, parece com o quê?
- Sei lá. Um cachorro, um cavalo, uma baleia. Já vi várias com vários formatos. A gente pode seguir na trilha? Eu entrei no parque para caminhar, tentar ficar em silêncio. Se quiser saber de alguma coisa, pergunto, ok?
Essa é a rotina de muita gente que visita o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e se vê obrigado a contratar guias para percorrer trilhas óbvias e bem marcadas pelo passo de milhares de turistas que percorrem o local todo ano. Mesmo sem sinalização (muitas vezes depredada para forçar a contratação de condutores), o caminho é óbvio para quem tem experiência mínima em ambientes naturais.
Além disso, em tempos modernos, várias páginas na Internet oferecem os tracklogs para trilhar dentro e fora do parque. Logo, um aparelho de GPS e um guia de fauna e flora do Cerrado tornam obsoleta a maioria dos guias.
Normalmente os condutores locais de visitantes cobram 60 reais para pequenos grupos. Em feriados, 10 reais por pessoa. Assim, tentam apinhar grupos com duas dezenas ou mais de turistas, elevando o risco de acidentes nos trechos mais complicados das trilhas, aumentando o impacto e a algazarra. Na Vila de São Jorge, onde está o ainda único acesso aquele parque nacional, há cerca de 200 guias. Por volta de cinqüenta realmente atuam. Nos dias mais movimentados, há escassez de condutores, pois nem todos trabalham diariamente ou estão à disposição do público nos horários de pico.
No último fim de semana, servidores na portaria do parque assistiam impassíveis à confusão de guias e turistas na formação de grupos heterogêneos, com gente com e sem experiência, alguns sem água, sem chapéu, sem comida. Parecia uma bolsa de valores com gritarias de quem dá mais e quem dá menos. Uma zona.
Enquanto pagar por condutores é uma obrigação, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros está desde maio com entrada grátis. Isso mesmo. Uma das áreas naturais mais bonitas do país e fundamental para preservação do Cerrado amarga enorme prejuízo porque a burocracia de Brasília não encaminhou uma licitação que permitiria contratar uma empresa de bilhetagem. Vergonha.
No último fim de semana, raios incendiaram parte da unidade de conservação. Chegaram a nove os focos simultâneos de fogo. O combate foi feito com pouca gente e poucos equipamentos, mais com a ajuda de São Pedro, que despejou chuvas por lá.
Logo, os guias de hoje fariam papel mais bonito como opção para certo tipo de público e atuando como guarda-parques, ajudando em brigadas de incêndio e manutenção do parque do que peças obrigatórias para visitação. Resolver esse impasse depende da anulação da burocracia e dos carreiristas que reinam na sede do Instituto Chico Mendes e da implementação urgente do novo plano de manejo daquela área protegida.
Turismo qualificado e constante durante o ano todo vai gerar mais empregos, aquecer a economia da Chapada dos Veadeiros, contribuir de forma verdadeira para a manutenção do parque e do Cerrado e evitar planos altamente impactantes de desenvolvimento que rondam a região.
Tive a sorte de caminhar por trilhas em parques nacionais na Argentina, Chile, Peru, Espanha e outros países. Em nenhum desses locais há obrigatoriedade para contratação de guias. Eles são uma opção para visitantes sem experiência ou com algum tipo de necessidade específica, para transporte de algum equipamento ou visita a locais com risco elevado. Quem quer se aventurar por sua conta e risco, assina um termo de compromisso e tem o prazer de uma boa caminhada sem ser importunando por alguém vocalizando informações encontradas em livros ou revistas.
Não me parece tão difícil implementar algo assim em solo nacional.
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Aldem Bourscheit
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05 Out 2009, 18:25 |
Último sábado (3) driblei o "vício" pelas montanhas fui conhecer a Gruta dos Ecos, em Cocalzinho, Goiás. Como a caverna está interditada desde 2001 devido ao turismo detonador que vinha sofrendo, fomos acompanhados pelo chefe do Cecav, Jocy Brandão, outros servidores do ICMBio e pelo espeleólogo Alexandre Lobo, pilotando câmeras e outros equipamentos para jogar luz na escuridão. Obra do destino, chegamos ao local que dá acesso à boca da caverna e topamos com um microônibus. Ali já encontramos do outro lado da cerca da fazenda quase duas dezenas de pessoas (foto abaixo), incluindo alunos, um professor e um guia de uma agência de turismo, todos de Anápolis, também em Goiás. Sem autorização para visitar o local e sem equipamentos adequados, alguns trajavam bermudas, tênis baixos e portavam pequeninas lanternas, o grupo pode apenas percorrer parte da trilha, observar a entrada da gruta e retornar. Professor e guia insistiram na visita, mas foram dissudiadidos pelo chefe do Cecav. Ficou claro no "debate" que o guia sabia da proibição, mas tem levado visitantes ao local. O motorista também deixou claro que aquela não era a primeira vez que fazia o trajeto. O problema é recorrente no Brasil, onde agências de turismo vendem pacotes para locais proibidos com a desculpa de que, assim, ajudam a preservar e conscientizar a população. Bobagem. Muitas vezes colocam em risco visitantes desavisados e causam sérios impactos aos atrativos. Realidade que precisa ser transformada, também com maior presença dos órgãos públicos.
foto: Aldem Bourscheit
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Aldem Bourscheit
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29 Set 2009, 15:50 |
Depois de quase uma semana escrevendo sobre unidades de conservação, no CBUC (Curitiba) , nada melhor do que passar da teoria à prática e visitar uma delas. Quem chega ao Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa (PR), nota logo de início algo fora do convencional: há guaritas, estacionamento, centro de visitantes, funcionários. Uma infraestrutura de dar inveja.
A visitação responde por metade de seu orçamento anual. Veículos particulares ficam no estacionamento, não circulam em seu interior, o que evita muita dor de cabeça. Os turistas são levados até o início das trilhas sinalizadas e calçadas em microônibus, e podem escolher entre os roteiros das furnas e Lagoa Dourada e dos maciços de arenito, ou ambos. O passeio completo sai por nove reais. Não ouvi ninguém reclamando do valor.
Percorrer os caminhos que margeiam as imponentes estruturas de pedra é arrebatador. São amostras sólidas da movimentação de antigos mares e geleiras, refinadas pelo cinzel das chuvas e dos ventos. Formações mutantes há milhões de anos cujos ângulos projetam animais, índios, garrafas, botas e esfinges. Uma taça perfeita lembra a lenda da ltacueretaba, a "cidade extinta de pedras" dos apiabas.
A infraestrutura instalada no parque estadual pode atrair críticas de biólogos, pelas vias de asfalto e elevadores que podem voltar a descer em áreas onde nidificam andorinhões, por exemplo, mas também provoca reflexão sobre como incentivar a visitação e obter dinheiro para manter áreas protegidas e sua biodiversidade.
Também me traz ao pensamento o potencial turístico da Cidade de Pedra encravada nas serras próximas a Pirenópolis e Cocalzinho, em Goiás, sufocado por disputas judiciais e inoperância governista.
Para completar a viagem virtual por Vila Velha, confira o vídeo acima e explore o mapa abaixo. clicando nos pontos azuis e usando o zoom no canto esquerdo superior.
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Visualizar Parque Estadual Vila Velha (PR) em um mapa maior
Saiba mais:
Estranhas no ninho
Pequeno Grande Parque
Os donos da cidade erguida em rocha
Adiada decisão da Cidade de Pedra
Cidade de Pedra
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Gustavo Faleiros
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08 Set 2009, 13:08 |
Na Turquia, a uns 800 km ao sul de Istambul, existe um dos mais incríveis (e famosos) monumentos naturais do planeta: os travertinos de Pamukkale. É um paredão de rochas calcárias totalmente brancas (quer dizer , que costumavam ser) por onde escorrem cascatas de água tépida que brotam no topo do rochedo. Ali, ao redor das nascentes, já se concentravam os Romanos, que instalaram no planalto a cidade de Hierapólis, com termas, teatro e uma população de 10 mil pessoas.
Pamukkale é um dos principais destinos turísticos da Turquia, por isso mesmo o local sofre uma pressão tremenda. Até os anos 90, o acesso às piscinas naturais era liberado, o que causou o enegrecimento de algumas partes do rochedo e também atrapalhou a deposição do calcário para a formação de novos travertinos.
O governo de Denizli, onde está situado Pamukkale, proibiu a natação de milhares de turistas nos travertinos. Construiu umas piscinas para saciar o desejo do pessoal de um banho nas águas quentinhas e cristalinas. Ainda assim é difícil conter a turma que quer subir nas encostas ou entrar nas banheiras naturais. Na foto abaixo, dá para ver as área onde antes era permitido nadar e como estão enegrecidas
Eu estive lá no mês de agosto e fiquei impressionado com a beleza do lugar. Mas fiquei também com a impressão de um turismo predatório às custas da natureza. A entrada de 20 liras turcas (10 euros) não parece contribuir para manter a beleza de Pamukkale. Não há uma explicação sobre como os turistas devem se comportar e por onde andar. Há apenas 2 ou 3 guardinhas apitando e gritando em turco com quem entra na piscina errada ou não foi informado que é para tirar os sapatos. Abaixo mais fotos do passeio.
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Cristiane Prizibisczki
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17 Jul 2009, 17:20 |
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Há alguns dias, participei aqui em São Paulo de um evento sobre seguros para jornalistas, onde foram apresentados os resultados de uma importante pesquisa sobre mudanças climáticas, num tom bastante conservacionista. Mas o que me chamou mesmo a atenção foram algumas conversas cruzadas que ouvi na hora do coffee-break
Entre um lanchinho e outro, um senhor muito distinto, figura importante no evento, disse para seu interlocutor, que concordava com movimentos de cabeça, algo como: absurdo fazerem um estardalhaço pra salvar a tal ararinha-azul enquanto tem um monte de criança morrendo no mundo. Meu desgosto foi alimentado ainda outro momento, quando o mesmo senhor, desta vez para toda platéia, soltou: não concordo com os africanos se mobilizando pra salvar o mico-leão-dourado lá deles enquanto tem 500 mil crianças morrendo de fome na África.
Símbolo nacional do esforço pela preservação, o mico-leão-dourado é exemplo emblemático do impacto do homem na natureza. A espécie, endêmica da Mata-Atlântica brasileira (esqueceram de avisar ao distinto senhor), chegou a contar com apenas 250 exemplares na década de 1970, vítima do tráfico de animais e da perda de habitat. Atualmente, segundo a Associação Mico-Leão-Dourado, existem cerca de 1.500 exemplares na natureza. Para que ele deixe de ser considerado sob ameaça de extinção, a população em vida livre tem que chegar a pelo menos dois mil indivíduos.
O caso da ararinha-azul é ainda mais grave. Espécie natural da Caatinga, sua população foi praticamente dizimada, também pela caça e destruição de habitat. Faz nove anos que um exemplar da espécie foi visto pela última vez na natureza, no sertão da Bahia. Hoje, existem apenas 68 ararinhas oficialmente registradas pelo programa de reprodução em cativeiro do governo brasileiro. Destas, apenas seis exemplares estão no Brasil. Isso mesmo, apenas 68 ararinhas em todo o mundo! E quantos nós somos, mesmo? Às 15h36 (GTM) de hoje (17), o site do governo americano U.S. Census Bureau contabilizava 6,771 bilhões de habitantes.
Não estou aqui defendendo a morte de criancinhas inocentes – no Brasil ou na África - em favor da salvação de micos-leões ou ararinhas-azuis. Mas sim a necessidade de uma visão global da preservação da natureza, independentemente da espécie. O homem depende, sim, da sobrevivência de ararinhas e micos, por serem eles importantes atores na intrincada rede de manutenção da biodiversidade. Me pergunto quantas espécies ainda vão desaparecer para sempre, até que o antropocentrismo (declarado ou não) e a visão fragmentada da realidade deixem de dar o tom em debates sobre preservação.
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Gustavo Faleiros
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08 Jul 2009, 13:46 |
A primeira vez que conversei com o Thor Hanson, há cerca de seis meses, eu estava escrevendo uma matéria sobre o efeito das guerras sobre áreas ricas em biodiversidade. Pesquisador da Universidade de Idaho, nos Estados Unidos, ele foi o autor principal de um estudo que mostrava como zonas de conflito e regiões com muitos recursos naturais geralmente se confundem.
Leia reportagem "A biodiversidade na mira das guerras"
Naquela ocasião, Thor contou que a inspiração para o estudo havia surgido de um período de dois anos que havia passado como voluntário em Uganda, trabalhando com gorilas no Parque Nacional de Biwindi. Eu fiquei interessado e ele me contou que havia escrito um livro sobre sua experiência. Em poucas semanas recebi uma cópia, mas apenas recentemente tive a chance de lê-la com atenção. Foi uma boa surpresa: o livro prende atenção com boas histórias e revela os desafios da conservação.
O biólogo conta o dia-dia do time de guias de Biwindi e como eles trabalham para acostumar uma família de gorilas da montanha à presença humana. Thor discute a importância do turismo de observação da vida selvagem para a preservação de trechos de floresta neste pedaço da África. O contexto político também é explorado pelo autor, mostrando a relação do governo nacional com ONGs internacionais.
O livro mostra um arranjo interessante onde o dinheiro da conservação ajudava a pagar pequenos agriculltores que vivem na borda do parque e que tinham sua lavouras destruídas pelos gorilas. A principal ameaça aos primatas encontrava-se do outro lado da fronteira, no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo. Ali, sem compensação financeira, agricultores não poupavam os animais.
Abaixo, o mapa com os limites do Parque Nacional de Biwindi. Seu apelido, a Floresta Impenetrável explica-se completamente por esta imagem de satélite, onde o verde dentro das bordas é mais verde do que tudo ao redor. Explore o mapa interativo usando os cursores no canto superior esquerdo.
Visualizar Biwindi em um mapa maior
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Aldem Bourscheit
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29 Jun 2009, 10:45 |
Última sexta (26) estive na Embaixada Francesa, em Brasília, para conferir a exibição de três pequenos documentários sobre espeleologia, a exploração de cavernas. Os dois primeiros trataram de expedições à Serra do Caraça, em Minas Gerais, e à Serra do Ramalho, no sul da Bahia. O último apresentou treinamentos e técnicas para o duríssimo resgate de pessoas feridas em cavidades subterrâneas. Muito bem editados, mostram impressionantes e pouco conhecidas paisagens dos interiores do país.
Havia mais franceses que brasileiros na apresentação, reflexo do pouco gosto que os nativos daqui devotam à atividade. Na França há uns 7.500 espeleólogos registrados e ativos. Por aqui mal chegam a 300. Lá eles exploraram e mapearam toda e qualquer caverna e reconhecem seu valor ambiental e turístico; aqui pouco exploramos, pouco estudamos e ainda tentamos "flexibilizar" a lei para mais facilmente pô-las abaixo. O desprezo nacional por essas formações volta e meia ganha força com textos de repórteres que vêem o Brasil com olhos urbanos ou têm fobia a esforço físico, mato e morcegos.
Com turismo forte, a França conta com grupos organizados e muitos voluntários para resgates em cavernas. Os incidentes não chegam a 50 por ano, mas quando um ocorre um salvamento correto é fundamental para se salvar uma vida. No Brasil não há estatísticas sobre visitação ou acidentes nesses locais.
Lá fora também foi fundada a Spelunca, a mais antiga revista espeleológica do mundo. Ela é publicada pela Federação Francesa de Espeleologia, outro fruto do trabalho do Edouard Alfred Martel (1859-1938), visto por muitos como o pai da espeleologia.
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Felipe Lobo
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18 Jun 2009, 16:53 |
Fui ao Parque Nacional do Itatiaia na última terça-feira. Distante 150 quilômetros do Rio de Janeiro, cidade em que moro, a primeira unidade de conservação deste tipo no país fez aniversário no dia 14 de junho. E já não é mais um menino: são 72 anos de muita história, brigas, casais formados, banhos de cachoeira e, claro, ampla conservação da exuberante Mata Atlântica da região. Apesar de situado quase na interseção entre as duas maiores metrópoles do Brasil (Rio e São Paulo), confesso que o parque nunca havia sido o meu destino.
Um grande equívoco de percurso, percebi tão logo cheguei. Há poucos lugares bonitos como aquele. E demorei para visitá-lo. Lamúrias à parte, vi, assim que sentei ao lado de seu Antônio, funcionário da unidade de conservação e que fez a gentileza de me buscar na rodoviária, que o trabalho realizado por lá é sério. Itatiaia não é perfeito, longe disso. Mas seus funcionários são os primeiros a admitir que, sim, há muito a fazer para melhorá-lo.
Criado em 1937 com cerca de onze mil hectares, o parque praticamente triplicou de tamanho a partir da ampliação estabelecida em 1982. Mas até hoje convive com sérios problemas de regularização fundiária, algo notável nos primeiros metros percorridos após passar pela guarita rumo à sede principal. Ao todo, segundo dados oficiais da chefia do Itatiaia, a unidade comporta 131 propriedades particulares, com 85 residências – sendo cinco hotéis.
Os números acima provam o desrespeito do governo federal com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), lei que rege os princípios das áreas preservadas. No parágrafo 3 de seu artigo 11, está escrito: “O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas”. Infelizmente, o primeiro parque do Brasil é apenas mais um exemplo do descaso oficial em relação aos poucos fragmentos de floresta tropical que nos restam.
Mas a verdade é que, comparado a outros parques, da Mata Atlântica ou de qualquer bioma, o Itatiaia vai muito bem, obrigado. Subi a serra para participar da pequena festa organizada pelo diretor do Núcleo de Pesquisas da unidade, Leo Nascimento, em homenagem à septuagenária unidade. O evento contou com amigos da região, estudantes de biologia, funcionários do parque, alguns jornalistas e até juízes e promotores de justiça. Fazia frio aquela noite. Muito frio, principalmente para os altos padrões de temperatura de um carioca.
Agasalhado da cabeça aos pés, assisti ao animado e simpático Leo fazer uma breve introdução de todos os presentes para, em seguida, passar um documentário com trechos de um curta-metragem sobre o parque (com narração de Chico Buarque) intercalado com músicas e shows de Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Toquinho, Chico Buarque e Velha Guarda da Mangueira. Sobrou até espaço no auditório Tom Jobim para imagens do carnaval do Rio, durante a passagem do famoso bloco Cordão do Boitatá pela Praça XV.
Lá fora, a noite dava o ar de sua graça, escura como poucas vezes se vê em qualquer cidade grande do mundo (afinal, a iluminação artificial dos prédios e placas de publicidade impedem) e repleta de estrelas. Aberto ou fechado, o Centro de Visitantes, com sua arquitetura imponente, é um espetáculo à parte no meio de tanto verde – e, atualmente, conta com uma bela exposição sobre a formação geológica da Terra.
Às voltas com a futura decisão do Ministério de Meio Ambiente sobre se 1300 hectares da Parte Baixa do parque serão transformados em Monumento Natural (uma antiga proposta da associação de moradores da unidade, que vivem com medo de serem desocupados, como já disse O Eco), o Parque Nacional do Itatiaia segue a sua vida. Ao lado de belas cidades como Resende e Visconde de Mauá, ele pensa em sua vocação e trabalha para reabrir trilhas e travessias. Walter Behr, o chefe do parque, acredita que, em breve, tudo vai mudar. “Com a decisão do governo sobre a recategorização, poderemos enfim implantar o parque de vez, ou repensar a sua forma de gestão”, explica. Algo nos diz, portanto, que os próximos 72 anos do Itatiaia serão bem diferentes dos últimos. Que seja para melhor.
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Aldem Bourscheit
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16 Jun 2009, 19:44 |
Na última semana, frequentei por dois dias a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Lages. Cheguei no domingo à tarde, com termômetros registrando sete graus centígrados. No dia seguinte, o frio invernal perdia força com o sol brilhando a mais de mil metros de altitude no pequeno e simpático campus, onde alguns estudantes protagonizam cenas insólitas em seu tempo livre, jogando rugby ou experimentando laçadas em um cavalinho de madeira. Minha atenção foi novamente despertada dentro do prédio do Centro de Ciências Agroveterinárias. Lá se pode conferir uma foto de tempos mais vigorosos do senador Jorge Bornhausen (veja aqui) entre certos homenageados, a poucos metros do Centro Acadêmico Chico Mendes.
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Andreia Fanzeres
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10 Jun 2009, 12:36 |
Uma formação muito conhecida dos escaladores brasileiros é a de Três Picos de Salinas, no Parque Estadual de Três Picos, em Nova Friburgo, região serrana do Rio. No fim de semana passado uma amiga me chamou para conhecer a versão italiana desses três picos, localizados dentro do Parque Natural Dolomiti di Sesto, na extremidade leste dos Alpes. Foi apenas uma brincadeira, porque “Tre cimi di Lavaredo” têm pouco em comum com a paisagem fluminense.
Os Alpes ali ficam bem próximos do litoral. Em cerca de duas horas de carro partindo de Veneza começam a aparecer os cumes escarpados e cobertos de neve. Os famosos três picos não superam três mil metros de altitude. Um amigo que foi criado na região me disse que não é comum ver tanta neve nesta época do ano (quase verão no hemisfério norte), mas devido à severidade do último inverno boa parte da trilha até a base dos picos estava ainda coberta.
Existem dezenas de caminhos e vias de escalada na região, conquistadas a partir de 1869. As trilhas terrestres por vezes atravessam riachos com volume crescente de água conforme a neve derrete. O frio, como se supõe, é grande em qualquer época do ano. Mas um refúgio de bandeira italiana no pé dos três picos serve para recobrar as energias dos visitantes que optam pela trilha mais conhecida, a exatos 2.333 metros. Ali eles podem se alimentar e até passar a noite, caso façam reserva e paguem com antecedência. As trilhas usadas por soldados durante a 1ª Guerra Mundial são tradicionalmente consideradas as mais difíceis.
O parque é lar de pelo menos 53 espécies de plantas e 222 de animais, de acordo com a base de dados das Nações Unidas. Os cerca de 11 mil hectares da área protegida, criada em 1981, são contíguos a outros dois parques, Fanes - Sennes e Braies e Dolomiti d'Ampezzo. Os três guardam boa parte da paisagem alpina italiana, na fronteira com a Áustria. Confira algumas imagens da região clicando na foto acima.
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Gustavo Faleiros
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02 Jun 2009, 07:03 |
Há duas semanas, eu e Andreia Fanzeres visitamos uma reserva florestal na região de Anglia Oriental, no Reino Unido. A Floresta de Foxley fica em um pequeno povoado de mesmo nome, a 200 quilômetros de Londres. O que nos atraiu até lá foi um pequeno folheto que informava ser aquela a floresta mais antiga do leste da Inglaterra. Segundo o não-governamental Fundo de Proteção da Vida Selvagem de Norfolk, que cuida do local, Foxley é uma área coberta por florestas há cerca de 6 mil anos.
Animados em conhecer uma floresta tão antiga, interrogamos um representante da ONG de Norfolk sobre a idade da floresta. Ele nos disse que esta é uma questão em debate, pois Foxley vem sendo alterada por intervenções humanas por anos e anos. O que se sabe, é que o atual desenho da floresta já aparece no Doomsday Book, o primeiro censo feito na Inglaterra, no ano de 1066!
A caminhada pela mata, independente de sua idade, foi bastante agradável, e o sentido de floresta temperada nunca se fez tão presente. As maiores árvores que vimos foram carvalhos e bétulas. A área que causa mais frisson, no entanto, é a chamada bluebell (sinos azuis), com pequenas flores azuladas na vegetação rasteira.
Foi um bom passeio, mas a caminhada é bem curta e isso foi um pouco decepcionante. Grandes florestas no Reino Unido parecem mesmo ter ficado no tempo de Robin Hood.
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Cristiane Prizibisczki
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26 Mai 2009, 18:51 |
Se há quatro anos o Avistar era restrito a ornitólogos e fotógrafos de aves, hoje, definitivamente, não se pode mais dizer o mesmo do encontro. Segundo Guto Carvalho, organizador do evento, este ano o mix de participantes foi grande e enquadrou várias categorias de observadores. Pesquisadores da ornitologia, biólogos que não são ornitólogos, observadores que não são biólogos e aqueles que estão iniciando na observação. “O público acadêmico foi de 25%. A grande parcela, cerca de 40%, foi de observadores não-acadêmicos, ligados ao turismo ou à observação”, disse.
Com tal perfil de participantes, o Avistar é bem diferente de um encontro técnico, onde as discussões são focadas em pesquisas e trabalhos acadêmicos. Segundo Mário Conh-Haft, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o evento é uma oportunidade para o pesquisador entrar em contato com aqueles que, de forma direta ou não, contribuem para os trabalhos de academia.
“O corpo técnico [de ornitólogos no Brasil] é pequeno e também tem gente que não está cobrindo grandes extensões territoriais. Certamente o número de birdwatchers é maior do que o de pesquisadores, por isso a participação de leigos é importante, porque eles podem gerar registros, facilitados pelo uso da tecnologia. O observador pode gravar, fotografar a ave, e estes dados são avaliáveis como registros. Assim, a observação cria uma exército de leigos contribuindo para a pesquisa e levantamento da distribuição de aves no país”, disse.
Do outro lado, observadores não-pesquisadores se beneficiam com informações que dificilmente teriam de outra forma. “As palestras são acessíveis e a iniciativa indispensável para os interessados”, diz Thaís Borges, professora de música e observadora há quatro anos. Segundo ela, as palestras poderiam até ser mais aprofundadas, com mais tempo para discussão. “Acho que houve um excesso de assunto em palestras curtas. Gostaria que tivéssemos mais tempo, que os palestrantes tivessem uma atitude menos preocupada com o tempo.”
Além da troca de experiências e informações, o Avistar, segundo o pesquisador do Inpa, é uma chance que ornitólogos têm de travar um contato diferenciado com seu objeto de estudo. “Não precisa ser cientista pra apreciar aves e nem todo cientista se interessa por elas, ou se permite, explorar este lado. Para mim, a oportunidade de me envolver em atividades não somente cientificas em relacão a aves foi otimista. É bom lembrar porque a gente estuda o que estuda”, arrematou.
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Cristiane Prizibisczki
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23 Mai 2009, 01:52 |
Imagem do programa Cool Edit mostra a
representação gráfica do canto do tico-
tico (Zonotrichia capensis) |
A prática da observação de aves também exige um bom conhecimento dos sons que as espécies emitem. Este é o primeiro passo para acha-las em seu habitat. Em ambientes fechados, como florestas, por exemplo, é possível que o birdwatcher escute até 30 vezes mais os sons do que veja o animal.
Isso sem falar em espécies que fisicamente são muito parecidas entre si. As tovacas na Mata Atlântica são exemplos clássicos. Pequenas e de hábitos ligados ao extrato da vegetação, as três tovacas que existem no bioma são de difícil visualização e, quando avistadas, de difícil identificação pelas semelhança entre elas. Nessas horas, saber como é o canto de cada uma é essencial para a identificação correta.
Com o desenvolvimento da internet e surgimento de aparelhos como IPod, tudo ficou mais fácil para o observador. Quer saber como é o canto de um tico-tico (Zonotrichia capensis)? É só realizar uma busca em sites específicos de canto e fazer o download.
Descrever uma ave também não é tarefa complicada. Tamanho, cores e características físicas são fáceis de transformar em palavras. Agora, o que dizer do som? Como descrevê-lo? “Somos animais essencialmente visuais. Então é bom usar um sonograma”, explicou Jeremy Minns, um dos maiores especialistas em gravação e vocalização de aves no Brasil, durante a programação de ontem do Avistar.
O sonograma a que Minns se refere é um programa de computador que representa graficamente o canto, indicando a frequência e o tempo gasto em cada som emitido pela ave. “No começo vai ser muito difícil, mas depois de um certo tempo que você compara o som com a imagem dele, você consegue aprender”, diz Minn, com a sabedoria de quem, há décadas, trabalha com o assunto.
Onde achar gravações de cantos:
www.xeno-canto.org
www.aves.brasil.nom.br
DVD-ROM - Aves do Brasil (a ser lançado no próximo semestre)
Software para visualização e edição de sons:
Cool Edit 2000 - http://baixaki.ig.com.br/site/dwnld1245.htm
Audacity - http://audacity.sourceforge.net/
Syrinx - www.syrinxpc.com
Raven Lite - www.birds.cornell.edu/brp/raven/Raven.html
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