Por Nathalia Clark



Brasília - “O grande fracasso do Brasil em termos de conservação da biodiversidade é não possuir uma economia da floresta”, afirmou Alberto Lourenço, secretário da Subsecretaria de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). A economia da floresta em pé, aliada à conservação da biodiversidade e dos remanescentes florestais foram tema do seminário “Assuntos Estratégicos da Amazônia”, realizado pela SAE nos dias 13 e 14 em Brasília, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e com apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O objetivo do seminário, que reuniu especialistas da academia, entidades da sociedade civil e tomadores de decisão, foi debater meios de inserir a Amazônia no contexto do desenvolvimento nacional e re-analisar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), para oferecer subsídios para as políticas públicas a serem implementadas até 2020. Foram realizadas seis mesas de debate, que tratavam de temas como: desenvolvimento industrial na Amazônia; cidades, desenvolvimento agropecuário e recuperação de áreas degradadas; conhecimento sobre a Amazônia; e infraestrutura e acessibilidade.

Para o secretário-executivo do MMA, José Machado, já é hora de rever o Plano: “num ciclo de três anos, devemos pensar métodos mais adequados, re-analisar, acrescentar novas perspectivas, identificar lacunas”. A ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, e o ministro da SAE, Samuel Pinheiro, defenderam a necessidade de dar caráter mais operacional ao Plano, identificando metas para fazer o planejamento fluir.

A intenção de revisar o Plano gerou certo burburinho no segundo dia do seminário, após polêmica causada pela intenção do governo federal em alterar um plano criado em 2008 pela então ministra de Meio Ambiente, Marina Silva.

A questão tecnológica

Alberto Lourenço crê que os principais desafios para a região são: estruturar o acesso à terra; substituir a pecuária extensiva pela economia da floresta em pé; retomar uma infraestrutura sustentável; ordenamento fundiário; regularização de unidades de conservação (UC); e avanço na área madeireira a fim de conter o desmatamento.

Para isso, ele acredita em incentivos à tecnologia de baixa e média complexidade. “Ouvimos uma revolução em ciência e tecnologia, uma retórica grandiosa, mas sem embasamento. Idolatra-se a tecnologia, hoje, como se fosse um Deus-máquina, enquanto que o principal problema de tecnologia na Amazônia é de adaptação e difusão das tecnologias já existentes, não a invenção de novas”, afirmou.

Lourenço confessou deixar o seminário um tanto melancólico: “não há indícios de uma mudança de modelo, o governo continuará investindo nas mesmas commodities. Um extrativismo molecular, a mais moderna ciência de modificação genética, seria a maior esperança no momento”.

Conhecimento científico + tradicional

Outra das questões significativas identificadas como lacuna nas ações para a região é a importância do conhecimento sobre a Amazônia. Nas apresentações, chegou- se à conclusão de que faz-se necessário o investimento no conhecimento da riqueza da floresta e, para isso, fortalecer instituições de ensino acadêmicas, mas também, e principalmente, valorizar os conhecimentos tradicionais dos povos e sociedades da região. “É impossível incluir a Amazônia nos projetos nacionais sem conhecimento a fundo do que se quer preservar”, comentou José Machado, coordenador da mesa.

De acordo com o professor Gilton Mendes dos Santos, da Universidade Federal do Amazonas, “pensar a Amazônia é, principalmente, pensá-la a partir de seus povos, a partir do ponto de vista de quem tradicionalmente vive lá. É preciso levar a sério as diferentes leituras de mundo e suas práticas de pesca, extrativismo, etc. Preocupa uma visão unidimensional da ciência num movimento obstinado de enquadrar a Amazônia a partir de nossos indicadores. Compreender essa diferença radical é um dos primeiros passos. Compreender e dimensionar as práticas tradicionais amazônicas com as práticas da ciência ocidental é fundamental”.

Conhecer para conservar



Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade, apoia a ideia de desenvolvimento de uma política consistente de conhecimento da Amazônia. Segundo ele, praticamente todas as incumbências do ICMBio tangenciam a pesquisa, duas principalmente: o monitoramento das UCs, e as atividades diretas, que dizem respeito ao fomento e execução dos programas de pesquisa, proteção e preservação.

Já para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Peter Mann, é necessária a criação de um sistema de inventários biológicos. De acordo com ele, há uma proposta de um censo de biodiversidade regional, para monitoramento da fauna e flora, entendendo como se dá a dinâmica quanto à modificação do solo. “Obtivemos sucesso na diminuição das áreas totais desmatadas, mas aumentaram os pequenos desmatamentos. E isso tem que ser levado em consideração, se estamos pensando em uma estratégia de planejamento.

Em consonância, Rômulo Mello defende a utilização das unidades de conservação na condição de laboratório. “Para o desenvolvimento de grandes projetos, os estudos são fundamentais, e o censo é uma grande oportunidade de catalogar esse conhecimento”, completou.



De acordo com o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), apesar do longo período de estiagem e das frequentes queimadas que resultaram em 28 mil focos de calor em todo o país no mês de agosto, o desmatamento na Amazônia permaneceu em queda. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os dados do desmatamento na Amazônia Legal, no período de janeiro a agosto de 2010, demonstram que houve uma redução de 47% do desmatamento em relação ao ano passado, com perda de 265 km2 de floresta contra 498 km2 de área desmatada em 2009.

Dentre os estados com maior índice de desmate na região, o Pará figura em primeiro lugar, com 134 km2 de área retirada. O Mato Grosso vem em seguida, com 54,9 km2, e logo depois o Amazonas, com 26,4 km2 a menos de mata no período.


De janeiro a agosto deste ano, os números do Inpe apontam redução do desmatamento em quase todos os estados da Amazônia Legal, menos no Amazonas. Segundo os dados, os municípios que mais desmatam, em ordem decrescente, são: Apuí, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Canutama, Boca do Acre, Maués, Autazes, Careiro, Humaitá e Pauini; todos no estado do Amazonas.

Na avaliação dos dois anos, o mês de julho foi o período em que se constatou maior taxa de desmatamento, chegando a 46,8% em 2010, diferença de 0,1 a menos em relação ao mesmo período de 2009.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os números confirmam a tendência de queda do desmate na região nos últimos meses.

Em operação desde 2004, o Deter é um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento, mas é possível detectar apenas polígonos com área maior que 25 hectares. Neste último estudo, foram detectados 183 polígonos.

No entanto, para computar a taxa anual do desmatamento por corte raso na Amazônia, o Inpe utiliza o Prodes, que trabalha com imagens de melhor resolução espacial capazes de mostrar também os pequenos desmatamentos. Em novembro, o Prodes apresentará a sua estimativa para o período. (Nathalia Clarke)
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia divulgou, hoje, o boletim Transparência
Florestal. De acordo com o documento, em agosto o Sistema de Alerta de
Desmatamento (SAD) detectou 210 km2 de desmatamento na Amazônia Legal, uma redução
de 23% em relação ao mesmo período do ano passado (273 km2).

Os estados campeões de derrubadas foram Pará (68%), Mato Grosso (11%), Amazonas (10%),
Acre (6%) e Rondônia (5%). A degradação florestal, causada pela retirada de madeira e por
queimadas aumentou em assustadores 241%, batendo 1549 km2 contra os 455km2 de agosto
passado. Para variar, Mato Grosso (46%) e Pará (38%) saem na frente.

Tristes recordes

Não é de hoje que Pará e Mato Grosso lideram listas de campeões do desmatamento.
Especialistas não se cansaram de dizer que neste ano os índices aumentariam
significativamente, já que em época de eleição "pega mal" implicar demais com desmatadores,
pois o objetivo número um de políticos parece ser a conquista de votos.

Enquanto a disputa por votos se acirra, o desmatamento e as queimadas na floresta avançam
impiedosamente. Na semana passada, o Instituto Centro de Vida (ICV) divulgou, com dados
do satélite NOAA-15, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que do começo do
ano até setembro Mato Grosso consagrou-se como o estado com maior número de focos de
calor do país (15.692), seguido de Tocantins (13.929) e Pará (12.210). No mesmo período de
2009, "apenas" 1692 focos de calor foram registrados no MT.

(Karina Miotto)

Uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Max Planck, da Alemanha, resultará na construção de novas torres de observação que deverão monitorar uma área superior a mil quilômetros quadrados no Amazonas.

A maior delas, conhecida como ATTO, terá 320 metros de altura (o equivalente a um prédio de 100 andares), será instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em São Sebastião do Uatumã, e terá como missão analisar ininterruptamente as trocas gasosas da camada atmosférica por um período entre 20 e 30 anos. De acordo com Jochen Schöngart, do Max Planck, graças a ela será possível compreender melhor os serviços ambientais prestados pela floresta e sua interação com a atmosfera. A previsão é que ela seja construída no segundo semestre de 2011.

Ao redor da ATTO, serão instaladas outras quatro torres de 80 metros de altura cada - em uma delas um elevador vai se mover por 24 horas a uma velocidade média de dois a quatro metros por minuto. Elas fornecerão informações sobre gases que atuam na limpeza atmosférica e ajudarão a ciência a compreender melhor os fenômenos climáticos na região.  O custo total do projeto é de 8,4 milhões de euros.

“Em suma, o projeto terá três grandes linhas de pesquisa: Química da Atmosfera, voltada à compreensão das interações da floresta com a atmosfera em termos de trocas gasosas e de aerossóis; Micrometeorologia, com a finalidade de estudar os processos de troca de massa e energia entre a vegetação e a alta atmosfera e Física de Nuvens, cujo objetivo é o estudo dos mecanismos de formação de nuvens e de produção de chuvas na região”, explica Jochen Schöngart.
A NASA, agência espacial americana, divulgou um mapa da qualidade do ar no planeta em agosto. As manchas mais fortes em vermelho mostram as mais altas concentrações de aerossois na atmosfera, medidos pelo sensor Modis, no satélite Terra. Os aerossois são partículas sólidas presentes no ar, que podem vir na fumaça das queimadas, e do transporte de areia e poeira pelos ventos. Dependendo do formato e do tamanho das partículas em suspensão, elas podem ajudar na formação de nuvens de chuva ou inibi-las.



As emissões oriundas de queimadas na região amazônica e o transporte da fumaça para o sul do continente americano foram os maiores responsáveis para os índices ruins de qualidade do ar. Segundo a NASA, a América do Sul, junto com a Rússia, apresentaram as maiores concentrações do planeta no período analisado. Veja uma foto tirada pela NASA do corredor de fumaça formado na América do Sul.




Só mesmo o monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para contabilizar quantas áreas naturais protegidas brasileiras estão sendo consumidas pelo fogo nesta severa estiagem. São 135 pela última contagem. Parque Nacional de Brasília, 25% da vegetação viraram cinzas. Parque das Emas, 93%. Parque da Chapada dos Veadeiros, outros 35% de estragos. Com um pouco de conhecimento de imagens, é possível enxergar o tamanho do problema das nossas próprias casas.


Esta imagem obtida no dia 15 de setembro do satélite Resourcesat revela mais uma faceta da tragédia do fogo. Ela foi tirada sobre a região do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) -- marcado com bordas azuis -- e mostra zonas enegrecidas por onde o fogo já passou, totalizando por enquanto 13.200 hectares, ou 40% da unidade de conservação. Mas a foto está avermelhada. É a fumaça, em quantidades avassaladoras, que sai das centenas de focos de calor no entorno da cidade e do parque nacional.

Andreia Fanzeres

Quando este ano começou, todo mundo sabia que o Cerrado arderia em chamas como ou pior do que em 2007. Três anos atrás, era tanta fumaça saindo dos incêndios na região do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães que somada à nuvem proveniente do norte do estado, transformaram Cuiabá num paiol venenoso. Por dois meses, o aeroporto da cidade operou com as luzes noturnas ligadas ininterruptamente. Em 2010, parou de chover mais cedo, no início do mês de abril. A vegetação, que não sofreu com muitas queimadas nos últimos dois anos, cresceu dentro e fora do parque. O acúmulo de combustível virou uma bomba-relógio na mão de gente que não consegue relacionar o céu cinza e o ar poluído que respira com o fogo que ateia para queimar folhas e lixo. Dentro e fora da área urbana. Bastou esquentar e a umidade cair para que as ações contínuas da população de atear fogo transformassem o hábito criminoso em catástrofes.

Em agosto, passei uma longa temporada fora de Mato Grosso, o que ajudou a proteger minha filha de apenas 4 meses do ar poluído e da fuligem que diariamente entra pelas portas e janelas da nossa casa. Mas em setembro, precisamos voltar e desde então estamos convivendo com situações vergonhosas e revoltantes.

Desde que mundo é mundo, Brasil é Brasil e Mato Grosso é Mato Grosso, queima-se propositalmente na época mais seca do ano. Seja para renovar o pasto, na inconseqüente ilusão de que a vegetação crescerá mais forte, ou para se livrar de qualquer tipo de coisa que esteja sobrando no quintal dos moradores. Nessa época, acidentes também acontecem. Mas a partir do momento em que se conhece o problema e não são tomadas medidas preventivas, o acidente passa a virar omissão e negligência. Faíscas de motocicletas que provocam erosões em caminhos abertos ilegalmente dentro do parque de Chapada já tinham sido suspeitos de causarem um dos incêndios de 2007. Hoje, em plena seca e com o estado ardendo em brasas, quem diria, os ralis continuam impunemente dentro da unidade de conservação, que foi novamente atingida pelo fogo de forma tão grave que sequer houve tempo de contabilizar os prejuízos.

Há muitos anos, nem o governo federal ou o estadual conseguem dar respostas objetivas a quem pergunta quantas vezes alguém foi multado porque ateou fogo em terrenos baldios ou em imóveis rurais. Muito menos os que provocaram catástrofes em áreas protegidas a partir de seus inocentes incêndios. E onde a impunidade impera, o crime se perpetua.

Neste fim de semana, até o canteiro central de uma importante avenida da turística Chapada dos Guimarães foi consumido pelas labaredas sem que ninguém tomasse nenhuma providência. Nos últimos dias, presenciei diversos terrenos com remanescentes de Cerrado em pleno bairro “nobre” de Chapada também em chamas. E moradores apreensivos observando o fogo durante a noite, torcendo para que ele não crescesse para dentro de suas residências. Disseram que chamaram a polícia. Mas a polícia em Chapada não se dá ao luxo sequer de comparecer aos flagrantes. Parece que fogo não é coisa de bandido. Certa vez, uma moradora me confidenciou que telefonou para a polícia acusando a vizinha de ter ateado fogo. A fumaça invadia sua casa. A polícia teve a pachorra de perguntar se o fogo estava sendo ateado em folhas no quintal da vizinha, como era o caso. Depois da resposta positiva, os policiais disseram que nada poderiam fazer, pois não tinham autorização para entrar na casa da cidadã. Certas atitudes nos fazem questionar se as autoridades sabem mesmo quais são suas próprias atribuições.

Ano passado, ao notar que em pleno mês de setembro haviam posto fogo no terreno vizinho à minha casa, corri com minha família com baldes para tentar apagar. Estava grávida, mas quem se importa? A polícia não fez nada para ajudar. A prefeitura não acha importante ter de prontidão brigadistas treinados para atender à população, conhecendo os incendiários que abriga. E na cidade não há corpo de bombeiros. Simplesmente não há saída para quem vive em Chapada dos Guimarães.

Já este ano, temendo que a situação se repetisse, tive que suplicar para que os trabalhadores que faziam a “limpeza” do tal terreno baldio não tocassem fogo novamente. E dei a eles uma simples sugestão. Carreguem o mato cortado. O que não der para carregar, deixe lá. Para que queimar? Eles coçaram a cabeça e aceitaram a brilhante idéia.

Infelizmente, na semana seguinte, outro incendiário não teve a mesma iluminação. E mais uma quadra inteira do bairro, onde havia Cerrado, virava cinzas. Junto com ela, os fios dos postes. E, minutos depois, o bairro estava sem luz. O fogo se propagou perigosamente para o terreno da companhia de águas da cidade. Avisamos à funcionária que estava de plantão. E à revelia dos estalos que o fogo dava a poucos metros dali e da fuligem que entrava pela sua própria janela, ela confidenciou que a prefeitura sequer tem um caminhão pipa para atender a cidade. Cidade que, além de sem luz, também corria o risco de ficar sem água.

O que se faz com as autoridades que são omissas, negligentes e ausentes diante de varias questões, mas especificamente, do fogo que ameaça todos os anos, cotidianamente, os moradores da região de Chapada dos Guimarães? Olhar para as cidades vizinhas e conformar-se com o fato de que nenhuma outra prefeitura toma atitude mais decente não vai ser de muita valia. Em Mato Grosso, perceber o entorno só ajuda a termos uma noção mais realista da dimensão da irresponsabilidade de quem não maneja suas áreas adequadamente, não previne, não fiscaliza, não pune, não auxilia. Às vezes, nem reclama. Este ano, mais uma vez, as urnas ficarão sujas de cinzas.

Nesta quarta-feira, o governo federal decretou estado de emergência em 14 estados e no Distrito Federal em função do grande número de focos de calor. Estão na lista os estados do Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, do Pará, Piauí, Tocantins, da Bahia e de Goiás e Minas Gerais. Com o decreto, os estados podem contratar brigadistas para combater o fogo sem necessidade de licitação. A portaria com a lista foi publicada na segunda-feira (6) no Diário Oficial da União.

Recebemos em ((o))eco fotos de leitores atentos ao drama das queimadas no Brasil. Os relatos também foram enviados ao mapa coletivo Chega de Queimadas, que permite pessoas de todo Brasil informarem sobre incidentes com fogo e fumaça. João Morita, em Carolina, Maranhão, registrou a área queimada dentro do Parque Nacional Chapada das Mesas na terceira semana do mês de agosto.

Na primeira foto, uma perdiz no meio da área queimada,
 




Para ver o relato geolocalizado clique aqui:

 O outro relato foi feito por Nilo D´Ávila, em Brasília. Ele registrou na semana passada uma área queimada próxima à um dos pontos turísticos da capital, a ponte JK.
 


Para ler o relato geolocalizo clique aqui


Ao longo da área de influência da BR-317, no sul do Amazonas, foram detectados mais de 600 focos de calor pelos satélites do Inpe até o dia 23 de agosto. Estes focos estão mais concentrados próximo à área urbana de Boca do Acre e da divisa com Lábrea, onde está o Projeto de Assentamento Monte, do Incra. Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). As imagens de satélite do Inpe analisadas pelo Ipam já demonstram cicatrizes deixadas pelas queimadas na região, que dobraram entre os meses de julho e agosto deste ano.

Gráfico do Ipam mostra a área de influência da BR-317, que inclui parte dos municípios de Boca do Acre e Lábrea, no Amazonas.
e à direita focos de calor registrados ao longo BR-317 até o dia 17 de agosto

A rodovia BR-317, que liga Boca do Acre (AM) a Rio Branco (AC), começou a ser pavimentada no ano passado. Apesar de federal, o licenciamento foi transferido para o governo estadual e concedido pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

O Ipam analisou também foco de calor no Departamento Madre de Dios, Peru, na fronteira com o Brasil, cortado pela Rodovia Interoceânica. A pavimentação da rodovia entre o Brasil e a capital do Departamento, Puerto Maldonado, foi concluída este ano. De acordo com o Ipam, 90% dos focos de calor na região foram registrados ao longo da rodovia. Em maio, havia sido detectados penas três focos de calor no departamento peruano. Mas até o dia 23 de agosto, já haviam 280 focos registrados pelos satélites. Os distritos de Tambopata e Las Piedras, com 33% e 25%, respectivamente, foram os que mais tiveram pontos de calor identificados pelos satélites. (Vandré Fonseca)

 Interoceânica concentra 90% dos focos de calor identificados no Departamento peruano de Madre de Dios, entre maio e agosto deste ano.







fonte: Imazon

Nesta terça-feira (31) tanto o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quanto o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgaram dados relativos ao desmatamento. Eles diferem em alguns pontos, mas apresentam resultados semelhantes em outros.

Para entender a diferença entre os sistemas Deter e SAD, clique aqui. 

Inpe/Deter

De acordo com o Inpe, foram contabilizados 485,07 km2 desmatados na Amazônia Legal durante o mês de julho, um aumento em relação aos 243,74 km2 de junho. Os dados são do sistema de  Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). "Seca severa, eleições - onde regularmente abaixa o poder fiscalizatório. Afinal, ninguém quer multar eleitor - e a mudança no Código Florestal proposta pelos ruralistas (com anistia) favorecem o aumento do desmatamento", explica Marcio Astrini, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

O Estado campeão de desmatamentos no mês que antecedeu os altos índices de queimadas de agosto foi o Pará, com 237,88 km2, seguido de Mato Grosso (102,24 km2), Rondônia (69,96 km2) e Amazonas (46,88 km2). Entre as cidades dos Estados que mais botaram a floresta abaixo, o destaque vai para Altamira (PA), responsável por 63,69 km2 do desmatamento, Porto Velho (RO), com 54,07 km2, Sinop (MT), com 24,76 km2 e Apuí (AM), com 29,62 km2.

Ainda que o desmate tenha aumentado de junho para julho de 2010, nos últimos doze meses (agosto de 2009 a julho de 2010) foram desmatados 2.295 km2, o que representa uma diminuição de 43% em relação a julho de 2009. No entanto, vale lembrar que o Deter é um indicador de tendências do desmatamento anual, pois entre outras razões, detecta desmates apenas em áreas acima de 25 hectares e pode deixar passar dados devido à presença de nuvens. Atualmente, os maiores desmatamentos ocorrem justamente em áreas menores do que 100 hectares.

Imazon/SAD


fonte: Imazon
Hoje também foi dia de divulgação dos dados do boletim Transparência Florestal, do Imazon. O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD(, do instituto, detectou 155 km2 de desmatamento na Amazônia Legal durante o mês de julho, o que representa redução de 71% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o desmate chegou a 532 km2. De agosto de 2009 a julho de 2010, o boletim afirma que foram desmatados 1766 km2, o que representa redução de 16% em relação ao período anterior (agosto de 2008 a julho de 2009).

Ambos institutos concordam que em julho de 2010 a maior parte do desmatamento ocorreu no Pará. O Imazon afirma que este montante chega a 51% neste estado, seguido de Mato Grosso (23%), Rondônia (9%), Acre (8%), Amazonas (8%) e Tocantins (1%). E afirma: “destaque negativo para o crescimento da participação do Amazonas e do Acre na composição total do desmatamento da Amazônia Legal”.  

Comprovação pelo Greenpeace

Os dados relativos a julho divulgados pelo Imazon serão confirmados pelo Greenpeace por meio de sobrevôos. Dois já foram feitos e o último acontecerá em setembro. Os dados do Imazon serão checados a cada três meses.

Em maio, o Greenpeace conferiu em campo 108 polígonos de desmatamento e degradação indicados pelo sistema SAD entre janeiro e março deste ano. De acordo com a ONG, 93% dos alertas estavam certos. O objetivo da parceria entre as duas organizações é aumentar a precisão do monitoramento da floresta. (Karina Miotto)

Para saber mais
Relatório Inpe – sistema Deter

Boletim Transparência florestal – Imazon

Grilagem no Terra Legal

Mapa Coletivo: chega de queimadas

Em recurso apresentado no último dia 12, o MPF pede que sejam anuladas todas as licenças ambientais já expedidas pelo Estado de São Paulo, pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) e pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), que permitam a prática de queima controlada da palha de cana de açucar na região do interior do Estado de São Paulo, em virtude da ausência de estudo de impacto ambiental prévio e de licenciamento com base em normas válidas, além da usurpação da atribuição federal na questão.

O pedido  do MPF surgiu em resposta à posição favorável do juiz César de Moraes Sabbag em relação às queimadas, que havia negado a solicitação da ação civil pública que pedia a suspensão imediata de todas as licenças concedidas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo.

O MPF requer que, uma vez reformada a decisão do TRF de Ribeirão, que o mesmo determine e reconheça a  responsabilidade do Ibama na concessão de licenciamentos ambientais para a atividade em questão, mantendo-as de acordo com as leis ambientais. É também solicitado que o Ibama e a Polícia Ambiental do Estado de São Paulo ganhem apoio para campanha de divulgação das novas normas para recebimento de autorização para a queimada de palha de cana na região.

De acordo com Procurador da República Andrey Borges de Mendonça, a situação ambiental na região de Ribeirão Preto é grave, pois as queimadas agravam perigos à saúde da população devido à quantidade de fumaça e fuligem resultantes dessa atividade, além dos riscos de difusão das queimadas, possibilitada pelo período de estiagem.  (Laura Alves)
 

Tong Lee, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e Michael MacPhaden, do Laboratório de Estudos Ambientais Marinhos do Pacífico da NOAA, são autores de um estudo que analisa a intensidade dos El Niños desde 1992. Junto com a análise de observações via satélite da temperatura dos oceanos criam um parecer sobre a interrelação dos fenômenos climáticos globais. Os pesquisadores conseguiram perceber que as intensidades do El Niño no oceano Pacífico central dobrou, com seus eventos mais intensos ocorrendo no período de 2009-2010.

Os cientistas explicam que o aumento da força do El Niño ajudam a explicar o aumento da temperatura da superfície do oceano Pacífico, observada ao longo dos anos, e que alguns de seus efeitos são atribuídos ao aquecimento global. "Nosso estudo conclui que a tendência de aumento da temperatura a longo prazo, observada na região central do oceano Pacífico é primordialmente atribuída a El Niños mais intensos e não a um aumento generalizado das temperaturas ambientais”, explica Lee.

Os resultados dessa pesquisa sugerem que as mudanças climáticas já estão interferindo no fenômeno do El Niño por mudarem o centro de ação da região leste para a região central do Pacífico, pois a mudança no padrão de ocorrência do El Niño causa impactos ambientais diferentes dos antes observados. O El Niño faz parte de um padrão de oscilações climáticas associadas aos componentes oceânicos (como temperaturas e correntes marinhas), ocorrendo no oceano pacífico em uma média a cada três ou cinco anos. Esse fenômeno climático possui grande impacto nas dinâmicas oceânicas e na atmosfera, assim como consequências socioeconômicas graves. Sua influência na temperatura global pode induzir maior frequência de tempestades, furações, secas e enchentes.

Os episódios clássicos do conhecido El Niño acontecem normalmente com a diminuição da intensidade dos ventos na região leste do Pacífico, o que acarreta na supressão do movimento natural de circulação das águas marinha, inibindo que águas mais frias subam à superfície, deixando mais quentes as águas superficiais na região das Américas. Nessas situações a água mais quente ocupa a máxima do aquecimento oceânico na região leste equatorial do Pacífico.

Porém, durante a década de 90, cientistas passaram a observar um novo tipo de EL Niño que agora está ocorrendo com maior frequência. Conhecido como “El Niño do Pacífico Central”, esse fenômeno diferencia-se por deslocar o centro de aquecimento das águas da região leste para a região central do Pacífico, e estudos recentes demonstram que esse cenário deve tornar-se mais frequente com o aumento da temperatura global e intensificação das mudanças climáticas.

Ainda são necessárias pesquisas mais aprofundadas sobre os impactos de todos os El Niños observados e sobre as mudanças climáticas que determinam sua força e sua periodicidade. De acordo com Lee, é importante diferenciar as variações naturais das variações induzidas por impactos humanos, como emissões de gases estufas para melhor prever e entender os El Niños e, principalmente o El Niño do Pacífico Central.  (Laura Alves)

Para maiores informações: http://sealevel.jpl.nasa.gov/.

A temporada de incêndios florestais que assusta os brasileiros ainda está longe de terminar. Pelo menos é o que indica a medição diária do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro. De acordo com cálculos e projeções, a estiagem e a baixa umidade relativa do ar fizeram com que o risco de fogo nas unidades de conservação estaduais chegasse ao nível máximo no último dia 21, e assim continua. Desde então, três parques e uma reserva biológica sofreram com pequenos focos de calor.

No último fim de semana, 1,8 mil metros quadrados dos limites do Parque Estadual dos Três Picos foram atingidos pelas chamas, provavelmente causadas por um balão. Os Parques da Pedra Branca e da Serra da Concórdia, além da Reserva Biológica e Arqueológica de Guaratiba também foram atingidos, mas em proporções menores. Vale lembrar que todas as equipes de brigadistas, formadas por guarda-parques, funcionários e membros do Corpo de Bombeiros em 14 parques, reservas e estações ficam de prontidão quando o nível da probabilidade de incêndios chega a médio.
 
Cada unidade de conservação tem um índice separado, assim como as regiões do estado, estabelecido a partir de dados meteorológicos. A probabilidade e velocidade de propagação do fogo são medidas. André Ilha, diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, solicitou que a população tenha cuidado a fim de evitar as chamas, já que muitas vezes elas são causadas por descuido.

O índice de risco de incêndios florestais é divulgado diariamente pelo Instituto Estadual do Ambiente em seu site (www.inea.rj.gov.br), com atualização diária a partir de 15h.


 
Centro de Rio Branco enconberto pela fumaça de queimadas

Condições climáticas atípicas aumentam o número de focos de incêndio que já superam os maiores registros dos últimos cinco anos. Na capital acriana, em Rio Branco, a situação é crítica, até agora já foram registrados 1.422 queimadas urbanas, número muito mais elevados do que em julho e agosto (registrados 1.325 focos).

Os riscos infligidos pelas queimadas alertaram a população de Rio Branco, que já enfrenta dificuldades respiratórias pela má qualidade do ar e da fumaça que encobre os céus. Estudantes e sindicalistas saíram na última terça feira (24) às ruas em protesto contra as queimadas descontroladas e utilizaram máscaras cirúrgicas como manifestação das questões de saúde para a população. O protesto encerrou-se na frente do Ministério Público do Estado – órgão que fiscaliza os focos de incêndio diariamente – com cerca de 500 estudantes de escolas públicas e privadas e sindicalistas em passeatas pelas ruas principais da capital.
 
Passeata de protesto contra queimadas com estudantes e sindicalistas pelo centro de Rio Branco, Acre.



Estado de alerta

Baixa umidade do ar, altas temperaturas e ventos fortes ajudam a espalhar o fogo rapidamente, o que aumenta o perigo das queimadas nas cidades. Nos centros urbanos o fogo inicia-se em lixos queimados em quintais, enquanto nas áreas rurais o fogo começa nas beiras das estradas, atingindo pastos e, rapidamente, chegando nas florestas. As queimadas prejudicam a saúde das pessoas, aumentando a procura pelos centros de saúde. Outro grande agravante é a possibilidade de desabastecimento de água em algumas cidades, como Rio Branco, que já busca alternativas para a captação da água desperdiçada pela população.

 No dia 24 representantes dos 22 municípios do Acre se reuniram para discutir as ações de combate às queimadas juntamente com a SEMA, IMAC, MPE e outros parceiros. Na sede da Associação de Municípios do Acre (AMAC) foram apresentadas as últimas informações sobre os ocorridos e criadas estratégias e ações de remediação. Está aumentando a rigidez com a fiscalização das queimadas e os responsáveis pelas mesmas.

O IMAC, o IBAMA, a Polícia Militar Civil e Federal, Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Bombeiros e Defesa Civil compõe a força-tarefa encarregada de operar as fiscalizações por terra e ar todos os dias da semana.

Imagens de satélite, helicópteros (um do IBAMA e o outro do Estado) e um avião (parceria com a Universidade Federal de Viçosa) são as ferramentas de controle e aumento da fiscalização. Graças a parcerias do governo, fortalece-se o movimento anti queimadas, com a sala de situação que reúne as informações sobre queimadas 24 horas por dia. Porém, dentre as ações federais, estaduais e municipais é a ação popular que ajuda a evitar o início do fogo, apresentando maiores resultados. O esforço coletivo pode remediar os grandes incêndios nas florestas nacionais e do estado do Acre.

"Não podemos ficar omissos neste momento de tanta preocupação, de tanta gravidade. Temos que criar uma mobilização da sociedade, envolvendo escolas, igrejas e a sociedade organizada. A população tem que se conscientizar de que a responsabilidade é de todos", disse o prefeito de Rio Branco e presidente da AMAC, Raimundo Angelim.

Movimento #chegadequeimadas

Diversas pessoas estão expressando indignação em relação às queimadas no Brasil através da rede social Twiiter. Diversos comentários e notícias estão sendo distribuídos com o marcador #chegadequeimadas. As manifestações, denúncias e protestos já mobilizou mais de 25 mil pessoas. 

Para participar utilize sua conta do twitter com a tag  #chegadequeimadas.
(Laura Alves)

 


A Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID), que ocorreu durante esta semana em Fortaleza, fechou a semana com uma notícia em destaque. O Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas terá R$ 200 milhões para o investimento de ações de mitigação aos efeitos das alterações no clima no país no próximo ano, conforme declarou a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiental, Branca Americano.

Parte dos recursos do Fundo Clima foram garantidos através de uma mudança na Lei do Petróleo sobre impactos ambientais, ocorrida em 2009. “Não se criou um novo tributo, não se aumentou a carga tributária”, explicou Branca Americano. Um comitê gestor do fundo será instalado ainda este ano. Branca Americano disse que o combate às mudanças climáticas com a observação dos princípios do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza vai gerar um novo padrão de desenvolvimento para a região, em especial o semiárido do Nordeste.

A ICID teve o apoio da ONU e focou os debates e recomendações em soluções para a redução da vulnerabilidade que atinge as pessoas que vivem em terras áridas e semiáridas – cerca de 35% da população da Terra. Esse tipo de região representa 16% do território nacional. A desertificação já é uma realidade em expansão no Ceará, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Nem todos chegaram com boas novas. O economista Jeffrey Sachs foi objetivo e duro. “Estamos fracassando, perdendo essa batalha em nível global. Caminhamos em direção à catástrofe”. Sachs defendeu a união de líderes de países como o Brasil, México, Paquistão e algumas nações africanas para pressionarem o meio científico em busca de soluções. “O mundo está sem líderes para temas como a desertificação”.

Os especialistas também disseram que as mudanças climáticas podem acentuar a variação dos fenômenos hidrológicos, com secas mais áridas e chuvas capazes de provocar grandes enchentes. Nem todas as alterações são conhecidas, até porque os novos padrões estão em curso. O debate coordenado pelo professor Benedito Braga disse que falta um Marco Global para a Governança da Água. “Atualmente, o tema é tratado em 24 diferentes agências das Nações Unidas, mas ainda não há uma direção para o setor.

O evento neutralizou as emissões de carbono produzidas no encontro com o plantio de 400 mudas na região de Mata Atlântica de Minas Gerais. O transporte, uso de energia elétrica e lixo produzido são as principais fontes de emissão de carbono em um encontro como o realizado em Fortaleza. (Celso Calheiros)

A ONU decretou a década de 2010 a 2020 como a da luta contra a desertificação, marco que visa aumentar a atenção e a conscientização para a proteção e gestão das àreas desérticas do planeta.

O secretário geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon alega que a degradação das terras, seja por mudanças climáticas, agricultura insustentável ou uma administração ruim dos recursos hídricos é uma ameaça para humanidade, principalmente para a produção de alimentos.

O anúncio da luta contra a desertificação aconteceu em Fortaleza, durante a segunda Conferência Internacional do Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em regiões do Semi-árido (ICID 2010) como divulgação para a América do Sul. Na África, a divulgação regional se deu em Nairobi, no Kenya na UNEP – o Programa Ambiental da ONU. Outros anúncios estão marcados para Nova Iorque nos EUA em setembro para a região da América do Norte, na República da Coréia em outubro para a região asiática e em novembro para a Europa.

Rio de Janeiro - Após cinco dias, as chamas foram controladas no Parque Nacional do Itatiaia (PNI). Na última sexta- feira, um incêndio atingiu o planalto de altitude de Mauá, dentro da unidade de conservação mais antiga do país. Como não choveu, cerca de 150 pessoas foram a campo para combater o fogo, entre voluntários, brigadistas do próprio PNI e de outras unidades, como Área de Preservação Ambiental (APA) da Mantiqueira e parques da Tijuca, Serra dos Órgãos e Bocaina. A força-tarefa ainda contou com o apoio do Corpo de Bombeiros e da viação do exército, uma vez que o foco de calor aconteceu em uma região de difícil acesso.

“Demora cerca de seis horas de caminhada para chegar até lá. A ajuda do exército foi muito importante. Apenas ontem (terça-feira), tínhamos 80 pessoas no planalto para controlar o incêndio, e finalmente obtivemos sucesso. Trata-se de uma área muito isolada e especial, porque existem poucos ambientes com estas características no Brasil. Ainda é difícil avaliar os danos para a alta biodiversidade do local, mas a recuperação de algumas espécies é muito lenta.”, disse Walter Behr, chefe do parque.

A partir de agora, o trabalho de rescaldo e monitoramento será fundamental, e as equipes continuam em alerta no campo. Estão previstos sobrevoos, além de uma análise acurada sobre os motivos do fogo – que, segundo Behr, deve ter origem criminosa. A estimativa inicial é de que cerca de 500 hectares tenham sido queimados. (Felipe Lobo)
Conhecido pela imensa quilometragem de aceiros para prevenção de tragédias com o fogo, desta vez o Parque Nacional das Emas (GO) não conseguiu se defender das três frentes de queimada que arrasaram praticamente toda a unidade de conservação em apenas dois dias. Estima-se que entre os dias 12 e 13 de agosto mais de 90% dos 132 mil hectares do Parque das Emas tenham sido queimados.

O chefe do parque, Marcos Silva Cunha, comunicou que a partir desta terça-feira a unidade ficará fechada por pelo menos 30 dias para recuperação das estruturas danificadas, e principalmente para preservar fauna e flora sobreviventes.

Diversos animais que viviam nesta porção de Cerrado cercada por lavouras de soja estão sendo vistos pelos arredores da cidade de Chapadão do Céu perdidos, por isso foram planejadas ações de fiscalização de caça na região. Também nesta semana será realizada perícia no entorno da unidade de conservação para descobrir as causas do incêndio.

A última vez que um desastre causado pelo fogo tomou essas proporções foi em 1994, quando foram contabilizados mais de 300 tamanduás-bandeiras carbonizados.

O Instituto Chico Mendes determinou a todas as suas unidades que considerem ações de prevenção e combate a incêndios prioritárias no país. 
 

Saiba mais sobre o Parque Nacional das Emas na reportagem "Jóia goiana"

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O Fogo no Parque Nacional das Emas - livro de Helena França • Mário Barroso Ramos Neto • Alberto Setzer

No dia 2 de agosto, o Ibama anunciou o início da Operação Dinizia em Rondônia que, nas palavras de um comunicado oficial, visa "coibir ilícitos ambientais relativos à exploração e industrialização ilegal de produtos e subprodutos florestais". A operação será feita em parceria com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), a Polícia Federal, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a Força Nacional de Segurança e a Polícia Rodoviária Federal.

O foco da ação se concentrará no combate aos chamados "créditos virtuais" e no esquentamento de madeira proveniente de terras indígenas e unidades de conservação do estado, especialmente nos distritos Jaci-Paraná, Vista Alegre do Abunã, Extrema e Nova Califórnia. Rondônia possui cerca de 1500 madeireiras. 80 delas ficam nos quatro distritos onde se concentram as ações da Operação Dinizia.

A função do chamado crédito virtual é “legalizar” madeira roubada, ilegal. De acordo com uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o índice de conversão, ou seja, de aproveitamento da tora, é de 45%. Quando o madeireiro aproveita menos do que isso, esquenta madeira e vende o crédito restante por m3, que chega a custar R$ 400 (o preço do m3, fora deste esquema de corrupção, gira em torno de R$ 600).

César Luiz da Silva Guimarães, superintendente estadual do Ibama em Rondônia, conta que as suspeitas do esquema começaram a partir da observação de que ao mesmo tempo em que o índice de desmatamento no estado diminuía, a venda de madeira aumentava. “Percebemos que havia algo de errado. Foram 18 meses de investigação em um trabalho de inteligência até identificarmos um mercado negro”.

Em uma semana de ação, a Operação Dinizia já fiscalizou 40 madeireiras. Deste total, onze apresentam indícios de irregularidades e quatro estão, definitivamente, agindo de forma ilegal. Os proprietários foram denunciados criminalmente por falsidade ideológica, formação de quadrilha, falsificação de documento público e poderão ser presos, além de terem que pagar uma multa.

Mais de 100 espécies de árvores têm sido retiradas na região de forma ilegal, entre elas Faveira Ferro, Taoarí, Angelim e Maracatiara. A detecção do corte é uma das dificuldades enfrentadas pela fiscalização, já que madeireiros fazem a derrubada de uma árvore às vezes com quilômetros de distância da outra. Visto do alto, o local do crime pode parecer floresta intocada. “A quantidade de dinheiro que corre neste esquema é incalculável. Estamos falando de milhões e milhões de reais”, explica o superintendente.

De acordo com ele, 130 pessoas de diversos órgãos atuam em conjunto na Operação, que não tem data para terminar. “Todos estão muito bem treinados, equipados e preparados com boa infraestrutura. Estamos em uma guerra de igual para igual contra o crime organizado”. Ele diz que a equipe chegou a receber ameaças. “Já ouvimos que ninguém tem peito de ferro. Se alguma coisa acontecer, aí sim que intensificaremos o trabalho”. (Karina Miotto)

 
Cerca de 20 dias depois de afirmar que este ano o desmatamento da Amazônia será "o menor dos menores" devido à queda de 47% entre agosto de 2009 e maio deste ano, a ministra do meio ambiente Izabella Teixeira novamente reuniu a imprensa ontem, em Brasília, para comemorar a queda do desmate desta vez em 49% entre agosto de 2009 e junho de 2010.

Em 11 meses, o sistema detectou 1.808,55 km2 de áreas desmatadas. Ambas "comemorações" foram baseadas em dados do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ainda de acordo com o sistema, 243,74 km2 da floresta amazônica sofreram corte raso ou degradação progressiva em junho. O estado que mais desmatou durante o mês foi Pará (160,63 km2), seguido de Mato Grosso (36,5 km2) e Amazonas (24,36 km2), que ultimamente vem se destacando entre levantamentos mensais de desmatamentos.

No entanto, é preciso ter cautela com dados do Deter - ele só registra derrubadas maiores do que 25 hectares e estas têm se tornado cada vez mais raras na região amazônica. Áreas menores do que isso correspondem a pelo menos 60% do desmate na floresta. “O resultado é muito bom. Foi como no ano passado: divulgamos mensalmente a tendência de queda com o Deter e, no fim do ano, o Prodes deu a menor taxa de desmatamento dos últimos 20 anos”, afirmou a ministra.

De acordo com Gilberto Câmara, diretor do instituto, em reportagem publicada pela Agência Brasil, "o Inpe não está afirmando que o desmatamento vai cair 50%. Além do problema da cobertura de nuvens, existe o dos pequenos desmatamentos”. “Olha que irônico: a ministra fala em queda do desmatamento baseando-se em dados do Deter, sistema do Inpe que, por sua vez, deixa bem claro que estes números não são qualificados para medir desmatamento”, afirma Marcio Astrini, da campanha da Amazônia do Greenpeace. “A atitude da ministra está mais para torcida do que para comemoração”, diz.

Logo, mais uma vez é preciso ter cautela ao afirmar queda do desmate com base apenas em dados do Deter. Apesar da tendência, a certeza definitiva do quanto o desmatamento vai ou não cair somente virá depois da divulgação dos dados do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), outro sistema do Inpe que calcula a taxa anual consolidada.

Com o objetivo de ampliar a fiscalização e o monitoramento da floresta, Gilberto Câmara anunciou a operação de dois novos satélites: o Cbers-3 em 2011 e o Amazônia-1 em 2012. Ambos vão melhorar a capacidade de observação tanto do Deter quanto do Prodes.

Para entender melhor a diferença entre os sistemas Prodes e Deter e também as recentes “comemorações” da ministra, leia a matéria Desmatamento na Amazônia: o menor dos menores? 

Tendência de queda

Apesar da aparente tendência de queda, o pesquisador Beto Veríssimo, do Imazon, acredita que o desmatamento vai, na verdade, aumentar. "Creio que o desmatamento vai terminar o ano ligeiramente maior do que em 2009. Nossos números indicam para o mesmo período um ligeiro aumento de 8%".

De acordo com ele, isso não é preocupante. "Nada mal, considerando que muitos previam uma subida expressiva em função dos três fatores que têm contribuído para isso: economia forte, eleições e ano seco". Ou seja, "o desmatamento não explodiu. Pelo menos não ainda”.

Veríssimo não acredita que a queda de 49% estimada pelo governo venha a se confirmar."A tendência é um ligeiro aumento e não uma queda estrondosa", diz. Já Marcio Astrini prefere não fazer nenhuma previsão. “Os números do Inpe indicam tendência de queda. Por sua vez, os do Imazon apontam para a direção oposta. Existe uma contradição”.

Enquanto os números oficiais do Prodes não forem divulgados, será que a ministra fará mais coletivas de imprensa do tipo em Brasília para falar sobre queda histórica do desmatamento na Amazônia? Vale lembrar que, apesar de “comemorações” do tipo já terem sido feitas em governos anteriores, 2010 trata-se de ano eleitoral. “Talvez ela queira se sentar ao lado do Lula e receber um abraço”, diz Marcio. (Karina Miotto)

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