Para André Amaral, coordenador da campanha nuclear do Greenpeace, será muito difícil que a indústria nuclear consiga essa expansão, por inúmeros fatores, entre eles o custo e tempo de implantação. Atualmente, o custo de uma usina de 1 giga no Brasil é de R$ 12 bilhões, bem mais alto que o de usinas eólicas, por exemplo. Além disso, para sua implantação são necessários, em média, 10 anos, contra dois da usina movida a vento. “Se consideramos que o prazo estabelecido internacionalmente para redução das emissão de CO2 é 2020, o investimento em usinas nucleares seria inócuo, já que não daria nem tempo de ela entrar em funcionamento”, diz.
Além disso, Amaral questiona a real eficácia da energia nuclear como energia “limpa”. Estudos comprovam que, para reduzir apenas 5% das emissões com energia nuclear, seria necessário que a cada 15 dias um novo reator entrasse em funcionamento no mundo. Hoje, a geração nuclear emite de 150 a 400 gramas de CO2 por kW/hora, contra 20 g de CO2, em média, da energia eólica. “O estudo foi feito apenas para “embasar o lobby da indústria nuclear. Defendemos que somente as energias renováveis dão conta do recado”, diz.
O Nuclear Energy Technology Roadmap faz parte de uma série que está sendo elaborada pela IEA, em cooperação com outras organizações e indústrias, para promover o desenvolvimento e a absorção de tecnologias-chave de baixo carbono para alcançar a meta de uma redução de 50% nas emissões de CO2 até 2050. A série foi encomendada por chefes de estado do G8, durante encontro no Japão em 2008. (Cristiane Prizibisczki)