Habitação, mobilidade, poluição, novas tecnologias, energia. Eduardo Pegurier traz as notícias e comentários sobre o meio ambiente urbano.

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Copenhague aposta em mini parques
30 Jul 2010, 13:53


Copenhague quer se tornar a cidade com o melhor ambiente urbano do mundo até 2015. Entre os projetos em curso está a multiplicação dos chamados parques de bolso, com até 5 mil metros quadrados, menores do que um campo de futebol. Por definição, três das suas laterais devem fazer fronteira com algum elemento da cidade, como, por exemplo, a parede de um prédio. A ideia é que eles estejam muito próximos de onde as pessoas trabalham e moram.

Um parque de bolso (...) tipicamente é criado em terrenos urbanos vazios ou irregulares. Suas funções incluem espaço para relaxar, encontrar amigos, aproveitar o intervalo de almoço, ler ou brincar. Com frequência, ficam em torno de monumentos, marcos históricos ou projetos de arte.

Um dos objetivos é fazer com que as pessoas tenham menos necessidade de pegar um carro e dirigir para fora da cidade até alcançar uma área verde. Dessa maneira, reduz-se o trânsito e a frequência dos parques naturais, o que permite que parcelas maiores dos mesmos possam ser mantidas intocadas.

Vale ler todo o artigo, que também traz uma fartura de links para outros documentos sobre eco-metrópoles.

(Eduardo Pegurier)
 
Biomímica: design baseado na diversidade da vida
29 Jul 2010, 15:21

O Instituto de biomímica define o campo como "a ciência e a arte de emular as melhores ideias biológicas da natureza de forma a resolver problemas humanos". Por exemplo, bactérias não aderem à pele do tubarão das Galápagos graças a pequenos dentículos que a recobrem. Essa solução está sendo transposta para revestimentos de hospitais pela empresa Sharklet Technologies. Em outra aplicação, uma nova empresa de cimento pretende usar a "receita" dos corais marinhos para sequestrar carbono no processo de fabricação do produto. Ao invés de emitir uma tonelada de carbono por tonelada de cimento produzida, essa tecnologia terá um saldo negativo (positivo para a atmosfera) de meia tonelada.

Abaixo, na TED Talks, veja o vídeo de Janine Benyus, presidente do Instituto de Biomímica, explicando o conceito e fornecendo inúmeros exemplos. Como ela diz, "estamos rodeados de gênios", todas as milhões de formas de vida que habitam o planeta e sabem fazer coisas incríveis. Para ver com legendas em português, basta clicar nessa opção na caixinha de subtitles sob o vídeo.

 
Kit geladeira reduz o consumo em 15%
28 Jul 2010, 14:32

A geladeira é responsável por cerca de 30% dos gastos com energia elétrica de uma família de classe média brasileira. Com essa importância, qualquer técnica nova que promova economia faz diferença. Pensando nisso, Mirko Chávez Gutiérrez, mestrando da Unicamp desenvolveu o “kit geladeira”, que reduz o consumo em 15% e custa R$40. O resultado é uma bela economia de 5% ou, em média, R$23, na conta de luz total.

O sistema é simples e copia os refrigeradores industriais: usa um princípio conhecido como condensação evaporativa, que dissipa o calor produzido pelo motor do eletrodoméstico para o ar do ambiente. Seus principais componentes são um reservatório, uma pequena bomba hidráulica e um tubo de PVC, para circulação e distribuição de água, que pode ser acoplado a qualquer geladeira, até mesmo as mais antigas – assim a temperatura do refrigerador será mais constante e menos calor circulará por ali.

“Falta agora buscar parceria com alguma empresa que se interesse pela proposta”, diz o professor Vivaldo Silveira Júnior, orientador da pesquisa. Quem se habilita?

(Lúcia Nascimento)
 
Londres melhora vida para ciclistas
26 Jul 2010, 16:22
Neste mês de julho, Londres está tirando o atraso em relação a outras cidades europeias em termos da infra-estrutura e segurança aos ciclistas. Na sexta (30), a capital britânica lançará seu esquema de aluguel automático de bikes, nos moldes do que já acontece há dois anos em Paris e Barcelona, e pelo menos há uma década em Berlim .

No centro da cidade, haverá diversos pontos em que bikes poderão ser retiradas de graça por um prazo de até 30 minutos. "Isso fará que com muitas pessoas substituam viagens curtas de 2 ou três pontos de ônibus ou metro", afirmou Nancy Ryder, porta-voz da Tranportes para Londres (TFL, na sigla em inglês). Quem quiser ficar com a bicicleta por 24 horas, pagará apenas 1 libra (3 reais). Além disso, haverá cartões com mensalidade que permitirão acesso ilimitado às magrelas espalhadas pelo centro.

A expectativa é que com o esquema de aluguel haverá um aumento de 40 mil jornadas de bicicleta todos os dias em Londres. Atualmente são meio milhão de viagens diárias, o dobro do que se realizava no início da década. A mudança está refletida no grande número de lojas dedicadas aos ciclistas na cidade. Mais do que isso, a própria prefeitura da cidade imprimiu mapas detalhados com rotas para ciclistas e criou no site de planejamento de viagens uma opção para quem pedala. De acordo com a TFL, 1,5 milhão de libras serão ainda investidos no treinamento de novos ciclistas. "Pessoas que querem utilizar bicicletas, mas se sentem inseguras, podem encontrar treinamento em todos os distritos", explicou Ryder.

A meta do prefeito de Londres - o conservador Boris Johnson - é aumentar em 400% o número de ciclistas em 15 anos.

Cycle Superhighways 

Mas não é só o esquema de aluguel de bikes que deu alento aos londrinos nestes últimos dias. No último dia 19, um projeto ainda mais ambicioso foi lançado, o chamado Cycle Superhighways , algo como supervias para bicicletas. Trata-se da implementação de ciclovias totalmente sinalizadas e exclusivas para os ciclistas que moram fora do centro e viajam todos os dias até lá para trabalhar. Até agora duas mega-faixas azuis com extensão aproximada de 9 quilômetros já estão em operação. Até 2015, a promessa é que se chegue a 12 delas. O investimento para isso  já está em parte garantido: uma doação de 25 milhões de libras foi feita para o programa pelo banco Barclays, o maior do Reino Unido. (Gustavo Faleiros)

O vídeo abaixo explica como elas vão funcionar. (somente versão em inglês)
 
Carro velho polui mais e paga menos IPVA
26 Jul 2010, 15:42

Carros com mais de 15 anos de fabricação podem poluir até 18 vezes mais do que carros novos. Um veículo produzido em 1988 produz 24 gramas de monóxido de carbono por km rodado, contra 1,3 gramas de um novo. A frota de carros de São Paulo tem em média 12,7 anos de idade, e a de caminhões, 17,1 anos. Isso faz com que 33% da frota seja responsável por 80% da poluição. Os carros são os principais responsáveis pela poluição. Em São Paulo,  relacionada a morte de quatro mil pessoas por ano, entre elas, 8% dos óbitos de idosos.

Diante desses números, por que quanto mais velho for o veículo menor o seu IPVA? Se ele for muito velho, chega-se ao cúmulo de parar de cobrá-lo. Em São Paulo, isso ocorre quando o veículo atinge 20 anos de idade, e, no Rio de Janeiro, 15 anos.

Impostos sobre automóveis e caminhões deveriam estar relacionados ao peso, emissões e, principalmente, a intensidade de uso dos veículos. Quem roda mais, paga mais. Quem emite mais monóxido de carbono, paga mais. Quem é mais pesado e ocupa mais espaço na rua, paga mais. Não se trata de discriminar a idade, até porque a regra pode nem sempre ser verdade, mas de taxar de acordo com o estrago.
 
Carro elétrico robótico vai da Itália à China
23 Jul 2010, 14:56


Não fosse o painel solar montado em cima do teto, quem olha veria apenas uma van sem graça, com cara de carro da prefeitura. Mas cientistas da universidade de Parma depositam nela grandes ambições tecnológicas. Dois veículos como esse partirão na próxima segunda, dia 26 de julho, de Parma, na Itália, e durante três meses percorrerão  13.000 km até chegar à Xangai, na China. Ambos são elétricos e recarregam seus eletrônicos por energia solar. Apenas a bateria grande que alimenta o motor precisará de recarga externa.

O primeiro veículo terá uma tripulação que fará intervenções em momentos cruciais, já que boa parte do traçado é do tipo off-road e não tem mapa. Mas, com raras exceções, toda a direção será feita pela parafernália eletrônica montada no carro. O segundo veículo se guia pelo primeiro sem interferência humana.

Será possível acompanhar o percurso por satélite e câmeras mostrarão a estrada. Por enquanto, veja um vídeo da TV russa. Poucos entenderão o áudio, apesar da bela sonoridade. Mas as imagens falam sozinhas.

(Eduardo Pegurier)





 
Telhados claros ajudam a esfriar o mundo
22 Jul 2010, 15:36

Usando estimativas conservadoras, cientistas do Lawrence Berkely National Laboratory estudaram o efeito de telhados e pavimentos mais claros. Se eles fossem utilizados em todas as cidades do planeta com mais  de 1 milhão de habitantes, a conclusão é que o equivalente a 57 gigatoneladas de dióxido de carbono ( cada gigatonelada é igual a 1 bilhão de toneladas métricas) deixariam de ser emitidas. Isso é como se a humanidade parece de emitir carbono por dois anos ou (por um cálculo parecido), ao efeito de 300 milhões de carros ao longo de 20 anos.

Por conta das construções e do asfalto, as cidades formam as chamadas ilhas de calor urbanas, onde a temperatura chega a ser alguns graus mais alta do que a esperada em uma área com cobertura natural na mesma região. Por isso, o uso de cores claras em telhados e outras superfícies teria um efeito ainda maior nas próprias áreas urbanas, reduzindo o  desconforto térmico nas ruas e a necessidade de ar-condicionado em ambientes fechados.

Aprenda mais sobre as ilhas de calor urbanas e as possíveis soluções para amenizá-las no site do Heat Island Group e leia o artigo de O ECO "Aquecimento local".

(Eduardo Pegurier)




 
O corpo da sua pegada ecológica
21 Jul 2010, 16:23
Quer visualizar qual é a cara e o corpo do seu consumo? Cadastre-se no site inglês Changing Habbits (Mudando os hábitos) que ele mostra as áreas onde você pode melhorar. Seu perfil será criado através um questionário que toma cinco minutos e, ao fim, você verá o seu próprio “Habbit” (veja acima), o bonequinho com proporções deformadas, para apontar em quais áreas a sua pegada ambiental não está nada boa.

Partes do corpo

Olhos e cabeça: emissões ligadas aos aparelhos elétricos e eletrônicos
Mãos: energia gasta em casa
Pés: poluição com meios de transporte
Boca: consumo de água
Abdome: o que você come
Bumbum: quantidade de lixo que você produz e o quanto recicla

Perguntas principais:
  • Do you drive a car? (Você dirige?)
  • How many miles do you travel each week? (Quantas milhas você se locomove por semana? 1 milha=1,6 km) 
  • How much of your household packaging waste do you recycle per week? (Qual a quantidade de lixo doméstico você recicla semanalmente?)
  • Do you turn off lights when leaving the room? (Você desliga as luzes ao deixar um ambiente?)
  • How old is your washing machine? (Quantos anos tem sua máquina de lavar roupas?)
  • How often do you eat meat or fish? (Com que frequência você come carnes ou peixe?)
  • How many showers per week do you have? (Quantas chuveiradas você toma por semana?)
  • How many televisions do you use at home? (Quantas TVs você tem em casa?)

Se quiser usar um dicionário inglês-português tente o da UOL ou o Word Reference.
 
(Lúcia Nascimento)
 
Jaime Lerner é atraçao na CNN
20 Jul 2010, 15:47
"Qualquer cidade pode melhorar sua qualidade de vida em menos de três anos. Não importa qual seja o seu tamanho nem a sua situação financeira. Quando nos damos conta de que 75% das emissões de carbono são relacionadas às cidades, fica claro que é lá onde as mudanças surtirão mais efeito", afirma Jaime Lerner para a CNN.

Veja a matéria completa (em inglês) onde Lerner fala sobre os corredores expressos de ônibus e o pagamento pela coleta de lixo, entre outras inovações, implantadas durante os seus três mandatos como prefeito de Curitiba.
 
 
Lei das sacolas de plástico já vale no Rio
16 Jul 2010, 16:20
Rio de Janeiro - No Rio, a partir do dia 16 de julho,  começou  a fiscalização da lei  que estimula o fim do uso das sacolas plásticas descartáveis em supermercados de médio e grande porte. Pioneira no país, a nova regulação oferece aos supermercados três opções: dar um desconto de três centavos a cada cinco itens comprados sem o uso de sacola plástica; trocar cada 50 bolsas retornadas por um 1 kg de alimento da cesta básica; ou fornecer bolsas reutilizáveis.  Os estabelecimentos também terão que exibir uma mensagem educativa que ensina ao consumidor que as sacolas plásticas levam até 100 anos para se decompor e estimula a sua substituição por sacolas reutilizáveis.

Quem quiser reclamar do descumprimento da lei, pode ligar para o INEA (Instituto Estadual do Ambiente), no telefone (21)2332-4604.

Mesmo antes do início essa semana da fiscalização, segundo Pólita Gonçalves, gerente do INEA, no período de adaptação à lei, 600 milhões de sacolas de plástico deixaram de ser utilizadas. Veja a vídeo reportagem do G1

Em compensação, do outro lado, os fabricantes de sacolas argumentam que a medida cortará empregos no setor e os donos dos supermercados dizem que o custo de adaptação pode ser repassado ao consumidor.

Opinião:

Em geral, as regulações causam novos custos de produção e venda. Então, é de se esperar que uma legislação ambiental mais rígida também aumente o preço dos bens. A contrapartida é que gozaremos dos benefícios de menos poluição. Nesse caso, o custo é pra lá de módico e o benefício gigante, já que as sacolas descartáveis são uma praga produzida às centenas de milhões.

Outra boa coisa é o formato da lei que ao invés de causar obrigação, incentiva a mudança. Três centavos (para cada cinco itens) é um valor pequeno, mas faz com que aqueles que usarem sacolas reutilizáveis sintam alguma recompensa e reconhecimento pelo bom comportamento.

Mas como não poderia deixar de haver um ponto inócuo, a ideia de trocar 1 kg de arroz ou feijão por 50 sacolas devolvidas é boba. Os preços dos alimentos são sazonais e flutuam muito. A regra induz o supermercado a fazer a troca pelo item que estiver mais barato na ocasião e/ou de mais baixa qualidade. Segundo, o recebedor teria mais liberdade se o pagamento fosse em dinheiro em vez de comida. É uma pretensa caridade que acaba trazendo mais complicações para o consumidor e o supermercado. E pode ter conseqüências inesperadas, além de fornecer argumentos aos adversários.  O deputado Paulo Ramos, do PDT, que está tentando derrubar a lei, sugere que essa regra pode levar mendigos a esvaziarem sacos de lixo para trocarem por comida. Felizmente, a bobagem é uma entre três opções e como ninguém faz besteira a toa, dificilmente será praticada. (Eduardo Pegurier)

Abaixo, a íntegra da lei para download.

 
Sacolinhas Plásticas - Lei 5.502, Rio de Janeiro
 
Comida no quarteirão ao lado
14 Jul 2010, 16:27

Um quarteirão com prédios, outro com lojas de conveniência e outro com... plantação de comida. Ou, como variante,um quarteirão que esconde no seu interior uma horta urbana. Esse é o cenário que muitos especialistas imaginam para o futuro das cidades: urbanismo aliado à agricultura urbana. Recentemente, alguns arquitetos começaram a usar o termo rurbanização (rurbalization, em inglês) para definir esse tipo de arranjo. Seria como criar um oásis no meio do cimento, e também uma mudança radical no estilo de vida dos habitantes das cidades.

De acordo com um artigo publicado na Revista de Agricultura Urbana , “para o ano 2015, espera-se que cerca de 26 cidades no mundo tenham mais de 10 milhões de habitantes”. Atualmente, para alimentar uma cidade desse tamanho ou um pouco maior, como o município de São Paulo (com 11 milhões), é necessário importar pelo menos 6 mil toneladas de comida por dia. Afinal, se precisamos de tanta comida para alimentar as cidades, por que não produzir uma parte dentro delas? 

A comida produzida no quarteirão ao lado, ou no meio do seu próprio quarteirão, não teria custos de transporte e de armazenamento. Isso pode reduzir o preço de frutas e verduras e, ao mesmo tempo, permite que as pessoas tenham acesso ao histórico da comida: se ela foi produzida com agrotóxicos, como é o sistema de trabalho de quem a produziu e assim por diante.

E você, gostaria de dar uma voltinha no quarteirão e voltar com a feira feita? (Lúcia Nascimento)

 
Depois de 19 anos, Política de Resíduos Sólidos é votada
07 Jul 2010, 13:53
O ciclo da responsabilidade compartilhada
A responsabilidade compartilhada, uma das principais inovações, levará cada integrante da cadeia produtiva a se responsabilizar, junto com os titulares dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, pelo ciclo de vida completo dos produtos – desde a obtenção de matérias-primas e insumos até o processo produtivo e a disposição final. 
São Paulo -Quantos sacos de lixo você produz diariamente e qual o destino que dá a eles? Até agora essa resposta cabia só aos cidadãos. Agora, a resposta será uma preocupação conjunta com as empresas – afinal, se elas lucram vendendo, também devem se responsabilizar pela destinação final de seus produtos. Essa é a principal mudança do da Política Nacional de Resíduos Sólidos aprovada no Senado nesta quarta-feira. Aprovado em março na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei tramitou por 19 anos .
 
“A Política Nacional de Resíduos será o marco regulatório do setor, trazendo diretrizes e objetivos para uma adequada gestão”, ressalta Carlos Roberto Silva Filho, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Para ele, a nova política mudará o modelo adotado na gestão de resíduos nas cidades, não só por instituir a responsabilidade compartilhada, mas também por criar a obrigatoriedade de implantação de sistemas de logística reversa. “Com isso os municípios terão que adotar novas práticas e sistemas para coleta, transporte e destinação, para propiciar a recuperação e o retorno dos resíduos a processos de reciclagem”, afirma.  A Política seguirá para sanção presidencial. (Lúcia Nascimento)
 
Byrne vai de bike
05 Jul 2010, 16:21
O músico David Byrne, fundador do grupo Talking Heads, é um observador atento da paisagem urbana, por onde circula de bicicleta. Esse é o seu meio de transporte predileto em Nova York, onde mora, e nas suas viagens mundo afora. Através do seu olhar de ciclista, analisa os elementos da cidade perfeita:

“Esta é uma frase de Jane Jacobs. A cidade perfeita é onde coisas diferentes acontecem, relativamente perto uma das outras e em vários horários ao longo do dia (...) O bairro saudável não se esvazia às seis da tarde, como é o caso da maior parte do centro de Los Angeles. Na cidade perfeita sempre existe movimento e coisas acontecendo no meu entorno”.

“Depois de passar 30 anos usando uma bicicleta para cruzar Nova York, vi a cidade - especialmente Manhattan, onde moro - mudar para melhor e para pior. Durante esse período, comecei a levar nas minhas viagens uma bicicleta dobrável para ter a experiência de ciclista também em outros lugares. Ver cidades de uma bicicleta é prazeroso e instrutivo. Em uma bike se vê muito mais do que de uma estrada. E com o trânsito, em muitas cidades, com freqüência é tão rápido quanto andar de carro”.

“Estacionamentos são o equivalente a terra morta. Eles não animam em nada a cidade e eu ficaria feliz se em Nova York muitos deles não existissem. Seria um tremendo inconveniente para os motoristas, mas a não ser que possam ser escondidos nos subterrâneos, como com freqüência ocorre no Japão, estacionamentos, sejam terrenos ou garagens, são simplesmente zonas mortas”.
 
Vale a pena ler todo o artigo (Eduardo Pegurier).

 
Carregador de celular a dínamo.
29 Jun 2010, 14:04

 
A nova tecnologia da Nokia consiste em um carregador de celular acoplado no centro do guidão de uma bicicleta, funcionando como um dínamo, para gerar bateria para o telefone. Pedalar a 6km/h já é o suficiente para que o aparelho funcione, porém é a 12km/h que se consegue equivalência em relação a um carregador elétrico.
 
Logo, além de economizar energia elétrica, o carregador incentiva o uso da bicicleta, que diminui a poluição do ar, congestionamentos urbanos e é um ótimo exercício físico. Uma terceira vantagem dessa nova tecnologia é, na visão dos produtores, ser viável economicamente em países emergentes aonde a energia elétrica é escassa, não confiável ou muito cara. A possibilidade de carregar seu celular em movimento garante comunicação fácil, rápida e em qualquer lugar.
 
O produto ajusta-se a qualquer celular Nokia de entrada 2mm, porém foi lançado recentemente no Quênia e ainda não possui disponibilidade para outros países, como o Brasil.

Para maiores informações: Nokia
 
Passo atrás no saneamento
25 Jun 2010, 16:56
No início desta semana, o presidente Lula assinou um decreto de regulamentação da Lei do Saneamento (11.445/07) que, segundo organizações do setor, terá efeitos negativos para toda a sociedade. O decreto altera de 2010 para 2013 o prazo para início da aplicação de  medidas coercitivas aos municípios que não cumprirem a lei.

Em outras palavras, pela Lei 11.445, todos os municípios brasileiros tinham o dever de criar planos de saneamento até o final de 2010, ficando sujeitos a punições, caso não atendessem o prazo. Com o decreto, os municípios inadimplentes terão mais três anos para começar a se mexer. “As cidades vão acabar postergando seus planos para o segundo semestre de 2013”, diz André Castro, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil. Apesar da importância, pouca gente deu atenção ao decreto, cuja sanção ficou escondida no meio das notícias sobre a Copa do Mundo.

A universalização do acesso aos sistemas de tratamento de água e esgoto no país ainda está longe de acontecer. Até hoje, pouco mais da metade dos brasileiros têm acesso à rede e, ainda que a Lei do Saneamento já tenha mais de dois anos, pouca coisa avançou nesse período. De acordo com levantamento do Trata Brasil, menos de 10% das 81 maiores cidades brasileiras têm planos para aumentar o acesso à rede de tratamento.

Segundo Castro, ao invés de adiar o prazo para começar a cobrar das cidades medidas concretas sobre o assunto, o governo federal poderia ter adotado uma postura mais inteligente, criando medidas de estímulo para as cidades que já cumpriram a lei. “Os municípios que já tem planos poderiam ser privilegiados na hora da destinação de recursos financeiros do PAC, por exemplo”, diz.

A Lei do Saneamento foi aprovada há dois anos e meio. Desde então, a necessidade de um decreto regulatório era discutida por representantes do setor. Muitos concordavam que ele não era necessário para confirmar a validade da Lei. De outro lado, o diagnóstico era que a falta de planejamento é o grande entrave para o seu desenvolvimento. Segundo a Agência Brasil, até o presidente Lula ficou surpreso ao saber da necessidade de um decreto para validação da norma. (Cristiane Prizibisczki)
 
Jogo ruim, consumo de energia bom
25 Jun 2010, 14:56
O desempenho da seleção brasileira no jogo contra Portugal, na manhã desta sexta (25), pode não ter agradado muitos aos torcedores. Mas foi por causa da partida que o Brasil conseguiu dar uma forcinha para o meio ambiente. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), durante o jogo o consumo de energia no país caiu 4%.


De acordo com cálculos da ONS, a carga de consumo teve comportamento normal até 9h30, diminuindo de forma gradual até o começo da partida, mantendo essa variação durante o primeiro tempo. No intervalo do jogo, porém, houve uma pequena elevação, já que é nesta hora que muita gente sai da frente da TV para fazer outras atividades. A estimativa de redução foi divulgada no final da tarde de ontem, já que o sistema precisa se preparar antecipadamente para os picos de consumo, no  intervalo e no final do jogo, nesse caso.

Enquanto a maioria dos brasileiros estava grudado na TV, o país deixou de consumir 2.2 MW de energia, o equivalente a pouco menos do que o consumo de todo o estado de Santa Catarina durante os 90 minutos da disputa. Redução semelhante também ocorreu nos jogos anteriores. (Cristiane Prizibisczki)

 

 

 
Emissões de gases-estufa na internet
22 Jun 2010, 14:35
A partir desta terça-feira (22), quem quiser saber o quanto seu banco ou a montadora do seu carro polui já tem uma ferramenta disponível para isso. Um grupo formado por 35 grandes empresas do país acabam de colocaram na internet seus inventários de emissão de gases de efeito estufa (GEE).
 
Somadas, as emissões diretas desse grupo atingem quase 89 milhões de toneladas de carbono equivalente, o que representa cerca de 4% do quanto o Brasil emitia em 2005 – com base no Inventário Nacional Preliminar divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em novembro passado. Se consideradas somente as emissões industriais – excluindo as emitidas pela agricultura e mudança no uso da terra e florestas – as empresas que agora reportam seus resultados são responsáveis por 20% do total emitido pelo país.

Este é o primeiro registro público de Emissões de GEE do Brasil. Fazem parte da iniciativa as empresas: Vale, Votorantim, Souza Cruz, Ford, Embraer, Eletrobras, Ambev, Alcoa e os bancos do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco, entre outras. Todas elas integram o Programa Brasileiro GHG Protocol, trazido ao Brasil há dois anos pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o World Resources Institute, organização norte-americana pioneira na formulação de ferramentas de gestão para economia de baixo carbono.

O objetivo do registro público é auxiliar agentes públicos e privados na definição de estratégias para mitigação das emissões e evidenciar as boas práticas e o comprometimento das empresas participantes com as questões ambientais entre os consumidores. “A transparência na divulgação das emissões por meio de um registro público é um fato inédito em um país em desenvolvimento não-Anexo I da Convenção do Clima da ONU”, destaca Mário Monzoni,  coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FVG.

Considerando as empresas que hoje reportaram seus dados, as do setor de transformação respondem pela maior parte das emissões (89%), seguidas pelo setor de mineração (10%). Saneamento, energia, agrícola, serviços financeiros e serviços públicos somam o 1% restante. No setor de transformação, petroquímica e combustíveis sãos as indústrias que mais emitiram. A mineração de não metálicos ficou em segundo lugar e metalurgia em terceiro.  (Cristiane Prizibisczki)

- Acesse o Registro Público de Emissões de GEE do Brasil, aqui.

 
Interesse nas alternativas
18 Jun 2010, 16:58
Boa notícia para a energia renovável. O Governo Federal recebeu um grande número inscrições para a participação no Leilão de Fontes Alternativas, a ser realizado no dia 19 de agosto. Segundo dados divulgados hoje  (18) pela Empresa de Pesquisa Energética  (EPE), responsável pelo cadastramento dos interessados, se inscreveram 517 empreendimentos, que, juntos, somam 15. 774 megawatts de capacidade instalada. A grande quantidade de oferta para o leilão - e, como conseqüência, a maior competição entre as interessadas - pode resultar numa queda de preço, que será repassada ao consumidor final.

O Leilão de Fontes Alternativas será voltado especificamente para contratação de energia proveniente de centrais eólicas, termelétricas movidas a biomassa (bagaço de cana-de-açúcar, resíduos de madeira e capim elefante) e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). O fornecimento começará em janeiro de 2013. A EPE salienta que, do total de 517 projetos cadastrados, 478 já haviam sido inscritos para o Leilão de Energia de Reserva, a ser realizado nos dias 18 e 19 de agosto. Os projetos foram automaticamente cadastrados para o leilão das alternativas e podem optar por participar de um ou de outro certame. Deste total, 82% são projetos de geração eólica.

Leilão de Fontes Alternativas 2010 - Cadastramento por fonte

FONTE USINAS OFERTA (MW)
Eólica 425 11.214
Biomassa 68 4.170
PCH 24 390
Total 517 15.774
 
Placa solar como girassol
18 Jun 2010, 15:24
Um novo sistema de geração de energia solar desenvolvido pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) pode se tornar, no futuro, a chave para a disseminação da tecnologia no país. Trata-se de placas solares móveis, capazes de acompanhar a posição dos raios solares durante o ano e que possuem capacidade de produzir 53% mais energia do que os sistemas fotovoltaicos fixos. Sistemas de placas móveis já são utilizados em pequena escala nos Estados Unidos e Europa. A novidade da tecnologia brasileira é que ela não funciona por meio de sensores de luz – suscetíveis a várias interferências, como nuvens, por exemplo - mas por um sistema mecânico programado por computador, o que aumenta sua eficiência.

O modelo foi desenvolvido pelo professor da Faculdade de Engenharia da Unesp, Alceu Ferreira Alves, e teve origem em 2006, a partir de uma pesquisa para sua tese de doutorado. Segundo Alves, o sistema demorou oito meses para ser produzido, desde seu protótipo até o funcionamento. Mas ele só foi concluído mesmo depois de mais de um ano de testes, tempo no qual sua eficiência foi mensurada em comparação com placas fixas. O trabalho ficou encubado durante mais um ano e somente agora, em 2010, a universidade divulgou os resultados.

No sistema brasileiro, a posição das placas é definida a partir de cálculos mecânicos. A inclinação do painel é mantida constante ao longo do dia e há um movimento apenas do ângulo equivalente ao fuso-horário da Terra, ajustando a posição do painel a cada quatro minutos. A inclinação da placa só muda quando há uma diferença entre a posição real do equipamento e a posição do Sol, o que ocorre aproximadamente a cada quatro dias. Como um dos motores é responsável apenas por esse movimento de inclinação, o sistema consome menos energia, diferente dos projetos já existentes, que funcionam com dois motores durante todo o tempo. “Esse sistema é mais barato e mais simples do que os usuais”, explica Alves.

O grande entrave do sistema é que ele ainda é 35,7% mais caro do que um sistema fotovoltaico convencional. Mas, de acordo com o professor da Unesp, a maior geração de energia compensa tal custo. Além disso, quanto mais placas forem acopladas ao sistema, menor será o valor investido, já que um mesmo conjunto de motores pode alimentar vários painéis.

Segundo Alves, a tecnologia ainda não saiu dos laboratórios da universidade, mas vários fabricantes já o procuraram para desenvolver as placas móveis. Infelizmente, ainda não há perspectiva de quando essas placas vão chegar ao mercado. (Cristiane Prizibisczki)
 
Estudo defende mais geração nuclear
16 Jun 2010, 16:26
A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) divulgou nesta quarta  (16) um relatório no qual afirma que “a expansão da energia nuclear é um fator chave para combater as alterações climáticas”. Segundo o documento, chamado Nuclear Energy Technology Roadmap, elaborado em conjunto com a Agência de Energia Nuclear da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), até 2050, cerca de um quarto da eletricidade mundial poderia ser gerada através da energia nuclear. Atualmente, esse porcentual não passa dos 14% da eletricidade global.

Para que chegue a esse patamar, a capacidade de geração nuclear deverá mais do que triplicar nos próximos anos. O “mapa do caminho” da IEA defende que a energia nuclear é uma tecnologia madura e de baixo teor de carbono e que já está pronta para ser ampliada nas próximas décadas. “O último protótipo de reator, agora em construção em todo o mundo, foi projetado a partir de mais de 50 anos de desenvolvimento tecnológico”, diz nota da Agência sobre o estudo.

O trabalho também estabelece um plano de ação com os passos que governos e indústrias devem seguir para conseguir maior aceitação do público a este tipo de geração. Entre eles está a criação de planos para eliminação dos resíduos de alto nível radioativo e um sistema internacional de salvaguarda para evitar a proliferação da tecnologia nuclear para outros fins que não a geração de energia.

Para André Amaral, coordenador da campanha nuclear do Greenpeace, será muito difícil que a indústria nuclear consiga essa expansão, por inúmeros fatores, entre eles o custo e tempo de implantação. Atualmente, o custo de uma usina de 1 giga no Brasil é de R$ 12 bilhões, bem mais alto que o de usinas eólicas, por exemplo. Além disso, para sua implantação são necessários, em média, 10 anos, contra dois da usina movida a vento. “Se consideramos que o prazo estabelecido internacionalmente para redução das emissão de CO2 é 2020, o investimento em usinas nucleares seria inócuo, já que não daria nem tempo de ela entrar em funcionamento”, diz.

Além disso, Amaral questiona a real eficácia da energia nuclear como energia “limpa”. Estudos comprovam que, para reduzir apenas 5% das emissões com energia nuclear, seria necessário que a cada 15 dias um novo reator entrasse em funcionamento no mundo. Hoje, a geração nuclear emite de 150 a 400 gramas de CO2 por kW/hora, contra 20 g de CO2, em média, da energia eólica. “O estudo foi feito apenas para “embasar o lobby da indústria nuclear. Defendemos que somente as energias renováveis dão conta do recado”, diz.

O Nuclear Energy Technology Roadmap faz parte de uma série que está sendo elaborada pela IEA, em cooperação com outras organizações e indústrias, para promover o desenvolvimento e a absorção de tecnologias-chave de baixo carbono para alcançar a meta de uma redução de 50% nas emissões de CO2 até 2050. A série foi encomendada por chefes de estado do G8, durante encontro no Japão em 2008. (Cristiane Prizibisczki)

 
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