Em 1999, durante o XVI Congresso Internacional de Botânica, na cidade norte-americana de St. Louis, foi proposta pela primeira vez uma Estratégia Global para a Conservação das Plantas (GSPC, na sigla em inglês), aceita oficialmente em 2002 pela Convenção sobre Diversidade Biológica. Agora, no fim de 2010, o seu primeiro alvo acaba de ser atingido através de uma parceria entre Missouri Botanical Garden (MBG) e o Royal Botanic Gardens (Jardim Botânico Real, mais conhecido como Kew Gardens): uma relação de trabalho aberta catalogando todas as espécies de plantas conhecidas no planeta.

O anúncio das duas instituições apresenta a conclusão da Lista de Plantas (The Plant List), documento imprescindível para conhecer as espécies da flora terrestre e trabalhar em ações de conservação efetivas. “Este é um grande avanço. Ao capturar o conhecimento taxonômico em um banco de dados, os computadores podem ajudar na tarefa de organizar os milhões de registros de nomes de plantas reunidos nas últimas duas décadas pelo Tropico, Lista Mundial de Famílias de Plantas Selecionadas e outras fontes usadas para fazer este produto (...), analisa Chuck Miller, Vice Presidente de Sistemas de Informação do Missouri Botanical Garden. 

Ao todo, a listagem contempla 1 milhão e 250 mil nomes de espécies, sendo que 29% (300 mil) são de definições comumente aceitas e 46% (480 mil) são sinônimos daquelas. Os outros 260 nomes foram encaixadaos na categoria “indefinidos”, pois ainda não há consenso se as evidências indicam nomes “Aceitáveis” ou apenas equivalentes aos que já existem. A expectativa é que estes números cresçam com o passar do tempo em função da atualização dos dados e novos estudos aprofundados.

Um dos principais benefícios do trabalho será a reunião de diferentes nomes científicos usados para a mesma espécie de planta ao redor do globo. Deste modo, abre-se a possibilidade de que toda a comunidade conservacionista no planeta utilize uma mesma comunicação efetiva nos projetos de auxílio à sobrevivência dos diferentes tipos de flora – hoje, as diferenças nas nomenclaturas causam desperdício de recursos financeiros e podem levar a um ineficiente caos. (Felipe Lobo)

Veja vídeo com pesquisadores do Kew Gardens e do Jardim Botânico de Missouri (em inglês)

A bromélia Alcantarea hatschbachii foi descoberta em 1975 e depois nunca mais avistada. 
Neste ano foi reencontrada por projeto do Kew Gardens (foto WW.Milliken)

Algumas das espécies da flora descobertas ou descritas em 2010 

À medida que o fim do ano se aproxima, as retrospectivas tomam conta dos noticiários e até das reflexões pessoais, com as promessas de ano novo. O Royal Botanic Gardens (Jardins Botânicos Reais, mais conhecido como Kew Gardens) não ficou atrás e, nas vésperas do encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade (eleito pelas Nações Unidas), celebrou a diversidade do planeta e as descobertas feitas das florestas tropicais camaronesas até os montes peninos ingleses – desde novas espécies para a ciência até outras reencontradas na vida selvagem após anos consideradas extintas.

De acordo com o professor Stephen Hopper, diretor do Royal Botanic Gardens, em média duas mil espécies de plantas são descobertas a cada ano. A instituição que ele representa, por sua vez, é responsável por 10% deste total, em um trabalho conjunto com cientistas e parceiros locais. Na conjuntura atual de mudanças climáticas e perda de habitats naturais, este esforço torna-se ainda mais importante.

Entre as descobertas durante 2010, encontra-se a árvore gigante Magnistipula multinervia, descrita por Xander van der Burgt, caçador de plantas do Kew, como a mais rara árvore que ele já achou em sua vida. Com 41 metros, este imponente exemplar da flora do Parque Nacional de Korup (Camarões) está criticamente ameaçado de extinção. Além dela, destaca-se o conjunto de três espécies do gênero Mastigostyla, avistadas nas montanhas secas e vales dos Andes bolivianos.

Um dos melhores momentos da relação, no entanto, fica por conta de uma bromélia brasileira (Alcantarea hatschbachii) famosa por suas belas flores verdes. Descoberta pela primeira vez em 1975, em Minas Gerais, ela nunca mais fora avistada após sua única coleta na década em questão. Comumente indicada como extinta, a planta foi reencontrada nesta temporada pelo Toucan Cipó Conservation Project, do Kew, no mesmo estado.

Confira, aqui, um mapa dos pontos de maior perigo para a flora no planeta. 
(Felipe Lobo)


Na semana passada aconteceu em São Paulo a segunda fase do Curso Biodiversidade, resultado de uma parceria entre o projeto Planeta Sustentável e a National Geographic Brasil, da Editora Abril, com patrocínio da Petrobras. O objetivo do encontro foi debater os resultados da COP10 - Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas que ocorreu há dois meses em Nagoya, no Japão, bem como as perspectivas daqui para frente já que, para surpresa de todos e, na medida do possível, bons acordos foram firmados.

Os palestrantes foram Beatriz Carvalho, diretora executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); Liana John, jornalista ambiental e colunista do Planeta Sustentável e Bráulio Dias, secretário nacional de biodiversidade e florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Beatriz citou algumas resoluções tomadas em Nagoya que, de certa forma, afetam o setor empresarial, caso da eliminação de subsídios potencialmente prejudiciais à biodiversidade, a criação e implementação de incentivos para conservação e o desenvolvimento de mecanismos inovadores de financiamento. “O setor deverá avaliar e monitorar os impactos dos negócios na biodiversidade e serviços ambientais, desenvolver e aplicar processos que reduzam estes impactos e participar de sistemas voluntários de certificação”, diz. Liana complementou as informações ao afirmar que a proteção da biodiversidade deve estar aliada à mudança nos padrões de consumo. "O engajamento de setores como agricultura, turismo, florestal, pesca e energia é fundamental para promover esta mudança".

Ela explica que durante o encontro em Nagoya cerca de 70 representantes de bancos, instituições de desenvolvimento e agências de cooperação divulgaram uma declaração na qual ressaltaram a importância da biodiversidade na produção de alimentos, purificação da água, fertilidade do solo, regulação do clima e, portanto, na luta contra a pobreza. Ou seja, a proteção da biodiversidade em todo o mundo vai muito além do que podemos imaginar. No entanto, Liana enfatiza que questões importantes ficaram de fora do debate na COP 10, caso da biodiversidade no Ártico e da poluição sonora e acidificação dos oceanos.

Outro ponto importante abordado pela jornalista foi em relação ao impacto das cidades sobre a biodiversidade, reconhecido por mais de 240 autoridades municipais que acordaram em ações e metas para a redução destes impactos. Liana citou, então, um exemplo de cidadania vindo do próprio Brasil e que merece ser seguido.

Um dia sua filha lhe mostrou um vídeo de uma festa que acontecia a céu aberto em Curitiba, no Paraná, na qual chama a atenção o fato de os participantes estarem “espremidos” em um espaço delimitado para não precisar pisar no jardim do local. O que isso significa? “Existe um certo pacto social naquela cidade, em que parques urbanos pertencem àquelas pessoas”. Ou seja, o sentimento de pertencimento ao local e o apoderamento de espaços públicos como “nossos” faz com que, naturalmente, zelemos por eles.

Responsabilidade do Brasil

Antes do curso começar Matthew Shirts, diretor de redação da National Geographic, contou um fato dos bastidores de Nagoya que clarificou de forma simples e direta a importância do país quando o assunto é proteção e conservação de recursos naturais. “Qualquer coletiva da ministra do meio ambiente Izabella Teixeira já era capaz de mobilizar todo o prédio. Lá fora, o Brasil está para a biodiversidade assim como a seleção brasileira está para o futebol”. “Cada vez mais a relação entre política interna e externa tende a ampliar. O Brasil é vitrine, há grandes expectativas de outros países sobre o uso de recursos, devemos zelar pela humanidade. Não adianta assumir metas internacionais e, externamente, adotar políticas contrárias. Somos questionados em relação às nossas atitudes”, complementa Bráulio Dias, do MMA.

Este questionamento inevitavelmente passa, por exemplo, por prováveis e desastrosas alterações no Código Florestal e construções de grandes e impactantes obras de infraestrutura. “O país está crescendo, assim como a população e os hábitos de consumo. Precisamos de energia, possuímos uma matriz energética mais limpa do que muitos países desenvolvidos. O que nos resta para a construção de hidrelétricas é a Amazônia, mas em quais condições e a que preço?”, questiona.

De acordo com o secretário, o Brasil ainda não tem definidas estratégias coordenadas de desenvolvimento sustentável. Ele mostrou o avanço do desmatamento em cada um dos biomas e alertou que os desafios para a conservação e proteção da biodiversidade serão ainda maiores nos próximos anos. “O país terá que discutir conflitos entre desenvolvimento e conservação e, ainda assim, garantir a proteção da biodiversidade com a produção de energia e de alimentos. Vamos ter que ser criativos” afirma, com notáveis doses de realismo.

E, sob esta mesma dose, finaliza sua apresentação dando a “chave” para a solução de muitos problemas considerados importantes para a sociedade. “Governo é movido à pressão, pois suas demandas são sempre altas e bem além de sua capacidade. A pressão da mídia e dos brasileiros é que determinarão as prioridades”.(Karina Miotto)


 
Terminou com final feliz a COP10 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas, que aconteceu em Nagoya, no Japão. Depois de duas semanas de discussões com representantes de 193 nações, se os resultados alcançados não foram os melhores, chegou-se ao possível. Assim interpretou a delegação brasileira. Sair satisfeito deste tipo de reunião sobre assuntos ambientais tem sido tão raro ultimamete – a exemplo da expectativas frustradas na COP15 sobre mudanças climáticas em Copenhague, em 2009 -- que o Protocolo de Nagoya, documento resultante das negociações no Japão, já tem sido chamado de protocolo mais importante do mundo desde Kyoto, em 1997.

A delegação brasileira teve motivos de sobra para sair satisfeita, ao ser peça-chave nas negociações para conseguir a aprovação de um Protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefícios dos Recursos Genéticos da Biodiversidade (ABS, na sigla em inglês). Este documento estabelece normas para usufruto dos recursos genéticos oriundos da biodiversidade, o que poderá incentivar mais pesquisas sobre biodiversidade, valorizar e beneficiar diretamente populações tradicionais (que terão direito a receber parte dos recursos financeiros gerados pela comercialização de determinado produto da biodiversidade) e ser um instrumento a mais para combater a biopirataria. Agora, se algum país quiser explorar os recursos da biodiversidade em território estrangeiro, terá que pedir autorizações expressas para tal. Esta foi considerada uma vitória aguardada há quase 20 anos, desde a Eco-92, no Rio.

Em declaração à imprensa na madrugada de sexta para sábado, a ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, considerou que o trabalho do Brasil só está começando. “O Brasil terá um difícil e importante trabalho pela frente, não apenas com o Protocolo ABS, mas com o Plano Estratégico para 2020 e com a Estratégia de Financiamento”, disse. Ela mencionou ainda que os resultados poderiam ter sido ainda melhores, caso entrasse no acordo o efeito retroativo da aplicação do Protocolo de Nagoya quanto à repartição de benefícios de recursos genéticos.

Os países signatários da CDB resolveram tentar novamente estabelecer um plano de metas para conservação da biodiversidade no mundo (2011-2020), apesar dos ruins resultados apresentados por cada nação nos últimos anos. Mas, desta vez, para que as metas tenham condições reais de serem atingidas, um desses mecanismos será diminuir subsídios a atividades que degradam a biodiversidade.

A meta para conservação em áreas protegidas terrestres passou de 10 para 17% no mundo e em ambientes marinhos 10%, o que representa um avanço considerável, já que a taxa atual de conservação nos oceanos é hoje de apenas 1% dos mares. Os governos também se comprometeram a recuperar pelo menos 15% de suas áreas degradadas. Esses números deverão servir de inspiração para que cada país consiga proteger seus biomas. (Andreia Fanzeres)
Durante a Conferência da Biodiversidade na COP10, em Nagoya, Japão, diretores dos oito países responsáveis pelas áreas protegidas da Amazônia apresentaram o primeiro relatório regional sobre a floresta, instituindo um plano de ação para a região no período de 2011 a 2020. O relatório é a tentativa de praticar as metas do Programa de Trabalho de Áreas Protegidas (PoWPA).

O objetivo regional do relatório é gerar estratégias conservacionistas integradas para os ecossistemas amazônicos, para desfragmentar as ações de proteção em função das fronteiras políticas. Os países amazônicos já investiram 100 milhões de dólares por ano na manuntenção das áreas protegidas da região, porém existe uma necessidade de pelo menos mais 150 milhões, além de investimentos em infraestrutura (aproximadamente 500 milhões) para que a preservação seja realmente consolidada.

A importância do bioma amazônico na preservação pode ser observado pelo período de 2003 a 2009 quando 78% das áreas protegidas foram implementadas na Amazônia, totalizando 2,16% das reservas mundiais. Por essas razões, os governos apontam que contribuições financeiras internacionais devem ajudar na captação dos recursos necessários para a real preservação.
A Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas, que acontece em Nagoya, no Japão, ainda não chegou a conclusões importantes para salvar a biodiversidade mundial. Mas esta semana, a Rede WWF lançou uma notícia que pode entusiasmar as discussões: na última década (entre 1999 e 2009), uma nova espécie de planta ou animais vertebrados foi descoberta, em média, a cada três dias no bioma Amazônia. Ao todo, a ciência catalogou, no período citado, mais de 1200 integrantes da fauna e flora apenas nesta floresta – contando todos os países em que ela existe. Os dados estão no relatório “Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009”.

“O Brasil é o país com o maior número de espécies descobertas nessa década. Foram 280 novas espécies. Seis das sete espécies de primatas descobertos estão no Brasil. Temos que continuar protegendo a Amazônia e conservando ainda mais essa grande riqueza do país”, afirmou Claudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil, em comunicado oficial. O documento, em números gerais, apresenta 637 plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 aves e 39 mamíferos.

Na Amazônia brasileira, as espécies que mais se destacaram na última década foram o peixe Phreatobius dracunculus, bagre (aquele conhecido bicho que recebeu o desdém do presidente Lula à época do licenciamento das hidrelétricas do rio Madeira) cego e bem pequeno que vive em Rondônia, e o Papagaio-de-cabeça-laranja (Pyrilia aurantiocephala), caracterizado pelo seu conjunto de cores estonteante e encontrado em algumas localidades do Alto rio Tapajós e Baixo Madeira. Esta ave já sofre com declínio populacional.

Mas não foi apenas em território nacional que os pesquisadores encontraram animais ou plantas nunca antes identificados (vale dizer que todas as novidades estão descritas em publicações avalizadas pelos pares). Um exemplo é a rã Ranitomeya amazonica, habitante da floresta úmida primária de várzea no Peru e dona de um imponente conjunto de chamas na cabeça. Já um outro tipo do Borto-Cor-de-Rosa (que, originalmente, foi descoberto em 1830) foi avistado em 2006 na Bolívia, mas ainda não existe um consenso sobre se trata-se de nova espécie ou apenas uma sub-espécie.

O relatório, de 64 páginas, explica que 17% do bioma já foram desmatados, o equivalente a quase o dobro da Espanha. Até 2000, 80% das áreas degradadas deram lugar às pastagens. “Os impactos da criação de gado e da agricultura na Amazônia são ampliados por uma série de outras ameaças crescentes, tais como a intensa exploração madeireira, as mudanças climáticas e os projetos de grande escala de transporte e infraestrutura energética – principalmente infraestrutura hídrica em grande escala”, diz o texto (p40). (Felipe Lobo)
Em mais um dia da Convenção da ONU sobre a Biodiversidade, no Japão, a tecnologia se apresenta como principal aliada da conservação. Duas ferramentas recém lançadas pretendem ser fonte de consulta para empresários, governos e órgãos ambientais.

O Sistema Integrado de Avaliação da Biodiversidade (IBAT) para o negócio é uma ferramenta que fornece dados sobre os biomas de diversas áreas do planeta. Mas não é um conteúdo qualquer. Locais de alta prioridade para a conservação e áreas essenciais da biodiversidade estão entre as informações do site para que os empresários saibam como adotar e implementar políticas corporativas visando um melhor sistema de gestão ambiental. Quem quiser ter acesso a esses dados precisa se cadastrar no site.

Esta grande quantidade de registros só foi possível pela parceria entre o IBAT e organismos da ONU e da UNESCO e também com o Banco de Dados Mundial de Áreas Protegidas (WDPA). Só que não pára por aí. Com ligação direta com IBAT, o site A a Z, Áreas de importância para a biodiversidade, também reúne informações preciosas. O catálogo traz de forma organizada o histórico de áreas protegidas em todo o mundo, quais são elas e ainda a relevância para os negócios de cada área. Não é necessária inscrição no site para começar a pesquisa.

Mais uma vez a tecnologia assume a função de facilitar a nossa vida para a preocupação com o meio ambiente. Se a funcionalidade destas ferramentas vai ficar só no ambiente digital já é outra história. Até o dia 29 de outubro esforços estão sendo feitos para que a Convenção da ONU sobre a biodiversidade faça deste ano de 2010 um marco ou, pelo menos, um pontapé inicial para dias de mais consciência e cuidado com ambiente que nos cerca. (Thiago Camara)

Foi lançado nesta quinta-feira em Nagoya um relatório da organização Wetlands International que resume o estado das aves aquáticas do mundo. E o sobrevoo dessas espécies pelo planeta não anda nada tranquilo. As 24 páginas do documento revelam os números das populações e compara o que mudou entre os anos de 1970 e 2000.

Voar pelo continente Africano, América Latina e, especialmente Ásia, é mais perigoso. O crescimento econômico do continente asiático e a ausência de esforços de conservação contribuem para que a diminuição das aves aquáticas seja mais acelerada do que em qualquer outra parte do mundo.  Por lá, 62% das populações conhecidas estão minguando, enquanto apenas 10% aumentam seus indivíduos. Já em lugares onde as leis para a conservação são mais severas como América do Norte, Europa e Oceania a situação melhorou. Essa mudança alterou globalmente o declínio dessas populações que diminuiu ligeiramente, em cerca de 5%, entre 1975 e 2005. Esse percentual representa algum progresso em direção a Meta da Biodiversidade para 2010. Mas a diferença entre o crescimento e diminuição ainda são grandes. Quarenta e sete por cento das populações de aves aquáticas ainda estão em declínio e apenas 16% estão a aumentar em todo mundo.

Outra preocupação é o aquecimento global, que altera centenas de locais de reprodução das aves. Da Ásia, África do Sul, Austrália, e América do Sul elas migram em direção ao Ártico, que já sofre com as consequência do aquecimento do planeta. Além disso, as populações de aves aquáticas são expostas a uma ampla gama de ameaças como a perda e degradação dos charcos e lagos, a regulação da água, a intensificação da agricultura, caça e mudanças climáticas.

Entre as recomendações para a conservação das aves aquáticas estão a plena implementação dos compromissos internacionais e reforço em medidas legislativas de proteção desses animais, principalmente nos países onde há essa deficiência. Deter e reverter a perda das áreas úmidas é outra sugestão do estudo. E também identificar os sítios-chave onde as populações de aves aquáticas recebem proteção adequada para garantir o uso sustentável de seus habitat e biodiversidade.

O relatório foi lançado por 193 delegados membros da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica. O evento vai até o dia 29 de outubro e pretende elaborar um novo conjunto de metas para reduzir a rápida perda de biodiversidade do mundo até 2020. (Thiago Camara)

Leia o estudo na íntegra.

Lançado no dia 19 de outubro, durante a Convenção da Diversidade Biológica da ONU, o livro "Proteção Global dos Oceanos: perspectivas atuais e oportunidades futuras", compilado pela IUCN (Internacional Union for Conservation of Nature), The Nature Conservancy e outros parceiros, avalia a situação global dos oceanos e oferece soluções para suprir as demandas de proteção ambiental dos recursos marinhos.  É uma publicação com as melhores visões cientificas e políticas disponíveis hoje, escritas por 30 dos maiores conservacionistas internacionais -- material sólido para estimular governos na criação de áreas protegidas.

Com apenas 1% das extensões oceânicas sobre proteção legal, os países estão com 10% de atraso nas metas previstas para 2010. Ainda são necessárias mudanças e esforços políticos consistentes para gerenciamento dos recursos marinhos.

Atualmente existem 5.880 áreas marinhas protegidas, a maioria localizada nas regiões de costa, o que não cobre toda a diversidade de ambientes oceânicos. Para que se atinja um padrão ótimo de conservação marinha, que esteja associado com a produção de alimentos, qualidade de vida e saúde humanas é preciso ter gerenciamento adequado, planejamento espacial e criação de áreas protegidas, como direciona a publicação da IUCN.

Em outubro, o Chile anunciou a criação de uma grande reserva marinha na região da ilha Sala y Gómez no Pacífico. No entanto, os planos atuais de conservação dos oceanos ainda não são suficientes para garantir sua real proteção. 

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Teve início ontem, em Nagoya, no Japão, a 10ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Já nesta terça-feira (19), a delegação brasileira fez um discurso em nome do Like-Minded Megadiverse Countries (Países Megadiversos Afins, em tradução livre), Grulac (países latino-americanos) e Asia-Pacific Like-Minded Countries (Países Afins da Ásia e do Pacífico, também em tradução livre). Nele, o ministro da Divisão do Meio Ambiente do Itamaraty, Paulino Franco de Carvalho Neto ressaltou a importância do Protocolo de Acesso e Repartição de Benefícios dos Recursos Genéticos da Biodiversidade (Access and Benefit-Sharing, ou ABS), que pode ser ou não aprovado durante o encontro.

“Para termos sucesso, no entanto, precisamos do comprometimento de todas as partes, e acima de tudo precisamos de suas vontades políticas”, garantiu. O ministro também acha que este acordo pode colocar um ponto final na biopirataria. Segundo Franco de Carvalho, as discussões em torno de um Plano Estratégico para a próxima década e as mobilizações de recursos são de grande valor para a preservação da biodiversidade, mas apenas farão sentido se o ABS for bem costurado.

Para o Brasil e o grupo de nações que representou no discurso, são três os pré-requisitos básicos para quaisquer arranjos pós-2010: assegurar as divisões igualitárias dos benefícios de recursos genéticos e mecanismos de financiamento; cumprimento da legislação do ABS e harmonia entre as expectativas de cooperação internacional entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e alvos da manutenção da biodiversidade. (Felipe Lobo)
Mesmo com a fraca disposição internacional demonstrada para salvaguardar a biodiversidade, começou com discurso de otimismo a 10a Conferência das Partes sobre a Convenção da Diversidade Biológica (COP10), em Nagoya, no Japão. O encontro das Nações Unidas vai até o dia 29 de outubro e foi aberto pelo secretário-executivo da convenção, Ahmed Djoghlaf, que não poupou palavras para afirmar que, apesar de tudo, esta será a mais importante conferência sobre biodiversidade da história das Nações Unidas. “Tenhamos coragem de olhar nos olhos das nossas crianças e reconhecer que nós falhamos, individual e coletivamente, para realizar o compromisso de Joanesburgo feito pelos 110 chefes de estado para reduzir substancialmente a perda de biodiversidade até 2010”, disse.

O secretário executivo reforçou que a velocidade da perda de espécies e ecossistemas hoje é mais de mil vezes mais alta do que o ritmo histórico de extinções. E falta pouco para que cheguemos ao ponto de irreversibilidade dos danos que estamos provocando à sustentabilidade da vida neste planeta.

Missões para as próximas semanas


Os 16 mil representantes de 193 países vão se debruçar sobre a negociação para elaboração de um plano estratégico para a próxima década (2011-2020), com olhos em 2050. Para não ser mais um plano fadado ao fracasso, Ahmed Djoghlaf pediu apoio às maneiras de implementação, monitoramento e verificação das ações e sinalizou com esperança pela aprovação do protocolo sobre acesso e repartição de benefícios da biodiversidade ainda neste encontro, como deseja a delegação brasileira.

Aproveitando o momento fértil para divulgar pesquisas sobre proteção da biodiversidade, na semana passada um estudo da Conservação Internacional (CI) mostrou que apenas 13% da superfície terrestre encontra-se protegida legalmente. Os oceanos têm só 1% de toda a sua extensão em áreas protegidas. O estudo prevê a necessidade de 25% de superfície terrestre protegida e o aumento para 15% na proteção de oceanos. Ainda assim, esta é considerada uma estimativa preliminar, pois a análise focou-se na estocagem de carbono, inibindo outros importantes serviços ambientais que, se incluídos, aumentariam em muito as necessidades de conservação internacionais.
 
Nesiota elliptica, ou a oliveira de Santa Helena, declarada extinta. Só existia em ilhas do Atlântico Sul 
(foto:Rebecce Cirns-Wicks)

Um novo estudo do Jardim Botânico do Reino Unido - o Kew Gardens - em parceria com o Museu de História Naural de Londres e a União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) faz a primeira análise global sobre os riscos de extinção de espécies vegetais, e revela que as plantas estão tão ameaçadas quanto alguns mamíferos. Utilizando-se de informações do Kew, como os arquivos de oito milhões de espécies de plantas e fungos, espécimens do Museu de História Natural e seu extenso herbário, além da colaborações de pesquisadores de diversas partes do mundo, o estudo gerou uma Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas feita por amostragem, divulgada em 28 de Setembro.

Das 7 mil espécies avaliadas, quase 22% foram classificadas como ameaçadas, o que faz das plantas mais ameaçadas que as aves, igualmente ameaçadas aos mamíferos e menos ameaçadas que anfíbios e corais. Foi constatado que o grupo das Gimnospermas é o mais ameaçado, assim como as espécies de ambientes tropicais, os habitats mais degradados. Os processos que caracterizam as principais ameaças à biodiversidade vegetal são a perda de habitats, conversão dos mesmos em sistemas de agricultura e exploração extrativista, ações induzidas pelo homem.

O estudo revelou ainda que quase um terço das espécies (33%) não possuem informações suficientes para uma avaliação de seus riscos de extinção, um desafio para os botânicos na área de conservação. 

Clique aqui para entrar no mapa interativo com o status de cada região

Avaliar as ameaças às espécies vegetais representa um grande desafio pelo grande número em relação aos animais. Por isso, adotou-se um método de amostragem, no qual 1,500 espécies foram escolhidas randômicamente dos cindo principais grupos de plantas terrestres, que de acordo com a simulação de modelos da IUCN, já utilizada para a Lista Vermelha por amostragem de aves, promove uma visão representativa do grupo de vegetais como um todo.

Foram elegidas 7000 espécies para esse estudo dos grupos principais:  briófitas (grupo dos musgos), ptridófitas (plantas sem sementes ou flores, como samambaias), gimnospermas (plantas de sementes nuas, como coníferas), monocotiledôneas (primeiro grande grupo de plantas com flores, que incluem em si orquídeas, palmeiras e gramíneas) e dicotiledônas (outro grande grupo que inclui leguminosas e outras plantas com flores). O estudo inclui espécies raras e abundantes para garantir uma boa precisão na distribuição das espécies pelo mundo 

 A Lista Vermelha faz parte do esforço global para criar de ferramentas de monitoramento do status dos principais grupos vegetais, animais e de fungos do planeta. O projeto inclui reavaliações periódicas do futuro dos grandes grupos, para ajudar na administração dos esforços conservacionistas, criando um direcionamento mais profundo de proteção.O estudo é uma base para a conservação de plantas, demonstrando, pela primeira vez as ameaças às 380 mil espécies vegetais e é também essencial para o próximo encontro dos governantes mundiais em Nagoya, Japão, na qual serão definidas as metas de conservação da biodiversidade, ainda neste mês de outubro. (Laura Alves)

Link
Site Plant at Risk, com todas as informações sobre a avaliação global das espécies vegetais
 


 

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